quarta-feira, 29 de abril de 2015

Estrada de água




                                      Todos os navios se fundem num torpor
                                      de nevoeiro e maresias
                                      e o pássaro azul junto ao penhasco
                                      soltou-se mesmo agora do pavor
                                      das minhas mãos vazias.
    
                                      É jovem a maré que se desprende das algas
                                      enlaçada em areia movediça 
                                      na boca da praia
                                      e o seu último grito de brancura
                                      salpica de espuma a minha saia.

                                     Afasto o pesado manto de nuvens
                                     que trago nos braços
                                     frágeis como ramos partidos
                                     trazidos ao areal onde cheira a resina
                                     e sal, a gestos aos bocados
                                     em agitação e deriva arrefecidos.

                                     Um barco balança ao longe na corrente
                                      que arrasta das noites sem tempo
                                      o eco em alto mar do último resgate.
                                      Ao horizonte lanço o meu olhar desfeito
                                      afogado no massacre rítmico que se esbate
                                      na ondulação das vagas do meu peito
                                      recortando a imagem do teu olhar
                                      gravado na face do rochedo
                                      sobrevoado por corvos marinhos,
                                      pelo vento, e pelo medo.

                                       Em todas as coisas que procuro
                                       existe um traço solene e obscuro,
                                       refém da exaltação das ondas e dos astros.
                                       Uma luz sem cor, intensa e derramada
                                        na mesma antiga estrada de água
                                        onde vagueiam altivos todos os mastros
                                        içados em miragem e sonolência.
                                        Lugar onde ninguém habita, e todas as cores
                                        do dia pintam ao fim da tarde
                                        os contornos da tua ausência.
                                        Transparência de aquário onde arde
                                        o derradeiro instante em movimento
                                        de conchas, estrelas, verdes peixes
                                         rutilantes em perene milagre lento.
                                        Mesmo que sem um adeus me deixes.

                                         Lemes, remos, sombras de uma velha nau,
                                         viagens de quimera e de tormenta,
                                         corações de papel, âncoras de pau...
                                         Mas a minha alma tudo inventa
                                         e encontra porto seguro onde se senta.





 Elizabeth Grümmer em "Rastlose Liebe", de F. Schubert a partir de um poema de Goethe.


                     

130 comentários:

  1. I love your blog post today.
    Beautiful photo (I love the sea.)
    Thanks for adding Schubert.
    xo

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    1. This photo was taken long ago, and I guess the sea look the same everywhere depending on the light.
      I like this kind of german Lieder songs. Highly emotional and expressive.
      Thank you, Rick.
      xx

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  2. Quando a onda se agiganta "ela" é colossal.
    Veja-se este poema: simplesmente genial!

    Difícil escolher qual dos versos me "tocou" mais.
    (Tendo em conta que sou um coração empedernido, levo o de papel. Posso?)
    :)

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    1. Existem realmente ondas que se agigantam!
      Pode levar um coração de papel, porque desses há muitos, e podem ser produzidos em série...:-)
      Obrigada, Rui.
      xx

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  3. Bom dia Laura

    Nem sei que te diga: Mas o teu poema é Soberbo... Amei de verdade. Parabéns.

    Tem dia feliz.

    Beijinhos

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  4. Um belo poema minha amiga esta Estrada de Água.
    Gostei de ouvir Elisabeth Grümmer, uma voz muito bela a fazer lembrar Maria Callas.
    Uma abraço e continuação de uma boa semana.

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    1. Não acho a voz de E. Grümmer assim tão parecida com a da Maria Callas, mas acho uma voz muito bonita.
      Obrigada, Francisco.
      xx

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  5. Bom dia, Laura. A prufundeza do poema é tal qual o mar para que se olha.
    versos todos lindos mostrando dor mas uma flexibilidade de alma para se refazer, o que é
    fundamental. Fiquei extasiada com a bela leitura.
    Tenha uma semana fe paz.
    Beijos na alma.

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    1. Olá Patrícia!
      A minha alma é de facto muito flexível. É uma questão de sobrevivência. Morro e renasço.
      Obrigada, Patrícia.
      xx

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  6. Belo, belíssimo! Tudo o que seja ligado ao mar eu adoro! Isto fez-me lembrar uma viagem que fiz a bordo do São Gabriel, carregado de petróleo de Luanda para Lisboa e lá deixei boas amigas e amigos.

    Aqui deixo o meu abraço

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    1. Também, eu, António; o mar é algo que me inspira, embora também tenha um certo receio, devido a sustos que apanhei na minha juventude. Uma vez fui trazida por uma onda contra uma rocha...!
      xx

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  7. Olha, estou para aqui a ler e a reler... Hoje resolvi ler os últimos posts do meu feed de blogs e deixei-te para o fim. Bem diz o ditado que os últimos são sempre os primeiros. Que poema fantástico. Graças a Deus que de vez em quando tenho boas ideias. Já li muito de ti, mas esta estrada de agua conduziu-me e embalou-me no fascínio do perfume da maresia. Obrigada, Laurinha. Mil beijos.

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  8. Oi Laura amei os versos e separei um fragmento,que me tocou muito.
    "Transparência de aquário onde arde
    o derradeiro instante em movimento
    de conchas, estrelas, verdes peixes
    rutilantes em perene milagre lento.
    Mesmo que sem um adeus me deixes".
    Lindo demais.
    bjs -Carmen Lúcia.

