Graça Morais, Sedução e Paixão II
" Todo o fervor acarreta consigo a convicção supersticiosa de ter de prestar contas à própria lógica das coisas". Cesare Pavese, in Ofício de Viver
No silêncio das casas
dorme o dia
a acordar para lá da vidraça.
Calor de chamas e de brasas
que o vento ateia quando passa.
E tão aceso o lume
dos amantes
se consome do sopé até ao cume
em labaredas trepando às montanhas
mais distantes.
Restam defuntos desejos
bocas frias.
Bombeiros arrefecem as esquinas
necrópole de beijos
corpos em ruínas.
Coveiros enterram em caixões
de madeira polida
extintos pedaços de amores
cinzas de ardidas paixões
densos fumos de pecadores.
Dulce Pontes, com Lusitana Paixão. " Mas não condeno essa paixão / Essa mágoa das palavras/ Que a guitarra vai gemendo também..."
Não poderia abandonar o blogue sem despedir-me.
Lancei por isso ao ar meia dúzia de poemas, e aquele que consegui agarrar primeiro, seria o poema a postar. Calhou ser este. Com ele me despeço de todos os que aqui vieram assiduamente.
Há um tempo de chegar e um tempo de partir, e chegou a minha hora de partir. Esta foi uma experiência inolvidável, sobretudo pelo contacto com o talento e generosidade de tanta gente, e pelo carinho com que sempre me trataram. Tenho para com todos vós uma gratidão imensa. Muito obrigada.

