Delawer Omar
Dentro de mim, no mais fundo
dos fundos de mim, eu sei que não existes.
E que existem amores torcidos e retorcidos na dureza
do aço, e amores apagados e tristes
sem rosas nos dedos, com pesadelos no corpo
e corações frios, trapos gastos e desfeitos
como as minhas mãos toscas e baças.
Com elas construí pontes e praças
onde se destroem os lamentos, mas perdura
a mágoa anquilosante das palavras
ditas, e das palavras deixadas por dizer
na nefasta bebedeira aquém da dor e do prazer.
Tudo me afasta da radiosa aurora das coisas,
dos sagrados lugares onde a bruma desvenda
todos os sentidos, e as palavras crescem soltas na senda
de um mundo vivo, e trotam como cavalos súbitos
quando o sol se prepara para cumprir o dia.
E é doce a aragem que se desprende da tua respiração
suspensa, sobre montes, vales e desfiladeiros
aos quais nunca ninguém quis ou ousou chegar.
Onde se encontram na erva, os poemas derradeiros.
Mas as minhas palavras são vulgares e os versos estrangeiros
perante a altivez de rostos lívidos e fechados
que desconhecem a sede que nasce do fogo na garganta
e a crua beleza do vento a esculpir rosas no deserto.
Anoiteço sentada num jardim de gárgulas abraçadas
às heras, enquanto a terra dormente acolhe dos restos
da tarde, a sua serenidade e o seu torpor.
Ilumino o olhar na limpidez da água quieta no regador
e absorvo um oceano indestrutível numa gota.
Escuto o antigo ocaso da tua calada partida,
furtiva como estas borboletas mudas sobre as azaléias
robustas e as camélias que ainda não floriram.
Acordo do meu sonho translúcido, liso e prolongado
e entrego o sono às aves cristalinas que partiram.
Gone, Melody Gardot
Dentro de mim, no mais fundo
dos fundos de mim, eu sei que não existes.
E que existem amores torcidos e retorcidos na dureza
do aço, e amores apagados e tristes
sem rosas nos dedos, com pesadelos no corpo
e corações frios, trapos gastos e desfeitos
como as minhas mãos toscas e baças.
Com elas construí pontes e praças
onde se destroem os lamentos, mas perdura
a mágoa anquilosante das palavras
ditas, e das palavras deixadas por dizer
na nefasta bebedeira aquém da dor e do prazer.
Tudo me afasta da radiosa aurora das coisas,
dos sagrados lugares onde a bruma desvenda
todos os sentidos, e as palavras crescem soltas na senda
de um mundo vivo, e trotam como cavalos súbitos
quando o sol se prepara para cumprir o dia.
E é doce a aragem que se desprende da tua respiração
suspensa, sobre montes, vales e desfiladeiros
aos quais nunca ninguém quis ou ousou chegar.
Onde se encontram na erva, os poemas derradeiros.
Mas as minhas palavras são vulgares e os versos estrangeiros
perante a altivez de rostos lívidos e fechados
que desconhecem a sede que nasce do fogo na garganta
e a crua beleza do vento a esculpir rosas no deserto.
Anoiteço sentada num jardim de gárgulas abraçadas
às heras, enquanto a terra dormente acolhe dos restos
da tarde, a sua serenidade e o seu torpor.
Ilumino o olhar na limpidez da água quieta no regador
e absorvo um oceano indestrutível numa gota.
Escuto o antigo ocaso da tua calada partida,
furtiva como estas borboletas mudas sobre as azaléias
robustas e as camélias que ainda não floriram.
Acordo do meu sonho translúcido, liso e prolongado
e entrego o sono às aves cristalinas que partiram.
Gone, Melody Gardot

tens um talento nato para a poesia e um vocabulário de fazer os santos cair do altar! de se lhe tirar o chapéu. triste e bonito love you xx
ResponderEliminarOs santos caem do altar a toda a hora, e pelas mais díspares razões. Sobretudo os de pés de barro.:-))
EliminarObrigada, minha querida.
xx
Um poema escrito a partir das entranhas, Laura. Presumo que seja criação sua...Por um lado à flor da pele, e por outro catártico.
ResponderEliminarOs meus cumprimentos.
Se não fosse criação minha teria o nome do autor.
EliminarObrigada, Luís.
xx
Um poema lindíssimo Laura. Eu não sei comentar poesia e nunca conseguiria engenho e arte para o classificar. Um poema sente-se. E este é sentimento puro. Transparece uma saudade pungente, que ainda assim não é suficiente para a fazer esquecer da beleza que a rodeia. Gostei muito.
ResponderEliminarUm abraço
Convive-se com a saudade, mas não se vive de saudade. A vida é o agora, e nada mais.
EliminarObrigada, Elvira.
xx
Bom dia, Laura.
ResponderEliminarCertamente o renascimento para vida, a voz que enaltece irá ecoar. Não pode ela ficar presa por muito tempo no campo da tristeza.
As flores irão encantar novamente, a saudade será minimizada e os jardins regados.
Belíssima poesia!
Parabéns.
Beijos na alma e tudo de bom.
Olá Patrícia!
EliminarA tristeza pode ser , tantas vezes é, o terreno onde a poesia surge, mas a vida de uma pessoa não se esgota nos momentos de tristeza.
Obrigada, Patrícia.
xx
Que linda poesia! O amor por vezes vezes deixa marcas.
ResponderEliminarBejos e tem uma óptima semana.
Sim, o amor deixará sempre as suas marcas.
EliminarObrigada, Jorge, e uma óptima semana também para ti.
xx
Uma verdadeira obra de arte!
ResponderEliminarPoema extenso e muito bem construído. No qual não consigo comentar como merecia. Parabéns, adorei ler.
