sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Rosa Ramalho


"Têm-me roubado a louça mas não me roubam as mãos"



 Nascida Rosa Barbosa Lopes no ano de 1888 em São Martinho de Galegos, Barcelos, viria a ser conhecida como Rosa Ramalho, porque a sua avó costumava dizer àquele que viria a ser o seu pai; " Não saias daqui, põe-te à sombra dos ramalhos".
 De pai sapateiro e mãe tecedeira, embora tivesse começado a trabalhar o barro muito cedo, interromperia a actividade com o casamento aos dezoito anos, passando a dedicar-se aos sete filhos que teria e trabalhando como moleira ao lado do marido. Analfabeta, corajosa e com sentido prático da vida, "mulher do campo, igual a tantas outras, com uns olhos que não enganavam ninguém, e que eram absolutamente excepcionais de finura, de inteligência e de esperteza"*, a fama aconteceria já perto dos setenta anos de idade, depois da morte do marido, altura em que sairia do anonimato pela mão do pintor António Quadros. Uma relação que começaria com uma encomenda de uma fornada de peças, e se manteria ao longo dos anos permitindo a divulgação do seu nome e da sua arte como barrista.
 Seguidora da tradição da olaria figurativa de Barcelos no que diz respeito à temática (cenas da vida rural, animais, religiosidade), distinguir-se-ia pela originalidade possibilitada por uma imaginação prodigiosa, criando figuras de maior dimensão e misturando elementos, conferindo-lhes um cunho de cariz surrealista. Um mundo de cavaleiros, mulheres com corpo de animal, cristos, reis e rainhas, soldados, diabos, anjos,e animais monstruosos trazidos da infância para uma representação entre o dramático e o fantástico.
 Mais interessada na estrutura geral do que com o pormenor, só fazia cristos com cruz devido às encomendas e "dizia que estava sempre a trabalhar o barro porque lhe fazia bem à pele".*
 Receberia em 1968 a Medalha d'"As Artes ao Serviço da Nação" e ser-lhe-ia atribuído postumamente o título de Dama da Ordem de Sant'Iago de Espada. Muitas das suas obras encontram-se no Museu de Olaria de Barcelos, e em colecções particulares em Portugal e no estrangeiro.
 Com vida modesta até à sua morte em 1977, tem numa das suas netas, Júlia Ramalho, também uma conceituada barrista, a continuação da arte na família.
 "Rosa", escrito em 1988 é o último romance de uma Trilogia sobre a Mão, escrito por Mário Cláudio a partir de pessoas reais. Sobre a figura de Rosa disse Mário Cláudio: "No fundo, a Rosa Ramalho é a figura do norte português, é a fêmea do Norte de Portugal que vem desde a Idade Média, que se prolonga pelos nossos dias..."

*Alves Costa; um dos seus coleccionadores



Mulher-Sereia

Diabo

Cavaleiro

Animal fantástico

Homem a tocar viola

Rainha Santa Isabel

Última Ceia




 Uma curta entrevista que faz parte do Arquivo Sonoro da Rádio Difusão Portuguesa. Rosa Ramalho diz a Maria Leonor :"Fui descoberta, e foi assim, dali nunca tive mais sossego". Uma delícia!


Existe também um Documentário cujo link me foi gentilmente enviado por Fabiano, sobrinho-neto de Rosa Ramalho, no qual ela fala sobre a sua vida e sobre a sua actividade como ceramista. Vale a pena ver.




103 comentários:

  1. Na minha cozinha rústica, na cave, possuo algumas peças de artesanato em barro, não só de Barcelos como de outros pontos do país (ou não fosse eu um apreciador de feiras e mercados).
    Certas figuras da cerâmica de Rosa Ramalho lembram-me as de Picasso e não lhe são inferiores.
    (Há anos que não ouvia a voz da Maria Leonor).

    P.S. (O mercado de Barcelos era à quinta feira, o de Valença à quarta... bons tempos!)

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    1. Eu também gosto muito de mercados e artesanato de uma forma geral, mas infelizmente não conheço o Minho, e de Barcelos só tenho umas cantarinhas que me foram oferecidas há muitos anos.
      Acho as peças de RR um tanto ou quanto extravagantes,e é isso que realmente lhes confere "personalidade". Eu até evitei colocar aqui a famosa recriação da cabra de Picasso, feita a pedido e não porque RR alguma vez quisesse imitar Picasso, com certeza nem lhe conheceria as obras, porque pelo que li há muita confusão sobre esse assunto....Mas há como diz alguma semelhança, sobretudo no carácter disforme das figuras.
      E vou fazer de conta que nem ouvi falar de uma cozinha rústica......;-)
      Bom fim de semana!
      xx

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  2. Sendo Minhota por casamento e de Vila Verde a Barcelos um pulinho, é impossível desconhecer a auto-didacta artesã que tão informalmente criou arte com as próprias mãos. A Mãe tem uma série de peças originais da Rosa, eu tenho umas quantas, mas já obras da neta. Seguramente que a minha Mãe dará seguimento à tradição ( como já fez com os originais do Bordalo e do José Franco) e oferecerá as peças que tem ao Museu de Barcelos.
    Não posso dizer que não me entristece, mas acredito que serão admiradas por muito mais pessoas do que se estivessem numa cristaleira cá de casa a encherem-se de pó.
    Adorei o tesouro televisivo, conduzido pela saudosa Maria Leonor.
    BJ




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    1. Não deve ser nada fácil para a tua mãe desfazer-se de peças com tanto valor e sobretudo pelas quais terá tanta estima...mas talvez seja essa a razão que a leva a ter esse gesto bonito; saber que as peças poderão ser apreciadas por muitas mais pessoas.... A obra de José Franco é muito bela.
      Também gostei deste tesouro radiofónico, sobre a forma simples como RR explica o encontro com A. Quadros.
      xx

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  3. Oi Laura!
    Esta Santa Ceia da RR se parece muito com o estilo do meu amigo Antônio Poteiro.
    Foi Poteiro quem me incentivou à técnica do Raku.
    Ele faleceu a pouco tempo e nasceu em Portugal.
    Andei pesquisando a cerâmica poetuguesa, é muito forte, não é?

