Livros são ternos e valiosos segredos. Deles não me livro.
Não existe espaço vazio naquela estante.
Grandes, pequenos, frágeis ou resistentes,
livros recentes ou de um tempo distante.
De folhas já soltas, coladas ou cosidas,
cheirando a novo ou há anos amarelecidas.
Epopeias e fábulas, antologias de poesia,
policiais, dicionários, abundantes tragédias,
longos ensaios, dementes farsas, filosofia.
Crime e mistério, contos e enciclopédias,
crónicas breves, sátiras, romances de amor,
psicologia, teatro, relatos de suspense, terror.
Alguns dificilmente tragados e digeridos,
outros que provaram ser de incrível sabor.
Apertados e fechados, tão aborrecidos,
abertos, acariciados, calmamente felizes,
infelizes, amuados quando esquecidos;
se ignorados como velhas meretrizes...
Folhas, estradas, veredas que calcorreei
às quais desejo regressar constantemente
ou que de vez, para sempre abandonei...
Descobertos em recônditos alfarrabistas,
em grandes livrarias modernas e centrais,
anunciados em raras, atraentes revistas
ou dados a conhecer em grandes jornais.
ou dados a conhecer em grandes jornais.
Para consciências sonolentas ou despertas,
Leituras expectáveis ou tão imprevistas
com narrativas explícitas ou encobertas.
Como livro à minha cabeceira, tenho
um delirante bestiário por mim escrito,
e um caderno hilariante onde desenho
impressões amorais, pesadelo interdito.
Sobre o limiar do meu coração aberto
repousa suspenso um livro sem palavras
que quero ardentemente que tu abras.
Em idioma de loucos artistas e amantes;
breviário de orações profanas e terrenas
tímidas vogais, consoantes exuberantes
e um código rígido das minhas penas.
De Loreena McKennitt, cantora e compositora canadiana, escolhi "Dante's Prayer" do álbum "The Book of Secrets" lançado em 1997.