"O coração se pudesse pensar, pararia". F. Pessoa, Livro do Desassossego
Caminho um chão de pó e pedra
de belas urzes e de cardos
onde já pouco medra.
O vento fustiga árvores nuas
e o meu cabelo ondulado
roda como cata-vento preso
no vermelho mortiço do telhado.
Apressada em mim avanço
num corpo quente e cansado
que suplica descanso.
Em mim corre lesta coragem
mais forte que o respeito
pelo medo perdido na aragem,
simples despropósito e razão.
Cravo as mãos no peito
tento dele retirar o coração,
oferecê-lo aos pássaros
que velozes passam.
Que o levem para longe,
dele se desfaçam.
Que o escondam na vegetação,
o deixem secar ao sol
de abandono ou inanição.
Aviso: Filme não aconselhável a quem gosta de animações lamechas.

Emocionante, Laura, é sempre muito bom ler-te.
ResponderEliminarMaravilhoso!
Beijos
Obrigada, Jorge.
EliminarContinuação de umas boas férias.
xx
Tem razão o Jorge, ainda que as paisagens - exterior e interior - sejam tão áridas!
ResponderEliminarAbraço!
Como tão bem sabes, Jussara, a aridez exterior pode influenciar a "aridez" interior, momentânea, neste caso. Já o inverso não acontece. :-)
Eliminarxx
UFFFFFFFF, QUEDÉ DESOLADO...!
ResponderEliminarBESOS
Desolado, ReltiH, porquê...?! Eu não estou nada desolada. :-)
Eliminarxx
Bom dia
ResponderEliminarPodes tirar o coração mas não o dês aos pássaros que velozes passam.
Deve existir alguém que o mereça mais que eles, loool
Lindo como sempre
Bom fim de semana
XX
Olá Ricardo!
EliminarNão, não o dou aos pássaros, nem eles o quereriam! :-))
Obrigada, um bom fim de semana também para ti, e boa sorte para o "clássico" !
xx
Não faz bem o meu género e eu não sou propriamente um lamechas, mas, se a ideia era ferir os nossos corações sensíveis penso que resultou.
ResponderEliminarÓ Laura vá por mim, ainda há "cardeologistas" capazes de operar verdadeiros milagres, não deixe morrer o seu coração.
:)
Bom fim de semana!
Longe de mim imaginar que este filme pudesse ferir corações sensíveis!...
EliminarA imagem da morte de um coração é apenas a metáfora para a morte de sentimentos. Mas claro que não deixo morrer o meu coração, era o que faltava!...:-)
Bom fim de semana, Rui!
xx
Bom dia Laura
ResponderEliminarImpossível saber comentar-te...Parabéns, poema soberbo.
E olha que Ricardo tem razão, "não o dês aos pássaros", loooool
Adorei a animação, tu descobres cada uma
Tem um sábado muito feliz
Beijinhos
Boa tarde, Cidália!
EliminarGosto demais dos pássaros para oferecer-lhes algo sem qualquer serventia ;-))
Tem um bom resto de sábado, e um grande domingo!
xx
O coração é um sonhador, não pensa com a cabeça...
ResponderEliminarFelizmente não tem cabeça, assim nem se dá conta das figuras ridículas que faz :-)
Eliminarxx
Que belo texto, Laura! Como a palavra poética ganha força sem afastar-se aparentemente da linguagem mais simples; é só na aparência que se denota tal simplicidade, pois as imagens são riquíssimas. Quanta delicadeza para luz, sombra, silêncio (haja aridez). Como o poema se funda nessa bela articulação da linguagem. E a imagem final arrebata o leitor ao mostrar metaforicamente a realidade em que se esbate o sujeito poético. Gostei muito do poema!
ResponderEliminarAbraço,
Obrigada, José Carlos. Eu sinto este poema como se de uma tela surrealista se tratasse; o meu cabelo tipo cata-vento a rodar pelos ares, cata-ventos a girar em telhados desbotados pelo sol, pouca vegetação agreste, muitos pássaros a voar e um coração, quase imperceptível, ao sol. :-)
EliminarA aridez não significa forçosamente a ausência de vida ou o nada.
xx
Eu não tenho dúvida que a aridez não significa a ausência de vida. Afinal, há elementos suficientes no poema que denotam vida intensa, mas questionada, refletida.
EliminarAbraços, Laura!
As respostas podem não surgir, mas é importante fazer as perguntas.
Eliminar“O coração, se pudesse pensar, pararia.”
