terça-feira, 26 de abril de 2016

Incêndios


Graça Morais, Sedução e Paixão II

" Todo o fervor acarreta consigo a convicção supersticiosa de ter de prestar contas à própria lógica das coisas". Cesare Pavese, in  Ofício de Viver



                                                     No silêncio das casas
                                                      dorme o dia
                                                      a acordar para lá da vidraça.
                                                      Calor de chamas e de brasas
                                                      que o vento ateia quando passa.

                                                       E tão aceso o lume 
                                                       dos amantes
                                                       se consome do sopé até ao cume
                                                       em labaredas trepando às montanhas
                                                       mais distantes.

                                                        Restam defuntos desejos
                                                        bocas frias.
                                                        Bombeiros arrefecem as esquinas
                                                        necrópole de beijos
                                                        corpos em ruínas.

                                                        Coveiros enterram em caixões
                                                         de madeira polida
                                                         extintos pedaços de amores
                                                         cinzas de ardidas paixões
                                                         densos fumos de pecadores.




Dulce Pontes,  com Lusitana Paixão. " Mas não condeno essa paixão / Essa mágoa das palavras/ Que a guitarra vai gemendo também..."

                                                   
Não poderia abandonar o blogue sem despedir-me.
Lancei por isso ao ar meia dúzia de poemas, e aquele que consegui agarrar primeiro, seria o poema a postar. Calhou ser este. Com ele me despeço de todos os que aqui vieram assiduamente.
Há um tempo de chegar e um tempo de partir, e chegou a minha hora de partir. Esta foi uma experiência inolvidável, sobretudo pelo contacto com o talento e generosidade de tanta gente, e pelo carinho com que sempre me trataram.  Tenho para com todos vós uma gratidão imensa. Muito obrigada.

99 comentários:

  1. OI LAURA!
    JURA AMIGA? NÃO FAÇA ISSO! FIQUEI MUITO TRISTE EM SABER QUE ESTÁS TE DESPEDINDO DO BLOG. MAS, CONFIO NA POESIA E ACHO QUE ELA NÃO TE DARÁ TRÉGUA E TE VERÁS FORÇADA A VOLTAR E A CONTINUAR A DIVIDIR CONOSCO TEUS TEXTOS.
    POR ENQUANTO AMIGA, TE DEIXO MEU CARINHOSO ABRAÇO E VOTOS DE QUE SEJAS MUITO FELIZ.
    EU, SÓ AGRADEÇO POR TER VINDO AQUI HOJE. NÃO ME PERDOARIA SE PASSASSE MUITO TEMPO E EU MÃO PUDESSE DESPEDIR-ME DE TI.
    ABRÇS DE CORAÇÃO E FICA COM DEUS.
    http://zilanicelia.blogspot.com.br/

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    1. De agora em diante os escritos irão para a gaveta, para junto de muitos outros que lá estão ainda sem verem a luz do dia. :-)
      Obrigada, Zilani.
      xx

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  2. Vou sentir saudades. És uma poetisa de se tirar o chapéu.

    Bj Laura!

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    1. Aparecerei de vez em quando para ler-te. Tu sim, um poeta de excelência. A ti te tiro eu o meu chapéu.
      xx

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  3. Por Favor Amiga! Faça uma pausa se esse é o seu desejo, mas abandono definitivo não. Blogues há muitos mas nem tantos têm o seu talento. A blogosfera vai ficar mais pobre.
    Despeço-me com tristeza. E com a esperança de um regresso.
    Abraço e tudo de bom para si.

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    1. Blogues há muitos, e se alguns não têm qualidade alguma, existem imensos com muita qualidade. Por isso, mais blogue, menos blogue, não faz diferença nenhuma.
      Obrigada, Elvira, mas esta é uma decisão que já deveria ter tomado há algum tempo.
      xx

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  4. I love the painting, and the song.
    Just saying hi.

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  5. Oi Laura :)
    Seu último poema no blog, foi triste
    igual são as despedidas...
    Mas foi muito bom estar sempre em contato com você, e conhecer seu talento literário.
    Desejo tudo de bom em sua vida \o/
    Beijos!

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    1. Só o que é triste precisa verdadeiramente de ser cantado, porque tudo arde, até a vida. A alegria basta-se a si mesma.
      Obrigada por teres estado sempre presente, Clau.
      Tudo de bom também para ti.
      xx

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  6. Laura,
    Adoro Dulce Pontes - foi a minha primeira paixão luso. As primeiras paixões têm a magia de permanecerem para além do tempo, para além da lógica.
    Ela, tal como a guitarra, geme tão bem o sentimento das palavras, ainda que sua voz seja límpida e forte, assim como tu sabes fazer a escrita gemer sentimentos e emoções, com o condão de despoletar, em quem te lê, "aquele" arrepio na alma.
    Claro, dirás que muitos escrevem. Sim, responder-te-ei. Mas uma estrela não substitui o brilho de outra, no céu de quem o sabe observar - sabe até quando, no meio de tantos milhares de biliões, uma delas falta, ali, naquele escurinho que, entretanto, se mostra.
    Para além da poesia que está intrinsecamente em teu ser/existir - porque quando se tem espírito inquieto, apaixonado e questionador, tem que se dar vazão aos gritos e gemidos da alma - sabes, como poucos, "falar a dizer" e demonstras uma cultura, que, confesso, dá-me inveja. E eu sou sedenta de conhecer.
    Cada um sabe de sua própria vida e, às vezes nem nós mesmos sabemos bem dela, isto digo eu(!).
    A sorte ditou que fechasses com um poema incendiário, como incendiárias são as paixões. Curiosamente fazes uso de uma frase de Pavesi para lembrar que:
    " Todo o fervor acarreta consigo a convicção supersticiosa de ter de prestar contas à própria lógica das coisas" - eu só não entendo porque o autor a diz "supersticiosa" - pois eu considero que seja um facto irremediável e incontestável, isso de "prestar contas à lógica das coisas" e, penso que todos, ao longo da vida, já percebemos isso :S

    Laura, digo-te: se regressares: avisa ;)