Beijo e uma excelente quarta feira
Que exagero, Cidália! As obras de arte estão no Louvre e noutros museus. :-)
EliminarObrigada, Cidália.
xx
Bom dia Laura.
ResponderEliminarUma linda poesia, relatando o descredito do amor, depois de uma forte desilusão mas que deixou marcas profundas. Onde a saudade teima em permanecer. Um lindo més de Março minha linda amiga, que seja de pura alegrias. Enorme abraço.
Olá Mirtes!
EliminarTudo não passa de uma fantasmagoria baseada, é certo, em antigas vivências. O eu lírico não exprime forçosamente a realidade de quem escreve, embora as suas experiências de vida influenciem o que escreve.
Obrigada, Mirtes.
xx
Nem sei o que dizer Laura.
ResponderEliminarUm poeta sem palavras?!...:-)
EliminarPrazer em vê-lo, Arnaldo.
xx
Aqui sinto um sentimento da partida de um amor,que deixou
ResponderEliminaralgumas marcas em desilusões,mas nesse fundo d'alma ainda persiste uma saudade.
Lindo poema amiga Laura!
Bjs e obrigada sempre pelas visitas.
Carmen Lúcia.
Às vezes até se sente saudade do que não existiu. A saudade também se sonha.
EliminarObrigada, Carmen Lúcia.
xx
Primeiro foi aquela pá, enorme, agora este Regador, desmedido. Isto anda tudo ligado, só pode.
ResponderEliminar...
Ao ler o seu poema fui transportado para Eugénio de Andrade.
Depois deste elogio, como estamos de vaidade?
:)
Ah, é verdade, a pá enorme! :-)
EliminarEugénio de Andrade diria o que eu disse, ou algo de parecido, com muito mais eloquência, limpidez, precisão, e sobretudo menos palavreado. O elogio é dos caros! Tenho muitos defeitos, mas a vaidade não é decerto uma delas. :-)
Obrigada, Rui.
xx
Oi Laura :)
ResponderEliminarA imagem é linda e o poema também!
Achei tocante esse sono que proporcionou
um sonho intenso e quase palpável...
Beijos!
Olá Clau!
EliminarÉ isso mesmo; os sonhos intensos que apenas se tornam reais no papel.
xx
"como as minhas mãos toscas e baças!"
ResponderEliminarseriam essas mãos de quem você tem saudades
de tantas vezes terem pagado no regador estariam calejadas
no tempo em que eram muitas mais as dificuldades!
Não sei por onde começar,
para mim difícil interpretação
para saber o que estaria a imaginar
triste deitada na cama em pelão.
Com a água parado no regador,
ao fim da tarde, não sei imagino,
seria para antes do sol se por
regar no jardim as plantas florindo?
De momento, não estou não conseguindo,
desvendar, qual o sentido da sua imaginação
como doutras vezes, bem valeu a pena aqui ter vindo,
para ler esse seu belo poema, não com uma flor na mão
mas, pensando de que a amiga Laura, feliz está sorrindo!
Boa tarde amiga Laura, um abraço.
Eduardo.
Não, neste caso, as mãos toscas e baças são mesmo as minhas. E nunca escrevo deitada e "em pelão", muito menos com este frio. Escrevo sempre bem sentada. E com tantas plantas nem regador tenho, até o regador é invenção.
EliminarObrigada, Eduardo, só poderia estar a sorrir com o seu comentário.
xx
É claro que acredito, que não escreve deitada, nem "em pelão"!
EliminarTambém acredito de que tem muitas plantas e não tem regador,
mas, terá ou teve forte ligação, a quem o tinha! Daí a sua imaginação?
Não, Eduardo, não existe regador de qualquer espécie. O regador surgiu no poema por acaso.
EliminarAté fico contente se deixei passar algum erotismo, porque o foco mais importante do poema eu gostaria que fosse a questão da não adequação, não de língua, mas de linguagem; certos seres nem deveriam entrar em comunicação quando o seu tipo de linguagem ( e consequentemente o seu entendimento das coisas) não coincide.
ResponderEliminarO poema era para ter sido intitulado "Palavras Vulgares", no sentido em que por mais que tentemos expressar-nos, perante "rostos lívidos e fechados", o que é dito é sempre algo de não importante. E quando se trata de relações amorosas, essa impossibilidade de comunicação, assente nos mesmos pressupostos, causa distâncias irreversíveis.
Como diria Pessoa ; "Saudades! Tenho-as até do que não foi nada."
xx
Belo poema... com um sabor a saudade. Gostei muito mesmo!!!
ResponderEliminarUm beijo
Obrigada, Cristina.
Eliminarxx
Gostei do que li, mas também da música! Se em vez das mãos baças e sujas, a mexer nos bolsos alheios, pegassem no regador e regassem o nosso jardim, tudo à minha volta cheirava a perfume, mas como tratam o nosso cantinho tudo me cheira a...
ResponderEliminarO meu abraço amiga Laura.
Oh António, a situação do país está mesmo a mexer consigo! Olhe, eu já me preocupei mais, já não tenho paciência.
Eliminarxx
Boa noite Laura,
ResponderEliminarUm poema magnífico que descreve talvez a ambiguidade do amor e a dificuldade das relações humanas (amorosas), mas que bem lá no fundo realça a saudade despertada pelo sonho.
«Ilumino o olhar na limpidez da água quieta no regador
e absorvo um oceano indestrutível numa gota».
A água com enorme simbologia como que a sublimar a angustiante partida.
Um beijinho,
Ailime
Exactamente. A saudade de um sonho, e não a saudade de uma realidade.