ResponderEliminarE talvez dissesse:
“...não há saudades mais dolorosas do que as das coisas que nunca foram....".
“A solidão desola-me. A companhia oprime-me. A presença de outra pessoa desencaminha-me os pensamentos.”.
“Há momentos em que tudo cansa, até o que nos repousaria.”.
"...Que o escondam na vegetação,
o deixem secar ao sol...".
Quiçá embrulhado numa folha da revista Orpheu...
Sublime, Laura!
Uma grande ideia essa de embrulhá-lo numa revista "Orpheu"! :-)
EliminarNão poderia concordar mais com essas frases que o coração porventura diria! Cada um lê à sua maneira, mas considero excelente a sua leitura.
Obrigada, Xico.
xx
Laura, concluo que, quem age com o coração, está sempre mais perto da vitória.
ResponderEliminarBeijosss!
Quem joga com o coração ganha sempre, mesmo que pareça ter sido derrotada.
Eliminarxx
Olá, Laura, tudo bem ?
ResponderEliminarNesta tarde meio sol, meio cinza, de sábado aqui em Sampa, aproveito para te desejar, um fim de semana agradável. Cada um, dentro do seu proporcional tempo. Mas, não podemos esquecer, que é o Criador, o regente dos nossos sonhos e inspirações. Portanto, nesse caminhar de vontades, o que não aconteceu no dia de hoje, é por que, só realizar-se, em um tempo determinado. E todo tempo é tempo, desde que o Pai Eterno, assim, nos conceda.
Paz e Luz
Abraços.
Olá Zé!
EliminarE o que é que achou do poema lá em cima?
Eu dar-lhe-ei o comentário que você quer, mas acho de extremo mau gosto essas mensagens iguais para todos os seguidores. É apenas a minha opinião.
De resto, também lhe desejo um excelente fim de semana.
xx
Qualquer pé descalço fica ferido!
ResponderEliminarse pisar nos cardos e nas pedras
dar ao coração tão forte castigo
nem pensar numa coisa dessas
está lindo mas não faça isso...
Nem tudo o vento leva...
as pedras não consegue arrastar
muita coisa ainda resta
não queira do peito o coração arrancar?
Desejo para você amiga Laura Santos,
um bom fim de semana, uma abraço.
Eduardo.
É tudo imaginação poética, Eduardo. Todas as feridas saram.
EliminarBom domingo!
xx
Laura, achei sugestivo e muito diferente de tudo o vídeo; figuras inusitadas feitas com extrema criatividade que buscam desenfreadamente um coração, que, por final, acaba só - muito bonito! Todavia, nem se compara com a beleza do seu poema. É soberbo, minha cara!
ResponderEliminarEu também achei o video muito bem feito; dá para ver a trabalheira que um coração pode causar. :-)
EliminarObrigada pelo seu comentário, muito reconfortante, Viviani.
xx
O coração, esse orgão vital, fonte de sentires, alimento em forma de batidas.
ResponderEliminarComo é linda a artéria que transportou tuas palavras, nutrientes do meu deleite.
Beijinhos
Lindo comentário, Pérola, e o interessante nisto tudo é que continuamos a atribuir ao coração, esse orgão vital, qualidades que ele não tem; não sente as emoções, embora elas tanto o possam afectar.
EliminarMas isto ando tudo ligado, cabeça e coração...;-))
xx
Oi Laura,eu também acho que se o coração pudesse pensar,pararia.
ResponderEliminarLindos versos
bjs e obrigada pelas visitas.
Carmen Lúcia.
Obrigada, Carmen Lúcia.
Eliminarxx
Parece que no dia que escreveste há um querer dissecar o coração, ou pelo menos uma tentativa, mas como li com atenção as tuas respostas, não é tua vontade deixar morrer esse órgão! Retirá-lo só para para melhor compreendê-lo ;)
ResponderEliminarA imagem dos pássaros velozes, a do cabelo ondulado a rodar pelos ares, tal cata-ventos a girar em telhados desbotados e também a imagem áspera do cardo fez-me lembrar o que escreveu Eça de Queiroz no seu Adão e Eva no Paraíso: "...Adão foge, estonteado, trilha saibros pegajosos, rasga o pêlo na aspereza dos cardos brancos que o vento estorce, resvala por uma encosta de cascalho e seixo, e pára em areia fina”.
A aridez não significa a ausência de vida, mesmo!
Muito bom poema!
Bj** e Bom fs.