    Leva contigo um beijo amigo

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    1. Olá Carmem!
      Também eu gosto muito de Dulce Pontes. Costumo dizer que tem uma voz tão límpida que até irrita! :-)
      É certo que não sabemos muito acerca da nossa própria vida, mas neste momento, se por um lado estou triste por deixar de postar e de comentar, pelo menos como antes, por outro lado estou contente, porque embora continue a escrever, terei mais tempo para ler. E ler dá-me muito mais prazer do que escrever.
      Quanto à citação de Pavese, retirada de um texto intitulado "As desvantagens das nossas paixões", acho que o que ele quer dizer é que todas as paixões "emaranham" (é esta a expressão que ele usa), o ser humano numa intensidade de sentimentos que eventualmente têm na sua base uma poderosa ilusão de auto-derminação ausente de qualquer lógica racional, e que o desenvolvimento e destino trágico em desilusão dessa paixão, desse fervor, introduz no "desarranjo" emocional do sujeito em sofrimento, a superstição, ou seja; a crença sem fundamento racional de que abusar da ordem pré-estabelecida das leis humanas e universais pressuporá uma espécie de punição.
      Tu atribuis à questão uma irremediabilidade que o Pavese entende apenas como algo dependente de cada contingência. E claro que todos nós sabemos que temos de "prestar contas à lógica das coisas", mas só o sabemos à posteriori.
      Aparecerei de vez em quando para ler o que tão bem escreves.
      Obrigada pelas tuas palavras, Carmem.
      xx

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  7. Amiga Laura que tristeza você abandonar o blog,pense bem e retorne quando quiser.
    Seus poemas não podem ficar sem que nos sejam apresentados.
    Adoro você linda amiga,sempre tão afetuosa com palavras de carinho para mim,tanto no blog,quanto no Facebook.
    Um poema de corpos em chamas ao término da volúpia de um amor.
    Fique com Deus.
    Bjs-Carmen Lúcia.

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    1. Não se pode viver sem lume, e fazer o lume implica sempre queimar alguma coisa. :-)
      Obrigada pela presença assídua, Carmen Lúcia. E continuaremos a ver-nos por aí, de vez em quando, já que o Facebook não é bem a minha praia. Mas aparecerei para ver os amigos, sim.
      xx

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  8. Poema assustador! Porém muito bom
    Mas que não seja uma partida! Essa não, vai descansar e tratar de ti, mas esperamos por ti aqui

    beijinhos :(

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    1. Assustador?!!...É tudo "fogo de vista". Hipérboles, minha amiga.
      Descansar?...Eu vou é cansar-me! :-) Não, Cidália, desta vez acabou.
      xx

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  9. Fogo que arde sem se ver, é fácil de apagar quando o amor existe! E só quando o tempo começa a secar as mangueiras da água, obrigatoriamente se deixa arder, sem nada poder fazer!
    ABRAÇO.

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    1. O António viu a questão numa diferente perspectiva, e com um certo sentido de humor, o que não deixa de ser interessante.
      xx

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  10. Espero que volte. Não vá definitivamente.

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  11. Ouso perguntar retoricamente: como podes dilacerar deste modo entre a saudade e a esperança o coração do leitor fiel, cativo, apaixonado pela tua escrita?
    Só retórica. Sei que tens razão. Deixo o longo silvo do navio em despedida ecoando... E fico com a emoção da leitura deste poema vigoroso, com a sua marca.
    As minhas reverências ao teu talento, o meu respeito, e a minha amizade.
    Às leituras, que nunca deixou de fazê-las. Irão duplicá-las.
    Um abraço,

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    1. Foste de facto um leitor fiel e atento, e um ´comentador especialíssimo, para além da muito profícua troca de opiniões sobre diversos assuntos. O tipo de pessoa com quem dá gosto conversar, e sempre se aprende alguma coisa. Já para não falar da tua simpatia, sentido de humor e elegância no trato. Um cavalheiro 5***** que muito admiro.
      Sou-te muito grata, José Carlos.
      xx

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  12. Admiração, não de espanto mas de respeito, e gratidão.
    Vou torcer para que seja feliz Laura.
    Até sempre!

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    1. Eu é que tenho de agradecer-lhe, Rui. Por ter sido o meu primeiro leitor e nunca mais ter arredado pé. É dose, porque aturar-me não é fácil. :-)
      Obrigada, Rui. Por ter-me incentivado tanto.
      xx

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  13. Ficaria mais triste, se não fosse por opção sua e antes por constangimentos de saúde. Os tempos de chegar e de partir só ficam fechados no fim do percurso... Grato pela interacção literária_Laura Santos. Acho a Dulce Pontes uma cantora brilhante...E tocou-me pela tristeza e profundidade o seu poema de "despedida". Obrigado e volte quando se cansar das leituras e lhe apetecer patilhar os seus escritos...

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    1. Claro, não há razões para tristezas. Esta é uma decisão muito ponderada ao longo das últimas semanas.
      Obrigada, Luís.
      xx

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  14. Como podes calcular, ao longo dos meus oito anos de "blogueira", já assisti a inúmeras despedidas, e a "cena" é sempre a mesma.
    As amigas e amigos a pedirem "não vás, reconsidera", e a "fujona" a responder "tem que ser, não dá mais" blá, blá, blá...
    Como sou diferente (ó p'ra mim tão diferente!!!) não vou entrar por aí. Mas vou dizer: Não vás! Fica! Fazes tanta falta! O teu blogue é tão bom!
    Agora vou falar a sério, isto foi só para disfarçar a... decepção que me causou a notícia do teu afastamento, talvez por completamente inesperada. E também muito a sério - fazes falta, sim, o teu blogue é muito bom, sim!
    E... a cereja em cima do bolo - não feches a porta! Há sempre a possibilidade duma recaída. Isto dos blogues é como trabalhar na rádio (digo-te com conhecimento de causa). O bichinho entranha-se e fica para sempre.

    Tenho um fraquinho - para não dizer um "fracão" - pela Dulce Pontes. Tem uma voz que parece do outro mundo. ADORO!
    O teu poema acaba por ficar em segundo plano, devido a todas estas emoções :). Mas é excelente, ainda que carregado de emoção, ou talvez por isso mesmo...

    E pronto, a gente vê-se por aí...

    Continuação de boa semana.
    Beijinhos
    MARIAZITA / A CASA DA MARIQUINHAS

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    1. Que engraçada a expressão "fujona"! :-)) mas não estou a fugir, estou a despedir-me devagar. Fugir é abalar sem dizer "água vai". Mas entendi perfeitamente o contexto de brincadeira.
      Gostei muito da inter-acção com os bloggers assíduos, mas a blogosfera ocupa muito tempo, tempo que quero utilizar de forma mais proveitosa. Mas não fecho a porta, por enquanto, embora não creia que esse "bichinho" de que falas volte nos tempos mais próximos.
      Ver-nos-emos por aí, sim.
      Obrigada, Mariazita.
      xx

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  15. Querida Laura, neste poema, você descreveu com maestria, a efemeridade da vida humana...
    Mas, amiga, vamos sentir muita falta de suas belíssimas criações e acredito que um dia você voltará.
    Deus a proteja, Laura!!!