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    1. Oi Arnaldo!
      Poteiro, tal como RR também nasceu no Minho...uma simples curiosidade, apenas...:-)
      Toda a cerâmica portuguesa e a olaria em particular, sempre tiveram grande expressão artística de norte a sul do país.
      Agora já fui ler um pouco para saber em que consiste essa técnica do Raku...:-)
      xx

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  4. Oi Laura,viajamos através dos seus textos sempre muito lindos.
    Um artesanato,que conhecemos aqui no Brasil,mas não dessa forma.
    bjs amiga e obrigada pela visita e comentário.
    Carmen Lúcia.

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    1. Oi Carmen!
      O que faz o artesanato algo de interessante é precisamente o facto de variar conforme as regiões e de país para país, de acordo com os recursos existentes.
      xx

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  5. Gostaria de partilhar contigo a postagem que publiquei hoje, dia 28/02/14, no meu blog A CASA DA MARIQUINHAS/
    Desde já o meu “Bem hajas!”
    PS – Desculpa o “copy & paste”

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    1. Não precisarias fazer "copy & paste" para me avisar porque como sabes as tuas novas mensagens chegam-me via Blogger....:-)
      xx

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  6. MUCHAS GRACIAS POR COMPARTIR TAN INTERESANTE POST.
    BESOS

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  7. Olá

    Quer dizer: Morre o marido, a mulher liberta-se e...dedica-se à arte tornando-se famosa. ( loool)

    Tomei em atenção a frase: ""Roubam-me a louça mas não me roubam as mães""
    Isto saído da boca de uma pessoa analfabeta é digno de registo, mostrando que a cultura pode estar dentro da pessoa mesmo que não saiba ler e/ou escrever.

    Mais um enorme homenagem feita por este cantinho digna de realce e relevo

    Deixo cumprimentos e...
    xx

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    1. Com humor podem dizer-se muitas verdades a rir... o que não quer dizer que tivesse sido este o caso, claro. Conheço um caso em que a morte do marido significou uma autêntica libertação, mas esse era um caso muito peculiar.
      Acho que querias dizer "mãos" em vez de "mães"...:-)
      Eu acho que as pessoas analfabetas podem ser autênticos poços de cultura e inteligência.... porque a vida lhes exigiu que se virassem, e por outro lado porque não têm tempo nem disposição para a vaidade.
      xx

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    2. Bom dia Laura

      Claro que queria dizer ...mãos

      Totalmente de acordo contigo naquilo que escreves..

      Bom fim de semana para ti

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    3. Obrigada e um bom fim de semana também para ti.

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  8. Querida Laura,

    Adorei conhecer um pouco da história e a arte da Rosa Ramalho. Achei

    linda esta citação sobre ela:"mulher do campo igual a tantas outras,

    com uns olhos que não enganam ninguém,e me eram

    absolutamente excepcionais de finura,de inteligência

    e de esperteza."

    Maravilhosas as suas obras, uma originalidade e beleza única.

    Fez eu lembrar do artesão mestre Galdino daqui de Pernambuco,

    do alto do moura na cidade de Caruaru.O mestre Vitalino é muito

    mais conhecido mundialmente,decorrente da sua banda de pífano

    no barro.Mas o mestre Galdino marca com a sua originalidade,

    cada obra dele tinha uma história de um sonho,ele contava e

    também procurava imprimir nas peças esse mundo fantástico,

    imaginário e belo.

    Interessante é que me levou a lembrar do dia mágico que conheci o

    mestre Galdino,um contador de histórias com brilhos nos olhos e que

    ficou mais impressionado com o brilho dos meus olhos a escutá-lo

    "para sempre"... Tive também uma avó contadora e criadora

    de histórias fantásticas, sinto como se ela tivesse sido a artesã

    do meu imaginário de criança que preservo como um grande

    tesouro.Que viagem eu fiz...

    Este teu espaço é tão especial que eu converso contigo de perto!

    Grata,beijos.




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    1. Suzete, já fui procurar esse mestre Vitalino, e devido aos Pífanos em barro, descobri a Banda de Pífanos de Caruaru num "Cavalinho Cavalão" que é uma beleza de música!
      Que interessante deve ter sido esse encontro com o mestre Galdino, um criador com peças muito interessantes.
      Desconfio que as avós têm ou tiveram quase todas essa capacidade fantástica para contar histórias, a minha avó também era assim; uma grande contadora de histórias, exímia a montar a cavalo e no jogo de cartas....:-)
      Atrás de histórias vêm histórias...Que bom!
      xx

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  9. Que frase maravilhosa "Têm-me roubado a louca mas não me roubam as mãos" Rosa Ramalho foi uma guerreira, Laura passando pra desejar um ótimo final de semana beijos.
    http://www.lucimarestreladamanha.blogspot.com.br

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    1. RR foi mesmo uma guerreira, ainda por cima criativa e determinada.
      Bom fim de semana.
      xx

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  10. Boa tarde Querida Amiga!

    Bem...Como sabes tudo isto meu ultrapassa, ou seja, nunca tinha ouvido falar desta maravilhosa Senhora.
    Mas gostei muito de ler este soberbo texto...Fico sempre mais "rica" ao ler-te sempre.
    Pelo menos é diferente de poesia, o que faz toda a diferença OBRIGADA

    Vi/ ouvi o video, achei muita graça à frase dela
    (((Têm-me roubado a louça, mas não me roubam as mãos)))...Fantástico!!
    É bem verdade nunca chegam a fazer tal qual como ela, por muito que insistam, nunca fica igual.Ela é genuína, fantástica...a

    Gostei muito destas peças.

