VOAR
Quando vieres poderei desfolhar todas as rosas do jardim;
até num gesto, sem que te rias de mim
destronar todas as princesas, pôr flores em todas as mesas.
Cobrirei no silêncio, o teu corpo de beijos
e a minha cama de desejos.
E quando o sol abrir de repente o teu sorriso
dir-te-ei sem reservas com toda a força
que é preciso
que os deuses morreram
e só nos temos um ao outro.
Depositarei no Olimpo todos os segredos contidos,
todas as mágoas nos tempos idos.
Liberta de promessas, ilusões e receios
fundirei nos céus todos os astros,
ficarei na escuridão do quarto a escutar a tua voz.
O vento soprará para nós e toda a cidade
renascerá das cinzas; Fénix renascida
das noites do passado...
Depois de te ter amado assim,
porei dentro de ti, em mim teus olhos doces
como se fosses
a esperança e alegria da manhã.
Sã miragem de sonho concretizado
realizarei em próxima viagem, os teus cabelos
a crescer sobre os meus dedos.
Sem medos,
como quem espera a madrugada,
não pedirei mais nada.
Decidirei em cada regresso
o renascer da bruma na orla da praia
e pintarei para que não saia
nunca mais das minhas margens o sonho das viagens
e este rio que me percorre desde sempre.
No presente ficarei a sós contigo.
Em cada abrigo , perto das grutas
nascerão de corpos cansados, todas as lutas.
Estarei de braços abertos e fecharei em laços
os teus braços, e ao ouvir os teus passos pelo chão
estenderei sem limite a minha mão...
Estarei à tua vinda, sempre, ainda,
ave na primavera dos países.
Voando....
