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segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Pele



                                                      Nu Sentado, Picasso




Tudo acorda em mim enevoado
quando em mim te afundas e te deitas.
Um torpor, um arrepio na espinha
quando nas minhas coxas te ajeitas
em leve murmúrio abafado
numa vontade que já não é minha.
Seiva, saliva, humidade de poros,
vaga de lume batida em corpo salgado
tropicais cascatas e meteoros
oscilando em revolta navegação
como calado de barco afogado
fogo liberto em silêncio de amarração.

A minha pele adormecida
 é ávida de astrolábios desconcertados
de tanta sede acometida.
De gestos de ternura perfumados
de sol, chuva e frescas nuvens
de mastros de coragem levantados.

Mas tu hoje não vens.

                                         


Márcia com JP Simões, "A Pele Que Há Em Mim"(Quando o Dia Entardeceu). Pelo poema, e pela voz do JP Simões. "Sobre a pele que há em mim tu não sabes nada. Dá-me o mar, o meu rio, a minha estrada. O meu barco vazio na madrugada."