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  9. Belíssimo poema! Parabéns!
    Enquanto o li fui ouvindo as diferentes interpretações desta bonita lied de Schubert.
    Obrigada!
    Beijinhos

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    1. Até estive indecisa entre esta e a interpretação de Kiri Te Kanawa, mas preferi esta, com muito mais lirismo na voz.
      Obrigada sou eu, Teresinha.
      xx

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  10. Poema lindo demais Laura!
    Que alma rara, essa que 'encontra porto seguro onde se senta.'
    Fui lendo cada verso e imaginando as cenas...
    Gostei muito.
    Beijos!

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    1. Isso podes tu crer, Clau; a minha alma é muito rara. Tão rara como todas as outras.
      Obrigada, Clau.
      xx

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  11. Por estradas de água já naveguei,
    continuo a andar por estradas de terra
    por elas já fui muito longe e voltei
    colher lindas flores na primavera!

    Nas desfraldadas velas dum veleiro,
    em alto mar soprava o vento forte nelas
    na ondulação das vagas do seu peito
    muitos olhos terão olhado para elas!

    Se eu assim cantar soubesse,
    como bem canta essa senhora
    se eu escrevesse como ela escreve
    poemas escrevia numa verde folha!

    Gostei sim desse poema,
    boa noite amiga Laura Santos
    suas escolhas valem bem a pena
    como os cantares alentejanos!

    Eduardo.

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    1. Vale mais um cantar alentejano, vivo e intemporal, do que um dos meus poemas, temporais e escritos no vento. Existem apenas durante uma semana ou duas. Poemas há muitos! :-)
      Obrigada, Eduardo. Tenha uma boa noite.
      xx

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  12. A minha alma é invencível, encontra consolo até no desconsolo. :-)
    xx

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  13. Versos perfeitos, ricos, inteligentes, frases bem articuladas, enfim, belíssimo poema.
    Laura, muita paz e muita luz!

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    1. Obrigada, Shirley. Até que enfim muita luz por aqui; muito sol, melhor dizendo...:-)
      xx

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  14. OI LAURA!
    ASSIM SÃO NOSSAS VIAGENS, DE QUIMERAS E DE TORMENTAS, MAS, CONTINUAMOS, EM BUSCA DE UM PORTO SEGURO, SEM PRESSA, POIS SABEMOS QUE UM DIA O ENCONTRAREMOS.
    EM TEUS VERSOS, NOSTALGIA E MUITA BELEZA.
    ABRÇS
    http://zilanicelia.blogspot.com.br/

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    1. É verdade. O porto seguro existe sempre. Basta saber encontrá-lo.
      Obrigada, Zilani.
      xx

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  15. Laura, aqui de volta, minha amiga! Saudosa e feliz, dentro dessa saudade que nos acomete quando nos afastamos das pessoas queridas, e inundada dessa felicidade que uma espera da magnitude que estou a experimentar, se faz. Sei que já passaste também por essa experiência, por isso podes aquilatar a imensidão dos sentimentos e emoções que estão a me invadir. Na certeza de que nunca na vida, na extensão dos meus 29 anos de idade, recebi (vou ter a graça de receber) um presente que me fizesse conhecer o real significado da palavra felicidade. Desculpe, mas fico sempre abobalhada quando penso e/ou falo sobre esta maternidade (risos).
    Estive aqui ontem, mas o tempo era exíguo e não quis deixar nenhum comentário apressado. Deixei para ler hoje a postagem sobre Günter Grass, e quando aqui cheguei já deparei-me com uma outra postagem. Mesmo assim eu li, com total atenção, sobre a vida/obra desse romancista/poeta/dramaturgo,/artista plástico. E através das suas pesquisas (sempre tão bem elaboradas) pude conhecer mais uma personalidade que muito acrescentou aos meus conhecimentos. Sempre penso que, se faz parte da preferência da Laura é porque realmente se trata de alguém que merece a nossa atenção e com toda a certeza ampliará o nosso mundo cultural. E nunca me decepciono. Também um poema vigoroso, intenso, e um vídeo que veio finalizar uma postagem tão bem feita.
    Enfim, meu anjo, grata por mais esta partilha.
    E agora, e não me acanho de confessar, uma das tuas formas de postagem que mais aprecio e que me traz uma alegria enorme ao ler-te: os teus poemas!
    Este, remetida que fui a um tempo atrás, de onde também divisava um barco que balançava “ao longe na corrente que arrasta das noites sem tempo o eco em alto mar do último resgate” e ao lançar ao horizonte o meu olhar desfeito “afogado no massacre rítmico que se esbate na ondulação das vagas do meu peito recortando a imagem do teu olhar gravado na face do rochedo sobrevoado por corvos marinhos, pelo vento, e pelo medo”.
    Certa vez alguém me disse que a produção dos grandes poetas não deve ser comentada, apenas absorvida, sentida, admirada. Confesso que (de vez em quando) até sigo este ditame, mas também, de quando em vez (risos), eu me atrevo a “comentar” mostrando que, tanto absorvi, senti e admirei, que até tive a petulância de me imiscuir nos versos apresentados. Mesmo sabendo que nem de longe teria a capacidade e a sensibilidade necessária para criar algo tão grandioso quanto este teu poema. Uma imagem belíssima, um título que diz tudo, e um vídeo para nos deliciar com a voz cativante de Elizabeth Grümmer.
    Laura, minha querida, mais uma de suas brilhantes postagens, um verdadeiro presente para a alma de quem te lê.
    Grata pelo carinho e pelas sensíveis e belas palavras lá no meu cantinho. Pessoas como tu, delicada e atenciosa, é que nos impulsionam a continuar usufruindo desse mundo tão vasto da blogosfera.
    Fica com meu carinho e um até breve...
    Helena

