" A imagem daqueles salgueiros na água é mais nítida e pura que os próprios salgueiros. E tem também uma tristeza toda sua, uma tristeza que não está nos primitivos salgueiros."
Mário Quintana (Sapato Florido,1948)
Para onde vais tu água do rio,
Que salgueiros te vêem passar?
Porque sentirei lento arrepio
Porque fica tão distante o mar?
Tão grande cegueira não querer ver
O carrossel de espuma e de cristal...
As acácias murcharam, vão morrer,
Fico sozinha olhando o vendaval.
Guardados sobram da mocidade,
Os sonhos arquivados na memória
Envoltos em véu de opacidade.
Rasguei de repente a claridade
Lavei de mágoas toda a história,
Aceito resoluta esta saudade.
