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sexta-feira, 16 de maio de 2014

Futebol


Foto de Orlando Braga

  
 Depois do almoço, depressa os carrinhos de rolamentos que costumavam descer vezes sem conta a ladeira do lado norte do monte, eram abandonados por um interesse que se fazia maior.
 A tia já tinha da parte da manhã cozido o pão para toda a semana no forno em frente da casa, enquanto a prima fazia pinhoadas agora já arrefecidas sobre folhas de laranjeira na bancada de pedra da cozinha.
 No quarto dos rapazes, que dava para as traseiras, e por cuja janela alta de paredes grossas entrava o ruído de um muito povoado galinheiro, situado perto da coelheira e do estábulo, iniciar-se-ia um ritual cumprido domingo após domingo. Uma tarde desportiva marcada pelo relato de um jogo de futebol, num velho rádio a pilhas.
 Recordo-me de um jogo Benfica-CUF em que a voz do narrador surgia entrecortada pelo cacarejar das galinhas, o grasnar dos patos e o grugulejar dos perús, e um ou outro relincho mais afastado. Sem televisão era o rádio que concentrava a curiosidade do que poderia estar para lá do monte.
 Virá deste tempo de criança a paixão que tive pelo futebol, que contudo se foi desvanecendo ao longo do tempo.O meu irmão tornar-se-ia um excelente centro-campista, e eu, além de uma experiência no andebol decidi fazer parte de uma equipa de futebol feminino que o Esperança de Lagos decidiu formar.
Pena que a equipa nem tivesse durado um ano, mas ficaram as boas recordações dos treinos, dos jogos e do convívio num campo pelado, palco da nossa internacionalização com uma equipa sueca que treinava há anos, e nós apenas há dois ou três meses.
Uma "cabazada" de 0-6 não nos fez ficar tristes. Ser desportista é saber aceitar as derrotas e as vitórias com fair-play. As diferenças técnicas e físicas eram tais que o jogo foi jogado praticamente no nosso meio campo. Jogo na época de 80-81, em que o Benfica visitou e venceu (1-2) a equipa do Esperança nos quartos de final da Taça de Portugal.
Esperança de Lagos 1-Benfica 2

 Não sou adepta de nenhum clube, e acho que o fanatismo futebolístico, tal como qualquer tipo de fanatismo turva o olhar sobre um jogo que ao perder o amadorismo se transformou numa indústria de milhões. Nada contra, apenas não alimento certos negócios.Tento acompanhar os Campeonatos da Europa e do Mundo, e assisto in loco a alguns jogos do Mundialito de Futebol Feminino, torneio disputado todos os anos nos relvados algarvios. Tenho um certo interesse em ver jogar duas jogadores lacobrigenses da selecção de Portugal, Jamila Marreiros e Cláudia Neto, ambas a jogar em Espanha. Cláudia Neto é uma jogadora fantástica.
Jamila Marreiros, à esquerda, Cláudia Neto à direita



Espectáculo, Sérgio Godinho & Clã
"...e o golo que eu fizer ficará sempre na rede / a libertar-nos da sede / não me olhes só da bancada lateral / desce-me essa escada e vem deitar-te na grama / vem falar comigo como gente que se ama / até não se poder mais / vamos jogar..."

"Quando se leva um pontapé nas canelas, dói...mas não aleija" (Ricardo, ex-guarda-redes da selecção nacional de futebol)