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    1. Tão bom saber de ti, Helena!
      Consigo imaginar essa imensidão de sentimentos e emoções que te invadem, e que irão surgindo sempre em crescendo. Ser mãe é o maior empreendimento, porque de vida, dentro e depois fora de nós, se trata. Agora existe essa emoção de sentir vida desejada a crescer dentro de ti. Após o nascimento, a maior emoção ainda de ver e tocar essa vida, vê-la sorrir, caminhar, inter-agir, acompanhada pela preocupação com o seu bem-estar e educação. Uma tarefa de tanto amor, delicadeza e responsabilidade que não acaba nunca.
      Como é bom sentir.te "abobalhada de felicidade"...Só te digo, aproveita bem, porque o tempo passa tão depressa!...:-)
      Eu é que agradeço, Helena, a atenção com que lês os meus posts, o valor que lhes dás, e a apreciação exacta, serena e cuidadosa acerca dos meus poemas. Eu acho que não é fácil comentar poesia, mas quem a sente consegue sempre dizer alguma coisa, e tu fá-lo sempre com muita sensibilidade.
      Achei curiosa essa passagem do poema que assinalaste...como também ali estiveste, e como felizmente a tua vida mudou!!
      Eu é que agradeço a tua presença por aqui, querida Helena. As tuas visitas deixam-me sempre muito contente. Mereces todo o carinho do mundo porque é o que sabes oferecer.
      E que tudo continue a correr maravilhosamente.
      Até breve, Helena!
      xx

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  16. Laura querida,

    Fiquei sem palavras diante deste seu poema, repleto de figuras e constituído por uma construção poética rica e admirável. Já li e reli, mas não vou conseguir comentá-lo. "Sorry". Pude extrair do poema um certo desalento, mas que inabalável por uma alma forte e segura. Quer saber? Chique demais! Brilhante demais! Para completar, você trouxe uma música de estilo refinado. Embora não seja minha preferência musical, gostei imenso de ouvir a bela voz de Elizabeth Grümmer , parecendo-me a música perfeita para embalar o seu grandioso poema.

    Belos dias.

    Beijo.

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    1. Já me conheces um pouco, Vera....-) Existe em mim por vezes uma tristeza, uma nostalgia até, por vezes, contudo sou dura de roer e muito resiliente. Muito me pode afectar, mas nada me derruba.
      Obrigada, Vera. Dias felizes!
      xx

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  17. Laura," la mer" de Charles Trenet ,was my first connection with "the sea"
    Many years later, walking at the sea side, the nostalgia song "la mer" is mixed with" the yellow submarine", Jean Cocteau as captain and Jules Verne as navigator.....Have a nice dream....
    xx

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    1. My first connection with the sea must have been through the fados of Amália that my mother used to listen, and sing, when I was a child. My first contact with the sea happened when I wen to the Zambujeira beach for the first time at the age of 6, and we had to walk several km to arrive there. A long, tiring, wonderful journey.
      Couldn´t imagine by that time that I would be living so close to the sea three years later.....
      My dream is nice, I think, because "I dream the impossible dream". :-)
      xx

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  18. Olá, Laura
    Vou começar pelo fim. Às vezes sabe bem inverter a ordem estabelecida :)
    Como sabes - ou não? - sou apreciador, ao mais alto grau, do "belo canto", ou não fosse eu italiano :).
    Esta canção, chamemos-lhe assim, é lindíssima. Conheço-a, também, cantada pela Kiri te Kanawa - de quem também gosto imenso, tem interpretações fabulosas, e ouço inúmeras vezes . Mas aprovo a tua escolha. Esta melodia, particularmente, parece-me mais apropriada para a voz da Elizabeth.

    E agora o teu poema. Penso que já te disse - ou não? (hoje estou cheio de dúvidas... ) que adoro o mar. Mas, também gosto muito de estar em contacto com a Natureza. E este teu poema fez-me sentir a paz que o mar me transmite, e ao mesmo tempo a sensação de elevação que me provocam os "cheiros" que há na Natureza, particularmente o cheiro a resina.
    Nunca o senti misturado com o cheiro a maresia, mas posso imaginar que seja... qualquer coisa do outro mundo.
    Claro que percebes, pelas minhas palavras, que este teu poema é muito especial - pelo menos assim o senti.
    Obrigado! Acabas de me proporcionar alguns momentos de verdadeiro deleite.

    R: Obrigado pelas tuas palavras de apreço. Gostei, de verdade, e concordo, em absoluto, com a tua observação acerca do "pudor" (não será fingido?) que "parece" subsistir ainda nos nossos dias.
    Pensas em reduzir o teu número de postagens... por alguma razão especial? Eu não tenho a mínima possibilidade de ir além de um post mensal, do mesmo que não visito os blogs amigos com a frequência que gostaria... Mas o ritmo de vida em que passamos os dias não se compadece com os nossos gostos...

    Vamo-nos vendo por aí...
    Bom fim de semana
    Um beijo
    MIGUEL / ÉS A MINHA DEUSA

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    1. Olá Miguel!
      Eu acho que tu és um apreciador de tudo o que é belo. Já me dei conta do teu bom gosto há muito tempo.
      E u também gosto da Kiri Te Kanawa, mas nesta interpretação prefiro a E. Grümmer, que consegue, quanto a mim, colocar mais sentimento na voz.
      Acho que até hoje só conheci uma pessoa que não gosta de mar! Eu gosto do mar e do campo, gosto de toda a Natureza. O cheiro a resina é um dos cheiros que me ficou, e eu só senti esse cheiro a resina e a maresia, há muitos anos atrás, num passeio pela Serra da Boa Viagem, uma serra com muitos pinheiros.
      Em relação ao meu comentário, talvez se trate mesmo de um pudor fingido, ou seja, um falso pudor.
      Sim, ou terei de reduzir o meu número de posts, ou fazer uma paragem por tempo indeterminado, porque tenho neste momento muito que fazer.
      Obrigada, Miguel.
      Sim, Ver-nos-emos por aí...;-)
      Bom fim de semana!
      xx

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  19. Bos tarde, Laura. Muito obrigada pelo seu comentário em meu blog.
    Você é uma pessoa que realmente lê e interpreta as poesias. Eu gosto de leitores assim.
    Seja sempre bem-vinda.
    Beijos alma.