    Muitos parabéns, Laura.

    Tem um excelente fim de semana.

    Este ano nem tenho direito a carnaval, loool... tenho curso sempre.... Ohhh :)..

    Beijinho grande :-)

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    1. Olá Cidália!
      É verdade, tentavam imitá-la, mas as mãos eram só dela , daí aquela frase que eu achei uma verdadeira pérola!
      É isso mesmo, genuína .
      Até acho que há peças mais bonitas mas não tive tempo para andar à procura...:-)
      Curso sempre?...Mas o curso não é o dia inteiro, é?...Podes ir depois de almoço para Ovar...;-)
      Bom fim de semana!
      xx

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    2. Sim amiga o curso é o dia inteiro
      Foi o que o nosso desgoverno faz.. enfim... se derem meia hora, já estou é ansiosa para chegar a casa.

      O lixado é o marido ficar em casa os dois dias, segunda e terça!

      É vida, cada qual tem o que merece, loooool

      Beijocas

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    3. Ah, pensava que era só de manhã... É um curso bem intenso, então... mas pelo menos a terça feira deveria ser para brincar ao Carnaval, quem gostasse claro.
      Era bom se cada um tivesse o que merecesse, era ...:-)
      xx

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    4. Boa tarde Amiga

      Na verdade na quinta-feira, estivemos a fazer as máscaras, com balões, jornais, água e cola, estão a secar, será para acabar no dia de carnaval, mas eu preferia ficar em casa nesse dia, não é que em goste de me mascarar, porque a minha, acompanha-me o ano todo, só mudo os elásticos, ehehhehhehehhe, mas gosto de os ver passar, mas, também me parece que vamos ter chuva, que se lixem os entrudos. ehehhehehhe

      beijokas

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    5. Também acho que já andamos com a máscara o ano inteiro, não vale a pena arranjar agora outra, mas embora eu não aprecie o Carnaval, muita gente aprecia, e se for em grupo as pessoas acabam sempre por se divertir.
      xx

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  11. Pois é, e tratar de 7 filhos deve ter sido também uma grande arte, e de brincadeira não deve ter tido nada, sobretudo naquela época de tempos tão difíceis.
    Aquela curta conversa demonstra que para RR as coisas são como são, e não necessitam de grandes explicações.
    xx

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  12. Como Rosa Barbosa Lopes, (Rosa Ramalho), nasciam nessa época muitas Rosas no nosso país, que não tendo possibilidades de frequentar o ensino superior, se ficavam pelo 4º ano do ensino básico, ou até sem saberem assinar o seu nome, mas não foi por isso que deixaram de ser grandes e reconhecidas como verdadeiras professoras nas suas profissões, nesse tempo criavam 12 filhos como a minha avó materna e viviam alegres, cantando e dançando nos bailaricos, hoje com cursos superiores, ou estão desempregados, ou tiveram que emigrar, vivendo tristes, sem condições para se casarem e constituir uma família, mas agora todos sabemos a quem se deve esta situação, vamos ver se existe coragem política para corrigir os erros do passado, eu tenho esperança.
    Gostei de ler e ouvir a entrevista à GRANDE ROSA RAMALHO!
    Aqui deixo o meu abraço

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    1. Raríssimas seriam as mulheres camponesas que sabiam ler em Portugal no início do séc.xx.E nem muita importância se daria à questão, mulher do campo teria de casar cedo, trabalhar do nascer ao pôr do sol e ter um rancho de filhos para ajudar no trabalho da terra.
      Hoje adia-se o nascimento dos filhos porque a situação não permite programar a vida nem a curto prazo...não há trabalho, só há dinheiro para alguns.Talvez as mulheres de antigamente pudessem ser mais alegres porque não tinham expectativas para algo de diferente, as mulheres que nasceram com as promessas da revolução e com muita escolaridade, que acaba por não servir-lhes de grande coisa, só podem sentir-se decepcionadas.
      Veremos se existirá coragem e honestidade política para mexer onde deve ser mexido.O António tem esperança, eu por enquanto duvido.
      Abraço.

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  13. Rosa Ramalho, a artesã de Barcelos.
    O Museu de Olaria de Barcelos expõe a sua coleção de peças.são lindas antiguidades.Adorei Laura.
    Beijinhos.

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    1. O museu de Olaria de Barcelos expõe toda a obra de RR que foi possível recolher. Decerto que existem muitas peças que pertencem a particulares.
      Bom fim de semana, Nelma.
      xx

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  14. Uma Rosa que desabrochou e floriu. Uma senhora habilidosa. Na arte de trabalhar o barro. Uma flor, uma rosa, um ramalho, um talento de mulher. De salientar que o seu trabalho foi reconhecido ainda em vida, tendo recebido em 1968 a medalha d""Artes ao Serviço da Nação". Para tal reconhecimento ter acontecido, não terá em nenhuma das suas obras feito figuras referentes à política seguida por Salazar durante o Estado Novo. Caso o tivesse feito teria, em vez da Medalha, sido encarcerada no Forte de Caxias. E o seu trabalho só seria conhecido depois do 25 de Abril de 1974 ou depois da morte, como tem acontecido com alguns artistas, enquanto vida são desprezados, só depois de mortos são tidos como heróicos talentos que foram.
    Sendo a dita senhora de Barcelos, reparei que entre as seguintes figura não está o famoso Galo de Barcelos. Mulher-Sereia. Diabo. Cavaleiro. Animal fantástico. Homem a tocar viola. Rainha Santa Isabel. Última Ceia. Porque será?
    Desejo um bom fim de semana para você amiga Laura Santos. Talvez o Carnaval, proibido dia feriado, por Passos Coelho, traga o sol a brilhar, para quem o pode e quer festejar!Um abraço
    Eduardo.