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    1. Não era suposto ser sobre a efemeridade da vida humana, mas sobre a efemeridade das paixões. Mas pensando bem, que significado terá uma vida sem paixão?...
      Obrigada, Shirley.
      xx

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  16. ¡Ay Laura!!!

    ¡Que te necesitamos!!! Por estos lares compañera, amiga.

    Describes a las mil maravillas la llama del amor entre metáforas... Qué, claro esta, también se acaba, nada es para siempre. Y lo expresas verdaderamente bien, mientras el viento atiza las brasas, funciona. Y naturalmente, cuando el viento cálido y fuerte deja de soplar... Se apaga esa llama y solo quedan sus cenizas,Coveiros enterram em caixões
    de madeira polida
    extintos pedaços de amores
    cinzas de ardidas paixões
    densos fumos de pecadores.

    Pienso que no tiene que ser un pecado! Mientras haya vida con mayúsculas, también hay amor! Y lo hay de muchos colores que son importantes para todo ser humano. ¿El de pareja? Cuando una puerta se cierra, otras se abren, solo hay que saber verlas.

    Deseo que tu retirada, solo sea un alto en el camino, a veces se necesita un descanso y es bueno hacerlo. Esto de los blogs, es bonito pero te absorbe. Venga, descansa y no te olvides de volver cuando puedas.

    Un abrazo inmensa, todo mi cariño, mi gratitud y mi estima siempre. Se muy feliz y disfruta de ese descanso.

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    1. Nem tudo o que escrevo é expressão do que penso acerca dos temas. Claro que para mim também não existe pecado em qualquer tipo de paixão, ardida ou por arder. Escolhi a palavra pecadores precisamente para suscitar o debate. A letra da música exprime, neste caso, exactamente a minha percepção sobre o assunto; nada existe na paixão de condenável.
      Obrigada, Marina. Também sinto por ti imensa estima, e admiração pelo que escreves.
      Espero que estejas melhor, e que os problemas de saúde não continuem a atormentar-te.
      xx

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  17. cheguei tarde, mas gostei deste espaço de poesia, cultura e vida...

    até sempre!

    beijo

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    1. Obrigada pela atenção, e muito sucesso com o recente livro.
      Até sempre, Poeta!
      xx

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  18. Querida Laura,

    Vou começar pela tua comunicação de parar de
    postar a tua arte da escrita, o teu bom gosto
    musical e cultura literária que sempre
    adorei apreciar aqui.
    Fica difícil para mim imaginar o teu espaço
    de arte sem ti e sem continuidade.
    Compreendo a tua decisão, mas lamento diante
    da preciosa amizade da partilha poética
    no decorrer deste tempo.

    O teu belíssimo poema passeia no estado da paixão,
    pois a paixão é um fogo de incêndios de corpos no
    cume da montanha de sentires e quando não aprofundada
    na estrada do amor, finaliza com a:
    "Necrópole de beijos
    Corpos em ruínas."
    Mas, existe outro estado da paixão no sentido
    pela vida e esta estrofe do teu belíssimo poema:
    "No silêncio das casas
    Dorme o dia
    A acordar para lá da vidraça."

    Adoro a tua poética original, excelente
    e inspirada (do teu encantamento interior) e
    inspiradora para nós leitores, ao encanto de
    ler-te, Poetisa Enorme!...
    Não me digas que sou exagerada, pois puxo
    a tua orelha e digo: o teu talento literário (poemas,
    textos e comentários...) é grandioso, viu?..rss

    Deixo o teu espaço com dificuldade, sabias?

    A imagem e o vídeo com a cantora e música
    muito encantador!...

    Beijo e abraço repleto do meu afeto e
    já saudade...rss

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    1. Querida Suzete, há muito tempo me sentia saturada por este "carrossel" da blogosfera, que gira, gira e não pára de girar. Cheguei muitas vezes a adiar os meus posts para comentar toda a gente. Parei várias vezes e voltei sempre porque se criam certos laços invisíveis com determinadas pessoas, que embora não conheçamos descobrimos que falam a mesma linguagem e têm visões do mundo semelhantes. Mas desta vez é de vez, e o facto de parar não me impede de continuar a ler, quando me apetecer e já não como "obrigação", as pessoas que por aqui sempre gostei de ler.
      O poeta brasileiro Luis Coronel escreveu que "A Paixão é um incêndio / na fábrica de fogos de artifício/ A paixão é um balé à beira do precipício". A paixão pode ser o início de uma relação feliz, como também pode ser sofrimento, como o próprio nome pressupõe, por se ter criado, de olhos fechados, uma espécie de "fé" num deus falível. A estrado amor é sinuosa. Bela a tua leitura do poema.
      E és uma exagerada, sim. Mas sei que és uma exagerada sincera. :-) Escreves divinamente e és um doce de pessoa. Recorrendo, de forma imperfeita ao teu último texto, tu és um dos meus doces predilectos.
      Abração, Suzete, maravilhosa pessoa e poetisa.
      xx

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    2. Queria dizer : A estrada do amor é sinuosa.

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  19. Laura, tudo perfeito, a partir da imagem escolhida. A paixão leva ao alto pequeninas chamas e o envolvimento dos amantes é de beleza ímpar. Não importa o nascer do dia nem as cinzas. Talvez cheguem com o cansaço e a satisfação, não precisando ser enterradas (rss). Campo onde o pecado não habita, pois abraça um sentir enorme.
    Você é por demais querida e já o disse várias vezes. Assim, depois de ouvir essa encantadora música, fui tomada de tristeza ao ler sua despedida. Eu a entendo porque estou para fazer uma pausa. Mas você disse adeus, o que provoca dor. Não sou exagerada e meus elogios são frutos da admiração que lhe dedico, como mulher inteligente e culta, dona de uma escrita invejável. Mantenha seu blog aberto apenas para você, como fiz com o Momentos Fragmentados, assim o sentirá vivo e com portas apenas encostadas.
    Espero que não abandone o face, para que nos possamos comunicar. E que volte, não importa quando, apenas volte. Grande beijo!