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    1. Não precisas agradecer, Patrícia. É um prazer ler boa poesia. Embora não seja muito fácil de comentar, porque muito densa...:-)
      xx

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  20. Olá Laura,passando para desejar um ótimo feriado e final de semana.
    Bjs-Carmen Lúcia.

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    1. Obrigada pela atenção, Carmen Lúcia.
      Bom fim de semana.
      xx

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  21. Querida Laura....

    Há um corpo em desassossego, num cenário idílico, onde o mar o sustenta, depois há todo um belíssimo jogo de palavras e metáforas, onde a poesia se impõe, forte e sublime, como é hábito na tua escrita.
    É um privilégio ler o que a tua alma inventa, pois é ela que estabelece a harmonia, entre o teu corpo e a utopia.
    Quanto à escolha musical, não poderia ser mais a meu gosto...sei que sabes o quanto a musica erudita significa para mim...
    Um beijinho querida Laura, tenho tido saudades, mas outras prioridades se têm imposto...

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    1. Olá Cristina!
      Tenho uma alma, mais do que inventora, é "inventona", ou seja, uma palavra que nem existe! A minha alma não se separa do meu corpo, sou uma só, o que é bom, porque assim o ser que sou, mesmo quando em desassossego, o elemento físico e o espiritual nunca entram em desacordo...;-))
      Ah eu sei como este género de música é do teu agrado, não só, mas sobretudo pelo talento e sensibilidade do teu filho e de uma das tuas filhas. Mãe sortuda, dão-te música da boa! :-)
      Obrigada, Cristina.
      xx

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    2. Ah....Laura, não posso concordar contigo, então as almas dos poetas não são folionas? A tua lança-se em voos tão altos e viaja por mundos inóspitos para nos trazer a poesia, e tu dizes que a tens agarrada ao corpo?
      Beijinho querida Poeta, e solta a alma, porque é um favor que nos fazes....:D

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    3. Folionas, Cristina?...Talvez, e peregrinas também?... Vendo bem, acho que o corpo é que teima em agarrar-se à alma, por isso nem sempre esses altos voos são tão altos assim, nem sempre as almas andam assim tão leves mas de qualquer das formas também não sou uma pessoa pesada...;-))
      Obrigada, Cristina, e feliz dia da Mãe!
      xx

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  22. Poema magnífico Laura! Só tens parabéns a receber, pois tuas postagens são sempre tão bem escritas e montadas!
    Te desejo um ótimo feriado e Beijos e beijos mil a ti!
    Sois sempre muito carinhosa e gentil em meu blog, e é sempre um prazer te ter por lá!

    http://simplesmentelilly.blogspot.com.br/

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  23. Olá Laurita

    Como sempre sinto em mim a dificuldade em comentar este teu texto. Sem dúvida um texto rico em metáforas, numa paisagem fresca como é o mar, por onde deixaste vaguear as tuas emoções pelas palavras e sentires.
    Claro que gostei muito. Li e reli.
    Olha sabes uma coisa?: BRILHANTE
    Bom feriado e bom-fim-de-semana
    Fica feliz
    xx

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    1. Ups...esqueci-me de falar no video.
      E eu a pensar que não havia ninguém que tivesse uma voz mais lírica que a minha. Como estava enganado, lool
      Fica feliz.

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    2. ...Laurita?!...Ninguém me chama isso!
      O mar é refrescante, não é, Ricardo?...E claro que tinhas de dizer que era "brilhante"...:-)
      Um dia ainda gostaria de ouvir essa voz de rouxinol!... LOL
      Fica feliz tu também.
      xx

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    3. Ah, e não cantes "de galo", porque o o campeonato ainda não acabou! :-)


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  24. Laura,
    Dá para perceber que o mar te inspira, mas também os pássaros!
    O mar sempre foi uma estrada de água, basta recuar ao tempo em que as caravelas portuguesas sulcavam mares desconhecidos...
    O teu título fez-me logo lembrar os marinheiros portugueses que partiam na diáspora e só de ler o poema, vieram-me ao nariz os cheirinhos do mar, apesar do "meu mar" ser as serranias da beira alta (como vês a minha alma também tudo inventa), acho que há cheiros da cidade que, a mim, me vão acompanhar durante toda a minha vida: o cheiro da castanha assada nas ruas e o cheiro do mar.
    Boa escolha musical. Sabe bem ouvir de quando em vez este género de música.
    Tenha 1 bom feriado.

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    1. Pois é, Paula, o mar e os pássaros perseguem-me!...:-)
      Acho que quem escreve acaba por ter um vocabulário de eleição, mesmo que não conscientemente escolhido, como um horizonte simbólico que de surge de forma recorrente. E isso nota-se sobretudo em quem escreve poesia. Isso nota-se em todos os poetas,; há palavras que surgem muito mais vezes do que outras.
      Cada um tem o seu "mar", e as serranias da Beira Alta nada ficam a dever ao mar, enquanto beleza e inspiração. O Vergílio Ferreira, e tantos outros o demonstraram nas suas obras.
      Como não tenho cheiro, tenho a memória dos cheiros, e a memória que deles tenho passou a ter um valor enorme para mim.
      Obrigada, Paula.
      Está um belo dia hoje!
      Bom resto de fim de semana!
      xx

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    2. Queria dizer : "como um horizonte simbólico que lhe surge..."