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    1. Compreendo o quer dizer , Eduardo, mas a verdade é que como sabe muitas pessoas não eram politizadas, e portanto nem estariam nem contra nem a favor do regime, apenas tentavam viver o melhor que podiam. Quem fizesse "ondas" claro que estava tramado, tal como tantos artistas e não artistas que provaram o gosto amargo da prisão. Mas há pessoas que não se interessam nada por política.Ou seja, uns interessam-se demais, outros de menos.
      Rosa era uma mulher do campo, sem conhecimentos, e como se sabe o norte do país foi sempre muito mais religioso do que o sul, o que também influencia o comportamento das pessoas
      Quanto a galos, ela também os fez, tal como porcos e cabras e vacas...só que não dava para pôr aqui tudo.
      Eu não ligo nada ao Carnaval, ou melhor, à forma como o Carnaval é festejado, mas acho que quem liga deveria ter o dia livre para se divertir.
      Abraço.

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  15. Interessante Laura, a arte de modelar o barro também é muito comum em minha região, ou, mais especificamente, em meu estado, tendo o mestre Vitalino como seu maior representante, confere no vídeo:

    http://www.youtube.com/watch?v=FqW2ZTuP0rk

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    1. Interessante. Já Suzete tinha falado do mestre Vitalino e eu andei a ver alguma peças dele durante a tarde.... Vi agora este documentário e adorei a arte dele, sobretudo os conjuntos.
      "Eu crio pela cadência, faço o que vejo e também o que não vejo", incrível a importância dada ao ritmo não só na música mas em qualquer arte.
      Um homem tão humilde e talentoso que influenciou tanta gente à sua volta. Ah e a banda dos Pífanos é fantástica!
      Obrigada, Fábio. Hoje já vi coisas que desconhecia, graças a ti e à Suzete. E gostei muito da arte do mestre Vitalino que seus filhos continuaram.
      xx

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  16. OI LAURA!
    DÁ PARA PERCEBER EM SEU TRABALHO, UMA CANDURA NO OLHAR DE SUAS CRIAÇÕES, MESMO NO MONSTRO E NO DIABO, TALVEZ COLOCASSE AI, NOS OLHOS DAS FIGURAS A SIMPLICIDADE DE SUA ALMA.
    ADOREI LER SOBRE "ROSA RAMALHO".
    ABRÇS
    http://zilanicelia.blogspot.com.br/

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    1. Concordo, Zilani, como se houvesse em certas peças uma certa ingenuidade.
      xx

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  17. Conheci na minha terra mulheres assim, de rija têmpera que sem nunca baixarem os braços conseguiram com o seu trabalho o sustento para elas e para os seus filhos. Digo mulheres e não senhoras, porque este título dantes só se aplicava a quem tinha uma vida mais folgada.
    Em relação à olaria, não podia deixar de referir, de novo, a minha terra que se chama Forninhos (Fornos, antigamente) que embora não seja certo, o topónimo terá a ver com fornos de cozedura de cerâmica, só que nenhuma dessas mulheres pensou usar o seu nome para criar uma pequena indústria de cerâmica. Foi pena :-(
    Como desde tempos imemoráveis que o centeio (o nosso pão) é semeado nas nossas terras apenas tenho conhecimento que houve mulheres moleiras e um padaria artesanal.
    Gostei muito das peças que a Laura mostra e da entrevista com a tia Rosa. Na minha terra também tia ou tio é qualquer pessoa. Aplica-se a pessoa não parente.
    E, peço desculpa por utilizar este “post”, para trazer à colação a minha aldeia.

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    1. Quem nasceu ou visitou pequenas aldeias conheceu mulheres assim, reservadas ou sem "papas na língua", mulheres "rijas" que se distinguiam das senhoras, por estas ou não viverem na aldeia, ou não precisarem de trabalhar, ou só trabalharem dentro de casa.
      O tio e a tia, muitas vezes "ti" aqui no Alentejo e Algarve, para além de aplicar-se a alguém que não faz parte da família significa contudo que a pessoa a quem assim tratamos tem connosco relativa proximidade, estima, até afecto. Pessoas com quem se têm relações de convivência.
      Eu própria já me tinha lembrado de Forninhos, e de Oleiros.....
      Não peças desculpa por falares da tua aldeia, fazes muito bem, até porque tem muito a ver, e as nossas aldeias merecem ser faladas sob qualquer pretexto!...:-)
      xx

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  18. Laura , sempre estou aprendendo com você , obrigada . Não conhecia a artista e me encantei com seus trabalhos mas , sobretudo , com sua sabedoria advinda da vida simples . A foto e a voz dela me fizeram lembrar da avó que conheci . Mãe de meu pai , também portuguesa , que criou dez filhos e nos deixou um legado de amor . Assim , seu post me alegrou duplamente . Bom final de semana . Beijos

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    1. Parece que ainda existem alguns brasileiros com avós portugueses....Uma época em que as mulheres tinham os filhos que "Deus dava"...E engraçado como RR está a fazer lembrar outras avós...:-)
      Um bom fim de semana também para ti, Marisa.
      xx

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  19. Uma artista do povo.
    Foi muito conhecida na região norte.
    Devo ter por casa alguns "bonecos" dela.
    Laura, tem um bom fim de semana.
    Beijos.