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    1. Aaahah Marilene! Existirão talvez essas paixões que ardem e renascerão sempre das próprias cinzas (como Fénix renascida das noites do passado, escrevi um dia...), mas neste caso escrevi sobre o extremo da paixão que se consome e da qual só restam cinzas e fumo negro, tóxico. Da paixão tornada suplício. Mas num caso ou noutro não existe pecado, a não ser por vezes, no em último caso, o pecado da imprudência.
      O meu Adeus é apenas um adeus ao blog, e não às pessoas com as quais me identifico. Essa identificação contigo deu-se primeiramente com a leitura das tuas crónicas, e a seguir com a tua poesia, não esquecendo a Fotografia, para a qual tens também um olhar muito especial.
      Ver-nos-emos no Face, embora eu lá vá sobretudo para falar com a minha filha, mas arranjarei um tempinho para não perder o contacto.
      Obrigada, querida Marilene.
      xx

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  20. Laura querida,

    Tenho certeza de que todos os poemas que você lançou ao ar são belos e do tamanho de sua sensibilidade e talento. Contudo, como não os li, posso dizer que suas mãos foram guiadas para uma escolha perfeita para encerrar este ciclo de sua vida blogueira. O poema é de grande beleza poética. A música é linda. A imagem é fantástica. E a citação convida a uma interessante reflexão.
    Há mesmo um tempo para tudo. Embora eu lamente profundamente esta sua despedida, posso entendê-la, pois estou por aqui refletindo sobre a minha permanência ou não na blogosfera. Não pretendo encerrar o meu Recanto, por ora, mas estou pensando seriamente em prosseguir com ele sem a barra de comentários, transformando-o apenas em um blog de leitura para quem desejar frequentá-lo. Preciso descansar da rotina da blogosfera, que está muito exaustiva, além de me roubar um tempo precioso. Para o futuro, quem sabe, abrirei outro tipo de blog para interagir com os amigos.
    É de se lamentar perder blogs como o seu e, principalmente, perder um convívio tão delicado e inteligente, como o que você nos oferece.
    Se algum dia você mudar de ideia não deixe de me comunicar.
    Espero continuar nosso convívio através do face, não obstante, no momento, dei uma sumidinha de lá.
    Foi muito prazeroso interagir com você, que me é muito querida.
    Seja feliz, amiga, e retorne quando sentir vontade. Estaremos por aqui, sempre prontos para recebê-la com o carinho que você merece.
    Obrigada por sua atenção e carinho de sempre. Vim especialmente porque soube desta sua despedida através da mana.

    Beijos e beijos.

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    1. Sei que estás a fazer uma pausa, e eu até tinha comentado lá no Recanto do Sol que esperaria o teu regresso, simplesmente a minha decisão já amadurecida de deixar a blogosfera precipitou-se por uma razão que nem vou aqui comentar.
      Toda esta rotina de ler, comentar, ler, comentar torna-se cansativa, especialmente para quem verdadeiramente lê e comenta, porque há muita gente que não lê nada! :-)
      Também costumo fugir do Face porque não é um tipo de rede que eu goste, mas acaba por constituir um meio de contacto muito directo, e apareço de vez em quando.
      Obrigada querida Vera, pela tua presença aqui na minha despedida, e pela presença sempre constante com comentários eloquentes, assertivos e incentivadores. Tu e a Marilene também são pessoas especiais para mim.
      xx

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  21. Tenho tanta pena de não ter descoberto este blogue... e a Laura... bem mais cedo!...
    Há um tempo para tudo nesta vida... inclusive para partir... quando a nossa vontade, não é ficar... mas confesso que irei alimentar uma chamazinha, cá dentro, de que a Laura um dia volte!...
    Acho-a um vulcão de talento... com muito para deitar cá para fora... e faça tudo, menos o que li, na resposta, do seu primeiro comentário, por favor... não tire a luz ao que escreve... conserve o que escreve... num lugar bem à vista... para lhe lembrar... que nunca deve desistir de si, em nenhuma vertente... nem mesmo na escrita... e que nunca se fechará a si mesma, em lugar nenhum... nem sequer numa qualquer gaveta esquecida... deixe tudo a apanhar luz... e a fazer crescer também a vontade de ir mais além na sua escrita... que tem luz própria para tal... mas talvez ainda não tenha a sua disponibilidade, e não seja o timing ideal... pelas mais variadas razões...
    Deixou-nos mais um post, de qualidade excepcional... e por mim, vou interpretá-lo como um interregno para um futuro regresso...
    A paixão... está dentro de si... agora há um tempo necessário para deixar sair a mágoa das palavras... e da alma... (usando as palavras da música da Dulce)... pois na grande maioria das vezes... é mesmo só com mágoas que a vida nos brinda... por isso um dia... há que tentar virar o copo... a nosso favor... e fazer realmente um brinde... do jeito, que a gente merece...
    Pela minha parte, foi um verdadeiro privilégio, em cada uma das vezes, que vim aqui, apreciar as suas magnificas publicações... e em ter as suas considerações brilhantes, lúcidas e assertivas, por lá no meu canto!...
    Vou ter toneladas de saudades suas!... Apesar deste pouco tempo, em que houve oportunidade de interagirmos na blogosfera...
    Mil beijos! E até sempre... até já!...
    Ana

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    1. Li e reli o teu comentário. Tanta bondade tua!
      Querida, Ana, a escrita se é "iluminada", não é pelo facto de ficar guardada na gaveta que perde o valor, se é que algum tem. Mas entendi perfeitamente o que me quiseste dizer. Sei que escrevo bem, mas nada por aí além, porque a Poesia está já quase toda feita por grandes poetas, e é difícil ser original. Escrever nunca foi para mim um projecto tendo em vista a publicação, e muito menos agora vou pensar nisso. Não é um objectivo, mas agradeço as tuas palavras que tanto me comoveram. E podes crer que a minha poesia não será por mim esquecida; sou decerto a minha melhor e mais fiel leitora. :-)
      Tens razão, sou uma pessoa muito apaixonada, tudo o que faço é gerido por muito sentimento, o que acaba por ser um handicap para mim, mas continuo a acreditar que os pequenos mundos relacionais não são de quem os controla e domina mas de quem ama. Olharmos para trás sabendo que não fizemos mal a ninguém ajuda a certa sensação de felicidade. A vida poderá oferecer pouco e o destino tem que dar muitas voltas para chegar ao lugar certo, mas brindo muitas vezes, sobretudo à verdade, à simplicidade, e à pessoa que sou.
      Obrigada, Ana. O teu comentário calou fundo em mim. :-)
      Até sempre!
      xx

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  22. Compreendo, mas fico triste com a tua ausência daqui em diante.
    E fechaste com chave de ouro o teu blog, pois este poema é soberbo.
    Bom fim de semana, querida amiga Laura.
    E sê feliz, muito feliz, porque isso é que é importante.
    Beijo.