Óbvio que não quero deixá-lo morrer, eu quero é viver, mas questionando-o. Porque me faz sentir o que não quero sentir?, Porque precisa encher-se de alegria ou de tristeza, ou sobressalto, para estar satisfeito?, Porquê a mania de independência em vez de submeter-se às minhas ordens?...:-))
EliminarMuito boa a citação desse excelente conto do Eça, que encaixa aqui como uma luva!
É uma delícia ser comentada por pessoas como tu.
Obrigada, Paula!
xx
Agradeço o que disseste. Também acho os teus comentários e respostas excelentes!
EliminarUm momento muito bom dum blog é o comentário, principalmente quando acrescenta conhecimento. ;)
B** e votos dum Setembro bom!
Não tens que agradecer porque é a verdade. Gosto de pessoas que sabem partilhar experiências e conhecimentos. Também acho que as pessoas deveriam inter-agir mais através dos comentários, mas a maior parte dos blogs não o faz, e é pena.
EliminarObrigada pelos votos de um bom Setembro. Um bom Setembro também para ti.
xx
Se o coração pudesse pensar ele talvez ele não me escutaria, Laura beijos.
ResponderEliminarBlog /Fan Page / Twitter /
:-))
Eliminarxx
Que o levem para longe,
ResponderEliminardele se desfaçam.
Que o escondam na vegetação,
o deixem secar ao sol
de abandono ou inanição.
Acho que ao invés de secar ao sol por abandono ou inanição, o coração reagirá com mais vigor e aumentará a sua capacidade de armazenamento para melhor acomodar o grande amor que existe em si. Lindo o teu poema amiga Laura.
Abraços e um excelente final de semana para ti e para os teus.
Furtado
Bonita a tua interpretação. E muito verdadeira; por mais intempéries que o coração passe, ele saberá resistir. Pelo menos o meu sabe.
Eliminarxx
Ainda que ele não possa pensar e continue batendo diante de nossas alegrias ou dores, altera seu ritmo ao sentir os efeitos dos comandos do cérebro. Sendo a mente sensível ao que se apresenta ao nosso olhar, abraçando, com nossa anuência, a melancolia, tudo lançamos sobre o coração, como autor de nossa felicidade e de nosso descontentamento. Creio que lançá-lo fora , em sua bela construção, seria uma forma poética de eliminar as sombras que por vezes nos assustam e nos enchem de interrogações. É com satisfação que leio seus escritos, Laura. Tenha um lindo domingo. Bjs.
ResponderEliminarToda a nossa subjectidade é influenciada pela antiga dicotomia corpo/alma e cabeça/coração, acabando nós por refugiar-nos inconscientemente nessas supostas divisões.
EliminarJogar fora o coração é apenas não querer sentir o que se sente, é tentar iluminar essas sombras, como disseste.
Obrigada, Marilene.
xx
Olá Laura,
ResponderEliminarCreio que seria perfeito pensar com o coração e agir conforme ditado por ele, mas levando-se em conta também a razão. Nem sempre ocorre, por isso esse nosso órgão recebe cargas negativas em demasia. O coração não segue os comandos de nossa mente. Age instintivamente, por sua conta e risco, por isso sangra na maioria das vezes.
Achei linda a sua construção poética.
O filme é muito interessante e lindinho. Todos brigando por um coração, que termina só. Haja coração!
Lindo e feliz domingo.
Abraço.
Olá Vera!
EliminarTalvez devamos seguir o coração, mas nem sempre. Por isso , quando contrariado ele entra em conflito com a razão, e isso é por vezees uma "irremediabilidade". Sangrar faz parte do processo. Depois estanca :-)
Haja coração e paciência.
Obrigada, Vera Lúcia.
Boa semana!
xx
Oi Laura,
ResponderEliminarGostei do poema,
metáforas bem empregadas,
me identifiquei com ele em alguns trechos.
O filme é bem interessante.
Todos possuíam a ganância de ter o coração,
que acabou não sendo de ninguém...
Que você tenha uma ótima semana,
beijos!
Olá Clau!
EliminarAcho que mais do que ganância seria uma questão de luta desesperada por um coração :-)
Óptima semana!
xx
Boa tarde Laura.. o coração é o centro de tudo.. melhor ele batendo e sentindo.. pq se tivesse que pensar ele pararia certamente.. com a vida como ela é.. tá duro para ele.. beijos e até sempre
ResponderEliminarSim, que continue batendo e sentindo, e não se meta em complicações, porque como diria F. Espanca na sua Correspondência, em 1912 : "Pena é não haver um manicómio para corações, que para cabeças há muitos" :-))
Eliminarxx
Sim, o filme é duro, e o poema muito tranquilo, à excepção da forte ventania! :-)
ResponderEliminarxx
OI LAURA!
