foto de João Palmela
Uma rola rola, rebola no restolho.
Árvores estáticas sobrevoadas por pardais
e pombos. No calor tórrido, ouço uma cotovia
cruzar-se com negro melro nos azinhais.
Nem sombra de vivalma de noite ou de dia,
apenas uma agreste e estranha calma
que ora se mascara de paz, ora de agonia
de antigos sobreiros que no calor sangram
inconscientemente sua forte e leve cortiça.
Vinda de longe surge no ar uma carriça,
um tordo, uma felosa surgem no caminho
de terra dormente, não de sono ou de preguiça.
O picanço, o pintassilgo e o estorninho
aconchegam com enlevo as crias no ninho.
Maçãs vermelhas caem de maduras no pomar,
e cigarras soltam do ventre, ardente canto,
convite estridente para a fêmea. Surge a voar
um rouxinol, recorta no espaço, sem espanto
bailado breve, divina melodia. Rasa o chão
enquanto nos ares se anuncia um gavião.
Há no silêncio das casas corpos que se abraçam
em crepitante colchão de secas folhas de milho,
raros fios de água no regato seco se entrelaçam
e logo se evaporam ao sol, como rastilho.
Sob o olival milenar descanso. Sou feliz.
Rasgam os campos uma águia e um açor,
atemorizam a galinha-de-água e a perdiz.
Mais nada existe que o sossego deste calor
de guarda-rios, abetardas e cegonhas.
Uma calhandra, um milhafre e um chapim
invadem o meu sonho, trazem com eles
bufos e garças, sentam-se perto de mim.
Nesta aparência de sufocantes horas mortas,
sapos coaxarão ao anoitecer perto das hortas
e o tempo que finge passar tão devagar
escreverá a direito por linhas tortas.
Liberto os olhos na distância, vejo lavrar
no horizonte, o voo daquela pega-azul...
As papoilas morreram...Evito dizer adeus.
Levo comigo a graciosidade das aves do sul
e a beleza eterna da cor de todos os céus.
Como não encontrei bons vídeos com aves do Alentejo, decidi mostrar um vídeo promocional da região, com o sugestivo título : "Alentejo, Tempo para ser Feliz". Divirtam-se!


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