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  25. Duas excelentes referências, essas; Sophia e M. do Rosário Pedreira, duas das minhas preferências. Quem me dera um dia poder aproximar-me da escrita delas! E grande parte da poesia portuguesa está inundada de mar e de saudade. De amor e dor.
    Obrigada, Priscila, muita generosidade tua.
    xx

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  26. Não agir contribui para o esvaziamento do sentir. por vezes precisa-se de algo exterior para se sair do entorpecimento, ainda que este apenas seja vertido poeticamente.
    Um poema da inquietação e de um eu insubmisso e mesmo impertinente em relação a uma situação que não se procurou.
    Denso como o são os estados de alma de momentos impregnados de emoções em catadupa.
    Estruturalmente, um poema muito bem desenvolvido.
    Parabéns, amiga, gostei imenso!
    BJO, querida Laura :)
    (O resto, imagem e música, sempre em conformidade.)

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    1. A poesia reconcilia-me com o mundo exterior. E nunca sou submissa perante nada, embora por vezes possa parecer.Porque as pessoas sensíveis são geralmente consideradas frágeis por quem não as conhece.
      Obrigada, Odete, pelas tuas apreciações que muito valorizo.
      Feliz dia da Mãe!
      xx

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  27. Laura belíssimo poema, acompanhado de um vídeo fantástico com uma voz maravilhosa da Elizabeth, Laura beijos.
    http://www.lucimarestreladamanha.blogspot.com.br/

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  28. "Em todas as coisas que procuro

    existe um traço solene e obscuro,"

    No espelho desta frase , reconheço a minha essência .

    Um Abraço !

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  29. Estimada, Laura.

    A sua poesia, sempre me transportará, do Brasil à Portugal.
    Um abraço.

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  30. Bom dia Laura.
    Um poema magnifico vindo de uma alma sensível, evoluída, que não teme morrer e renascer,mas tem como meta sobreviver. Lindo poema , feliz pela oportunidade do prazer de ler uma poesia tão intensa. Um lindo final de semana. Beijos.

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    1. Olá Mirtes!
      Para que vivamos todos temos primeiro de sobreviver. E tu sabes bem isso.
      Obrigada, e as melhoras. Que saias logo desse hospital!
      Bom resto de domingo, Mirtes, ou o melhor possível.
      xx

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  31. Boa tarde, existem momento que sentimos um vazio dentro nós, mas não passa de um momento, ele mesmo nos encaminha para um estado da emoção para absorver a felicidade a que temos direito, o poema é lindo e a agua que penso ser do mar de Lagos é excelente.
    Gosto muito da musica portuguesa, esta é pouco divulgada fora de Portugal, desconheço a razão da falta da divulgação da mesma, assim, ao publicar só musica por portuguesa no meu blog, penso estar a contribuir para a sua divulgação, mas na verdade o que gosto é de uma banda que já tive o privilegio de assistir a 8 concertos, dois dos quais em Portugal, com quase a certeza que não é o seu género e que não gostar, vou ter o atrevimento de lhe mandar uma das musicas e video da minha banda preferida.
    Peço desculpa pelo meu mau gosto - aqui vai! AC/DC - Highway to Hell - https://www.youtube.com/watch?v=gEPmA3USJdI

    AG

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    1. É isso mesmo, são momentos. A vida ora nos deixa alegres, ora tristes; a coisa mais natural do mundo, e a felicidade depende da forma como reciclamos a alegria e a tristeza. Eu sou feliz.
      Por acaso é o mar da Arrifana, mas poderia sero de Lagos, sim.
      Aaah eu é que nunca pensei que a sua banda preferida pudessem ser os AC/DC !! Realmente não são os meus preferidos, embora não tape os ouvidos quando os ouço...:-) Obrigada pelo video, António, uma banda de culto que arrasta sempre um mar de gente à sua passagem! Ah, gostei, acho piada ao vocalista!
      Quanto a postar no seu blog apenas música portuguesa, acho muito bem enquanto forma de divulgação, e há música portuguesa com muita qualidade. Aposto que também gosta dos Xutos!...:-)
      xx

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  32. Laura, você compreendeu a minha "Vingança" rsrs.
    Beijosss!

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  33. un texto lleno de hechos significativos.
    abrazos

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  34. Laura , o mar é meu conselheiro . Ainda que não more perto dele ,sempre que posso vou olhá-lo , visitá-lo e volto para casa em paz . Seu poema é belíssimo , como toda sua escrita . A mim me encantou : " Mas a minha alma tudo inventa e encontra porto seguro onde se senta . "
    Só me resta agradecer a partilha da imagem , do poema e da música . Um bom domingo . Beijos

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    1. Também eu gosto de olhar o mar, Marisa. Apazigua-me.
      Obrigada, Marisa. Bom resto de domingo.
      xx

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  35. Cara Laura ,

    Muito Obrigado pela sua visita ao Reflexos , e pelo comentário generoso e simpatico que lá deixou :)
    Esta sua Casa é Ímpar , e os seus Poemas são de uma Beleza absoluta , com enredos de genialidade absolutamente únicos , próprios de quem conhece as plasticidade e a profundidade da PALAVRA ....

    "A palavra luta desesperadamente com o Indizível, ilude-se, volta atrás neste combate. " ( Soberbo !)

    Posso-lhe dizer que vim aqui há dias no caminho de uma visita a uma Amiga ,e não tive a disponibilidade de tempo para desenvolver o meu comentário na altura ... mas simplesmente me espanto com o que aqui vejo , e com que aqui leio ...