EliminarObrigada, Ailime.
xx
Ah! Como é difícil externar sentimentos confusamente guardados no peito, ou conter o oceano de lembranças, decepções, amores, situações vividas e acabadas... Mas, Laura, podemos reverter a situação, se conseguirmos rir e dizer para nós mesmas: Chega, é tudo invenção!
ResponderEliminarFique feliz!!!
Muito bem dito; rir das situações que não passam de invenções com as consequentes re-invenções poéticas. :-)
EliminarObrigada, Shirley.
xx
xx
Um poema do/sobre o desencantamento do eu poético com o outro; também: i)de como a comunicação pode falhar, apesar das pontes que se constroem; ii) dos obstáculos que se tentam contornar e iii) da clarificação que se tenta efetuar através da fala. Mas, como dizes "as minhas palavras são vulgares e os versos estrangeiros
ResponderEliminarperante a altivez de rostos lívidos e fechados", mais vale, frequentemente, capitular e deixar que cada um siga o seu caminho.
Um poema de densidade psicológica, em que este eu poético se reflexiona, sem, contudo, se remeter à passividade; penso que a escolha do título não é isenta deste desiderato: é preciso continuar a matar a sede dos campos ressequidos...
Um poema muito bem estruturado que exige do leitor uma atenta e exigente leitura.
Parabéns, amiga!
Bjo :)
Que leitura atenta e pormenorizada tu fizeste, e como soubeste sintetizá-la! Não poderia estar mais de acordo, porque comentar poemas é contigo. :-)
EliminarObrigada, Odete.
xx
Tenho uma certa dificuldade em comentar poesia, mas gostei bastante de ler este belo poema onde entendemos uma certa saudade.
ResponderEliminarUm abraço e continuação de uma boa semana.
Obrigada, Francisco.
EliminarBom resto de semana.
xx
Adorei estes jardins secretos... com este travo meio amargo de emoção, sensibilidade e saudade...
ResponderEliminarUm poema muito belo e tocante, Laura!
Lindíssimo trabalho! Beijinhos! Continuação de uma boa semana!
Ana
Jardins secretos inventados, saudades fictícias, teatro de marionetas. A suposta dor de uma partida não implica forçosamente saudade.
EliminarObrigada, Ana.
Partida de quem, talvez, nunca tenha chegado. No fundo, bem no fundo da alma, um sentir ilusório. Há corações inalcançáveis, por mais se escolha palavras para a comunicação e se construa pontes nessa direção. Há rostos frios e distantes que permanecem no alto dos montes e que lá devem, realmente, permanecer, já que incapazes da leitura de um outro ser. Devaneios poéticos, querida Laura, foi o que me chegou de seus ricos versos, que mostram, ainda, uma lucidez cristalina, com a menção ao regador e ao "oceano indestrutível numa gota" (belíssimo).
ResponderEliminarQuando abri sua página me encantei com a tela. E ao terminar a leitura de seu poema, o mesmo aconteceu com a música, que é das que gosto de ouvir. Grande beijo e parabéns pelo seu Regador!
Leitura perfeita. Como sempre.
EliminarMelody Gardot é uma das minhas cantoras preferidas.
Obrigada, Marilene.
xx
Acho que dentro da gente sempre fica uma marca mesmo que seja pequena, poema lindo e marcante, cheio de emoções, Laura beijos.
ResponderEliminarObrigada, Lucimar.
Eliminarxx
Belíssimo! Riqueza de detalhes que impressiona, qual uma viagem de trem. Um mergulho no mais profundo do âmago, no mais profundo do ser, em regiões só acessíveis só a nós mesmos. De paragens agradáveis, ou nem tanto, retalhos de vivencias, no entanto, sobrevivências, colcha de retalhos, memórias que nos impulsiona, ração diária de apegos e medos. "Nenhum homem é uma ilha", impossível viver sozinho, ser auto suficiente o tempo todo, ser sempre solitude. Por isso nascemos de gêneros opostos, fadados a ser metades, não só a gente mesmo.
ResponderEliminarhttps://www.youtube.com/watch?v=RwptPHLVtrg
Belo comentário! E concordo contigo; a vida é feita de vivências, sobrevivências, retalhos de intensidade e de coisa nenhuma.
EliminarObrigada pela voz de Zélia Duncan, que não ouvia há muito tempo.
xx
Laura , este Regador chega no íntimo daqueles que sentem , sentiram ou sentirão Saudades . A música faz perfeito pano de fundo . Tudo muito bonito . Obrigada . Beijos
ResponderEliminarObrigada sou eu, Marisa.
Eliminarxx
Fiquei abismado, encantado, etc., etc., com este teu poema. Que é SOBERBO. Parabéns, arrasaste...
ResponderEliminarBom fim de semana, querida amiga Laura.
Beijo.
Obrigada, Jaime. Bom fim de semana.
Eliminarxx
Laura, o seu poema encantou-me.
ResponderEliminarBjs
Obrigada, Elisabete. Fico contente que tenhas gostado.
Eliminarxx
Muito belo, este poema...e , sim, em cada gota de água podemos ver um oceano.
ResponderEliminarBom fim de semana
É assim um pouco como ver "o copo meio vazio ou meio cheio". ;-)
EliminarObrigada, São.
xx
Laura, querida,
ResponderEliminarVou começar do fim, pois adorei a música. Linda! Deixei-a tocar enquanto saboreava um café.
Seu poema é belíssimo. Gostaria de ter habilidade para comentar poemas à altura de trabalhos poéticos como os seus, que exigem um pouco mais do leitor. Penso até que os criadores poéticos podem sentir alguma frustração quando não se deparam com leituras mais ou menos próximas de sua inspiração.
