sexta-feira, 8 de novembro de 2013

António Jacinto




 António Jacinto do Amaral Martins, filho de um casal  de colonos de Alfândega da Fé, nasceu em Luanda em 1924, e faleceu em Lisboa em 1991, aos 67 anos de idade. Reconhecido principalmente como poeta de protesto, foi também contista com o pseudónimo de Orlando Távora.
 Empregado de escritório e técnico de contabilidade, desde cedo exerceu actividade na vida política e cultural de Angola, colaborando também em alguns jornais e revistas. Devido à sua militância política contra o regime fascista e o colonialismo, foi condenado a catorze anos de prisão, dez dos quais cumpridos no campo de concentração do Tarrafal, em Cabo Verde. Depois de breve passagem por Lisboa, fugiria para Argel e juntar-se-ia ao MPLA (Movimento Popular de Libertação de Angola). Com a independência, em 1975, seria nomeado Ministro da Educação e Cultura de Angola, cargo que ocupou até 1978.
 Co-fundador da União de Escritores Angolanos e membro do Movimento dos Novos Intelectuais de Angola, recebeu o prémio Noma, o Prémio Lotus da Associação dos Escritores Afro-Asiáticos, e o Prémio Nacional de Literatura. O Instituto Nacional de Indústrias Culturais(INIC) criou um prémio literário com o seu nome.
 Obras: "Poemas"(1961), "Vovô Bartolomeu"(1979), "Poemas"(1982, ed. alargada), "Em Kilunje do Golungo"(1984), "Prometeu"(1987), "Fábulas de Sanji"(1988).
 Tenho por África e seus escritores e artistas um fascínio imenso. Um continente com inúmeras línguas e dialectos, com tanta diversidade cultural e ambiental. Um património histórico e natural que me encanta, com povos tão injustiçados ao longo da História. 


                                       
MONANGAMBÉ

                                    Naquela roça grande
                                     não tem chuva
                                     é o suor do meu rosto
                                     que rega as plantações;
                                    Naquela roça grande
                                     tem café maduro
                                     e aquele vermelho-cereja
                                     são gotas do meu sangue
                                     feitas seiva.
                               
                                   O café vai ser torrado
                                     pisado, torturado,
                                     vai ficar negro,
                                     negro da cor do contratado!

                                  Perguntem às aves que cantam,
                                    aos regatos de alegre serpentear
                                    e ao vento forte do sertão:

                                 Quem se levanta cedo?
                                   quem vai à tonga?
                                 Quem traz pela estrada longa
                                   a tipóia ou o cacho de dendém?
                                  Quem capina e em paga recebe desdém
                                   fuba podre, peixe podre,
                                   panos ruins, cinquenta angolares
                                  "porrada se refilares"?
                              
                                  Quem?
                                  Quem faz o milho crescer
                                    e os laranjais florescer?
                                   - Quem?
                                   Quem dá dinheiro para o patrão comprar
                                     máquinas, carros, senhoras
                                     e cabeças de pretos para os motores?

                                   Quem faz o branco prosperar,
                                      ter barriga grande
                                      - ter dinheiro?
                                      - Quem?

                                    E as aves que cantam,
                                     os regatos de alegre serpentear
                                     e o vento forte do sertão
                                     responderão:
                                   
                                    -"Monangambééé..."

                                    Ah! Deixem-me ao menos subir as palmeiras
                                    Deixem-me beber maruvo
                                     e esquecer diluído
                                     nas minhas bebedeiras.

                                     - "Monangambéé..."


                                                                                   in Poemas (1961)

Monangambé- nome dado aos angolanos negros contratados para trabalhar nas roças dos brancos, no período colonial. Por vezes, deslocados de províncias muito distantes, sendo por isso afastados da família.
dendém- fruto do dendenzeiro, palmeira da qual se extrai o óleo de palma.
tonga- terra a ser lavrada, lavoura.
angolar- moeda oficial de Angola, entre 1926 e 1958.
maruvo- bebida resultante da fermentação da seiva da palmeira, uma espécie de aguardente. 

                               

Poema  musicado e cantado por Rui Mingas






93 comentários:

  1. E os três primeiros versos já tudo dizem da VIDA sentida e dorida de uma gente que carrega na alma o estigma de se viver relegado a um mundo gentio.
    anto você, Laura, quanto eu, carregamos de sentimentos as postagens que fizemos. Poemas intensos de autores intensos.
    Um enorme abraço.