    Voltarei sempre !

    Um Abraço e um Beijinho de Amizade :)
    Luis Sousa

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    1. Muita simpatia sua, Luis. Mas muito obrigada pelas suas elogiosas palavras.
      xx

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  36. Porque você é filha e Mãe!
    Parabéns a todas as Mães,
    neste dia 3 do mês de Maio
    estejam todas isentas de aflições
    tocam os sinos no campanário
    para mais alegrar os vossos corações!

    A minha já não está neste mundo,
    está no outro mundo a descasar
    que o seu descanso seja profundo
    com saudades minha Mãe te desejo abraçar!

    Tenha amiga Laura, um resto de bom domingo, um abraço.
    Eduardo.

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    1. Neste dia penso sempre na minha mãe que também já faleceu há tantos anos. As mães deixam sempre uma imensa saudade.
      Já falei hoje com a minha filha, e felizmente está tudo bem com ela, o que me deixa muito feliz.
      Obrigada, Eduardo.
      xx

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  37. A sério?!...Obrigada pelo link, Marcos. Só vi até à notícia do escândalo da "Mesadinha" (Mensalão, hein...!), mas vou ver o filme completo esta noite, porque é muito divertido!
    xx

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  38. Ah, está bem. Mera expressão de quem se está borrifando para o povo!
    Obrigada, Marcos.
    xx

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  39. O que não existe em seus versos, Laura, é conotação de fraqueza. Mesmo quando passeia pelos caminhos da melancolia e da desesperança, mostra aquela alma forte para a qual um porto seguro sempre se apresentará. A sensibilidade não a desmorona e esse belíssimo poema evidencia uma imagem de tristeza e desalento que não corrompe o espírito. Pelo contrário, o torna ainda mais vivo e lúcido. A música, a interpretação, a linda voz, o lirismo... tudo encantador.
    Já havia estado aqui, mas li e resolvi voltar para reler, calmamente. Poesias exigem coração atento. E valeu a pena. Bjs.

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    1. Tudo o que é difícil na minha vida, sempre me fez ficar mais forte. Como se a alma criasse "calo". A minha "fragilidade" é aparente.
      Obrigada, Marilene, sabes sempre ler muito bem o que escrevo.
      xx

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  40. As voltas que eu dei para te redescobrir...mas tinha que te achar!
    Beijinho

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  41. Que cada um encontre seu porto seguro, beijo Lisette

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  42. Belo poema tendo como pano de fundo o mar e sua identificação direta com o sedimento de incompletude, de impotência, de finitude, de imensa melancolia que a foto alude.

    https://www.youtube.com/watch?v=uPUNMJXtH-k

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    1. Obrigada pelo Djavan, num Oceano muito em sintonia com o post! :-)
      xx

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  43. Olá, Laura!
    Parabéns pelo belo poema e não menos belo vídeo.
    Desejo a você uma boa semana.
    abraços.

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  44. Olá, Laura, como vai?
    Tenho dificuldades para entender como há pessoas que não se inspiram com o mar.
    Um poema de saudade, de um adeus que ficou perdido e que mesmo não dado deixou a lacuna da ausência.
    Ao que me parece ao final do poema o coração encontrou algum ponto de paz sobre aquilo que no momento, não poderia mudar.
    Abraço, linda semana!

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    1. Tudo bem, obrigada, Bia.
      Esse adeus existiu sim, embora ele no poema ele não exista apenas por uma questão de subterfúgio poético. Além disso, o poema é todo ele uma construção imaginária. A única realidade é mesmo um adeus.
      E como tal, o fim do poema remedeia de vez o que há tanto tempo remediado está. E a paz é total.
      Uma linda semana, Bia!

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  45. Oi Laura! Como sempre, a madrinha inspiração caminhando ao teu lado e fazendo com que encontres sempre um porto seguro onde te sentares, para que a tua alma continue inventando maravilhas como este poema que tive o prazer de ler, principalmente, o trecho abaixo:

    Transparência de aquário onde arde
    o derradeiro instante em movimento
    de conchas, estrelas, verdes peixes
    rutilantes em perene milagre lento.
    Mesmo que sem um adeus me deixes.

    Abraços,

    Furtado.

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    1. Oi, Furtado!
      Existe uma canção do Jorge Palma na qual ele diz: ..."essas musas, essas bruxas, tiraram-me a inspiração..." Acho que me sinto um pouco assim de momento, mas obrigada por achar que a inspiração ainda me acompanha!
      xx

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  46. Esa inmensidad y esa plenitud de agua en movimiento. Esas estradas de agua que permiten hacer navegar nuestros sentimientos con el aire a favor y, a veces, con él en contra.
    En cualquier caso; siempre permanecerá abierto ese Puerto seguro para la Esperanza y el Consuelo.
    Hermoso video y canción de Elizabeth Grümmer.
    Abraços e Beijos.