É certo que há amores "torcidos e retorcidos", pois há pessoas que não sabem amar. Por mais que se esforce na construção de pontes, a comunicação é sempre difícil, parecendo que os interlocutores falam línguas diferentes. Palavras mal-ditas ou silenciadas quando deveriam ter sido ditas, tocam o âmago do ser e costumam deixar mágoas profundas, ainda que o perdão seja exercitado. Há pessoas que não alcançam o verdadeiro sentido das palavras, distorcendo-as ao seu limite de compreensão e discernimento, o que leva naturalmente a um distanciamento ou à destruição de relacionamentos.
Como seria bom se a comunicação pudesse ter sempre a limpidez de uma gota d'água, que levasse à compreensão de um oceano inteiro!
O ocaso, por si só, traz melancolia, interioridade, reflexão, lembranças e devaneios.
Belo momento poético.
Linda a tela. Nunca tinha visto nada de seu autor, Delawer Omar.
Beijo.
Olá Vera!
EliminarEu nunca sinto qualquer tipo de frustração ou desapontamento com qualquer tipo de interpretação que possa ser feita em relação ao que escrevo, porque nem eu sou Calíope, nem a poesia tem sentido único. Costumo até dizer que quem escreve, dá de certa forma o "corpo às balas", porque cada um lerá com os olhos que tem.
Muito interessante que tu chegues sempre a excelentes interpretações, porque nem eu próprio sei muito bem, às vezes, o que quero dizer, deixando que as palavras falem por mim, mas ao ler o teu comentário acabo por ver de forma explícita o que de forma implícita tinha expressado.
Obrigada, querida Vera, pelo teu comentário, tão completo e com tanta clareza.
xx
Nostalgico, saudoso, sentido e belo.
ResponderEliminarBeijinhos
Maria
Obrigada, Maria.
Eliminarxx
Existem amores assim “torcidos e retorcidos na dureza do aço” que trazem o sentido de amor verdadeiro, forte, suportante de todos os embates que a vida nos coloca aos pés, amores que forjam no coração dos amantes aquela certeza de um para sempre que vai além da construção de “pontes e praças” e onde tudo leva ao encontro “da radiosa aurora das coisas, dos sagrados lugares onde a bruma desvenda todos os sentidos, e as palavras crescem soltas na senda de um mundo vivo, e trotam como cavalos súbitos quando o sol se prepara para cumprir o dia”.
ResponderEliminarAh, este amor que se faz tão doce na “aragem que se desprende” da respiração do ser amado e que se faz “suspensa, sobre montes, vales e desfiladeiros” onde só os amantes conseguem chegar para colher na erva “os poemas derradeiros”, pois muitas vezes as “palavras são vulgares e os versos estrangeiros” ante a altivez de “rostos lívidos e fechados” que nunca sentiram “a sede que nasce do fogo na garganta” e nem souberam da existência do vento que esculpia “rosas no deserto”.
É por isto que muitas vezes nos anoitecemos sentados “num jardim de gárgulas” para ver a “terra dormente” acolher numa intensa magia os “restos da tarde, a sua serenidade e o seu torpor”.
É assim que se iluminam os olhares “na limpidez da água quieta no regador” que já cumpriu sua missão de regar a memória para que dela brotasse uma saudade indeterminada, aquela que nem sempre sabe a que veio, saudade de algo que nem foi vivido. É neste momento que se consegue absorver numa gota um indestrutível oceano por onde se fez o “ocaso da tua calada partida”, tão furtiva quanto as “borboletas mudas sobre as azaléias” e as “camélias que ainda não floriram”.
Foi apenas um sonho... E dele se acorda para entregar “o sono às aves cristalinas que partiram”.
E do sonho “translúcido, liso e prolongado” restaram apenas os “amores apagados e tristes”, estes onde perdura “a mágoa anquilosante das palavras ditas” e também daquelas palavras que mesmo sem serem pronunciadas foram afogadas numa “nefasta bebedeira” sem nada dizer da dor sentida ou do prazer provocado.
É assim que ficam estes amores, estas saudades fugidas da memória, estes sonhos adivinhados na “limpidez da água quieta no regador” que, quando cheio, fez regar as rosas trançadas nos dedos do poeta que mesmo “com pesadelos no corpo” soube aquecer os “corações frios”, não com “trapos gastos e desfeitos” não com “mãos toscas e baças” nem para “destruir os lamentos” mas para que as “palavras deixadas por dizer” pudessem se perpetuar nos poemas dualizados na dor e no prazer que somente os grandes poetas sabem como trançar nas pétalas das rosas que se banharam na água que um generoso regador fez sobre elas caírem...
Continua...
Vou apenas inventar, porque não sei...:-)
EliminarOs amores que suportam todos os embates serão os amores que resistiram ao tempo, o amor com "calo" que se alicerça nos contratempos e se reforça na adversidade. Por vezes de muito difícil sobrevivência contudo, porque muitas pessoas têm tendência a falar muito, a conversar pouco, e a nada dizer. Mas os que amores de cumplicidade constroem-se na liberdade de ir ou de ficar, e na sinceridade,na não ocultação de qualquer tipo de sentimento. José E. Agualusa diz em "Barroco Tropical" que "sinceridade é quase amor",por implicar respeito pelo outro.
No cerne de toda a relação amorosa está a comunicação que institui e traduz elos, daí a linguagem (enquanto palavra ou gesto), ser o fundamento para o amor e para a sua representação. As palavras, enquanto representação, são inevitavelmente o veículo mais eloquente e elegante, mesmo quando porventura deselegante, para pôr em ordem as coisas. Mas existem ilusões e realidade, e ilusões muito reais; do que nunca foi mas poderia ter sido, do que nunca foi porque não deveria ter sido...e toda a inspiração surge a partir de traços de memórias recentes ou antigas, de sonhos ou de pesadelos que a imaginação recicla, criando ela própria uma "reminiscência" que se concretiza no acto poético, porque a poesia é também um tipo de discurso, e enquanto temos voz, mesmo que uma voz solitária, estamos bem vivos. É como se a poesia concedesse à vida o carácter de texto, de um texto onde se procura encontrar o melhor final. Escrever um poema pode ser uma forma de reagir à fortuna ou ao desastre.