    Sempre é um grande prazer ler em seu espaço. Coisa que faço com poucos. Dar esse desfrute de mergulhar em um belo poema ou texto é muito raro. Há espaços que estão lotados de vazios, mas aqui, não.

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    1. Parece que sim, Malu; carregamos de sentimentos fortes os nossos posts, tu com Augusto dos Anjos, eu com A. Jacinto. Ou seja; forma com muita substância.
      Essa dos "lotados de vazios" é uma grande expressão!...:-)
      Obrigada pelas tuas palavras.
      Um abraço!

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  2. Confesso que não conhecia António Jacinto e não me lembra de ter lido alguma coisa dele.

    Sobre África, comungo de muitas dos pensamentos que aqui nos deixaste, até por aquilo que vemos nas marcas que deixaram em todos aqueles que lá viveram. Esse tal fascínio de que falas. E os povos, sim muito injustiçados ao longo dos tempos, porque sempre foram, e continuam a ser "proprietários" de muitas das riquezas que fazem girar o mundo atual.

    Conhecia alguns dos termos e o maruvo...não proves muito :P

    Beijinho

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    1. O A. Jacinto realmente não está muito divulgado. Se não conheces nada dele, existe um outro poema dele muito bom; "Carta de um contratado" que aposto terias prazer em ler...Vale muito a pena. É sobre um contratado que gostaria de escrever uma carta à sua amada, só que ela não sabe ler....e ele também não sabe escrever...!
      Tens toda a razão, terra rica significa exploração e pobreza dos nativos. É assim por toda a África.
      Jp, não provo maruvo porque não existe cá, senão provava, mas não abusava...:-)
      Bebidas fortes não são o meu forte.
      xx

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    2. E como a curiosidade matou o rato, fui à procura do António Jacinto e, sobretudo, da "Carta de um Contratado". Gostei imenso. E até me deu ideias para um post futuro....por vezes ando sem grande inspiração e esta carta deu-me uma excelente ideia.

      Beijinho
      (gostas mais do medronho estou a ver :)))

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    3. E vê tu que eu pensava que a curiosidade tinha matado era o gato...:-)
      Eu sabia que ias gostar, o poema é belíssimo, e depois aquela reviravolta triste no fim; o não saber ler nem escrever...
      Lembrei-me do "É triste não saber ler" da Banda do Casaco.

      Não posso comparar com maruvo porque nunca provei, mas medronho não é mau...;-)
      xx

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  3. Bom dia Laura, nós temos tudo .. tem lugares que a vida se mostra nua e crua.. e desses lugares.. as poesias mais verdadeiras acontecem, pq elas são reais e revelam o que cada um tem dentro de si.. sempre muito bons os autores e poemas que tu capta.. seres que deixaram suas marcas na poesia.. bjs e um lindo dia pra ti

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    1. Uma grande verdade, Samuel. Quanto mais crua e dura a realidade, mais a alma desce em profundidade ao âmago da dor. Uma questão de intensidade que permite rebeldia e criatividade.
      Um belo dia também para você, Samuel.
      Ah! Adorei o soneto ao "celular"!
      xx

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    2. rsrs pois é Laura.. ficou muito bom mesmo.. algumas pessoas concordam outras não mas é uma realidade.. não me faz falta.. se eu me derem de presente pratico a arte da doação srrss uma linda noite querida amiga até sempre

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    3. Eu concordo com você, embora compreenda que por vezes possa ser muito útil, acho que a utilização que lhe é dada é exagerada....há como que uma dependência e endeusamento de um objecto.
      Eu também não precisava e ofereceram-me , mas não lhe ligo nenhuma...até me esqueço que existe....
      Uma boa noite também para si.
      Até sempre, ou seja, até ao próximo soneto....:-)

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  4. A bondade e a crueldade fazem parte do ser humano, e isso não é só passado…

    Há anos que não ouvia Rui Mingas. Obrigado por esta lembrança.
    Bom fim de semana!

