SE ÁS VEZES DIGO QUE AS FLORES SORRIEM
Se ás vezes digo que as flores sorriem
E se eu disser que os rios cantam,
Não é porque eu julgue que há sorrisos nas flores
E cantos no correr dos rios...
É porque assim faço mais sentir aos homens falsos
A existência verdadeiramente real das flores e dos rios.
Porque escrevo para eles me lerem sacrifico-me às vezes
À sua estupidez de sentidos...
Não concordo comigo mas absolvo-me,
Porque só sou essa cousa séria, um intérprete da Natureza,
Porque há homens que não percebem a sua linguagem,
Por ela não ser linguagem nenhuma.
Alberto Caeiro, in "Guardador de Rebanhos" Poema XXXI
Heter. de Fernando Pessoa
Decidi hoje desanuviar o ambiente, torná-lo mais alegre; simples pretexto para partilhar convosco algumas das minhas flores... Se um dia me quiserem oferecer uma flor, ofereçam-na com vaso, não cortada. Gosto de vê-las crescer enquanto sujo as mãos de terra.
QUÍMICA
Sublimemos, amor. Assim as flores
No jardim não morreram se o perfume
No cristal da essência se defende.
Passemos nós a provas, os ardores:
Não caldeiam instintos sem o lume
Nem o secreto aroma que rescende.
José Saramago, in "Os Poemas Possíveis"
E como gostaria de ter sido bailarina, aqui está a "Valsa das Flores" de Tchaikovsky

.jpg)


.jpg)