E é como dizes, os grandes poetas conseguem nos simples gestos do dia adia, descobrir o brilho suficiente que dá lento e sentido à vida, mas considero que só a percepção e transfiguração do sofrimento humano; o dele, ou o dos que o rodeiam, torna um poeta grande. O seu interior tem de ser muito vasto e com a profundidade suficiente para albergar os despojos dos dias, e só assim um simples regador pode tornar-se metáfora para as grandes coisas que parecem pequenas. Porque os lamentos só devem durar um instante.
Continuação...
ResponderEliminarLaura, minha querida, aqui estou novamente a “dançar” palavras no teu grandioso poema. Amei o título, talvez porque assim, de repente, me fizeste menina a ajudar minha mãe a regar nosso jardim com um regador todo branquinho para mim especialmente comprado, em contraste com o dela, preto matizado. Enquanto a comprida mangueira cumpria sua missão de jogar água por todo o jardim, ficávamos nós duas a regar os canteiros que havíamos plantado a quatro mãos, cantarolando canções de roda. Esta é, sem nenhuma dúvida, uma das mais belas lembranças que tenho da minha mãe!
Por aí, Laura, já podes me perdoar pela invasão que fiz nestas recordações que soubeste tão bem poetizar. Aliás, pedir desculpas por estes atos “indignos” que cometo aqui na tua casa está se tornando costumário. Por vezes, não me contento apenas em te ler, apreciar, elogiar, pois tudo aquilo que escreves vem, de alguma forma, ao encontro de coisas que penso, sinto, vivo, e até tenho a pretensão de dizer que as emoções e sentimentos poetizados por ti, chegam a mim com tal intensidade que por vezes penso que me conheces “por dentro”, que sabes de todas as minhas saudades, das frustrações, dos medos, e até das ternuras... E que vens, vez em quando, pinçar com delicados dedos alguns fiapos de cicatrizes, pedacinhos de sonhos implantados, raízes ressequidas de lembranças, fragmentos de nostalgia, para teceres os esplendorosos poemas ou os magníficos textos que compõem a seara da tua poesia. E aqui ressalto que esta identificação do leitor com o poema e o poeta cria o laço indestrutível da admiração. E junto dela fica aquela sensação de ter sido co-autor de um escrito da qual se sabe nunca teria nem um décimo de imaginação para criar... E se o poeta é um fingidor que tão bem finge uma dor que deveras sente, acredito que o leitor também seja um fingidor, pois toma para si um poema onde sente sua alma retratada.
É por isso, minha querida, que tenho coragem de me entrelaçar nos teus escritos, pois para mim eles funcionam como o fio de ouro de Ariadne que me permite penetrar no labirinto das tuas palavras, dos teus simbolismos, das tuas imagens, sabendo que vou encontrar o caminho de volta...
Talvez seja este um comentário de difícil apreensão, não sei bem! E muitas vezes penso que eu poderia simplesmente ler, elogiar, agradecer e sair...
E confesso, amiga, que fiz isto muitas vezes, cheguei, li, nada comentei e fui embora anonimamente. Isto aconteceu naquelas vezes em que teu texto era demasiadamente forte para as minhas fracas emoções, mas em todas as vezes eu sentia que devia voltar e criar a devida coragem para enfrentar meus fantasmas interiores ali no teu texto tão claramente expostos.
Acredito, Laura, que os verdadeiros poetas conseguem exercer uma espécie de magia nos leitores, que conseguem enredá-los nas teias de uma imaginação que, de tão poderosa, consegue alcançar no outro as suas fraquezas.
A pintura de Delawe é sempre um deleite ao olhar e ao coração.
Melody Gardot não é apenas uma grande intérprete com uma voz doce que cativa, mas tem uma história de vida das mais impressionantes, revestida de generosidade, de força de vontade e de doação.
Até que uma nova escrita nos aproxime novamente, despeço-me deixando para ti os versos de uma canção de roda das que mais aprecio:
Alecrim, alecrim dourado
que nasceu no campo
sem ser semeado.
Alecrim do meu coração
que nasceu no campo
com esta canção.
Foi meu amor
quem me disse assim
que a flor do campo
é o alecrim.
Devo dizer que todo o comentário, dividido em duas partes, me emocionou às lágrimas. Porque "danças" e danças muito bem, Leninha. Embora o título seja o resultado de uma escolha perfeitamente aleatória, são especiais e muito comoventes as lembranças que o regador te suscitou. Tenho muita dificuldade em intitular poemas, porque acho que o título (tal como a imagem e a música), quando os poemas podem ser lidos de diferentes maneiras, influenciarão a interpretação do poema como um todo, no entanto um título ajudará os leitores não tão habituados a ler poesia a ter algo por onde "pegar".
EliminarPara reconhecer-se no que os outros escrevem é necessário "ter estado lá", mesmo que de forma diversa, porque talvez as pessoas não sejam, na sua essência, assim tão diferentes umas das outras, talvez todos sintamos a fingir a dor que deveras sentimos, talvez exista um elo invisível que irmana as almas, o que possibilitará esse reconhecimento. Talvez... Por isso as tuas "invasões" e a tua bela e fraterna "indignidade" confortam-me. Porque a minha escrita é vulnerável, e talvez precise desse conforto da identificação, desse alguém ao qual possa ter conseguido chegar à interioridade, apenas através de palavras.