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    1. Os artistas populares apresentam geralmente uma arte sem "filtros", e não têm a mania de falar dos seus "bonecos" de forma elaborada, o que é algo de genuinamente refrescante.
      Bom fim de semana, Nilson.
      xx

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    2. É verdade, até porque ios artistas populares não têm consciência da sua real valia.
      Laura, tem um bom resto de semana.
      XX

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    3. Concordo. Os artistas populares muitos deles nem sentem que o são.
      Obrigada, Nilson. Bom fim de semana.
      xx

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  20. Minha doce amiga, passando apenas para deixar-te um sorriso colhido no primeiro raio de sol que veio beijar minha janela, e uma pequenina e brilhante estrela que riscou os céus dos meus sonhos (e me trouxe uma luz para um sério problema que me atormentava a alma). Embrulhei tudo no carinho que sempre floresce no meu coração ao visitar teu acolhedor cantinho. Te gosto muito, amiga querida! Com um tempo maior, volto para papearmos mais.
    Helena

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    1. Olá querida Helena!
      Que boa surpresa ! Recebo esse sorriso colhido num raio de sol com muito agrado, até porque aqui o tempo está cinzento e chuvoso. E fico contente por saber que já algo brilha em relação ao que antes te atormentava. Tudo vai continuar a correr lindamente, Helena!
      Obrigada pelo olá e pela boa notícia. Ah! Também gosto muito de ti e do verbo papear...:-))
      Um excelente fim de semana para ti!
      xx

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  21. Que publicação maravilhosa. As peças são de uma plasticidade fantástica e dignas de honrarem com muito destaque o artesanato português. Artistas assim precisam ser mais difundidos mundo afora.
    Cadinho RoCo

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    1. Gostou, Cadinho?....Ontem também fiquei a saber que no Brasil também existem excelentes barristas.

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  22. Laura, a visível simplicidade dela inspira, desde logo, afeto. Não conhecia seu trabalho. Tenho grande admiração pelo artesanato, pelas mãos que moldam o barro e lhe dão vida. Sua declaração "fui descoberta" é cheia de encanto, a se considerar que não aborda vaidade. Sou neta de portugueses e, não fosse meu medo de voar, já teria ido conhecer o país e os parentes de meu pai que ainda vivem lá. Grande beijo!

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    1. Eu achei piada ela dizer que desde que foi descoberta nunca mais teve sossego...:-) É de imaginar...
      Que pena que essa tua fobia de viajar de avião te impeça de conhecer lugares distantes e até de conhecer esse lado português da tua família paterna....Vem de barco!...;-)
      xx

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  23. Oi Laura \o/
    Gostei de ler sobre essa artesã tão habilidosa.
    Que barrista prodigiosa! Suas peças com misturas do real e imaginário tem razão de terem feito sucesso, muitas pessoas apreciam essa arte.
    Já tinha lido sobre ela há algum tempo, e muito vagamente me lembro que a fama não lhe mudou a vida.
    Rosa Ramalho continuou humilde, simpática, e preservou sua simplicidade.
    Bjs!

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    1. É verdade Clau, ficou famosa ainda em vida, mas levou uma vida pobre até ao fim. Sempre humilde, e como nós dizemos por aqui, "sem peneiras!"...:-)
      xx

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  24. A arte não tem berço para nascer.

    Uma história de vida e uma vida cheia de história.

    Obrigado pela partilha.

    Beijinhos

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    1. É verdade, a arte não tem berço. Mas o berço diferencia as formas de contar as histórias.
      xx

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  25. Rosa Ramalho é também o rosto de uma geração. Uma entre tantas e entre tantos que atrofiaram numa castração escondida entre os campos e a iliteracia que marcou uma época demasiado grande no nosso país.

    Existe sempre algo que distingue os artistas do comum dos mortais.
    Rosa Ramalho foi por um acaso descoberta e depois nunca mais teve descanso. É bom quando se descobrem talentos e não importa a idade.

    Conheço a tradição de Barcelos e também a minha mãe tem algumas peças guardadas no sótão. Pena que não seja nenhuma de RR :)

    Bjs

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    1. O rosto de uma geração de analfabetos que muitas vezes gerou também mais analfabetos.
      Eu acho que o que diferencia os artistas é sobretudo uma diferente forma de olhar e expressar o que é visto e sentido.
      Tenho bonitas peças de cerâmica mas também não tenho nenhuma de RR....:-)
      xx

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  26. Olá Laura!
    Obrigada pelo teu cuidado. Ainda não estou bem e pelos vistos a minha internet também vai mal. Já tinha o comentário todo pronto e foi tudo por água abaixo. Aproveito para te felicitar pelo artigo sobre Rosa Ramalho. Conheço várias das suas peças, pois tive um parente afastado grande coleccionador. Adorei a entrevista, era uma mulher simples e sem papas na língua.Conheço pessoalmente a neta Júlia R. e admiro a sua obra.. Quando se organizavam Exposições Colectivas de Pintura e Artesanato em Moreira da Maia estivemos presentes várias vezes .Um grande abraço e atá sempre, amiga.

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    1. Olá Maria Emília!
      Eu pensei logo que tu poderias não andar lá muito bem, o Inverno também não ajuda... Espero que fiques bem rapidamente.
      Eu ouvi esta entrevista na radio e gostei tanto da maneira como RR se expressou que pensei logo em falar sobre ela.
      Júlia Ramalho também tem peças muito bonitas. Tal como tu também és uma artista com imenso talento.
      Um abraço, e cuida-te!
      xx

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  27. Minha querida

    Uma grande história de vida de uma mulher que tinha poesia nas mãos e que a transportou para as peças lindas que fazia. Um legado que deixa.