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    1. Infelizmente nunca será só passado. A bondade parece precisar sempre do seu oposto para afirmar-se num mundo de contradições.
      Se o Rui Mingas não tivesse musicado este poema talvez nunca tivesse chegado ao conhecimento de A. Jacinto....:-)
      Bom fim de semana, Rui!

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  5. Boa tarde Laura

    E agora??? Logo eu que nem me lembro se algum dia ouvi falar neste Senhor, se calhar não! Até porque esta poesia tem a minha idade, looool .Mas penso que retrata bem a realidade dos costumes e "crueldades" daquele País... Digo eu não sei....

    Não sou a melhor pessoa para comentar sobre isto, embora quisesse e gostasse... É a minha falta de cultura, sorry...

    Gostei de ouvir o Poema em Musica. Levei..

    Deixo-te um beijinho carinhoso
    E, um excelente fim de semana.

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    1. Boa tarde, Cidália!
      E agora?!...LOL
      É natural que nunca tivesses ouvido falar deste senhor, porque muita gente nunca ouviu falar dele...
      Retrata bem as crueldades do colonialismo, infelizmente não só naquele país...
      Qual "falta de cultura" ?!... Só se estiveres a referir-te à cultura de café...:-)
      Passa um grande fim de semana !
      xx

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  6. Laura,uma poesia de Antonio Jacinto em que relata sobre os monangambés,angolanos negros,que trabalhavam nas roças dos brancos no período colonial.
    Isso me faz lembrar,que não estamos tão distantes desses acontecimentos,pois ainda existem muitos lugares,onde negros são verdadeiros escravos de brancos.
    bjs amiga,obrigada da visita e um ótimo final de semana.
    Carmen Lúcia-mamymilu

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    1. Assino por baixo o que você disse, Carmen Lúcia.
      Bom fim de semana!
      xx

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  7. Olá Laura

    Fico sempre fascinado com as tuas publicações. Não conhecia o escritor António Jacinto. Felizmente dedico-me a muitos géneros de leitura, sendo que a poesia é, talvez, o que me ocupa menos tempo. Faço mal, bem sei
    Rui MIngas canta estes versos de forma divina. Na tua publicação existe uma diferença para com o Cd:

    Quem se levanta cedo?
    quem vai à tonga?
    Quem traz pela estrada longa
    a tipóia ou o cacho de dendém?
    fuba podre, peixe podre,
    panos ruins, cinquenta angolares
    "porrada se refilares"?

    Ao minuto 1:55, canta.se: Quem Capina...quem paga recebe desdém

    Penso que não está no trecho escrito. Mas isso não implica que não esteja brilhante, como é lógico

    Arrepiei-me ao ler e ouvir Rui Mingas. Não conheço África, mas pelo que tenho lido, e ouvido a quem de lá regressou - e é sincero - foi mesmo assim como descreve a letra e a canção. Graças a Deus ou sei lá a quem, a ESCRAVATURA acabou. Como é possível um homem só por ser branco tornar o preto como escravo, tapete que pisa e explora. REVOLTANTE.

    Fica feliz

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    1. Ah, era só para ver se estavas atento...LOL
      Estou a brincar... Obrigada por salientares essa diferença, melhor, esse erro, que só existe porque eu saltei o verso : "Quem capina e em paga recebe desdém" Vou já editar e colocar lá este verso.
      O poema é brilhante mesmo com um verso a menos, mas tem de estar completo. Eu sou uma despistada...:-)
      A escravatura foi abolida, no entanto ainda há muita escravatura disfarçada. E ainda há gente que considera os pretos inferiores aos brancos. Revoltante e muito triste realmente, qualquer tipo de exploração....
      Obrigada, Ricardo, sempre alerta!
      xx

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  8. "Deixem-me beber maruvo
    e esquecer diluído
    nas minhas bebedeiras."

    Ora, eis algo que gostaria de provar. Não conhecia este senhor.

