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sábado, 30 de agosto de 2014

Coração


"O coração se pudesse pensar, pararia". F. Pessoa, Livro do Desassossego



Caminho um chão de pó e pedra
de belas urzes e de cardos
onde já pouco medra.
O vento fustiga árvores nuas
e o meu cabelo ondulado
roda como cata-vento preso
no vermelho mortiço do telhado.
Apressada em mim avanço
num corpo quente e cansado
que suplica descanso.
Em mim corre lesta coragem
mais forte que o respeito
pelo medo perdido na aragem,
simples despropósito e razão.
Cravo as mãos no peito
tento dele retirar o coração,
oferecê-lo aos pássaros
que velozes passam.
Que o levem para longe,
dele se desfaçam.
Que o escondam na vegetação,
o deixem secar ao sol
de abandono ou inanição.





Aviso: Filme não aconselhável a quem gosta de animações lamechas.

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Vazio



VAZIO

Teus olhos, duas andorinhas inquietas;
Num sono de pálpebras abertas...
Os meus; dois lagos no encontro...
Por vezes secos num martírio de fogo.
O que falamos é pouco, tudo reduzido
ao meu olhar não luminoso.
Tanto  ficou por dizer...
Apenas meu rosto ansioso por te procurar,
Meu corpo  macerado de te desejar...
Meu coração cansado de tanto apertar
o vazio.



 Para acompanhar este poema, a minha escolha caiu sobre "Me esta doliendo una pena" de Patxi Andion,um dos meus cantores e compositores preferidos.







sexta-feira, 26 de outubro de 2012


DESCONCERTO

O amor é um barco distante no mar,
ou este ondular constante do meu coração
nas praias do teu olhar?
Ou é apenas o saltitar das minhas mãos, tão persistente
na estrada da imaginação descrita pelo sol poente?
Será este céu que se sente tão fundo na alma...
É lava de vulcão
ou apenas a estranha calma
duma louca e desconcertada oração?
Será flor de jardim,
ou apenas este pomar a brotar desajeitado
dentro e fora de mim?