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    1. A imensidão de água em movimento constitui uma corrente de energia de grande potência, e é por isso ao mar que lanço os sentimentos que um dia me pesaram. Nele consigo projectá-los e de certa forma, dissolvê-los.
      xx

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  47. Olá, Laura,

    Ah! São tantos os feriados, sobretudo, do lado de cá, que já nos perdemos do trabalho e dos amigos.
    Ainda que tardiamente, não posso deixar de agradecer o teu olhar e as tuas palavras, como sempre generosas, sobre os meus poemas na Revista Diversos Afins.
    Aliás, me permiti sugerir que a Leila Andrade desse um passeio pelo teu blog. Ela é uma das responsáveis pela edição da Revista.
    Como conheço a sensibilidade dela e um poucochinho da sua, como disse Fialho de Almeida em A Velha, acredito que vocês hão de se entender e muito bem.
    Não posso de deixar de dizer algumas palavras sobre este poema belíssimo. Ainda que não saiba como fazê-lo, de tão magistral que se está. Portanto, bastaria o prazer de lê-lo. E dizer-lhe apenas isso, mas não resisto dizer-lhe da minha emoção com a leitura dele.
    O quanto gostaria de perder-me nessa “estrada de água”, também perder-me nesse torpor de maresias e nevoeiro para conhecer essa atração que desloca o sujeito, levando-o a essa evocação através de uma série de associações metafóricas que deixa o leitor admirado com a beleza de cada imagem transfigurando o tempo, o lugar, a ausência, a saudade, o suposto vazio, pois, diante de tanta beleza apreendida, não há vazio.
    A beleza das denotações paisagísticas encanta sobremaneira porque nelas o poeta perdura, se “inventa”, se reinventa pela contemplação, quase as tocando, quando não é tocada pela “espuma em sua saia”, pelas coisas em redor, pelos lugares silenciosos nos quais o olhar do sujeito se perde.
    Laurinha, se me perdi, eu preciso reencontrar-me. Pode ajudar-me, não recusarei a tua ajuda!
    Abraço forte,

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    1. Olá Zé!
      Foi para mim um prazer ler os seus poemas na Revista Diversos Afins, e sem entender nada do assunto, pareceu-me uma revista muito bem organizada.
      Às vezes até penso que comentar poesia pode ser um pouco ingrato para quem não está muito familiarizado com a linguagem metafórica, e ao mesmo tempo, algo de supérfluo para quem a entende muito bem. Porque os poemas bastam-se (se bem construídos) ou não se bastam, (quando muito mal construídos). Mas por outro lado, também é importante perceber a forma como cada um lê o que está escrito. E o leitor é como o cliente; tem sempre razão! :-)
      Comentou muito bem, talvez demasiado bem, porque você é muito generoso. Eu própria não diria melhor...!
      Claro que nunca se perde, embora eu por vezes exagere no tamanho dos poemas, por isso tenho que agradecer a sua boa vontade para comigo.
      xx

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  48. Obrigada, Lucimar.
    Uma óptima semana também para ti.
    xx

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  49. Voltei para auscultar a sua resposta, Laura.
    Claro. A intenção é manter esse diálogo vivo.
    E para mantê-lo, é preciso alimentá-lo. É preciso buscar a razão do poema, a razão da palavra. Arranjar o máximo de barro para forjar as palavras. E o máximo de azul para imaginar o Azul.
    E como fazes isso tão bem é que posso dizer-lhe que não exageras na tamanho do poema. Aliás, não precisava dizê-lo, sabes melhor do que eu. Amassas a quantidade de barro indispensável ao cozimento do poema.
    E sem trocar galhardetes - já a assimilei, estás lembrada disso, dessa expressão que me ensinaste a usá-la -, no âmago do seu poema se apreende que o barro foi o quanto bastava, para que tivéssemos um poema acabado.
    Acho que não preciso dizer-lhe que você é portadora da palavra ou do barro porque és poeta na acepção da palavra. Você sabe conservar o álbum para redescobrir as fotografias...

    Abraço forte,

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    1. Trocar galhardetes! Uma boa expressão, não é?...
      Poderei saber moldar o barro, mas tenho de atirá-lo tantas vezes à parede, a ver se cai, ou se lá fica...:-) E deveria dar um pouco mais de tempo à cozedura da peça; ou seja, demorar-me mais na escolha de uma palavra ou outra, assim como na pontuação. Por isso, embora não frequentemente, volto a retocar os poemas, mas enfim, de qualquer das formas se não me agradasse o resultado, não postaria.
      Excelente a ideia de "conservar o álbum". Eu guardo tudo, depois é só fazer rewind. E preciso sempre de uma certa encenação, porque o sentimento acontece usualmente num cenário natural.
      Obrigada, Zé.
      xx

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    2. Sou eu que agradeço a amável convivência, Laura!
      Gosto muito dessa "troca de figurinhas", particularmente com você, pois aprendo e muito...

      Forte abraço,

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    3. De facto todos nós aprendemos sempre uns com os outros, mesmo quando disso possamos não nos aperceber.
      "Troca de figurinhas" é também uma bela expressão.Acho que é o que nós aqui chamamos de troca de cromos. :-)
      xx

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  50. Mi enhorabuena Poeta: Es fantástico tu poema. Tiene la fuerza del sentimiento y una inmensa sensibilidad.

    Gracias por compartir algo tan maravilloso que llega al alma.
    Vengo del blog de Viviani seguí tu rastro y me siento feliz.
    Un besazo y buena suerte. Se muy feliz.

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    1. Obrigada, Marina. Que a felicidade te inunde todos os dias, também.
      xx

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  51. Um poema fantástico que não conhecia. O mar é para mim uma paixão. Bom para mim não, para todos os portugueses. Está-nos no ADN.
    Um abraço

    Nota: o feed do Sexta não está a fazer actualizações.

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    1. Claro que não conheceria o poema, Elvira. Porque o poema foi escrito por mim, e nunca o tinha publicado antes.
      xx

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  52. Gracias Laura. Feliz fin de semana. Te dejo mi cálido abrazo.

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  53. Mulher, que belo texto. Laura, o li em voz alta... mergulhando nas palavras, nesses feitiços que tu lança em mim sempre que venho te visitar. Que atmosfera bela essa à beira mar... esse alguém que foge... lindo! Simplesmente.
    Beijos em ti!