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    1. Obrigada, Jaime. Irei comentar o teu último poema.
      Bom fim de semana também para ti.
      xx

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  23. Boa noite Laura.
    Ontem eu vim lhe ver mais com um tempinho muito curto, depois de uma semana longe da blogosfera. Tomei o susto e pensei amanhá eu comento, e hoje estou aqui, mas vou lhe confessar que também não vou comentar sobre a postagem, porque estou sentindo com a sua despedida, a minha filha a reclamar comigo pela minha emoção. Eu me apego de verdade as pessoas mesmo a que não conheço pessoalmente, e você amiga é uma delas. É uma pessoa maravilhosa, a qual eu me apeguei muito, como não estou preparada para me despedir, encerro hoje e volto amanhá para comentar sobre o seu poema e a sua triste partida da blogosfera. Um enorme abraço.

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    1. Como compreendo o teu "apego", eu também sou assim, Mirtes. Mas eu não deixarei de visitar-te regularmente, porque quero estar a par do teu estado de saúde.
      xx

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    2. Alegria da noite amiga por saber que vou saber de ti, ter o contato com você é maravilho rsrs, obrigada pelo seu carinho e amizade, ainda saiu sem comentar sobre o belíssimo poema, uma desculpa para voltar mais vezes rsrs, agora falando serio, acabo de chegar, ao ler os comentários no meu blog, mesmo sem ter tempo de responder, vim lhe ver, amanhá também sera corrido, mas a noite aqui estarei novamente. Uma maravilhosa noite. Enorme abraço.

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    3. Claro que não estarei lá sempre, mas aparecerei de vez em quando.
      xx

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  24. "O corpo tem suas exigências e não se contenta com tão pouco. De nossa moral e bons costumes o corpo está isento e imune. O corpo, no intimo, permanece atento e insone. Pois nunca estará extinto o instinto do corpo."

    https://www.youtube.com/watch?v=rt3GqtGuJQs

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    1. Os instintos do corpo não se encontram em estado "puro", porque eles próprios se vão "educando" . A atracção que pode despertar o instinto tem a ver com múltiplos factores, e a paixão pode ser despertada não pelos instintos do corpo, mas primeiramente por uma atracção intelectual, que pode ou não materializar-se fisicamente.
      Obrigada pelo "Seu Corpo", uma canção com uma bela letra, e que nunca tinha ouvido.
      xx

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  25. Espero que essa partida seja a penas por vontade própria de não mais pretender continuar na blogosfera. E não por motivos de saúde. Vou sentir falta dos seus belos poemas, por os não continuar a ler, nem a comentar, mas a vida é mesmo assim!
    Para si amiga Laura, junto das pessoas que lhe são mais queridas desejo muita saúde, paz e muitas felicidades, um abraço,
    Eduardo.

    PS: Li há dias este seu poema anunciando essa sua partida da blogosfera, mas não comentei, porque não me sentia com disposição para o fazer. Porque uma das minhas duas filhas, teve um enfarte e, portanto, em mim só havia tristeza. Hoje já me sinto um pouco mais animado. Está recuperando bem pena-se que o perigo já passou!

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    1. Corrijo: Pensa-se. Não pena-se!

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    2. Oh amigo Eduardo, isso é que foi um susto!...A prova provada de que independentemente da idade, e estando bem, se pode passar de um momento para o outro à aflição. Os meus desejos de rápidas melhoras à sua filha.
      Parto por vontade própria, felizmente a minha saúde não me está por agora a apoquentar.
      Obrigada, poeta Eduardo. Saúde e felicidade também para si.
      xx

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  26. Nada de tristezas, Marcos. Fecha-se uma etapa, abre-se outra. Voltarei de vez quando para ler o que escreves. És um excelente sonetista e dono de uma ironia e sentido de humor que muito aprecio.
    Obrigada, Marcos. Ficarei bem.
    xx

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  27. Respeito a sua decisão, mas discordo de todo.

    Foi um bom post de encerramento, mas espero que reconsidere e regresse qualquer dia.

    Enquanto isso, lhe deixo um abraço afectuoso , desejando-lhe tudo de bom.

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    1. Discorda, São ?!...:-))
      Também tenho pena , mas tem que ser.
      Tudo de bom também para si.
      xx

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  28. Querida amiga Laura, ha sido un placer conocerte.
    Si algún día decides volver o crear en este medio algo nuevo, no dudes en decírmelo.
    Un fuerte abrazo

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    1. Contigo aprendi muito sobre a História, costumes e tradições de Sevilha, e o teu blog é digno de admiração, pela qualidade que apresenta.
      Obrigada pelas tuas palavras, Manuel.
      Um abraço.
      xx

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  29. Foi bom enquanto durou. Ponto!
    Analisar o que ficou, doi, muito pela melodia do cheiro, agre ou adocicado, imberberbe ou acicatado. Doi, Ponto!
    Doi mais o vazio da espera de palavras esperadas volta e meia. Ponto!
    Doi.

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    1. Sim, foi bom enquanto durou. Mas toda a dor a-dor-mece com o tempo. :-)
      xx

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  30. Laura,

    Vamos pensar um pouco sobre a sua decisão de abandonar o seu blog. Você diz que, entre escrever e ler, fica com a última opção. E que os poemas que vai escrever irão para a gaveta.

    Visto isso, conclui que o blog está tirando de você muito tempo. É possível que tire mesmo. Então, porque ao invés de mandar seus poemas e outros textos para a gaveta não os publica nos blogs? Tal edição é feita com pouca perda de tempo.

    Laura, talvez que que tire seu tempo seja as visitas a outros blogs e também os seus comentários. Então, você poderá deixar de fazer tanto as visitas como os comentários, e apenas brindando aos amantes da poesia com a sua arte.

    Laura, diante desses argumentos, espera-se que você reconsidere a sua decisão e continue postando seus poemas, que, certamente, me terá como leitor.

    Aguardo uma resposta sua.

    Abraços,
    Pedro.

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    1. Teria toda a razão no que diz se a questão do tempo fosse o meu único motivo para deixar de postar, mas é apenas um dos motivos entre outros, mais determinantes, e que guardarei apenas para mim.
      Agradeço contudo, as suas palavras.
      Quanto ao blog ficará aberto e quem quiser poderá ler.
      Obrigada, Pedro.
      xx

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  31. Tenho muita pena que a Laura se afaste, porque os seus artigos e comentários têm para mim muito valor. Mas suponho que esteja cansada disto, o que é compreensível. Eu estou a ficar muito cansada e sem falta de tempo também!
    No entanto, venha visitar-nos de quando em vez.
    Um grande abraço forninhense.