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    1. Eu sabia que ias "pegar" nessa parte do poema!...:-)
      Pouca gente parece conhecê-lo.
      xx

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  9. Oi Laura,
    Muito bem lembrado por vc que a África
    tem povos injustiçados ao longo da história...
    Não conhecia António Jacinto.Me encantei com
    'Monangambé',um poema de protesto e de luta.
    Parabéns pela postagem eloquente.
    Bjs \o/

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    1. Oi Clau!
      Em todos os continentes existe gente injustiçada, mas África foi e continua a ser alvo de autênticos massacres de povos e culturas, e parece continuar a haver uma grande indiferença por parte da comunidade internacional, a começar pela fome endémica em certas regiões.
      Obrigada, Clau.
      xx

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  10. Hoje quero agradecer por todas as vezes que você me fazer sorrir com tua linda visita em meu blog, por me fazer acreditar que existem pessoas e pessoas…
    Obrigada…
    Simplesmente obrigada…
    Que Deus te abençoe sempre…
    Um lindo final de semana.

    Beijos
    Ani

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    1. Obrigada, Ani, mas eu até nem a tenho visitado...?!
      Bom fim de semana!
      xx

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  11. Bela foto de autêntico negros.

    Vodeo-presente, advinha? http://www.youtube.com/watch?v=-bJ0tDULDLU&feature=player_embedded

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    1. "Autênticos negros"?!... Eu acho que entendo o que você quer dizer, a frase é que não saiu lá muito bem...:-)
      Quanto ao seu delicioso presente, se eu fizesse um top10 dos meus poemas favoritos, "A Tabacaria" teria de lá estar nos cinco primeiros lugares. Um poema enorme em todos os sentidos. E está visto que somos dois admiradores de Pessoa.
      Nada há que destacar num poema que vale pelo seu todo, em que cada verso é primoroso num encadeamento excelente. Eu até acho que Pessoa chega até a ser desconcertante de tão sublime.
      Mesmo assim;
      "Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade"
      Quantas vezes a verdade nos vence e nos atira ao chão...?
      E;
      "O mundo é para quem nasce para o conquistar // E não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão"

      Obrigada, Fábio. Para quando um presente para eu botar defeito?...Seria engraçado!...:-)
      xx

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    2. Desculpe Laura (rs...) te visitei com pressa. Queria falar do negro num seu ambiente natural, sem miscigenação. "Eu até acho que Pessoa chega até a ser desconcertante de tão sublime", seus comentários também chegam a ser desconcertantes de tão sublimes. Já que eu voltei me ocorreu agora um video-presente mais aproximado da poesia, Renato Braz:

      http://www.youtube.com/watch?v=T4ncbaL0FIk.

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    3. Fábio, eu entendi que você quereria dizer qualquer coisa desse género em relação à foto, só que parou no ponto do ônibus...e se perdeu....;-)
      Sei que você aprecia os meus comentários, mas não
      exagere. Não existe nada de sublime naquilo que eu digo.


      Outro presente?! ...Você estraga-me com tanto mimo...
      Não conhecia este cantor, Renato Braz. Adorei este Canto de
      Três Raças, e aquele ritmo de samba com palavras tão
      profundas em relação a índios e negros!
      O mundo teria sido tão melhor, se desde sempre tivessem sido respeitados povos de todas as cores e de coloridas
      culturas próprias. Sei que você concorda comigo. A
      Humanidade só ficou mais pobre., e o problema é que não aprendeu nada .
      Obrigada, Fábio. É um prazer falar contigo.

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  12. Olá Laura,

    Eu gosto muito de poesia que sangra, desperta a consciência

    e dói na alma ,denunciando as injustiças,desigualdades e

    as histórias culturais.

    Admirável esta tua generosidade em partilhar grandes poetas

    e suas culturas e gritos poéticos libertários...

    Apreciei imensamente este poeta Antõnio Jacinto com

    este poema colhido de dor,história e grito libertador de

    dignidade poética a denunciar a perversidade do homem

    em relação ao seu igual humano.

    E belíssimo e tocante o vídeo...

    Grata sempre,querida Laura!!

    Beijo.

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    1. Olá Suzete!
      Eu gosto de todo o género de poesia, e da de protesto também, é claro, só que tenho vindo a reparar que os poetas africanos têm uma maneira muito própria e original de exprimir esse grito
      de revolta; a poesia deles é quente , cheia de seca ou de chuva,
      surge como se tivesse nascido das profundezas daquela terra.
      Diria que é uma poesia com som forte de batuques, labor árduo
      de colheitas , aromas de frutos , corpo, espírito, e sangue. Exoticamente bela na revolta da dor das almas, da dura e crua
      consciência da injustiça em paisagens de altos planaltos,
      savanas, experiências primitivas....
      Grata sou eu pela atenção que dedicas ao que posto.
      xx
      A canção marcou-me muito na minha adolescência, e se não fosse a canção talvez nunca tivesse conhecido o poeta, que não é muito conhecido aqui. Espero que ao menos seja conhecido e reconhecido em Angola.