ResponderEliminarO TEU POEMA FICOU MUITO BONITO, AMIGA.
SE O CORAÇÃO PENSASSE, SOFRERIA MUITO, POIS, SERIA DIFÍCIL PARA ELE COMPACTUAR COM OS DESMANDOS DA VIDA ATUAL .
ABRÇS
http://zilanicelia.blogspot.com.br/
Oi Zilani!
EliminarTodos os "desmandos" com os quais o coração se depara são intemporais.
xx
F. Pessoa, Livro do Desassossego.
ResponderEliminarGanhei de um grande amigo no Natal do ano passado
esse livro é mil .
Leio muito ele nos momentos de angustia encontro nele paz.
Feliz semana abraços.
Evanir.
Uma grande obra, quanto a mim de carácter universal.É a minha Bíblia sempre à mão :-)
Eliminarxx
Uma verdadeira poesia na melhor definição da palavra. Imagens super expressivas, fortes, ricas de significados e inúmeras leituras. Além de ter aprendido uma palavras pra mim desconhecidas até agora e iluminar a trevas da minha ignorância, rs... O vídeo não deu pra ver agora, minha net estava uma tartaruga. Gostei, Laura.
ResponderEliminarQue palavras serão essas...!?
EliminarGosto de cágados e tartarugas. A minha net é sempre uma tartaruga:-)
xx
Oi Laura! Retornando para agradecer a tua visita e gentil comentário, assim como desejar uma semana com muita saúde e paz para ti e para os teus.
ResponderEliminarAbraços,
Furtado.
Obrigada, Rosemildo. Muita saúde também para todos por aí.
EliminarBoa semana!
xx
Laura, como a tua poesia é magistral...
ResponderEliminarEste teu poema é belíssimo e surpreendente a tua inspiração, num
caminho percorrido pelas tuas belas metáforas,numa construção
original sobre a fonte simbólica do sentir (o coração) diante da
complexidade existencial.
Como me identifiquei, confesso que me emocionei na leitura.
O meu olhar sobre esse coração, que alimenta a liberdade de quem
sonha (voa), as vezes cansado nos descompasso do terreno-vida,
deseja ficar quieto numa invisibilidade (im)possível, mas este
coração valente e desobediente, continua como equilibrista entre
a razão confortante, com a emoção desafiadora numa corrente
bombeando a frágil humanidade de Ser...
Minha amiga,obrigada por me proporcionar uma
leitura tão preciosa!
Beijinhos.
Ps: Apreciei a frase do grande Pessoa e o original
filme de animação...
Pois é, o coração é o símbolo de tudo o que possamos sentir, tem asas e voa, mesmo quando o queremos impávido e sereno, e quando quieto parece tão contrariado que merece ficar de castigo. ;-)
EliminarMas é ele a medida do nosso carácter, é ele que nos faz ser grandes ou pequenos na forma como vemos os outros, como tal terei de ser mais benevolente com ele, para que não acabe por tornar-me uma déspota.
Ninguém me lê, entende e comenta como tu, isso é certo.
Obrigada, Suzete! Preciosa és tu.
xx
"Vai aonde te leva o coração" - título de um livro da Susanna Tamaro...
ResponderEliminarO coração é um órgão vital. Por extensão semântica o pulsar da vida poesia e, quiçá, a forma de ter um oposto para o "racional" atribuído mais à mente... Excelente o pensamento do nosso FP, exímio na sua profundidade.
O poema: pleno de imagética, usada com originalidade, no sentido em que a deixas ir para o campo do simbolismo e uns laivos de surrealismo. Gosto de escrever poemetos que apelido de "Surreal", embora não os publique no blogue, apenas alguns na minha página do FB.
Gostei imenso, Laura! Parabéns!
Bjo :) :)
(Eliminei o comentário porque me dei conta de que me faltava uma palavra. Agradeço que o elimines .)
"Vai aonde te leva o coração"...E nós geralmente vamos. Porque é desafiante sentir o que não se quer e ter um coração com manias de grandeza e autonomia, e que ainda por cima, ao contrário da razão, detesta ser contrariado. :-)
EliminarO coração não faz planos e gosta do inesperado, e atormenta-se por não conseguir suportar o vazio.
