MADRUGADA
Já todo o espanto morreu de surpresa
E a Primavera acusa a despedida
Está já toda a tristeza sobre a mesa
Está a morrer, a desabar a vida.
E sem querer mostrar a infelicidade
Dum dia que é a morte doutro dia
É já o derrocar da Humanidade,
Na manhã, no sol, em cada magia.
E já cansada a agarrar o ar
Para depois sentir, chorar, calar
Nasce da mulher a última criança
Soltam as aves tristes madrigais,
Saem da Terra gemidos e ais;
É o diabo que ri, que canta e dança!
