quarta-feira, 1 de maio de 2013

Sombra



SOMBRA

Nos portais dos velhos becos
Já não paira o sol de outrora.
A sombra desliza entre janelas,
Desnuda nas paredes imagens
De barcos, rectas e curvas de poemas. 
 Paisagens adormecidas, romances
Estreitos de arrebatadores dilemas,
Recordações de viagens num só chão
Sem halo de beleza, pecado,
 ou nítida imperfeição.
Foi aí que te conheci. Sentada
Num banco do tempo 
À tua espera.





Não é, nem de perto nem de longe, um dos meus temas preferidos de Ana Moura, 
 mas como tem a ver com o poema, aqui está " O que foi que aconteceu" 





24 comentários:

  1. "Quando há uma sombra é porque há uma luz..."
    :)

    Linda poesia, imagem, canção
    Encaixam na perfeição.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. É verdade, Rui. Mesmo que a luz esteja um pouco afastada, está lá, só acabamos por não senti-la tanto, o que acaba por ser bom. Demasiada luz às vezes também nos pode cegar...
      Obrigada pelas suas palavras.

      Eliminar
  2. Acto descritivo brilhante. Estávamos quase lá. :-)) Ainda por cima adensaste a poesia com uma música belíssima.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Gostaste do que eu vejo em simples paredes?!...:-)
      Eu até gosto mais de outros temas da A. Moura, mas para o que queria dizer tinha de ser esta letra. E ela tem uma voz muito bonita.

      Eliminar
    2. És uma boa pintora de paredes. Tenho uma cá em casa a precisar de criatividade e cor. :-P Tens tinta?

      Eliminar
    3. Tu nem imaginas como sou uma boa pintora de paredes no verdadeiro sentido da palavra... sou eu que pinto as minhas paredes. Se só tens uma parede a precisar de tinta, isso é fácil de resolver, eu neste momento até tenho mais do que uma a precisar...
      Se tenho tinta? Claro! Sempre!...:-)

      Eliminar
    4. Ela até está direitinha, mas eu não a queria branca, percebes? Queria fazer um grafitti como o de Saramago e Pilar.

      Eliminar
    5. Ah! Esse !...Que tem escrito por baixo: "Sempre chegamos ao sítio aonde nos esperam"....Parece que para Saramago a vida começou mesmo a sério a partir dos 60, com um amor tão cúmplice e inspirador...;-)

      Eliminar
  3. Gosto muito da Ana Moura e também gostei muito do poema.
    Ana Silva

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Muita gente gosta da Ana Moura, lá fora também. Obrigada, Ana.

      Eliminar
  4. O poema é muito bonito, mas no fim não se percebe o que aconteceu...A Ana Moura canta muito bem.

    Manuela Pires

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Pois não, Manuela, nem eu percebi!...por isso escrevi o poema. A Ana canta muito bem, de facto.

      Eliminar
  5. Respostas
    1. Quem está muito alegre não escreverá poemas...dará banho ao cão, convidará os amigos para uma festa, irá dar uma volta, poderá sentir-se como o último rei no universo, e terá porventura uma alegria tão superficial ou profunda como a minha tristeza.

      Eliminar
    2. Oh :( porquê?... A tristeza é tão natural como a alegria....:-)

      Eliminar
    3. Estou contigo: o poeta preciso mais da tristeza, do que da caneta. :-P

      Eliminar
    4. Nem mais. Só os imbecis estão sempre alegres. Escrever também é uma forma de apaziguamento... Ao escrever, embora possa parecer contraditório, parto duma certa tristeza para uma satisfação, uma alegria suave...

      Eliminar
  6. Gostei do poema e a Ana Moura fica sempre bem.
    João Nicolau

    ResponderEliminar
  7. Sem halo de beleza, pecado ou nítida imperfeição; muito bonito!!
    Sofia

    ResponderEliminar
  8. Um poema muito bonito. Gostei muito do blog.

    ResponderEliminar

Nota: só um membro deste blogue pode publicar um comentário.