Quanto ao Pessoa, tantas vezes nos faz pensar!
Obrigada, Odete.
xx
"É preciso ouvir a cabeça, mas deixar falar o coração."
ResponderEliminarTu falaste do coração ao coração e foi simplesmente belo.
De uma eloquência simples e fabulosamente escrito, ilustrado por uma excelente curta metragem sobre o ter e o não ter.
Sursum corda, Laurinha.
Beijinhos.
A M.Yourcenar tinha razão, mas quando o coração fala demais apetece mandá-lo calar! :-)
EliminarCorações ao alto, e vozes ao alto também, já agora.
xx
Que lindos versos! Às vezes, coração sofre...
ResponderEliminarBjs
Umas vezes sofre, outras vezes alegra-se. É assim.
Eliminarxx
Olá Laura,
ResponderEliminarBelo muito belo seu poema. Por mais que as duvidas, as alegrias, as decepções e os ventos batam, por mais que ele (o coração) ande em cordas bambas, se enverede pelos descaminhos que nos levam a sofrer, ele só ele saberá dar o sentido verdadeiro ao que sentimos, desejamos e sonhamos. Razão e coração deveriam andar de mãos dadas, sofremos porque isso nem sempre acontece, o coração sempre desafia a razão... Fernando Pessoa, sempre a dizer grandes verdades.
O vídeo é surpreendente, a quanto custo se luta para se manter ou se ter um coração...
Beijos com muito carinho
Marilene
Olá Marilene!
EliminarConcordo contigo. O coração só pode manter-se vivo sentindo, o que ele não suporta é o vácuo.
Pessoa também disse : "Torna teu coração digno dos deuses / E deixa a vida incerta ser quem seja".
Obrigada, Marilene, e que tenhas uma excelente semana!
xx
¡Enhorabuena! Laura; has conseguido una magnífica simbiosis entre tu bonito poema y el impresionante corto.
ResponderEliminarUna magnífica entrada, te lo digo de "corazón".
Besos.
Obrigada, Manuel.
Eliminarxx
Ah, se pudéssemos nos “desfazer” do coração que muitas vezes abriga sentimentos e emoções que só maltratam e castigam e nos deixam a mingua e nos faz simplesmente avançar “num corpo quente e cansado que suplica descanso”...
ResponderEliminarNa impossibilidade, o jeito é caminhar “um chão de pó e pedra de belas urzes e de cardos onde já pouco medra”.
O vídeo de animação é realmente angustiante e ao final nos deixa a sensação de que o coração não se quer prisioneiro, de que a sua liberdade tem que ser conquistada a qualquer preço...
Foi isso, amiga, que me chegou com tua postagem de hoje.
Sorrisos e estrelas, sempre, nos teus caminhos.
Helena
Eu sabia que ias sentir o poema como o sentiste....É isso mesmo, por vezes deveríamos poder desfazer-nos do coração, deixar de sentir o que sentimos, mas o coração é tão teimoso que depois só só nos resta o esse caminho de urzes e de cardos.
EliminarObrigada, Helena, e belos dias!
xx
Ah, que triste... Percebo na dor a beleza. Eu fico impressionado na forma como você escreve Laura.Lindo, lindo...
ResponderEliminarMas os passarinhos não o levam, a gente carrega o coração ora pesado, ferido, cheio de pessoas ou vazio. Não há escolha. É viver.
Beijos em ti.
Existe essa inevitabilidade de um coração alegre ou triste, sem cor é que não. E não há escolha possível, viver é isso.
Eliminarxx
Ratio and emotions,reality ,or a clean story, Venice in the rain, or a sunny day in Reikjavik, love and peace and open windows.....struggle for life!
ResponderEliminarXX
Sunny and cloudy days, a struggle for life no matter the conflict between reason and emotions.
Eliminarxx
Bom dia, a dor e a beleza situam-se nos extremos, será que também não fazem parte uma da outra? Poema maravilhoso.
ResponderEliminarAG
http://momentosagomes-ag.blogspot.pt/
Diria que a dor e o prazer, ou a alegria e a tristeza são todas irmãs gémeas separadas à nascença.
EliminarObrigada, António.
xx
OLÁ QUERIDA
ResponderEliminarA dor sempre se transforma em alegrias.Um belo texto.Passando para te desejar uma tarde marvilhosa. Um beijinho.
Ana
Obrigada, Ana.