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  13. Estimada Laura, no te puedo hacer ningún comentario, sobre Antonio Jacinto, ya que no conozco su biografía ni su obra. Pero si te voy a decir de corazón, que cada vez que te visito aprendo algo de tus entradas; que es un placer leerte, ya que mantienes tu blog con un alto nivel didáctico y cultural.
    Te ruego encarecidamente que sigas así, para disfrute de tus seguidores.
    Un beso, amiga Laura.

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    1. Oh Manuel, tu és muito generoso. Mas fico contente de saber que aprendes algo, porque eu também aprendo e muito sobre Espanha quando leio o que escreves no teu blog, e todas aquelas fotos e postais antigas maravilhosos que nos transportam a outros tempos.
      Obrigada pelas tuas palavras, Manuel!
      xx

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  14. Uma poesia que se cheira e se sente.

    Angola está-me mais perto agora por razões incontroláveis e tocaste-me muito.

    Obrigado pela partilha

    beijinhos

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    1. Ainda bem que gostaste. Eu gosto muito de cultura africana.
      Obrigada, Pérola.
      xx

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  15. Olá Laura! Depois de um tempinho ausente, cá estou com saudades de tuas escritas. Como sempre sou tão leiga, ainda não conhecia Antonio Jacinto, e aqui tive a honra de conhecer Grande pessoa e Grande poeta, que colocou em versos a judiação e a exploração do povo Angolano. Povo sofrido, sem a chance de ter dignidade para sobreviver...Triste muito triste.
    Tive mais uma aula de literatura estando por aqui...Obrigada minha amiga por compartilhar coisas tão belas.
    Beijos com muito carinho
    Marilene

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    1. Olá Marilene!
      Pois, reparei que esteve ausente... Que bom tê-la de volta!
      Obrigada sou eu pelas suas palavras
      xx

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  16. un poema de Antonio Jacinto arrebatador y lleno de una Realidad que, desgraciadamente, está en nuestro días y más concretamente en los Pueblos del África como este de los Monangambês angoleños.
    Una Entrada Brillante...Me ha encantado.
    ¡¡¡Gracias por tu comentario lleno de Cariño, Complicidad, Ternura y Ánimo!!!
    Doy muchas gracias por haberte conocido...Eres un Encanto de Mujer, Todo Corazón y Sentimiento.
    Abraços e Beijos.

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    1. É verdade, África foi e continua a ser um continente martirizado.
      Obrigada, Pedro pelas tuas palavras.
      Sinto muito a tua situação, mas tenho a certeza que esse tratamento intensivo te fará recuperar a saúde e que regressarás mais forte do que nunca.
      Ser muito coração e sentimento não é bom em algumas situações , mas é muito bom noutros. Para mim é um imperativo ético natural e inevitável preocupar-me com as dores e sofrimento dos outros.
      Um grande abraço, Pedro, tudo vai correr muito bem!
      xx

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  17. Olá Laura,

    Que bela trajetória de Antônio Jacinto. Bom conhecê-lo através desta sua bela postagem.
    Importante a sua abordagem.
    A África sofreu exploração durante o período colonial e continua sofrendo por parte dos países desenvolvidos que querem explorar seus recursos naturais. Chega a doer a miséria de parte de sua população e a inércia do governo em atuar nas áreas mais necessitadas. Por lá, também, existe a corrupção, que desvia recursos que poderiam ser aplicados para suavizar o problema. Há desigualdades que não deveriam existir num mundo dito civilizado .Parte do atual contexto sócio-econômico da África de miséria e exclusão é consequência do passado vivido pelos africanos, que mostra uma longa história de exploração e subjugação.
    O poema é lindo e traduz com intensidade o sofrimento deste povo.
    O poema musicado ficou muito bom na voz de Ruiz Mingas.
    Mais uma postagem digna de destaque. Parabéns!

    Belo domingo.

