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segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Regressando aos poucos



A minha casa é ao fundo da rua.
Onde existe tanta esquina
e tanto beco.
Onde o sol pouco ilumina,
o ar é ventoso e seco,
e o chão parece abrir-se em alçapão.

Apátrida de tanta pátria
da esquina de mim exijo saída;
sempre que me sinto aprisionada
desfaço o beco, encontro guarida
na linha recta obstinada
para a morada da libertação.



Devem ter sido estes os três meses mais velozes da minha vida!... Nunca achei que o tempo tivesse alguma vez passado tão rapidamente.
 Estar alheada da blogosfera foi muito bom para mim. Pintei a minha casa, os armários de cozinha, recuperei uma pequena mesa e um móvel antigo que fui buscar ao lixo. Mas como verdadeiramente não preciso dos objectos, o problema é arranjar-lhes depois espaço dentro de casa.




 Já farta de pintar paredes e móveis, arrisquei outro tipo de pintura. Sei que não tenho talento para pintar, mas vale pelo prazer que me dá. Pintar dá-me um relaxamento que a escrita nunca me oferecerá.Estas são as minhas duas primeiras brincadeiras. Estilo naïf escola primária. :-)


 Arranjei ainda tempo para assistir a alguns concertos de música, neste caso, a Orquestra de Jazz do Algarve. Tempo para ler, ir à praia, e conviver um pouco com amigas.


sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Voar

VOAR

Quando vieres poderei desfolhar todas as rosas do jardim; 
até num gesto, sem que te rias de mim
destronar todas as princesas, pôr flores em todas as mesas.

Cobrirei no silêncio, o teu corpo de beijos

     e a minha cama de desejos.

     E quando o sol abrir de repente o teu sorriso

     dir-te-ei sem reservas com toda a força 

     que é preciso

     que os deuses morreram

     e só nos temos um ao outro.
     Depositarei no Olimpo todos os segredos contidos, 
     todas as mágoas nos tempos idos.
     Liberta de promessas, ilusões e receios
     fundirei nos céus todos os astros,
     ficarei na escuridão do quarto a escutar a tua voz.
     O vento soprará para nós e toda a cidade
     renascerá das cinzas; Fénix renascida 
     das noites do passado...
     Depois de te ter amado assim,
     porei dentro de ti, em mim teus olhos doces
     como se fosses
     a esperança e alegria da manhã.
     Sã miragem de sonho concretizado
     realizarei em próxima viagem, os teus cabelos
     a crescer sobre os meus dedos.
     Sem medos,
     como quem espera a madrugada,
     não pedirei mais nada.
     Decidirei em cada regresso 
     o renascer da bruma na orla da praia
     e pintarei para que não saia
     nunca mais das minhas margens o sonho das viagens
     e este rio que me percorre desde sempre.
     No presente ficarei a sós contigo.
     Em cada abrigo , perto das grutas
     nascerão de corpos cansados, todas as lutas.
     Estarei de braços abertos e fecharei em laços
     os teus braços, e ao ouvir os teus passos pelo chão
     estenderei sem limite a minha mão...
     Estarei à tua vinda, sempre, ainda,
     ave na primavera dos países.
     Voando....