" A imagem daqueles salgueiros na água é mais nítida e pura que os próprios salgueiros. E tem também uma tristeza toda sua, uma tristeza que não está nos primitivos salgueiros."
Mário Quintana (Sapato Florido,1948)
Para onde vais tu água do rio,
Que salgueiros te vêem passar?
Porque sentirei lento arrepio
Porque fica tão distante o mar?
Tão grande cegueira não querer ver
O carrossel de espuma e de cristal...
As acácias murcharam, vão morrer,
Fico sozinha olhando o vendaval.
Guardados sobram da mocidade,
Os sonhos arquivados na memória
Envoltos em véu de opacidade.
Rasguei de repente a claridade
Lavei de mágoas toda a história,
Aceito resoluta esta saudade.

Chuva? Alguma durante o percurso. A tarde fez-se bonita, o mar mesmo aqui em frente...
ResponderEliminarSaludos de la Corunha.!
Na Corunha, Rui....!? Aqui choveu bem na sexta-feira, a chuva parou, mas continua frio...Ainda bem que a sua tarde se fez bonita com o mar em frente.
ResponderEliminarSaludos desta outra ponta da península e boa viagem, Rui!
Olá, Laura!
ResponderEliminarEstava a olhar a sua fotografia, a que tem no blogue, e a cogitar.
Tem um rosto bonito, fino e as feições miudinhas e perfeitas. Fitei o meu olhar no seu penteado (a foto até pode ter já algum tempo), que continua atual, embora, desde há dois anos para cá, o corte, seja, com aquelas pontas mais compridas, à frente, como sabe. Todavia, Roberto Carlos e o Mick Jagger (será que está bem escrito)? continuam moderníssimos, e não os consigo imaginar com outro penteado ou outra maneira de vestir.
Eu era uma menina e eles já eram homens de trinta e tais, mas mesmo hoje, continuo a achar que estão super atuais.
Mas, o que tem isto a ver com os salgueiros de que fala Quintana ou com a poesia? Nada e tudo.
Nós somos sempre jovens, basta crer. Se a mente o for, o corpo, também lhe vai obedecendo.
Vamos lá a ver, se as saudações ficam no devido sítio.
Tenha uma semana feliz.
Beijos da Luz.
Aaah! Mick Jagger e Roberto Carlos!!...Não é preciso muita cogitação, a foto já tem uns anos sim, eu já estou nos "entas", o raio do penteado continua o mesmo, mas sou mais do tipo Ron Wood...:-)
EliminarPor acaso nem me passa pela cabeça se o penteado é actual ou não, mas independentemente da aparência, a verdade é que à medida que os anos passam me tenho vindo a tornar mais jovem; de espírito é claro!
Boa semana também para si.x
Gostei do poema e gosto dessa cantora.
ResponderEliminarSofia
Ainda bem, Sofia!
EliminarQuer dizer que a tempestade já passou...
ResponderEliminarManuela Pires
Claro que sim, há muito tempo....:-)
EliminarA Concha é uma grande cantora e fica bem neste poema.
ResponderEliminarAna Silva
A C. Buika é uma força da natureza, uma mulher com o sentimento à flor da pele.
EliminarObrigada Ana Oliveira. Que bom ouvir isso.
ResponderEliminarRetribuo esse beijo.
Olá Laura
ResponderEliminarhá muitos anos que não te vejo, pouco tenho sabido de ti... provavelmente não te lembras de mim, mas quero que saibas que adorei saber-te "viva" e blogueira...
Um beijo... continua, gostei muito do que li, vou continuar a ler :)
Guida (Escala...)
Margarida!!! Claro que me lembro de ti! Há quanto tempo!...Sim, ainda por aqui ando, armada em blogueira, agora...:-)
EliminarFico contente que tenhas gostado do que leste, e se achas que vais ter paciência para ler o resto, toca a criticar o que não gostares.
Obrigada pelas tuas palavras, Guida.
Um grande beijo também para ti.
A saudade é tão dolorosa, tão castradora... mas ao mesmo tempo é tão bonita.
ResponderEliminarÉ verdade S*, mas embora por vezes embrulhada em contornos dolorosos, a saudade é sempre um sentimento belo; só temos saudade do que foi bom.
ResponderEliminarTropecei no seu blogue ao pesquisar algo totalmente diferente e fiquei agradavelmente surpreendido.Para dizer a verdade até nem aprecio muito poesia, mas a sua prosa roça a excelência, os seus textos sobre o Alentejo , sobre a justiça ou sobre o nosso grande capitão de abril, são autênticas maravilhas.
ResponderEliminarNão costumo comentar blogues, mas tive neste caso de abrir uma excepção.
Parabéns.
A. Ferreira
Sintra
Quase me deixou sem palavras...Simpatia sua, e um pouco de exagero de certeza, mas fico muito contente que tenha gostado.
EliminarObrigada por se ter dado ao trabalho de comentar.
Laura,
ResponderEliminarteimamos por vezes ver a saudade como algo que nos faz mal, que nos deprime. VEJA-SE O FADO. Para muitos, triste lamento cantado. Engane-se quem assim pensa, fado tambem pode ser manear de ancas e agitado. O baloiçar das arrecadas, o alegre guitarrar das cordas.
Assim tambem temos a SAUDADE. Triste por lembranças distantes e intocaveis mas tambem alegres por natureza e basta lembrar para sorrir.
No teu poema revejo a minha aldeia,onde os salgueiros tambem veem o rio passar. Agora fiquei com saudade.
Exactamente, a saudade é sempre boa; mesmo que por vezes, envolta em tristeza. Só não sente saudade quem perdeu a memória.
Eliminar"O rio da minha aldeia não faz pensar em nada.
Quem está ao pé dele está só ao pé dele" F.P
Mas, quem está longe dele, pensará nele e nos salgueiros que o vêem passar... Como tu , ao ler sobre rios e salgueiros.