Desde sempre, e ainda hoje, escrevo apenas para mim, "sangro", como diria Hemingway, e existe um certo tormento libertador na busca em direcção às palavras certas na tentativa de construção do verso nítido, algo que raramente se consegue, daí que os meus versos constituam ainda essa espécie de labirinto, o que implica a presença desse fio de Ariadne para encontrar o "caminho de volta", ou a solução do "enigma" a que o Marcos Kawanami se referiu. :-) No entanto, felizmente, e sou-te muito grata por isso, consegues entrar comigo dentro do poema, não me deixando sozinha dentro dele, e encontrando o caminho para a saída, ou seja, o caminho para a sua compreensão. Por outro lado, sinto como que uma certa angústia por saber, e como eu te entendo, que tiveste de encontrar "coragem" para ler e comentar certos poemas, e eu sei que "Pássaros" foi um desses poemas. Mas estamos condenados a ser esse misto de forças e fraquezas, numa vida feita de contrastes; uns que nos elevam, outros que nos arrasam, outros que nos deixam apáticos de espanto e incredulidade.
Admiro-te muito, por várias razões, tu sabes.Não as vou aqui enumerar porque o comentário já vai longo, e também admiro a Melody Gardot, com a qual anoiteço muitas vezes. :-)
Gostaria de saber como, com todos os teus afazeres, arranjas tempo para dissertações tão estruturadas e completas! Um abraço, querida, e muito obrigada pelas tuas palavras, um grande incentivo para mim. xx
A canção de roda que deixaste, uma canção popular muito antiga, faz então parte do imaginário do imaginário do Brasil e de Portugal. Aqui é cantada assim, embora existam variações, e a canção repita muitas vezes os versos. Simplificando :
Alecrim, alecrim aos molhos
por causa de ti
choram os meus olhos
Ai meu amor, quem te disse a ti,
Que a flor do monte
era o alecrim
Alecrim, alecrim doirado
que nasce no monte
sem ser semeado
Ai meu amor quem te disse a ti
que a flor do monte
era o alecrim...
Laura,
ResponderEliminarGostei muito de “O regador”, que, no meu sentir, este poema foi construído depois de ter sido muito lapidado, depois de dele, ter sido tirado os excessos e de, nele, ter sido colocada aquela palavra ou aquele verso que lhe faltava. Muito bom. Parabéns.
Abraços.
Foi muito trabalhado apenas na questão formal de que cada estrofe teria sete versos, mas os versos longos são para mim não tão difíceis de construir como os versos curtos.
EliminarObrigada, Pedro.
xx
EXCELENTÍSIMA GESTA!!!
ResponderEliminarABRAZOS
Obrigada, ReltiH.
Eliminarxx
Olá, Laura, como vai? Muito belo sue poema, mas causou-me uma tristezinha sobre um tempo doloroso de partida que não desejo lembrar. Ainda bem que no agora o amor está perto e o coração está apaziguado! :) Abraços!
ResponderEliminarOlá Bia!
EliminarExistem partidas que nos poderão destroçar, mas tudo é o que tem que ser. Essa partida acabou por dar lugar a um novo amor. Que bom! :-)
xx
Que lindo, Laura! E tão triste! Pelo menos eu o senti assim por ter sempre sofrido com a vulgaridade das palavras, sempre insuficientes para alcançarem o Outro e dizerem a Verdade de nós.
ResponderEliminarAbraço!
A dificuldade de comunicação, não só pela escassez de palavras e sua insuficiência para chegar ao outro, mas também a disponibilidade do outro para querer realmente ouvir.
EliminarObrigada, Jussara.
xx
OI LAURA!
ResponderEliminarQUANDO AS PALAVRAS NÃO SÃO SUFICIENTES, NÃO PARA SEREM DITAS, MAS, SIM PARA SEREM OUVIDAS.
LINDO AMIGA
ABRÇS
http://zilanicelia.blogspot.com.br/
Exactamente. Ninguém quer ouvir o outro, ninguém quer conhecer o outro, porque se parte do princípio de que o conhecimento do outro se faz de pressuposições.
EliminarObrigada, Zilani.
xx
Nostálgico y profundo.
ResponderEliminarExcelente....... Como siempre.
Un beso.
Obrigada, Manuel.
Eliminarxx
Bom dia, Desapontamento, frustrações e as dores causada são marcantes, que se pode fazer para evitar? penso que nada pode ser feito, quando se pensa que tudo está bem a caminho da perfeição o inesperado surge de uma maneira rápida, com diz Sérgio Godinho "Hoje é o primeiro dia do resto da minha vida" ou pela voz na bela Melody Gardot, "Eu não quero olhar para trás."
ResponderEliminarFeliz Domingo,
AG
Tem de viver-se o desapontamento, porque há pessoas sem sentido de lealdade. Nada de trágico, e olhar para trás não serve para nada.
EliminarObrigada, António.
xx
Hoje, apenas para agradecer tão belas/gentís/compreensivas/admiráveis palavras, a construir um texto de tal grandeza que a alma que o recebe se veste de luz e respinga fachos nos sorrisos que aqui ficam...
ResponderEliminarTu és linda, meu anjo!
Tempo arrumo assim: burlando o marido que está a esperar na piscina para um drink e um mergulho, aqui, sol lindo de "rachar" como dizemos (risos), ou num horário vago no consultório, ou nas noites insones quando alguma coisa ainda "não resolvida" fica a pinicar a alma... Ou, melhor ainda, quando de tudo esqueço para buscar refúgio nas palavras de outro ser humano e nelas mergulhar... Como faço aqui no teu espaço!
