Fotos de Nancy Wilde
Inicialmente cantada por Carlos do Carmo, A Nova Feira da Ladra, um poema de Ary dos Santos, aqui numa versão refrescante de Sara Tavares
De nome não tão nobre e belo
como El Rastro ou Portobello,
é local de compra e venda
não muito longe do castelo.
Expõe imagens de restos da alma
tantas vezes esquecida em fugazes intenções.
Ora desfeita em popular mercado,
ora em sofisticados, pachorrentos leilões,
cortada às fatias, bocado a bocado,
exposta em hasta pública
quando tudo perdeu o significado.
Regateia-se o preço do desnecessário,
e tudo desaparece depressa
da banca e do imaginário;
o quadro pintado pelo tio,
o serviço de chá Vista Alegre da avó
esquecido durante anos
na indiferença do sotão, coberto de pó.
Na Feira da Ladra, os ladrões
estão agora dentro de nós
solitários numa trincheira de cifrões.
Livros, roupa, realejos e calçado,
moedas, selos e violas,
ferramentas, estatuetas,
breves discussões e caixas de esmolas.
Tudo o que a imaginação desejar.
É só olhar, fazer o lance
e comprar.
Encontro com o exclusivo e o inesperado;
estanhos, pratas, uma tiara...
À terça e ao sábado
no Campo de Santa Clara
há panos e restos de vida
espalhados pelo chão.
Móveis, ferro-velho, falcatruas,
telas, um sôfrego desejo em cada mão
e um intenso movimento pelas ruas.
Inicialmente cantada por Carlos do Carmo, A Nova Feira da Ladra, um poema de Ary dos Santos, aqui numa versão refrescante de Sara Tavares
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