    Beijo.

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    1. Olá Vera Lúcia!
      Um homem com uma vida cheia de projectos, de luta e de combate , e com uma visão realisticamente poética da sua circunstância. Quem sofre com as crueldades do mundo sente implicitamente que o mundo tem de ser transfigurado para ser compreendido e suportado. é sempre uma forma de não desistir, uma forma de resistência .
      Você disse tudo, e muito bem, como sempre.
      Obrigada, Vera, e tenha uma grande semana.
      xx

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  18. Laura,
    O seu olhar abrangente tudo abarca.
    Obrigado por mais uma deliciosa partilha.

    Beijo :)

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    1. Eu gosto de ir de uma ponta à outra, AC!...:-)
      Obrigada eu, pelo seu comentário e pelos seus micro-textos fantásticos.
      xx

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  19. Lindo post Laura, serve como alerta para esse povo africano que sofre muito ainda, e esse poeta que acabo de conhecer pelo seu blog.
    Abraços.Sandra

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    1. Ficaste hoje a conhecer outro poeta, então...:-)
      Abraços, Sandra.
      xx

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  20. História fascinante do Antônio Jacinto, não conhecia a história dele e vim conhecer aqui com você obrigada por mais um post maravilhoso, Laura beijos e uma ótima semana pra você.

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  21. Quem faz poesia já é diferenciado por natureza, não é! Mais um notável que conhecia através do seu blog, agradecido! abração

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    1. Certamente que vê e sente as coisas de forma diferente.
      Obrigada, Ives. Abraço.
      xx

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  22. Laura, depois de muito pensar resolvi ficar só com o Infinito, pois meus olhos têm reclamado muito e tu sabes que sou deficiente visual e apesar de tudo ser adaptado para mim, mesmo assim há horas que é complicado ficar em frente ao PC por muito tempo. Um enorme abraço e meu carinho!!!

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    1. Acho que fizeste muito bem, Malu! Não vale a pena estares a dividir-te por vários espaços, a ter toda essa sobrecarga que só te cansa. O Infinito vai crescer ainda mais, e cada vez com mais sucesso, querida Malu.
      Abraço.
      xx

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  23. Não conhecia nada sobre o António Jacinto

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  24. A arte/literatura usada para a compreensão da vida... Belo poema! Obrigada por me apresentar o autor!
    ;)

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  25. Olá, Laura!

    Conheço alguma coisa do autor, mas nada, em profundidade.

    O poema reflete bem o que é aquele continente misterioso, e simultaneamente "grandioso" e atrativo.

    O pronome interrogativo QUEM mostra bem, quem é este povo e como gere as suas emoções e estados de alma.

    Beijos.

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    1. Olá Luz!
      Muito acertado o que afirmou.
      Sei que está muito ocupada profissionalmente, por isso muito obrigada ter-se dado ao trabalho de fazer-me esta visita.
      xx

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    2. Olá, Laura!

      Passei por aqui, como passo sempre, para ler a resposta ao meu "comentário", por isso, não me agradeça a visita.

      Embora bastante ocupada profissionalmente, como muito bem o afirma, no domingo deu-me uma vontade, unas ganas, como dizem os espanhóis, de escrever uma parvoíce qualquer no "Luzes e Luares" , e lá está.

      Gosta de bombons? Então, delicie-se, se pretender, à boca cheia, TOTALMENTE.

      Excelente noite, adocicada.

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    3. Aaaahh Emília! Depende do tipo de bombons...;-)
      Geralmente até gosto mais de salgados do que de doces, mas irei ler com todo o interesse.
      xx

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  26. Oi Laura!
    Nossa, que poema forte! Eu não o conhecia, como já escrevi uma vez aqui, aprendo sempre quando visito teu blog!
    Continue me apresentando esses poetas incríveis, tá!
    Beijo em ti!

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    1. Olá!
      Que bom ter gostado. É sempre bom tomar contacto com autores desconhecidos.
      Obrigada, Nato.
      xx

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  27. Mas que história interessante. António Jacinto, se não me engano, li algumas coisas em um livro escolar na época de Colégio, que não faz muito tempo. Não o conhecia por essa parte de poesia exaltando a beleza e tristezas dos adoráveis povos africanos. É vivendo, e lendo seu blog, que vai-se aprendendo.
    A maioria dos escritores sempre começavam em jornais ou datilografavam em escritórios contábeis. Muito legal a história.

