Açorda de camarão e pescada
DOBRADA À MODA DO PORTO
Um dia, num restaurante, fora do espaço e do tempo,
Serviram-me o amor como dobrada fria.
Disse delicadamente ao missionário da cozinha
Que a preferia quente,
Que a dobrada (e era à moda do Porto) nunca se come fria.
Impacientaram-se comigo.
Nunca se pode ter razão, nem num restaurante.
Não comi, não pedi outra coisa, paguei a conta,
E vim passear para a rua.
Quem sabe o que isto quer dizer?
Eu não sei, e foi comigo...
(Sei muito bem que na infância de toda a gente houve um jardim,
Particular ou público, ou do vizinho.
Sei muito bem que brincarmos era dono dele.
E que a tristeza é de hoje).
Sei isso muitas vezes,
Mas, se eu pedi amor, porque é que me trouxeram
Dobrada à moda do Porto fria?
Não é um prato que se possa comer frio,
Mas trouxeram-mo frio.
Não me queixei mas estava frio,
Nunca se pode comer frio, mas veio frio.
in "Poemas", Álvaro de Campos
Uma pequena amostra das minhas refeições de Inverno. Embora todos estes pratos, à excepção dos cozidos com enchidos e da cabidela, também se possam comer durante o ano inteiro, é raríssimo fazer cozinhados no forno durante o Verão.
Uma pequena amostra das minhas refeições de Inverno. Embora todos estes pratos, à excepção dos cozidos com enchidos e da cabidela, também se possam comer durante o ano inteiro, é raríssimo fazer cozinhados no forno durante o Verão.
Borrego no forno com limão e alecrim
Rolo de peru com fiambre e queijo e noodles
Cabidela
Espadarte com batata doce
Bife de lombo com batatas e cogumelos
Bife de atum com natas e pimenta preta
Espetada de vitela
Jardineira
Arroz malandro de coelho com vinho tinto
Feijão com couve
Percebes