EliminarNão sei se toda a dor se transforma em alegria, mas se deixar de ser dor já poderá de facto ser um grande motivo de alegria :-)
xx
Olá Laura!
ResponderEliminarUm poema avassalador, cheio de movimento, vento e pássaros que voam...
A poesia é assim, quer-se livre e solta nas asas do mundo.
No entanto, e também porque citas Fernando Pessoa em: "O livro do desassossego", espero que todas as metáforas sejam apenas delírio de Poeta, numa busca incessante de si mesmo.
O coração pode realmente ser entregue aos pássaros, em longos voos onde toda a criação poética pode ser alcançada ao mais alto nível. Mas no fim, não te esqueças de o resgatar e colocá-lo dentro do peito.
Apenas porque sim, e porque é teu....:)
Posso garantir-te que este poema nada fica a dever ao supra citado....;)
Beijinho meu com muita admiração e carinho
Cristina!!!
EliminarParece que sem pássaros não sou ninguém, e sem coração também não...:-)
Pessoa buscou-se tanto que nunca se encontrou, mas ao menos tentou... Quem sabe se não é essa desilusão com o mundo e consigo próprio, uma espécie de encontro essencial...?
A verdadeira beleza de tudo isto é que os pássaros estão mesmo a borrifar-se para o coração de alguém, não dando qualquer importância a "bagatelas".
Obrigada, Cristina.
xx
Sim! Eles não ligam a bagatelas...eles apreciam a dimensão do voo a cada instante, na certeza absoluta da sua real existência...talvez por isso o fascínio dos Poetas.
EliminarPessoa, foi tantos e não chegou a ser nenhum...caminhava à frente dos seus passos,numa busca incessante de autoconhecimento....
Querida Laura, o melhor de nós, é sempre o que somos agora....<3
Beijos...
O meu fascínio pelos pássaros tem a ver com a beleza que têm e com o facto de voarem, e o que isso significa de simbolismo para o nosso próprio desejo de liberdade. Um amor pelas aves que tenho desde a infância.
EliminarPessoa "caminhava à frente dos seus passos", e caminhou tanto e tão profundamente que se perdeu num abismo. Ficou na história da Literatura universal, mas um homem com uma vida tão triste, melhor fora para ele, não para nós, nada ter escrito e ter sido feliz. Mas a vida das pessoas é o que tem que ser.
Sem dúvida que "o melhor de nós é sempre o que somos agora", até porque amanhã poderemos já não ser :-) Os pássaros sabem, por isso o coração deles bate tão aceleradamente; a vida é curta e todo o ser precisa ser livre.
Boa noite, Cristina, e obrigada pela troca de opiniões.
xx
Obrigada, Marcos! Fui ouvir este Coração, Samba Anatómico.
ResponderEliminarExcelentes observações do Noel Rosa, e é bem verdade "que a paixão dá dor no crânio". Quanto ao sangue azul, tanto haveria para dizer...:-) Até acho que este tema poderia ter sido escrito por ti, com esta ideia do metileno!
xx
Amiga
ResponderEliminarSó coloquei o numero da conta porque algumas pessoas me pediram. E não sabia como ajudar. Por morar em países distantes.
Um beijinho.
Ana
Ah Ana, mas eu acho que fizeste muito bem em colocar o número de conta, assim mesmo é que tem que ser feito, porque quem não está por perto pode querer ajudar através de transferência bancária, e o próprio Brasil é um país imenso.
EliminarUma excelente iniciativa, é claro!
xx
O eterno conflito entra a razão e a emoção...
ResponderEliminarNo fundo, é com este conflito que encontramos equilíbrio.
Embora às vezes, bem que os pássaros poderiam aliviar um pouco o nosso "fardo" de tanto sentir e carregar corações no bico.
Um poema extraordinário, Laura. Adorei!
Beijinhos
É a partir dos conflitos que temos com nós próprios, e não com os outros, que nos conhecemos melhor e encontramos depois esse equilíbrio que todos procuramos.
EliminarÉ, os pássaros poderiam às vezes "aliviar-nos"um pouco, só que eles para voar precisam estar leves :-))
Obrigada, Sónia.
xx
Ola Laura,
ResponderEliminarTemos tantos amigos em comum que
vim dar uma olhada no seu cantinho.
Um poema extremamente, forte, corajoso
um incentivo para um mergulho dentro de si.
Gostei muito.
beijos, luz e paz
Olá!