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    1. Sim, estou cansada disto tudo.
      Irei ler de vez em quando os vossos posts.
      Um abraço, Paula.
      xx

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  32. Como dizia Camões "o amor é fogo que arde e não se vê..." Lindissimo poema.
    Lamento sinceramente a sua partida mas compreendo que cada um de nós sabe qual o melhor caminho que deve seguir.
    Que a felicidade reine sempre no seu coração.
    Beijinhos
    Maria

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    1. "Amor é um fogo que arde sem se ver", e também "o amor é cego e vê, não sei porquê", como cantou Tomás Alcaide. E cega-se de tanto ver.
      Obrigada, Maria. Felicidades para ti.
      xx

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  33. Oi Laura! Como sabes, não sou muito de me alongar nos comentários que faço. Com certeza a tua ausência deixará uma grande lacuna na blogosfera, principalmente, para aqueles que, como eu, sabe apreciar o que é bom e valioso. Faço votos que sejas muito feliz. Saibas que, quando voltares (sei que voltarás), o teu cantinho estará reservado em cada um dos nossos humildes espaços. Obrigado de coração pela tua honrosa companhia.

    Beijos, uma ótima semana e um até breve.

    Furtado

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    1. És uma pessoa que muito aprecio. Um grande poeta e um homem com valores bem firmados. Obrigada por teres estado sempre por aqui.
      Eu não estaria assim tão certa de um regresso...Até porque só faz falta quem está.
      Boa semana para ti e para a tua família.
      xx

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  34. Oi Laura! Retornando para dizer que adorei o belíssimo e profundo poema. Parabéns!

    Beijos e muita saúde e paz para ti e para os teus.

    Furtado.

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  35. Já tinha vindo ao teu blogue; constatando que havia também uma despedida, necessitava de tempo para também me despedir, pelo menos de novas postagens, condignamente. Era o mínimo que podia fazer para alguém ímpar na blogosfera.
    1-Tenho de começar pela ilustração: conheço a pintora (nascida aqui perto) a partir do momento em que esteve na minha escola, decorrente de um projeto que algumas turmas de 9.º ano desenvolveram, recriando algumas das suas obras. Foi uma experiência fantástica! O nosso museu possui algumas das suas obras. Deu-me, portanto, especial prazer a tua escolha.
    2-Quanto à citação: todos estamos sujeitos à coartação da liberdade, mas, se não vivermos as nossas paixões, que sentido teve(terá) a vida?. Por outro lado, como equacionar a nossa vivência entre o(s) desejo(s) e o legado de culpa que a matriz judaico-cristã (nos) enraizou? Em suma, parece que nascemos para viver numa corda bamba...
    Por acréscimo e sintetizando, permito-me referir a temática da letra "Lusitana Paixão", cantada por alguém que admiro de paixão e que reside, por opção, perto daqui: para se ser feliz a paixão não pode ser "desdita".
    3-Consequentemente, no teu poema, os "incêndios" fazem todo o sentido, ainda que os "bombeiros" tenham de ser chamados para os apagar, destruindo, em pouco tempo, o que levou tempo a edificar. Através da hiperbolização (quase criando um cenário dantesco), traças o percurso de paixões (assolapadas, diz-se, mas que paixão não é assolapada?) que, após se consumirem em si próprias, repousam nas carnes dos amantes, como se de uma morte se tratasse. Contudo, só vejo exaltação/VIDA neste poema. Se é para ser pecado, que o seja! Gostei mesmo muito, Laura!
    4- Sobre a tua decisão de abandonares o blogue, já tudo te foi dito. Apanhou-me desprevenida mas não fico assim tão surpreendida: quantas vezes pensava até quando irias aguentar fazer o inigualável trabalho a que te propunhas, numa postura ética raríssima no mundo virtual. Adivinhava que o espaçamento das tuas postagens se devia a essa postura. Eu própria fui diminuindo as postagens em relação aos primórdios do blogue para poder visitar e comentar, com tempo e dignidade, alguns amigos/as. E eu apenas sigo uns tantinhos! Os nossos escritos ficam mais pobres sem o teu olhar, mas também nós o ficamos sem sem as tuas partilhas de qualidade e riqueza. Não nos seguimos assim há tanto tempo, mas foi um privilégio conhecer-te. E, sim, vai fazer o que te der mais prazer! Sê feliz!
    Parafraseando alguém...Até amanhã!
    Um grande xi coração para uma grande PESSOA!
    OBRIGADA

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    1. A Graça Morais é a minha pintora portuguesa preferida. Gosto da forma como retrata a sua terra natal; as cenas de caça, os frutos, as mulheres, os animais, e sobretudo a temática do Erotismo e do Sagrado a partir de meados dos anos 80. Para além do talento como pintora, admiro a sua aparente serenidade.
      Dulce Pontes teve, enquanto artista, uma atitude corajosa ao fixar-se em Trás-Os-Montes, algo que não lhe facilitará a vida em termos de carreira, mas que é essencial para o tipo de vida que desejou fazer, longe dos grandes centros urbanos.
      Sempre me fascinou a temática das paixões. Não da paixão enquanto mera realização dos sentidos, que se esgota no desejo do corpo, mas a paixão enquanto criação de um objecto de amor idealizado criado pela imaginação (devaneio), e alheia a qualquer lógica. Uma espécie de febre do espírito que toma as rédeas e o controle do sujeito, ofuscando em grande parte os outros aspectos da sua vida numa escravização que se torna sofrimento e que pode até levar a quem a essa paixão se submete, a uma desistência de si mesmo. A Literatura é pródiga nestas paixões cegas e trágicas. E como a paixão amorosa pressupõe o encontro físico é interessante observar como a tradição judaico-cristã contamina, subrepticipamente, de culpabilidade, e logo de censura e consequentemente de punição, o prazer do corpo. E mesmo aqueles que se assumem livres da influência de dogmas e preconceitos, que introduzem algemas não só no pensar mas também no sentir, agem ou reagem à consumação do desejo como se de um pecado se tratasse.
      Eu até nem sigo muita gente, mas há gente que escreve todos os dias!! :-)
      Cansei-me e é hora de afastar-me.
      Grata sou eu, Odete. Foi um privilégio ter sido comentada por ti, e poder apreciar a qualidade da tua escrita. Desejo-te sucesso, porque tu sim és uma escritora a sério, e mereces um reconhecimento cada vez mais alargado, e sei que que o terás.
      Obrigada, e até sempre.
      xx

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  36. Olá, Laura! Estava pronta para comentar o poema, quando li sobre sua partida... é sábio saber reconhecer o tempo das coisas. Eu por exemplo, tenho tido dificuldades para continuar com meu trabalho voluntário, mas sinto não ter mais como seguir quando é um caminho que já não me chama. Por enquanto ainda insisto, mas acho que não é mais o que devo.
    Sentirei falta dos seus inteligentes e sensíveis escritos. Os que ficarão engavetados, quem sabe não se transformam em um livro?
    Abraços, tudo de bom pra ti!