Que te chegue um domingo lindo e uma semana coroada de alegrias.
Um beijo, um sorriso, uma estrela, meu carinho!
Se eu fizer alguém sorrir de vez em quando, será muito bom.
EliminarAh que "maldade" essa "burla" ao marido, deixado a "secar" à beira da piscina, e fiquei aqui pensando em como estou desejosa de um tempo de Primavera e de Verão com um sol de "rachar", porque este mês de Março está a ser bastante ventoso e frio!
Obrigada pelo sorriso, pela estrela, e pelo carinho, porque beijos não se agradecem. :-)
xx
O que queremos, o que ousamos...
ResponderEliminarQueremos, queremos mesmo? Ou basta enfeitarmo-nos numa tela, por mais que bela?
A vida, sempre caprichosa, não se compadece com dilemas destes. Limita-se a seguir.
A sua capacidade de comunicar, Laura, é qualquer coisa...! Parabéns!
Um beijinho :)
Porventura poderemos ousar sem verdadeiramente querer, mas a maior parte das vezes, acho que se ousa por se querer, e por se crer no que se quer. Não que esse querer seja sempre o melhor para nós. Mas é assim; não existe dilema que a vida não resolva.
EliminarObrigada, AC.
xx
Como comentar poesia não é comigo vou pegar primeiramente no "Dentro de mim, no mais fundo dos fundos de mim, eu sei que não existes." e do fim: "Acordo do meu sonho translúcido..." e dizer que parece-me que escreveu sobre alguém que não é real.
ResponderEliminarDepois de ler o comentário da Ailime e tua resposta nada retiro do que interpretei.
Gosto muito Melody Gardot.
Um resto de domingo bom e...boa semana!
Eu sei que comentar poesia não é contigo, por isso podes sempre apenas dizer: "Já li.":-)
EliminarCompreendeste perfeitamente, afinal.
Obrigada, Paula. E uma boa semana.
xx
Laura passando pra te desejar uma ótima semana beijos.
ResponderEliminarhttp://www.lucimarestreladamanha.blogspot.com.br/
Obrigada, Lucimar. Uma óptima semana para ti.
Eliminarxx
Votos de feliz semana,
ResponderEliminarAG
Obrigada, António. Igualmente.
Eliminarxx
Añoranzas y Frustraciones.
ResponderEliminarAngustias y Pesares.
Precioso Poema do Regador.
La Vida misma sometida a los avatares y distorsiones de este gran Sentimiento.
Emociona la Musicalidad melancólica que salen del contenido de estas hermosas Letras.
Un Video sensacional.
Abraços e Beijos.
Precisamente. Uma questão de avatares.
EliminarObrigada, Pedro.
xx
Já comentei o poema pelo que venho apenas desejar uma boa semana e esclarecer uma coisa. A escola era mista, porque não havia mais nenhuma na Telha, nem nos arredores. Mas os meninos eram muito poucos comparados com as meninas. Ficavam na fila junto à porta. Eram os primeiros a sai e os últimos a entrar e estavam proibidos de brincar com as meninas no recreio. Mesmo quando lá foi o fotografo, tirou duas fotos separados. Eu tenho uma só de meninas, e o meu irmão tem uma só de meninos. Era assim naquele tempo.
ResponderEliminarUm abraço
Claro, Elvira. Eu entendi. Onde só existia uma escola, meninos e meninas frequentavam a mesma escola, eu no Alentejo também estive numa escola apenas com uma sala de aula, portanto existiam meninas e meninos estavam na mesma sala, em filas separadas. Mas em Lagos, como havia duas escolas, uma era feminina, outra masculina, e nem os recreios eram comuns.
EliminarOutros tempos, de facto!
xx
Oi Laura! Diante de tantos comentários dotados de tão belas palavras, sinto-me incapaz de tecer qualquer comentário referente ao belo e profundo poema que ora acabo de me deliciar com a sua leitura. Adorei! Principalmente a estrofe abaixo:
ResponderEliminartodos os sentidos, e as palavras crescem soltas na senda
de um mundo vivo, e trotam como cavalos súbitos
quando o sol se prepara para cumprir o dia.
E é doce a aragem que se desprende da tua respiração
suspensa, sobre montes, vales e desfiladeiros
aos quais nunca ninguém quis ou ousou chegar.
Onde se encontram na erva, os poemas derradeiros.
O que seria dos grandes poetas, se lhes fossem subtraído o sentido de percepção do presente, ou lhes faltassem o registro mental do passado?
Beijos,
Furtado.
Obrigada, Furtado. Poeta ou não poeta, sem memória seríamos um papel em branco.
Eliminarxx
Neste dia dedicado à mulher, desejo-lhe para hoje e sempre a maior felicidade do mundo.
ResponderEliminarAG
Obrigada, António. Que mulheres e homens tentem ser felizes.
Eliminarxx
Ah, que belo diálogo travado com Helena. Leitura primorosa, comentário revelador.
ResponderEliminarOnde há poetas as palavras se movem com leveza, ainda que deixem sombras taciturnas na atmosfera que criam.
É impossível não se registrar a beleza que das palavras emanam e das mulheres que as enunciam no poema e nos comentários, e nos comentários dos comentários. É isto sim, não outra cousa. Os deuses não mentem. São esplendorosas, as duas. Por enquanto é isto só.
Parabéns! Ambas merecem especialmente hoje. Pelo que ambas são.
Abraço afetuoso,
A Helena é uma pessoa muito especial. Generosa demais, elegante e afectuosa no trato, mulher multifacetada, e sensível. Poeta, e também uma excelente pintora, já para não falar da sua actividade profissional e voluntariado social. Uma mulher linda que sempre demonstra apreço por todos nós. E dona de uma humildade característica dos grandes. Os comentários dela são autênticos "testamentos" recheados de emoção, e obrigam-me a reflectir e a emocionar-me.