EliminarSem dúvida que temos amigos em comum, a começar pelo Fábio Murilo...:-)
Uma saída de mim, de cabelos ao vento, para regressar a mim, mais leve.
Obrigada.
xx
Obrigada pela visita! Quantos aos amigos em comum o Fabio é muito recente antes dele ja passeava pelo meu blog lucimar, Samuel, Evanir,Elisabete, Brisa Petala,Sonia M(esta é bem antiga..sussurros e Ong alerta.Era onde eu te via e claro agora Fabio Murilo. O mundo da blogosfera é uma cabeça de alfinete.:)
EliminarBeijo , Luz e Paz
Ah, o Samuel foi uma das primeiras pessoas que conheci, e tenho pena de ter descoberto a Sónia relativamente tarde porque ela escreve muito bem!
EliminarÉ mesmo, as pessoas acabam por encontrar-se todas alguma vez...:-)
xx
Oi Laura! Passando para agradecer a tua visita e gentil comentário, assim como dizer que fiquei feliz por teres gostado da baboseira que escrevi. Obrigado de coração!
ResponderEliminarAbraços e muita saúde e paz para ti e para os teus.
Furtado.
Furtado, achei o poema muito bonito. Sobre um amor imenso.
EliminarNão agradeças os teus enormes méritos.
xx
Olá Laura!
ResponderEliminarDá vez passada eu elogiei o Coração, - achei realmente um poema divino, no entanto, confesso que não sei julgar o que me tocou mais: se o seu poema ou o meu coração que ficou em "chamas" depois de ler o seu comentário elogioso.
Obrigado e um maravilhoso resto e fim de semana!...
Beijos.
Boa noite!
EliminarO meu comentário não tem nada de especial, a sua filha é que é muito talentosa, e eu aprecio gente com talento, só isso. E acho que o sr. deve sentir-se muito feliz e orgulhoso pela filha que tem. É muito bom quando os nossos filhos nos dão alegrias, e nós devemos ser os primeiros a dizer-lhes que eles nos alegram.
Obrigada, e um bom fim de semana também.
xx
Olha para dentro de nosso coraçáo, lindo.
ResponderEliminarBeijo Lisette
!!?...:-)
Eliminarxx
Realmente Laura! A escravidão foi uma mancha negra e vergonhosa que ficou para sempre, de geração para geração, por fazer parte da nossa história.
ResponderEliminarAbraços e um ótimo final de semana para ti e para os teus.
Furtado.
Escravatura que ainda existe disfarçadamente sob múltiplas formas.
EliminarObrigada e um excelente fim de semana aí em casa.
xx
Com enorme saudades e deixando
ResponderEliminarpara trás os dias tensos
pelos quais estou vivendo.
Quem disse que amigo não sente saudades
quer seja presente ou virtual.
O importante é as portas abertas
para eu entrar e deixar meu carinho
e agradecimento de alguma forma.
Que seu final de semana seja dos mais felizes,
que meu carinho acaricie se doce coração.
Beijos e carinhos
Evanir.
Laura tenho esse livro ganhei no Natal de um amigo muito querido.
Uma das melhores obras que estou lendo sempre.
Obrigada, Evanir. Muita coragem para esses dias complicados.
EliminarUm livro muito bom, sem dúvida.
xx
Escritos no vento,
ResponderEliminarque o vento não levou
ficaram no pensamento
do tempo que já passou!
Já se foi não volta mais,
de outra maneira ninguém pense
são da vida coisas normais
que o nosso coração sente....
Bom fim de semana para você amiga Laura Santos, um abraço.
Eduardo
É muito verdade, o vento geralmente leva o que é mais leve, e deixa o que é pesado para trás. Deixa o que devia levar. Mas sim, são coisas normais da vida. Nada melhor que um dia atrás do outro :-)
EliminarObrigada, Eduardo. Bom fim de semana!
xx
Eu até achei que ele tem verve de líder religioso ou de político. Tem jeito para a encenação...Além disso parece ter também uma filha muito educada do ponto de vista cívico . "o que interessa é a eleição"!...
ResponderEliminarInteressante. Marcelo Rezende já deve estar a preparar discurso em relação ao mais recente escândalo na política brasileira, depois das denúncias muito graves do ex-director da Petrobras.
Uma campanha eleitoral sobre brasas!
xx
Es cierto; si el corazón pudiera pensar casi con toda seguridad pararía.
ResponderEliminarRazón y Emoción tan cercanos y, por otra parte, tan alejados.