    Deixo um beijinho com carinho
    Sonhadora

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    1. Olá Rosa!
      Fazer maravilhas com as mãos não é para todos. O contacto desde tenra idade com os materiais poderá ajudar, mas sem talento, nada feito.
      Obrigada, Rosa.
      xx

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  28. E como é carnaval lá vai uma alcunha idêntica.
    Quando era miúdo a mãe não cansava de dizer-lhe: brinca à sombra!
    Ficou o Brinca à Sombra!
    Bom carnaval!
    Bjsss

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    1. "Brinca à sombra!".... Pois claro, e no fundo era dito com a mesma intenção do "põe-te à sombra das ramalhas"...:-)
      Obrigada, Vieira Calado. Bom Carnaval também para si.
      xx
      PS- Agora só está no Google+ não consigo comentá-lo....! É que não sinto mesmo apelo pelo Google+.... Mas já estive a ler os últimos dois poemas; excelentes como sempre.

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  29. Olá Laura,
    Antes de comentar aqui, dei uma passeada pela net para saber um pouco mais desta senhora de aparência tão simples e frágil, mas consagrada como barrista portuguesa. Confesso que não consegui ouvi-la claramente no
    vídeo. Como já são mais de três hora da manhã, não quis aumentar o som para não perturbar algum vizinho. O trabalho de Rosa Ramalho é muito diferente dos que já tive oportunidade de ver em termos de artesanato.
    Trabalhar com as mãos é algo mágico e pelo que pude perceber ela era portadora de muita criatividade. Li que com apenas sete anos ela começou a reproduzir em barro os cestos de vime que via os ciganos fazer e que possuía um forte poder de visualização. Portanto, agraciada com uma arte nata. Vi vários trabalhos dela na internet. Dos expostos por você, gostei especialmente do 'Homem a tocar violino' e da 'Última Ceia'.
    Enfim, Laura, uma excelente postagem, que além de chamar minha atenção para essa artista, ainda me trouxe acréscimo cultural. Só tenho a agradecer.
    E falando em agradecer, muito obrigada pelos cumprimentos e pela gentileza de suas palavras em meu recanto. Fiquei contente por ter brindado a data comigo.

    Ótimos dias.
    Abraço.

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    1. Olá Vera Lúcia!
      A "passear" de madrugada?!...A festa de aniversário deve ter sido rija...:-) Espero que tenhas tido um dia muito feliz , e claro que eu não poderia faltar a esse brinde. Além disso está-se bem no teu Recanto.
      É verdade, os cestos que os ciganos faziam, começou ela a fazer entrelaçando tiras de barro. E ao que acho interessante é que ela fazia peças de estilos muito diferentes, porque as encomendas também a isso obrigavam. Gostava por exemplo, de fazer cristos sem cruz ,no entanto as encomendas exigiam-no na cruz.
      A continuação de uma semana alegre e divertida!
      xx

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  30. Minha querida amiga Laura !!!

    Perdoa-me por estar um pouco ausente,
    Mas estou com problemas no PC, no
    Navegador e em meu Incredimail há
    Mais de 2 semanas. Já estou buscando
    Um técnico para acertá-lo.
    Passando para lhe desejar-lhe um belo
    Carnaval com muita alegria e amor.
    Que Haja muitas luzes em seus caminhos.
    Quantas Rosas temos por aí? Com suas histórias,
    relatos e fatos? Escondidas e ignoradas, mas com
    as suas sabedorias inatas?

    Beijos de Luz,

    POETA CIGANO – 03/03/2014
    http://carlosrimolo.blogspot.com
    “Poesias do Poeta Cigano”

    Obs: No lado direito do meu Blogue,
    Embaixo, no “Selos para os amigos”,
    Tem um mimo para seu belíssimo Blogue.
    “ESTE BLOGUE VALE OURO”. Basta
    Copiá-lo (Capturá-lo) para seus arquivos ,
    Salvá-lo e colá-lo em seu Blogue. Você é uma
    Amiga especial e me sentiria honrado.

    .........................................................................

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    1. Olá Carlos!
      Sim, certamente existiram e continuarão a existir muitas Rosas anónimas e de talentos muito variados.
      Quanto ao "mimo" "Este blogue vale ouro", agradeço muito a gentil distinção, mas não vou poder aceitar. Já rejeitei muitos selos desse tipo, e portanto não seria justo rejeitar uns e aceitar outros. Mas muito obrigada pela intenção.
      xx

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  31. nunca tinha ouvido falar. acho interessante que divulgues talentos e trabalhos de outras pessoas.

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  32. Olá Laura!

    Um texto muito interessante. Confesso que desconhecia esta magnífica história de vida.
    É sempre imperativo que se divulguem todas as formas de arte. Há tanto talento que nunca passou das quatro paredes...é triste mas é verdade.

    Beijinhos e muito grata por nos deixar mais ricos em conhecimento e saber...:)

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    1. Olá Cristina!
      Eu também só conhecia por alto...É para variar um pouco, para não falar só de escritores. E como há sempre alguém que não conhece, não é tempo perdido.
      E é verdade, muita gente com talento nunca chega a ser conhecida, quanto mais reconhecida!
      Obrigada sou eu, Cristina .
      xx

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  33. Boa noite
    Muito obrigada pela tua presença na minha «CASA». Ver-te lá dá-me sempre enorme prazer.

    Gostei muito de ler esta informação tão detalhada sobre a Rosa Ramalho.
    Claro que há muitos anos que conheço a sua arte, que considero de uma grande expressividade aliada a uma certa "ingenuidade" que a torna única. Mas os pormenores que aqui apresentas sobre a sua vida... eu ignorava por completo.
    Obrigada por mais este aumento de conhecimento que me forneceste.

    Uma semana muito feliz.
    Beijinhos

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    1. Boa noite, Mariazita!
      Eu sei que tu gostas de ter a Casa cheia...:-)
      Eu gosto muito de arte popular, e essa "ingenuidade" de que falas tem a ver com um certo primitivismo que me agrada, sem grande busca de perfeição; ela própria afirma que se uma peça hoje não ficar muito bem, amanhã logo ficará melhor...:-)
      Eu é que agradeço a tua visita.
      Uma boa semana também para ti.
      xx

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  34. Agradeço esta leitura. Gostei de saber mais sobre a RR.
    A entrevista é realmente uma delícia.

