António Fernandes Aleixo nasceu em Vila Real de Sto António em 1899, e faleceu em Loulé em 1949. Considerado por muitos, o maior poeta popular português, adquiriu fama pelas suas quadras repletas de ironia e crítica social, embora a sua escrita a elas não se reduza.
Com uma vida pobre e difícil, devido ao peso do infortúnio e da doença, revelava extraordinária espontaneidade criativa, exprimindo de forma sintética conceitos de profundidade filosófica e ética. Praticamente iletrado, era no entanto um homem culto e profundo conhecedor da realidade do seu tempo.
Obras publicadas em vida: "Quando Começo a Cantar"(1943), "Intencionais"(1945), "Auto da Vida e da Morte"(1948), "Auto do Curandeiro"(1949). Obras postumamente publicadas : "Auto do Ti Joaquim" (incompl.) e "Este Livro que Vos Deixo"( ambos em 1969, reunindo este último toda a sua obra), "Inéditos"(1979).
Eis algumas das suas quadras:
Eu não sei porque razão Falamos sinceramente,
Certos homens, a meu ver, Como p'ra nós mesmos, a sós;
Quanto mais pequenos são, Lá longe de toda a gente,
Maiores querem parecer. Do mundo, e até de nós.
P'rá mentira ser segura
E atingir profundidade
Tem que trazer à mistura
Qualquer coisa de verdade.
Estátua de António Aleixo, Loulé
PORQUE O POVO DIZ VERDADES
Porque o povo diz verdades,
Tremem de medo os tiranos,
Pressentindo a derrocada
Da grande prisão sem grades
Onde há já milhares de anos
A razão vive enjaulada.
Vem perto o fim do capricho
Dessa nobreza postiça,
Irmã gémea da preguiça,
Mais asquerosa que o lixo.
Já o escravo se convence
A lutar por sua prol
Já sabe que lhe pertence
No mundo um lugar ao sol.
Do céu não se quer lembrar,
Já não se deixa roubar,
Por medo ao tal satanás,
Já não adora bonecos
Que, se os fazem em canecos,
Nem dão estrume capaz.
Mostra-lhe o sabor moderno
Que levou a vida inteira
Preso àquela ratoeira
Que há entre o céu e o inferno.
in "Este Livro Que vos Deixo"
Trailer do documentário "António Aleixo, Na terra acho, na terra deixo" dedicado à vida e obra do poeta





