Preciosa y profunda Poesía.
En Octubre volveré con más PoesíayVivencias...Se te echaba de menos.
Abraços e Beijos.
A razão e a emoção estão tão juntas, que por isso se tocam, se chocam e se entrelaçam.
EliminarObrigada, Pedro. Descansa e aproveita essas férias em família!
xx
Laura , sabe que sou admiradora sua e de sua escrita . Gostei muito do post com a epígrafe de Pessoa . Beijos
ResponderEliminarObrigada, Marisa.
Eliminarxx
O intrigante, é que sabe-se que o coração é um músculo e que todo o sentimento vem do "pensar"...daí o que diz Pessoa. Toda a emoção, é atribuida ao coração e, se assim não fosse, não se teria tanta poesia..tanta beleza e criatividade nas letras, nas artes, aos moldes desse seu encatador poema e da animação que aqui nos é presenteado, Laura! Aí,me vem à lembrança o velho ditado: "o coração tem razões que própria razão desconhece...". Pobre e querido coração, tão decantado e, paradoxalmente, tão maltratado. Dá pra se entender? Também, não precisa, deixa como está que está bom! Que venham mais, poesias e animaçõs, feitas de e com o coração! Beijo!
ResponderEliminarExactamente, Lúcia. A simbologia errada e perpetuamente alimentada, por ser difícil romper com a tradição, de uma razão e emoção como algo de separado, quando não o são, embora pareçam, por entrarem em conflito e uma se sobrepor de vez em quando à outra. Tal como a errada divisão entre corpo e alma.
EliminarO "coração" não é mesmo para entender. Não vale a pena...:-)
xx
Passei novamente aqui e reli essa belezura de poema.
ResponderEliminarLaura, abraço e beijo!
Por favor, Shirley, não precisa comentar o que já está comentado!
Eliminarxx
Oi, bom tudo, Laura Santos
ResponderEliminarEu vim aqui, nesta noite de sábado, lhe trazer um verso, para você, refletir conosco:
I
Lágrimas despejadas, amargas, em desobrigas de ir embora.
E já não basta terços, rezas e patuás, que outrora consolava
Em rodas de ritos, a cólera maldita, assobiante com o ebola
Agride a terna Mãe África, desesperada, pelos filhos, chora.
Um abraço
Bonitos versos, Zé, só que eu acho que "terços, rezas e patuás" poderão consolar alguém, mas não servem para mais nada.
Eliminarxx
Hey Laura,
ResponderEliminarYour open mind comment on my blog,on a lazy sunday afternoon,make's me happy!
Thanks XXX
Aah Willy, it hasn´t occured to me anything else to say!...:-)
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Oi Laura! Fiquei feliz por teres gostado desta bela criação do grande David Mourão. Copiei o link que colocaste no comentário e tentei abrir o post, mas infelizmente, não consegui. Vou tentar mais vezes e , com certeza, chegarei lá.
ResponderEliminarAbraços e uma ótima semana para ti e para os teus.
Furtado.
David M. Ferreira é daqueles autores que conheço bem a obra. Ainda tive a possibilidade de vê-lo em vários programas de televisão que fez. Um grande poeta e um homem muito erudito.
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Oi Laura!
ResponderEliminarEis que mais uma vez, aqui voltei,
Para dizer que o post do link, visitei
E a "TERNURA" do Mourão lá encontrei.
Aí então parti pra cima e não relutei,
Com a leitura, logo então me deliciei.
Soneto lindo! E o quarteto que mais gostei
Transcrevo abaixo: sem permissão copiei,
Peço desculpas, foi o impulso. Adorei!
Olho a roupa no chão: que tempestade!
Há restos de ternura pelo meio,
como vultos perdidos na cidade
onde uma tempestade sobreveio...
Perdoe-me pela baboseira amiga, não me segurei. Rsrs.
Abraços,
Furtado.
Resposta de poeta, Furtado!! E também com uma bela transcrição da "Ternura". Muito bonito esse poema.
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Brillante entrada! A pura alma, sensibilidad y talento. ¡Felicitaciones. Un abrazo
ResponderEliminarObrigada, S.A.D.E.
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Bom dia, sempre foi e sempre será, "a felicidade transforma-se em magoa, a magoa transforma-se em felicidade.
ResponderEliminarAG
http://momentosagomes-ag.blogspot.pt/
É mesmo, c'ést la vie!...Uma autêntica roda viva de acontecimentos e emoções.
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