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terça-feira, 12 de maio de 2015

Gatos






Enroscado a meus pés
novelo lânguido te desenrolas
como lã.
Angorá
delineando agora, já
o trajecto para o meu colo.

Fôfo, brincalhão, esfinge quente,
atrevido e bonacheirão,
cravas-me as unhas impaciente
se não te ofereço atenção. Ladino
ao meu afago alongas o pescoço,
roças em mim o teu bigode fino
no miado rouco em que te ouço.

De repente
teu rabo erecto sacode a preguiça
do corpo altivo e independente
que o cio desafiante atiça.
Malícia e sedução tamanha
 no pêlo eriçado que te assanha...

Com agilidade felina saltas a cerca
em direcção a becos e telhados
de fêmeas sem dono.
Gatas sem laço,
gatas sem sono
à espera do feroz abraço
do teu corpo elástico,
do brilho dos teus olhos de aço.
Da elegância do teu traço plástico.

Voltas de manhã,
mansamente em frouxo passo
 para adormecer no meu regaço.



Fotos de Nancy Wilde


Elaine Page, com Memory do Musical Cats, de A.Lloyd Webber, a partir dos poemas sobre gatos de T. S. Eliot