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segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Regressando aos poucos



A minha casa é ao fundo da rua.
Onde existe tanta esquina
e tanto beco.
Onde o sol pouco ilumina,
o ar é ventoso e seco,
e o chão parece abrir-se em alçapão.

Apátrida de tanta pátria
da esquina de mim exijo saída;
sempre que me sinto aprisionada
desfaço o beco, encontro guarida
na linha recta obstinada
para a morada da libertação.



Devem ter sido estes os três meses mais velozes da minha vida!... Nunca achei que o tempo tivesse alguma vez passado tão rapidamente.
 Estar alheada da blogosfera foi muito bom para mim. Pintei a minha casa, os armários de cozinha, recuperei uma pequena mesa e um móvel antigo que fui buscar ao lixo. Mas como verdadeiramente não preciso dos objectos, o problema é arranjar-lhes depois espaço dentro de casa.




 Já farta de pintar paredes e móveis, arrisquei outro tipo de pintura. Sei que não tenho talento para pintar, mas vale pelo prazer que me dá. Pintar dá-me um relaxamento que a escrita nunca me oferecerá.Estas são as minhas duas primeiras brincadeiras. Estilo naïf escola primária. :-)


 Arranjei ainda tempo para assistir a alguns concertos de música, neste caso, a Orquestra de Jazz do Algarve. Tempo para ler, ir à praia, e conviver um pouco com amigas.


segunda-feira, 13 de maio de 2013

Mahnaz Badihian




 Poetisa americano-iraniana, marcada pela infância no Irão. Publicou dois livros de poesia em Língua persa e fez uma tradução do "Livro das Perguntas" de Pablo Neruda, para essa mesma Língua. A sua primeira publicação em Inglês, "From Zayadeh Rud to the Mississippi" encontra-se traduzida em várias línguas, mas não em Português.
 Nos Estados Unidos desde 1979, vive actualmente em São Francisco de onde dirige uma revista literária online; MahMag.org, tentando reunir poetas do mundo, utilizando a Poesia  como ponte entre a cultura ocidental e oriental. Embora tenha trabalhado como dentista, dedica-se desde 2004, exclusivamente à Poesia e à Pintura.
 Um dos seus poemas foi-me enviado há cerca de um ano, por uma amiga.Obrigada Maria!
 Aqui está ele. Simples e intenso.


EVERY MORNING


                      Every morning I visit every tree in this garden
                      even before I wash my face or comb my hair.
                      All the trees know a few facts.
                      They know the same woman will water them day after day,
                      the woman who picks one apple from the red apple tree
                      She is the woman, who asks if the rain lets them sleep at night,
                      the woman who goes to every tree
                      even before the sun can shine on them.
                      Not all the trees are happy in this garden
                      Some are moody on certain days, some get
                      annoyed with the cold or the heat
                      Some are so difficult they hate being touched
                      Some so brave they can grow tall even in the absence of rain
                      By now I know all their names
                      I know what makes each one smile.

                      The man who sleeps in my bed is morose every day
                      but I lack the art of knowing what makes him sad.
                      He is like those trees, never talks
                      Once I asked him if it was the rain, or the cold
                      or the yellow colour of the sheets?
                      Is it the colour of my eyes, the size of my thighs?
                      Or even the way I lay down?
                      It is Sunday morning and I go to the garden to watch the trees.