EliminarObrigada, em meu nome, e em nome da Leninha.
Abraço!
xx
Sem querer imitar Helena (risos). Eis a minha segunda parte. A música é enternecedora. Pura delicadeza. E quase nunca estendo os meus comentários à música e à imagem que são escolhas "caprichosas".
ResponderEliminarOutro abraço,
Ah tu não consegues imitar a Helena...:-)
EliminarPor vezes até posso não gostar assim tanto de uma música que escolha, mas da Melody Gardot gosto bastante.
xx
Um Poema belíssimo e profundo, que desnuda os
ResponderEliminarsentires de abismos tatuados na pele, mas a pele,
palco que se revela do poema, também incendeia
a beleza da flor guardada no mistério seu de
entrega e voo. Todo Poeta se inscreve no além de
si mesmo, a sua voz são muitas dentro de um Poema
e as vezes são confundidas como se fosse só
uma única voz.
Adorei o vídeo, a música linda e um presente
novo, desconhecia...rss
Beijos.
Existem profundezas em nós que necessitam vir à superfície, talvez por não caberem dentro de nós. Há quem grite, quem chore, quem se torne agressivo ou apático, eu escrevo. Embora sejamos únicos, a nossa voz pode ter tons muito diferenciados.
EliminarTinha quase a certeza de que irias gostar desta cantora. :-)
Obrigada, Suzete.
xx
Poema lindo, bjbj Lusette.
ResponderEliminarObrigada, Lisette.
Eliminarxx
Gostei de reler o teu excelente poema.
ResponderEliminarBom resto de semana, querida amiga Laura.
Beijo.
Obrigada, Jaime. Bom fim de semana.
Eliminarxx
Passando por aqui... relendo novamente este poema fabuloso... e apreciando esta voz extraordinária, que ainda não conhecia... no outro dia, fiquei tão encantada com o poema... que nem me lembrei de ir espreitar o vídeo... timbre lindíssimo!
ResponderEliminarBeijinhos! Bom resto de semana!
Ana
Gosto muito de cantoras que sabem cantar sem ser aos gritos, e a Melody é uma dessas cantoras. :-)
EliminarObrigada pela visita, e bom fim de semana, Ana.
xx
Votos de excelente fim de semana.
ResponderEliminarAG
Obrigada, António. Tenha um excelente fim de semana, também.
Eliminarxx
Bom dia querida Laura.
ResponderEliminarPassando para lhe desejar uma iluminada semana. Enorme abraço.
Obrigada, Mirtes.
EliminarEspero que estejas a sentir-te melhor.
Boa semana.
xx
Um abraço com muita energia positiva pra você, Laura!
ResponderEliminarAté mais!!!
Abraço, Shirley!
EliminarObrigada.
xx
Amores difíceis de se entender entre si e de serem entendidos por quem os vive, cujas palavras são pronunciadas numa língua estranha, ou estrangeira, e por isso mesmo não entendida.
ResponderEliminarO erotismo das entrelinhas só dificilmente é perceptível, o que o torna ainda mais apetecível.
Talvez sem rosas nos dedos mas com eles repletos de técnica e inspiração, construíste um poema quase épico, de uma beleza invulgar.
Beijinhos
MARIAZITA / A CASA DA MARIQUINHAS
PS - Falei hoje de manhã com o Miguel, a quem"entreguei" o teu beijo, que ele agradece e retribui.
Para quem não fala o mesmo tipo de linguagem, a língua acaba por ser sempre estrangeira.
EliminarObrigada, Mariazita.
Espero que o Miguel esteja bem, e tu também.
xx
Hola, Laura, qué bonito es tu blog, te felicito por él, me ha encantado.
ResponderEliminarUn beso.
Obrigada, María.
Eliminarxx
Diga o que você pensa com esperança.
ResponderEliminarPense no que você faz com fé.
Faça o que você deve fazer com amor!
Ana Carolina
Abraços com carinho!
└──●► *Rita!!
Belas palavras da Ana Carolina.
EliminarUm abraço, Rita.
xx
OI LAURA!
ResponderEliminarJÁ ESTIVE AQUI E COMENTEI TEU LINDO POEMA.
HOJE, VENHO AGRADECER TEU COMENTÁRIO LÁ NO "SÓ PRA DIZER", E O FAÇO PORQUE, SINCERAMENTE, TE CONSIDERO UMA DAS MELHORES E SER ELOGIADA POR TI É O MÁXIMO, OBRIGADA AMIGA.
ABRÇS
http://zilanicelia.blogspot.com.br/
Olá Zilani!
EliminarA tua poesia é excelente, e ler quem assim escreve também nos inspira a tentar escrever sempre melhor.
Devemos elogiar os outros nas suas qualidades. ;-)
Obrigada, Zilani.
xx
Que fantástico !!!
ResponderEliminarAmei seu blog;vou voltar mais vezes :)
beijos !!!
Obrigada, Dani.
Eliminarxx
¡Hola Laura!!!
ResponderEliminarQue extraordinario y profundo poema nos dejas, amiga: cuanto sentimiento le envuelve. Expande ternura, amor y ese pellizco grande de melancolía que lo hace mas hermoso todavía.
Ha sido un inmenso placer pasar a leerte, querida amiga. Eres una poeta fantástica.
Te dejo mi felicitación, mi estima y gratitud.
Un abrazo y se muy muy feliz.
Olá Marina!
EliminarA partir de uma certa idade, a poesia adquire naturalmente essa nostalgia, porque temos mais vida atrás de nós do que à nossa frente. :-)
Obrigada, e dias felizes.
xx