segunda-feira, 13 de maio de 2013

Mahnaz Badihian




 Poetisa americano-iraniana, marcada pela infância no Irão. Publicou dois livros de poesia em Língua persa e fez uma tradução do "Livro das Perguntas" de Pablo Neruda, para essa mesma Língua. A sua primeira publicação em Inglês, "From Zayadeh Rud to the Mississippi" encontra-se traduzida em várias línguas, mas não em Português.
 Nos Estados Unidos desde 1979, vive actualmente em São Francisco de onde dirige uma revista literária online; MahMag.org, tentando reunir poetas do mundo, utilizando a Poesia  como ponte entre a cultura ocidental e oriental. Embora tenha trabalhado como dentista, dedica-se desde 2004, exclusivamente à Poesia e à Pintura.
 Um dos seus poemas foi-me enviado há cerca de um ano, por uma amiga.Obrigada Maria!
 Aqui está ele. Simples e intenso.


EVERY MORNING


                      Every morning I visit every tree in this garden
                      even before I wash my face or comb my hair.
                      All the trees know a few facts.
                      They know the same woman will water them day after day,
                      the woman who picks one apple from the red apple tree
                      She is the woman, who asks if the rain lets them sleep at night,
                      the woman who goes to every tree
                      even before the sun can shine on them.
                      Not all the trees are happy in this garden
                      Some are moody on certain days, some get
                      annoyed with the cold or the heat
                      Some are so difficult they hate being touched
                      Some so brave they can grow tall even in the absence of rain
                      By now I know all their names
                      I know what makes each one smile.

                      The man who sleeps in my bed is morose every day
                      but I lack the art of knowing what makes him sad.
                      He is like those trees, never talks
                      Once I asked him if it was the rain, or the cold
                      or the yellow colour of the sheets?
                      Is it the colour of my eyes, the size of my thighs?
                      Or even the way I lay down?
                      It is Sunday morning and I go to the garden to watch the trees.









30 comentários:

  1. Que giro. Deu-me ideia que a sua intenção era a personificação das árvores. Será? Não conhecia, mas gosto da premissa de unir oriente e ocidente, culturas e povos, através da poesia. Se a palavra afasta, a palavra também pode unir.

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  2. Exactamente. É assim que entendo também; uma alegoria mulher árvore.
    Lendo mais sobre ela nota-se o "peso" de uma cultura do passado e o sentido de uma libertação posterior. Sim, Tens toda a razão, a palavra pode tanto afastar como unir.

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  3. De inglês é que eu não pesco muito...:)

    João Nicolau

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  4. Ela entende o sorriso das árvores mas desconhece a razão da tristeza do homem. Aqui há qualquer coisa que me escapa... reconheço. A silvicultura não é o meu forte.
    :)

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    1. Ela entende o sorriso das árvores e o seu aborrecimento; se não gostam de calor ou de frio, ou se não gostam de ser tocadas.... mas não entende a razão do do mau humor do homem talvez porque ele nunca fale...daí que, não havendo diálogo se torne mais fácil entender as plantas do que as pessoas.....?...:-)

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    2. Alguém disse que as mulheres nasceram para ser amadas e não compreendidas.
      :)

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    3. Se calhar nem toda a gente tem a capacidade de amar sem compreender... O amor devia ser simples, mas não é. Precisa de atenção e muita rega...digo eu....:-)

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  5. O poema é bonito, mas o vídeo é muito lento e a música é boa para dormir.
    Sofia

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    1. Sim, na verdade é um pouco lento demais, mas bom para relaxar, então...;-)

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  6. Laura :-) este poema é lindo... E quem não se identifica, um pouco que seja, com as palavras que o vestem ?

    maria jorge

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    1. Pois é Maria, e tão simples. Eu identifico-me, mas espero bem que nem toda a gente se identifique.... seria bom sinal...

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  7. Desconhecia por completo, esse poema é muito bonito.

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  8. Aleluia S*! Até que enfim um dos teus comentários não vai só para a minha caixa de email!...:-)
    Sim, é um poema que gosto muito e por isso decidi partilhar.

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  9. Gostei do poema, mas as pinturas dela parecem os desenhos da minha filha....

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    1. E o que é que isso quer dizer? Que os desenhos da sua filha sou feios ou bonitos?

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  10. Olá, Laura!

    Peço desculpa, mas não sei como comentei o post anterior a este, não tendo o meu comentário nada a ver com Lagos.

    Esta poetisa é mulher, e ainda por cima nascida no Irão, então, conhece bem o "bicho homem".

    Beijos da Luz.