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    1. Fizeste bem, Nato. Haja alguém que leia! ;-)
      Toda a gente tem o direito de fugir, tudo depende é do que possa ter feito antes de fugir. Tudo isto é encenação poética, é claro.
      xx

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  54. Tudo Divino pror aqui querida Laura..ando sentindo sua falta em minhas páginas.beijos bem carinhosos

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  55. Passando para desejar-lhe um lindo fim de semana Laura!!!
    Beijos e beijos mil

    http://simplesmentelilly.blogspot.com.br/

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  56. Gostei muito do título: "Estrada de Água" e a imagem do mar
    que nos remete ao espelho da alma, dos sentires,da nossa infinitude...
    O poema é um mergulho neste mar, o caminho do sentir,
    metáforas tão belas que nos paralisa perante o abismo
    da (in)completude do Ser...
    Na belíssima dinâmica do mar descrito, analogamente
    a alma (tua) se apresenta com a delicadeza e força nas
    nuances de cores de sentires que se interiorizam,
    renovam e se reinventam crescente em ondas luminosas...

    Querida Laura, adorei este teu magistral poema!!
    Grata por este momento de leitura preciosa...
    Bjos.

    Ps: a música divinamente bela!

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    1. A minha alma tem uma força imensa, uma força que me transcende.
      Tudo na vida, a partir de certa altura, me de deixou de assustar. Tudo o que já passei na vida me ensinou a relativizar a dor e pôr as coisas em perspectiva. Tudo o que me cair em cima eu aguentarei.
      Nunca farei drama do que não vale a pena. A vida é curta demais para isso.
      Obrigada, Suzete.
      xx

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    2. Interessante é que te sinto e te vejo assim, com uma
      profundidade, sabedoria e sensibilidade rara...
      Estou aqui para te agradecer pelas tuas palavras, que são
      mais do que palavras, é um sentir de contactar com
      um Ser (tu) tão grandioso na solidariedade com o outro...
      Tu és especial e eu não sou exagerada,viu?
      Uma semana luminosa, querida Laura!
      Bjos.

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    3. Ah, não há o que agradecer, Suzete. Podes imaginar como o teu poema tão profundamente me tocou, ao evocar muitas imagens das minhas recordações.
      Obrigada, Suzete, mas na verdade acho que somos todos especiais, cada um à sua maneira.
      Uma radiosa semana!
      xx

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  57. OI LAURA!
    EU, AQUI DE NOVO, RELENDO E TE DEIXANDO MEU ABRAÇO E SE FORES MÃE TAMBÉM, RECEBA MEU CARINHO E AGRADECIMENTOS PELOS VOTOS A MINHA FILHA.
    ABRÇS
    http://zilanicelia.blogspot.com.br/

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    1. Oi Zilani!
      Sim, também sou mãe, mas parece que a minha filha não me quer tornar avó nos tempos mais próximos...:-)
      Inaliz vai ser muito feliz, tenho a certeza.
      Obrigada, Zilani.
      xx

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  58. Feliz dia das mães minha amiga querida. Um abraço apertado

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  59. Lê-se num só fôlego. Gostei...

    beijo amigo

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    1. Se leu "num só fôlego", e não engasgou...:-)
      Obrigada, Daniel.
      xx

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  60. Sonho de uma mãe
    .
    .
    Em seu diário!
    De páginas já amareladas,
    põe toda a tua esperança
    em alcançar um sonho que espera...
    Um amor!
    Um lar.
    Um filho.
    Enfim
    uma família...
    .
    Tu oh mãe...
    Que só recebeu nesta lida.
    Desilusões arremessada a vida.
    Não permito que acabes sem dar fruto...
    Que desejas...
    De amor.
    Num lar.
    Com um filho.
    E uma família...
    .
    Sabes por quê?
    Porquê tu és nobre e forte.
    É a mais pura e a mais bela.
    De alma serena que espera ser feliz...
    Com um amor!
    Num lar.
    Com um filho.
    E enfim
    uma família...
    .
    Mãe! Este é o bem,
    que a você eu mais desejo...
    .
    O amor de mãe:
    Não tem hora marcada...
    Não é como rimas contrarias,
    entre quais medeiam dois versos.
    O amor de mãe:
    Não pode ser diferente, ou indiferente
    dentro de circunstância de momentos...
    O amor de mãe:
    Funde a vida
    numa única direção.
    Numa interpenetração de desejos
    de sentimentos,
    e de destino...
    .
    .
    Francis Perot

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    1. O amor de mãe "não tem hora marcada" porque é omnipresente.
      Obrigada pelo belo poema, Francis.
      xx

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  61. Bom dia, Laura. Vim ver se havia poesia nova.
    Amei esta e comentei duas vezes.
    Gosto de ler boas poesias como as tuas.
    Espero ler seus comentários em meu blog, apesar de achar difícil comentar.
    Tenha uma semana de paz.
    Beijos na alma.

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  62. Observações sentidas e muito poéticas sobre este tema!

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  63. Estou seguindo o seu blog
    e recomendando o conteúdo
    às pessoas de bom gosto.

    E você, promete que também
    vai seguir o meu?

    Um beijo.






    .

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    Respostas
    1. Eu irei visitar novamente o seu blog, algo que não faço há muito tempo. Verificarei se ainda escreve com tanta qualidade como antes...:-) Depois decidirei se volto a segui-lo. Sabe porquê? Porque eu não tenho tempo para andar a ler e comentar gente com qualidade, mas que não inter-age. E não inter-age porque tem milhentos seguidores, e não se pode ir a todos. Por isso eu prefiro ter menos seguidores, seguir menos gente, porque o tempo não dá para tudo.
      E por favor, não precisa recomendar-me a ninguém. Pois se nem eu própria me recomendo!
      Obrigada pela visita, Sílvio.
      xx

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