    Beijo
    Sónia

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    1. Obrigada eu pela visita, Sónia. É, a RR era uma querida...:-)
      xx

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  35. Boa noite Laura.
    Infelizmente nós não podemos deixar de viver.
    Mas valeu muito!! Conheci os mais belos olhos.
    Beijinhos.

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    1. Boa noite, Nelma.
      Apesar dos pesares, a vida tem de continuar. E ainda bem que valeu!...:-)
      xx

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  36. Laura.
    Fui atender a porta,quando voltei meu netinho estava mexendo,e excluiu seu comentário.
    Desculpa beijinhos.

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    1. Os netos servem para isso mesmo!...:-))
      Não tem importância nenhuma, é até divertido.

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  37. Desconhecia por completo... mas que obras tão simples, delicadas e belas!

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  38. Vão-se os anéis, ficam os dedos...frase comum.
    Roubam a louça mas não as mãos, tal como as desta Senhora de seu nome, Rosa Ramalho. Outras terão havido a quem até roubaram as letras não aprendidas, mas que ajudaram a escrever, de mãos macias acariciadas pelos calos que protegiam do frio.
    Sob sombras de ramalhos no pico do calor, junto ao marido, contando pelos dedos das mãos as agruras e arrelias de cada um dos sete filhos, que à semelhança de barrista predestinada, ia moldando para a vida.
    Uma Dama, surrealista à época.
    Obrigado Laura, bem-haja Dona Rosa Ramalho.

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    1. A esta também roubaram as letras, ensinaram-lhe tardiamente o R para que começasse a assinar as peças já que pelos vistos havia quem as copiasse.
      Comentários tão belos e incisivos como os seus deixam-me sem palavras...:-)
      Eu é que agradeço, e alinho consigo nesse bem-haja a uma mulher simples e talentosa, cuja vida difícil não lhe tirou o sorriso do rosto.
      xx

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  39. Olá Laura!!
    Que bela artista essa Rosa Ramalho que descreveu para nós.
    Talento não tem idade e num momento que as pessoas já acham que já vez tudo na vida ela recomeça com esse talento.
    Abraços,
    Sandra

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    1. Olá Sandra!
      Talento não tem mesmo idade. A idade é apenas um detalhe, e como se diz por aqui, "velhos são os trapos".
      Abraço.
      xx

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  40. Vi as obras depois de ler o texto: surpreso, surpreso, arrepiado! Quem tem o dom revira o mundo! abraços

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    1. E revirar o mundo é deixar uma marca por mais ténue que possa parecer.
      Abraço, Ives.

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  41. Oi, Laura.

    Só uma 'Rosa' seria capaz de exalar tamanho fascínio com o toque delicado de suas mãos.

    Tão bonito esse talento de transformar barro em vida, muitas vidas, no caso dela.

    Agora, lembrei-me de Michelangelo, ao ser perguntado sobre coo fizer a escultura de Davi em um só bloco de mármore, ele disse: "foi fácil, fiquem um bom tempo olhando o mármore até nele enxergar o Davi. Aí, peguei o martelo e o cinzel e tirei tudo o que não era Davi".

    Meu abraço!

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    1. Olá Will!
      Pois é, todo o acto de criação é fascinante.
      Para Michelangelo parecia ser muito simples...:-)
      Abraço!

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  42. "Têm-me roubado a louça mas não me roubam as mãos" - Tenho de relevar esta expressão, ocorre-me uma outra, a propósito da liberdade "Posso estar privada da liberdade mas não do pensamento"...
    (Antes que me esqueça, dou-te os parabéns por conseguires responder a tantos comentários. É obra! )
    Sempre ouvi falar da RR mas não conhecia nada da sua vida; curioso ser "descoberta" pelo pintor António Quadros e ainda bem, pois a sua arte merece ter destaque no campo do artesanato, além do nosso dever em o valorizar. Adoro peças artesanais, sobretudo as que são feitas em barro (e gosto delas em barro natural, sem grandes artifícios - tenho um pote bojudo feito no ano do início da II Guerra Mundial). Contudo e sem sombra de dúvida que as peças de RR são arte de primeira pois não imita, cria; uma criação em que traduz algo do real entrosado com um imaginário que lhe viria da tradição oral do maravilhoso e do fantástico. Não admira que comparem as suas peças à escola surrealista. Com algum lamento deixo registado que é pena que o Galo de Barcelos seja mais conhecido do que as suas peças.
    Subscrevo o que sobre RR disse Mário Cláudio; gostei de ouvir a entrevista. A pessoa da Rosa fez-me lembrar a minha avó materna que faleceu com 101 anos!
    Ah, por último dizer que esta senhora fazia poesia com as mãos!
    Grata por partilhares. Bjinho, Laura Santos :)

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    1. Pois é, o pensamento será sempre livre mesmo que estejamos atados de pés e mãos.
      Parece que para além do talento como pintor, António Quadros tinha também talento para descobrir outros artistas, não ficando apenas a olhar para o seu umbigo. Eu também gosto do aspecto surrealista das peças de RR., que também fez galos bonitos, do tipo art déco. Os galos realmente típicos de Barcelos são repetidos até à exaustão, mas como é sempre algo novo para os turistas, têm muita saída. A mim fazem-me lembrar o pinguim que as pessoas antigamente colocavam em cima dos frigoríficos....:-))
      Quanto ao responder aos comentários, tira-me muito tempo realmente, mas só posto uma vez por semana, e gosto de responder a quem se deu ao trabalho de comentar. Claro que poucos lêem as respostas, mas não importa, eu faço a minha parte...:-)
      Ah que rica avó, isso é que foi longevidade!
      Belo comentário o teu, Odete. Obrigada.
      xx