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    1. Este nem é o tempo certo, já deveria ter abandonado há muito tempo. Apenas a inter-acção com determinadas pessoas me fez prolongar a estadia.
      Não, não haverá livro. :-)
      Obrigada, Bia. Tudo de bom para ti, também.
      xx

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  37. Sempre imagino os blogs como casas habitadas pelas mais diversas pessoas. Chego com muito respeito, sento-me a um cantinho e fico admirando o novo quadro ou o novo vaso de flores estrategicamente colocados pelo dono da casa. A cada visita me surpreendo com a nova decoração e muito aprendo com o jeito harmonioso na pintura ou no arranjo das flores. E sinto como se o proprietário estivesse ali a me receber, apenas sorrindo a cada gesto meu ou cada olhar de admiração. E sempre que saio tenho a impressão de que o proprietário veio até a porta para despedir-se, e me sinto acrescida de um novo conhecimento, certa de que a bagagem que estou levando me dará suporte para aguardar a oportunidade de um outro encontro e assim usufruir novamente de um belo momento. Por isso não existe saudade entre uma visita e outra, porque o vazio é preenchido com a riqueza que estou levando.
    E agora, Laura? Que vou fazer com o vazio que certamente chegará aos meus olhos quando eu aqui voltar e não mais tiver um “quadro” novo para admirar ou novas flores num lindo “vaso”? Quando eu não mais sentir a tua companhia enquanto te visito? Que farei com a saudade que vai se instalar no meu coração? Ah, Laura, tu pertence ao rol daquelas pessoas que nunca deveriam “abandonar” a própria casa... Nunca! E mesmo que a deixes de “portas abertas”, com vasos e quadros espalhados por todos os cantos, acredite, a tua ausência doerá na minha alma da mesma forma...
    Este comentário é um lamento? Sim! Inoportuno talvez, devido à convicção que se sente na tua decisão. Mas como calar as palavras quando um coração quer expressar a tristeza?
    O poema postado, mesmo escolhido aleatoriamente, veio a coincidir com a tua decisão justamente pela “devastação” causada. No vídeo, como cenário, o triste fado interpretado pela Dulce Pontes... Uma despedida tua, Laura, que muito me emociona e entristece!
    Mas se tens mesmo que partir “que a estrada se abra à sua frente, que o vento sopre levemente em suas costas, que o sol brilhe morno e suave em sua face, que a chuva caia de mansinho em seus campos e, até que nos encontremos de novo, que Deus lhe guarde na palma de Sua mão”.
    Palavras para agradecer a consideração que sempre teve para comigo, e também para expressar a admiração pela pessoa linda que tu és, não existem! Leva contigo um feixe de sorrisos ornado com as mais delicadas estrelas que meu carinho pode encontrar dentro do coração.
    Helena
    (Se as portas ficarem abertas estarei sempre por aqui, postando-me frente a um dos teus quadros tão “lindamente” pintado ou diante de um vaso com as flores que tu tão harmoniosamente enfeitaste... Para diminuir a saudade!

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    1. Foste das pessoas com as as quais me deu mais prazer conviver. Por pessoas como tu, que realmente leram com respeito o que escrevi, não fui embora antes. Mesmo que à distância, senti de certa forma a tua imensa alegria e a tua desoladora tristeza perante o irremediável. A aceitação da dor e o renascimento da esperança. A cada visita tua existia um olhar alegre ou triste mas sempre pleno de sensibilidade sobre a arrumação ou desarrumação da minha casa. Sempre me trouxeste flores e estrelas para embelezar cada recanto, e estrelas e sorrisos que ora me deixaram a sorrir, ora me deixaram em lágrimas.
      Nada em ti é vago ou em vão, e a tua delicadeza e disponibilidade para com os outros não é algo de tão comum assim. És uma ave rara.
      Não haverá saudade. Embora menos assiduamente, não deixarei de visitar-te para saber de ti e da Aninha.
      Abraço-te, Leninha, e agradeço as tuas presenças sempre comoventes.
      xx

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  38. Vim reler-te. Porque sim e porque gosto do que escreves. E, na falta de novidades, vou começar pelo princípio...
    Continuação de boa semana, querida amiga Laura.
    Beijo.

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    1. Deixei por enquanto, o blog aberto para que todos tivessem a oportunidade de ver que saio despedindo-me de todos. Mas claro que acabarei por fechá-lo.
      Já vi que comentaste o poema Música, mas não precisas comentar, eu disse que não deixaria de ler-te, mas isso não implica que comente.
      Obrigada, Jaime. Boa semana.
      xx

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  39. ¡Hola Laura!!!

    Paso de nuevo a releer tu bella poesía: y a dejarte un abrazo inmenso de gratitud y estima. Deseo que todo este bien en tu vida.

    Se muy feliz, amiga.

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  40. Bom dia querida Laura.
    O seu poema igualmente belo como todos os que aqui eu tinha o imenso prazer e os ler, e as suas imagens sempre muito bem escolhidas. Eu lhe entendo, as vezes a blogosfera toma um grande tempo nosso ao qual muitas vezes nós perguntamos se estamos fazendo o certo em permanecer no virtual. Não vou ser repetitiva e lhe dizer como vou sentir a sua falta, uma pessoa verdadeira, madura e sempre com palavras que acrescentava muito na minha vida, enfim tenho por você uma grande estima, isso de forma alguma é uma cobrança de comentários, ate porque eu nunca liguei para isso, pelo contrario, fiz do meu blog um local de amigos, onde eu construir verdadeiras amizades. Só quero as vezes saber como você está o qual pode ate ser feito pelo meu emalei caso não queira comentar, mas não me deixe de da noticias, de como está sendo a sua vida fora da blogosfera. O poema fechou com chave de ouro a sua decisão de se afastar da blogosfera. A sua despedida você já sabe que me abalou, mas depois deixei de ser egoísta e percebi que deveria torcer pela sua felicidade e se assim for que seja muito, muito feliz Laura,como bem merece. Que todos os seus desejos sejam realizados e que essa nova sua decisão seja repleta de muitas alegrias. Quero lhe agradecer no tempo que Deus assim permitiu pela sua amizade, carinho e todo apoio que você me deu. Obrigada por tudo. Na blogosfera existem muitas pessoas,mas igual a você são poucas. Dias, meses de muitas alegrias minha querida amiga. Enorme abraço.


