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sexta-feira, 19 de julho de 2013

Flores





          SE ÁS VEZES DIGO QUE AS FLORES SORRIEM

          Se ás vezes digo que as flores sorriem
          E se eu disser que os rios cantam,
          Não é porque eu julgue que há sorrisos nas flores
          E cantos no correr dos rios...
          É porque assim faço mais sentir aos homens falsos
          A existência verdadeiramente real das flores e dos rios.
          Porque escrevo para eles me lerem sacrifico-me às vezes
          À sua estupidez de sentidos...
          Não concordo comigo mas absolvo-me,
          Porque só sou essa cousa séria, um intérprete da Natureza,
          Porque há homens que não percebem a sua linguagem,
          Por ela não ser linguagem nenhuma.

            Alberto Caeiro, in "Guardador de Rebanhos" Poema XXXI
                                                           Heter. de Fernando Pessoa



 Decidi hoje desanuviar o ambiente, torná-lo mais alegre; simples pretexto para partilhar convosco algumas das minhas flores... Se um dia me quiserem oferecer uma flor, ofereçam-na com vaso, não cortada. Gosto de vê-las crescer enquanto sujo as mãos de terra.














QUÍMICA

Sublimemos, amor. Assim as flores
No jardim não morreram se o perfume
No cristal da essência se defende.
Passemos nós a provas, os ardores:
Não caldeiam instintos sem o lume
Nem o secreto aroma que rescende.

José Saramago, in "Os Poemas Possíveis"



E como gostaria de ter sido bailarina, aqui está a "Valsa das Flores" de Tchaikovsky