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    1. Vivendo e aprendendo para todos nós todos os dias, Carlos.
      É verdade, muito curioso que muitos escritores trabalharam em jornais, em tipografias, em escritórios, de contabilidade e não só; serviços administrativos.... O que pode indicar que o emprego era tão aborrecido que escrever algo seria a "fuga" possível...;-)
      xx

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  28. Te desejo uma ótima terça!!!!
    Bjs.Sandra

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  29. OLá Laura
    Aqui tens! Mas penso que se clicasses em mensagem antiga, ou pagina inicial. dava, não sei..


    Toma

    http://coisasdeumavida172.blogspot.pt/2013/11/quando-vem.html#comment-form

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    1. Acabei de tentar, e esse link nem sequer me conduz ao teu blog!!...
      Tens de ver o que se passa com o teu blog, porque eu por exemplo, só consigo postar nos posts actuais, mas não
      consigo dentro do teu blog aceder às mensagens anteriores,
      por exemplo para ver as tuas respostas aos comentários.
      Isto acontece-me desde que mudaste para aqueles "lábios". Não consigo abrir nada com eles...abro o teu blog, aparecem-
      me as mensagens todas , mas não consigo abrir nenhuma.
      Abri a primeira do " Atenção" porque me veio pelo blogger...
      Não consigo entender porquê, serei só eu?
      Eu não percebo nada, Cidália, mas talvez esteja alguma coisa mal configurada...? O que é certo é que só me acontece no teu blog...:-(
      xx

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    2. Ohh Olha que chatice... Fico tão triste.
      Eu não mexi em nada... que carago, fogo estou triste..vou pregá-lo no teu e-mail
      Beijocas

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    3. Oh!...Não fiques tão triste...só que tens de tentar perceber o que está a acontecer....
      xx

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  30. Bom dia!
    Nem tudo está bem Zé, mas como verdadeira portuguesa direi que poderia estar pior...então, para pior antes assim...:-)
    E sim, aqui está muito sol! Esperança também, q.b.
    xx

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  31. .


    Você me fez um grande bem.
    Entrei no Google e vasculhei
    a vida do poeta africano, de
    Angola.
    Foi um passeio através dos
    versos e das belas poesias.

    Um beijo,

    silvioafonso





    .

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    1. A sério?...Eu só tenho o livro de "Poemas" dele, os outros livros não tenho , só conheço o que existe na internet. Mas os poemas são todos excelentes!
      xx

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  32. Apesar de só conhecer África dos livros e dos filmes, entendo o fascínio provocado no escritor.

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    1. AH! Pois é natural que a terra onde nasceu lhe tenha provocado esse "fascínio" , que o fez escrever e lutar pela descolonização da sua terra. Geralmente pensa-se que só os negros lutaram por isso, mas muitos brancos também o fizeram.
      xx

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  33. A alegria quem me da é você que
    leva seu carinho no meu blog.
    A algum tempo meu céu anda
    um pouco nublado e os Dias meio cinzentos.
    As noites um pouco longa ,
    mais sem perder o brilho das estrelas.
    E o encanto da lua brilhante
    beijando meu rosto.
    Obrigada por você existir na minha vida,
    obrigada por me ajudar a superar tantos
    momentos de incertezas.
    Que Deus abençoe você e eu beijos , Evanir.
    Deixei mimo de agradecimento na postagem.
    È simples mais de todo coração.
    Com você quero comemorar 500.000 Visitas
    e tenha certeza , você faz parte da minha historia.
    Eu acredito em Deus.

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    Respostas
    1. Eu não acredito em Deus. Há tempos atrás eu diria que acreditava nas pessoas; hoje acredito em algumas pessoas.
      Sei que a Evanir tem passado por momentos difíceis e como dá importância a todos que a visitam,agradeço as suas palavras.
      Não aceito "mimos", mas o que conta é a intenção.
      A sua vida vai deixar de estar nublada, Evanir. Pode crer.
      xx

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  34. Muy interesante bentrada! No conocía a este poeta. He tomado nota para conseguir su obra. Gracias por compartir este post. Un abrazo

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    1. Obrigada, SADE! O núcleo da Sociedade de Villa Maria ficará ainda mais rico com as obras de A. Jacinto.
      Abraços!