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    1. De madura é que não tenho nada, Mirtes! :-) E a blogosfera está cheia de gente boa. Talvez me ligue e preocupe em demasia com os outros, mas não consigo deixar de ser assim.
      A blogosfera representa um pouco de tudo aquilo que somos; umas pessoas, verdadeiras, outras, simplesmente falsas, afinal como na vida real.
      Claro que os comentários são importantes, porque só assim se pode comunicar, mas a maior parte das pessoas só se interessa pelo "comércio" dos comentários, e estão no seu direito, mas eu detesto que me exijam comentários. Nunca vi o blog senão como uma forma de inter-acção e consegui isso verdadeiramente com algumas pessoas. Mas passados 4 anos quero utilizar o meu tempo de forma mais produtiva. Não quero estar "agarrada" à blogosfera.
      Obrigada, Mirtes. Aparecerei um dia.
      xx

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  41. Olá, Laura! lamento deixar de ler as suas maravilhosas partilhas pelo abandono das mesmas, foi um encanto ter conhecido esta sua pagina muito bem apresentada num todo, se um dia voltar a publicar, não deixe de passar pela minha pagina, como sempre fez, obrigado, desejo-lhe muita felicidade.
    Receba um abraço de amizade,
    AG

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    1. Obrigada, António. Pelas belas fotos, e pela divulgação da música portuguesa. Bem haja.
      xx

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  42. Laura , desde menina não consigo me despedir sem chorar . A saudade chega na hora . Ainda há dez dias , estive em Portugal com meu marido e pensei em todas as amizades portuguesas que fiz através de meu blog . Você é uma delas . Me fará muita falta, como a todos que aqui estão testemunhando .
    A sua cultura , generosidade , palavras precisas nos textos e poemas , enriqueceram demais nossos dias . São presentes que guardados ficarão . Só posso lhe desejar muito saúde , sucesso na vida , paz e alegria . Beijos e abraços .

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    1. Eu consigo sempre despedir-me sem lágrimas. Choro depois. ;-)
      Oxalá tenhas passado uns belos dias em Portugal, e que a tua vida esteja sempre repleta de maravilha.
      Muito obrigada por teres passado por aqui, com a tua generosidade e boa vibração, que não esquecerei.
      xx

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  43. Tenho muita pena que saia da blogoesfera. Escreve tão bem!
    Espero que volte.
    BJs e muitas felicidades

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    1. Também tenho pena, mas tem que ser.
      Obrigada, Elisabete. Felicidades também para ti.
      E muitos dedais! :-)
      xx

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  44. Não feche o blogue, Laura!... Pelo menos, para já...
    Gostaria de o descobrir primeiro... antes de perder essa oportunidade... pois cheguei, muito tarde, por estas paragens... o que lamento imenso...
    Beijinhos! E espero que volte a publicar um dia... mesmo que sem interacção de comentários... se as pressas da vida, não o permitirem...
    Tudo de bom! Muitas felicidades!...
    Ana

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    1. Se queres descobrir mais um pouco do blog, deixá-lo-ei aberto então, por mais duas ou três semanas.
      Obrigada, Ana. Tudo de bom para ti!
      xx

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  45. Oi, Laura,

    Há tanta tormenta pelo lado de cá que resolvi passar aqui para uma prosa silenciosa. O vento ulula pelo Congresso, a chuva açoita o país inteiro e os raios estalam pelas cercanias. Serei breve e não espero que respondas, pois, além de dizer-lhe o que já sabes, vim para agradecer o teu breve passeio pela minha casa e porque eu sei que a sua (casa) é um cálido refúgio, que me acolhe e me aquece, me distrai e me conforta, mesmo além do oceano (quase intransponível, o euro está pela hora da morte), vim para este cumprimento como forma de fugir da tormenta que nos deixa abismados. Já debelamos os gritos e as inquietações. Resta-nos esperar. E claro que aproveite para “beber” uma vez mais este incêndio, este rio silencioso...
    Como admiro a sua bravura!...
    Abraços do "velho" amigo mas tão novo (risos).
    Tomara que tenhas entendido o trocadilho

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    1. Como todas as tormentas, todos os incêndios têm também o seu fim. E ambos os casos pressupõem uma limpeza e um recomeço, e essa espera necessária; para uns, coberta de desalento, para outros, inseminada de uma esperança de salvação já de certa forma anestesiada pela demora. Que ao menos se possa salvar a democracia e a cidadania, e embora isto possa soar a banalidade, é de facto o mais importante.
      Nunca tanto político brasileiro foi conhecido em Portugal!...Ontem à noite passaram imagens em directo do Congresso, e realmente tudo era já uma espera com resultado anunciado. Depois de tanto "avanço" e retrocesso, independentemente de qual fosse a decisão, a crise e divisão social e política continuarão, e não existem derrotas nem vitórias absolutas com a população dividida, embora Dilma esteja a ser incinerada por díspares "pares" que não têm eles próprios qualquer sentido de ética, armados em moralistas.
      Ainda bem que esta casa te distrai. Para mim, é neste momento uma espécie de casa assombrada, como se um fantasma tivesse assaltado o jardim e espezinhado as flores. Uma casa ainda semi-abandonada, com portas e janelas abertas à intempérie. :-) O rio apenas murmura, já não galga margens, e tudo adormece. Serenamente.
      Não precisas agradecer. Gosto de ler quem escreve bem.
      Entendi o trocadilho, sim. :-)
      xx

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  46. Sabe, Laura, voltei... Como não sei o que lhe dizer agora e não consigo sequer um improviso fico a pensar numa ilha deserta com sede de gente.
    Já sei... É um mero pretexto para adiar o teu silêncio por aqui (risos)!
    Abr.

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    1. As ilhas desertas ficam bem é desertas, mesmo! :-)
      Do silêncio à escuridão. Obrigada por me teres acompanhado durante esta penumbra.
      Abraço.

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