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  43. Olá, chamo-me Fabiano e sou a pessoa que disponibilizou o excerto no YouTube com a entrevista. Eu descobri que sou sobrinho-neto da Rosa Ramalho por mero acaso, sim. Sempre tive imenso orgulho do meu avô paterno Casimiro Barbosa Lopes, irmão mais novo da Rosa e mesmo antes do advento da Internet eu pegava o atlas geográfico e, olhando os documentos antigos dele (passaporte etc.) procurava Portugal e Barcelos e ficava a pensar que ele poderia ter sido membro de uma família bem maior...teria irmãos, primos, sobrinhos?

    Durante anos eu sempre fiquei a ouvir histórias que meu pai repetia e que haviam sido contadas pelo pai dele de quando vivia lá em Galegos de São Martinho. Dizia que era um exímio jogador do pau de salto. Eu fazia uma cara de interrogação e pensava: " - Que diabos é isso?"

    Toda a minha infância foi permeada por essa atmosfera de curiosidade sobre meus antepassados daquela terra distante lá na Europa. De posse dos documentos pessoais desse avô fui investigando com muito mais segurança quando passei a contar com a Internet. Todavia, só em 2009 que uma noite eu navegando por sítios e blogs portugueses apertei os olhos numa foto de uma senhorinha de lenço à cabeça e com uma semelhança muito grande com o meu avô. Ela tinha por sobrenome (apelido) "Barbosa Lopes", era da mesma freguesia e fazia a mesma coisa que meu avô fez até morrer aqui no Brasil (RJ). Ele também era ceramista e artesão.

    Nessa noite gritei papai e perguntei: "- Pai, o vovô tinha alguma irmã famosa em Portugal?" ao que ele respondeu: "- Bem, ele uma vez recebeu pelo correio um jornal onde apareceu uma irmã dele chamada Rosinha que tinha feito sucesso lá com artesanato." Então eu exclamei: "- É ela!".

    Ele veio ao quarto e olhou dizendo: "- Nossa! É a cara dele!".

    Estava terminada minha peregrinação por notícias sobre familiares do meu avô após tantos anos. Dali em diante foi só eu buscar notícias sobre a família dela e encontrei a Teresa Ramalho, bisneta dela e um amor de pessoa que ao receber por e-mail os documentos do meu avô com nomes de pai e mãe confirmou dizendo: "- Sim, são irmãos!". Que emoção.

    Até hoje trocamos mensagens e já recebi de 2009 até hoje vários e-mails, convites de visita, artesanatos feitos por ela e pela mãe Júlia Ramalho (neta da minha tia-avó Rosa Ramalho), fotos e a certidão de batismo autenticada (que me permitirá ter cidadania portuguesa, pois era o que faltava).

    Uma curiosidade da Teresa foi eu com apenas 34 anos ser sobrinho-neto da Rosa Ramalho. Expliquei-lhe que é fácil entender. Meu pai que tem 66 anos nasceu quando o pai dele tinha 52 anos. Meu avô faleceu com 73 anos em 1969. Era irmão mais novo da Rosa que nasceu em 1888.

    Se quiserem ver a semelhança física entre os irmãos é só buscarem no Google o nome "Casimiro Barbosa Lopes" e verão um velhinho careca. Há outras fotos em que ele está jovem.

    Obrigado por se recordarem da minha tia-avó. Quem souber mais sobre ela me avise, por favor. Queria ver um vídeo da Amália Rodrigues feito pela Ina francesa que mostra a visita dessa cantora a Portugal e entre outras pessoas aparece a Rosa Ramalho.

    Um abraço desde o Brasil.

    Fabiano.

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    1. Olá Fabiano!
      Antes de mais, muito obrigada por ter-se apresentado e contado acerca da sua história maravilhosa. Engraçado o se imagina sobre os nossos ascendentes; se teriam família, como seria a família, e muito interessante como você conseguiu descobrir e ter mais conhecimento sobre sua tia-avó ...e muito curioso o seu avô ter sido também ceramista; parece que a cerâmica estava nos genes da família...:-)
      Claro que fui ver a foto do seu avô no flickr, e a semelhança é realmente imensa!
      Dessa vídeo no qual aparece a sua tia-avó nunca sequer tinha ouvido falar...mas se não está online será muito difícil de encontrar...
      Um abraço, Fabiano, e adorei saber que ainda existem pessoas interessadas na memória dos seus antepassados. E toda a gente tem mesmo é de sentir orgulho por Rosa Ramalho, Familiar e não familiar. Por isso lhe dediquei este post que espero tenha gostado.
      Ah, e obrigada pelo vídeo, que ficou óptimo.

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    2. Um documentário sobre Rosa Ramalho que consegui, enfim!

      https://www.youtube.com/watch?v=daSEYFmzooY

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    3. Muito obrigada, Fabiano. Adorei ver a sua tia-avó a falar da sua vida.
      Editei o post para colocar o link de forma a abrir directamente.

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  44. tenho uma escultura de Rosa Ramalho para venda, é um cristo de 40 cm de altura, guardado em ambiente protegido e como tal em mto bom estado.
    se alguém estiver interessado.....

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    1. Aaaah! "Em ambiente protegido"?!...Ou seja, não tem estado à chuva, nem sofrido as agruras da neve, nem mesmo o calor do sol intenso...!
      Sinto muito, mas este espaço não é o OLX.
      Quem tivesse um Cristo de R. Ramalho não desejaria vendê-lo.
      It sounds like Monty Python to me ;-)
      xx

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