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  35. Respostas
    1. Boa quarta para ti, também!
      Obrigada, Sandra pela tua atenção.
      xx

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  36. Olá Laura!

    Não conhecia o Escritor Poeta António Jacinto. O Poema é bem intenso, forte, e com uma construção real do sofrimento desse povo. A África é um País injustiçado, massacrado, povo sofredor, mais que em nenhum momento a gente percebe que eles perdem a esperança de um futuro melhor. Quem conhece a África tem muito a dizer sobre o povo Africano.
    O vídeo bem é bacana poema musicado por Rui Mingas. A foto muito bonita essa mãe com as crianças.
    Suas postagens sempre muito especiais.

    Deixo um beijo e ótima semana!

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    1. Laura deletei um comentário porque que entrou duplicado, desculpa!
      Bjs!

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    2. Olá Smareis!
      Um poema muito realista acerca do que não deveria nunca acontecer.
      Ah, não te preocupes, quando entrarem em duplicado começarei eu própria a eliminá-los...:-) às vezes também me acontece...
      Obrigada e uma grande semana também para ti!
      xx

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  37. África, um país sofrido, de contrastes, desigualdade social latente, escritores e poetas de invejável cultura, artistas com dons preciosos, enfim, um país que fascina pela sua história e influência no mundo.
    Do poeta António Jacinto já conhecia Carta de um Contratado, um belíssimo poema que me tocou profundamente. Pensei em pesquisar mais de sua obra, mas o tempo anda escasso. Hoje, com a tua postagem fiquei a conhecer um pouco mais desse poeta tão importante na sua cultura. O poema e o vídeo... um grito de dor, um protesto, um momento para se refletir mais sobre esta sombra negra que ainda habita muitos povos, a escravidão.
    Enfim, amiga, vir ao teu espaço é adentrar um mundo onde muito se tem a aprender com teus vídeos e textos, poemas, e até culinária... Um mundo verdadeiramente cativante que nos abres as portas tão benignamente. Sempre um prazer e uma alegria estar contigo, minha linda!
    Ficam sorrisos e estrelas brincando nas horas dos teus dias,
    com meu carinho,
    Helena

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    1. É verdade Helena, tudo começou há séculos, e é curioso que sempre que passo pelo antigo mercado de escravos aqui na minha cidade; o primeiro mercado de escravos na Europa, vêm-me à cabeça toda estas histórias de crueldade e humilhação
      sobre povos considerados ainda hoje, por alguns, como
      inferiores. Revolta -me sentir que o homem será sempre o lobo do homem.
      A Carta de um Contratado é uma maravilha; eu escolhi este
      porque já tinha a música na cabeça há muito tempo, no entanto
      qualquer um estaria bem.
      Ah!...Andaste a ver a mesa de Verão...:-)

      O prazer é todo meu, e obrigada pelas tuas palavras, Helena.
      Aceito o teu carinho que retribuo.
      xx

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  38. Grande escolha, Laura. Não conhecia o poeta.
    Admiro essa poesia engajada, feita de povo.
    Seu blog é incrível!

    Um beijo!

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    1. Também eu; a arte poética como grito e denúncia.
      Obrigada, André.
      xx

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  39. OI LAURA!
    UM POVO CUJO SORRISO É FÁCIL, APESAR DAS DESIGUALDADES, DAS QUAIS SÃO VÍTIMAS.
    ESTE POEMA JÁ É LINDO POR SI SÓ, ASSIM CANTADO, FICOU DIVINO.
    ABRÇS
    http://zilanicelia.blogspot.com.br/

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    1. É mesmo. Povos que sofrem são grandes inventores da alegria.
      Ainda bem que gostaste, Zilani.
      xx

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  40. Laura: que bela homenagem a esse povo que tanto sofreu..e sofre...entre lágrimas e sorrisos poéticos.
    abraços carinhosos a ti.

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    1. Obrigada, Lia.
      Tenho um grande sentido de solidariedade afectuosa pelos povos e indivíduos que sofrem. Pelas injustiças de um mundo que não consegue pôr ordem em nada.
      xx

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