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  11. É , que pena que o outro seu extraordinário comentário não tivesse ficado aqui!
    Sim , ela conhece perfeitamente o "bicho homem", daí que seja melhor dirigir-se às árvores...
    Beijos, Luz.

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  12. Esse poema é bem a prova da boa poesia que escrevem os iranianos!
    Bjssss

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    1. Sem dúvida. Existem autênticas pérolas literárias por descobrir, já que muitos autores não estão publicados em Portugal.
      Bjs

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  13. Olá, Laura!

    Como está?

    Vou fazer outro comentário, referente ao assunto em questão.

    Conheço satisfatoriamente alguuns países no norte de África, onde a mulher e a sua situação, A NÍVEL DE DIREITOS, é quase nula. Claro que a NÍVEL DE DEVERES, é nota máxima.

    O poema desta mulher e escritora americano-iraniana é de uma lucidez incomodativa.

    Quem leu o poema e o compreendeu (temos de pensar em quem não sabe Inglês), interiorizou muito bem, sobretudo, se for mulher, o que elas sofrem, calam e como se "anulam".

    Se todas as manhãs, a mulher de que fala o poema, e antes de se pentear e lavar a cara, prefere ir conversar com as árvores, a dizer bom dia ao marido, a quem provavelmente estava destinada desde criança, então, no mínimo é uma mulher muito inteligente, dona do seu ser e muito sensível.

    Também se cumprimentasse o marido, a besta não lhe responderia, porque os animais não falam, só emitem sons, grunhidos, rugidos e coisas semelhantes.

    Tenha um bom domingo, em liberdade e com mor.
    Beijos da Luz.

    PS: Publiquei, ontem, outro poema, mas no blogue, "Afetos e Cumplicidades". Obrigada!

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  14. Olá. Luz!
    Concordo plenamente com o que disse. O caminho a percorrer ainda é tão longo; o poder masculino, o desrespeito dos direitos das mulheres impede-as não só de ter uma vida social, mas sobretudo uma vida emocional satisfatórias.Só que ao anular as mulheres, não entendem que toda a sociedade fica uma trampa sem sentido....
    E embora com as devidas distâncias, não esquecer que isto se passa ainda aqui no nosso país...
    Obrigada, Luz, um bom resto de domingo!

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    1. Boa noite, Laura!

      Li, mesmo agora, o comentário que deixou no "Afetos" e, de facto, o amor, ou aquela "coisa" de "abre as pernas, coração", continua a ser "feito" (bem, entre aspas) à noite, irremediavelmente. Toalhinhas tiradas à pressa, e a mulher desejosa que ele se "despache", sim, porque é uma "tarefa", algo que tem de ser realizado. É norma, está tudo dito.

      Enquanto decorre a ação, ela pensa no que irá fazer no outro dia para o jantar, ou nas roupas que os filhos e a marido irão usar no dia seguinte.

      Boa semana, com amor e liberdade consciente.

      Beijos da Luz, que na realidade, se chama, Emília.

      Esse não é o meu mundo, pois NUNCA me relacionei, afetivamente, à noite. A noite é para dormir, isto para quem ainda está numa situação ativa, profissionalmente, e para os outros, façam dela, aquilo que muito bem entenderem.

      A culpa, também é nossa, sem dúvida.

      O poema de Gedeão, "Calçada de Carriche" retrata muito bem o que sofrem as "Luísas", as "Marias", as "Teresas", etc. mas, traõ de ser elas a dar o "pontapé de saída".

      O homem, salvo raríssimas exceções, não sabe orientar-se sem mulher, dificilmente vive, sobrevive, quando muito.

      São as mulheres que têm mais cursos superiores, casa própria e conseguem organizar-se, lindamente, sem a presença masculina.

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    2. Muito bem evocado o poema de Gedeão, Emília.
      Sim, na generalidade as mulheres conseguem organizar-se melhor sozinhas do que os homens; uma questão de educação...as próprias mulheres educam mal os seus filhos, considerando por vezes que existem tarefas para as quais eles não foram talhados...

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  15. É muito bonito o poema. E acredito mesmo que a arte, que a poesia, podem unir mundos que parecem muito distantes. Porque para mim, a poesia é a escrita das emoções, e todos as sentimos da mesma maneira, independentemente da língua, raça, costume...como se costuma dizer, sorrimos todos na mesma língua! :)

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  16. Concordo plenamente. A arte tenta pacificar a nossa relação com o mundo, e para ser verdadeira arte deve ter subjacente uma certa universalidade e intemporalidade. Como dizes, os sentimentos existem em qualquer indivíduo independentemente do seu idioma, raça, ou das suas circunstâncias particulares, e mesmo que a expressão das emoções possa ser formalmente diferente, o conteúdo que a origina é comum e permite a tal identificação.

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