sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Anna Akhmátova


"Bebo ao lar em pedaços, à minha vida feroz, à solidão dos abraços.
E a  ti, num brinde, ergo a voz... Ao lábio que me traiu, aos mortos 
 que nada vêem, ao mundo estúpido e vil,
A Deus, por não salvar ninguém." (Último Brinde, 1934)




 Anna Akhmátova, pseudónimo de Anna Gorenko, nasceu em Odessa em 1889 e faleceu em Leningrado em 1966. Considerada um dos mais importantes nomes da poesia acmeísta russa, começou a escrever aos onze anos de idade, embora como descendente da nobreza russa isso não fosse bem aceite pelo pai. Com a separação dos pais consegue continuar os estudos, tendo inclusive frequentado o curso de Direito que abandonaria para estudar Literatura.
 Em 1910 casa com o poeta Nicolai Gumilev que a incita a continuar a escrever, tendo começado a publicar pouco tempo depois. Influenciada por Racine e Pushkin, a sua obra tem como temas predominantes o tempo, no qual a memória adquire papel essencial, o destino da mulher sobretudo enquanto mãe, e as vivências numa sociedade repressiva e totalitarista. Composta inicialmente por pequenos poemas líricos, com a revolução bolchevique e posterior governo estalinista, a sua criação poética torna-se cruamente dramática e de uma clareza e precisão dolorosa, primeiramente devido ao fuzilamento em 1921, do já ex-marido e pai do seu único filho Lev, por supostas actividades contra-revolucionárias.


 Lev Gumilev seria preso e condenado a trabalhos forçados por conspiração anti-bolchevique em 1938, apenas por ser filho de um poeta já executado, tendo sido libertado em 1956. Entretanto Anna casaria com Nicolai Punin, também preso em 1949 e que acabaria por morrer em 1953 num campo de prisioneiros na Sibéria.
 Impedida de publicar entre 1925 e 1952, com um ligeiro interregno durante a Segunda Guerra Mundial para aproveitamento político da sua obra. Apesar de todas as dificuldades nunca considerou fugir do país como alguns dos seus contemporâneos literários. Estaline terá decidido atacá-la indirectamente através dos maridos e filho, e Akhmátova terá até escrito alguns poemas de louvor a Estaline para tentar salvar o filho. 
 O seu mais longo e poderoso poema, "Requiem" constituído por vários pequenos poemas, foi escrito entre 1935 e 1940, e retrata as atrocidades infligidas ao povo russo durante o estalinismo.
Aqui mostrarei apenas um excerto:


V

                                             Há dezassete meses choro
                                             chamando-te de volta para casa.
                                             Já me atirei aos pés do teu carrasco.
                                             És meu filho e meu terror.
                                             As coisas se confundem para sempre
                                             e não consigo mais distinguir, agora,
                                             quem é fera, quem é homem,
                                              e quanto terei de esperar até à tua execução.
                                              Só o que me resta são flores empoeiradas
                                              e o tilintar do turíbulo e pegadas
                                              que levam de lugar nenhum a parte alguma.
                                              E bem nos olhos me olha,
                                              com a ameaça de uma morte próxima,
                                              uma estrela enorme.
                                                                                     
                                                                                        (1939)


 Depois da morte de Estaline em 1953, a figura de Akhmátova seria aos poucos reabilitada. Em 1963 é escolhida para a Presidência do Sindicato Soviético dos Escritores, e nos anos seguintes é autorizada a deslocar-se a Itália para receber o Prémio Taormina, e a Oxford onde recebe um título honorário. A totalidade da sua obra só viria a ser publicada vinte anos depois da sua morte.
Dos poemas que conheço dela, este é o meu preferido:


HÁ NA INTIMIDADE UM LIMIAR SAGRADO

                                         Há na intimidade um limiar sagrado,
                                         encantamento e paixão não o podem transpor-
                                         mesmo que no silêncio assustador se fundam
                                         os lábios e o coração se rasgue de amor.

                                         Onde a amizade nada pode nem os anos
                                          da felicidade mais sublime e ardente,
                                          onde a alma é livre, e se torna estranha
                                          à vagarosa volúpia e seu langor lento.

                                          Quem corre para o limiar é louco, e quem
                                           o alcançar é ferido de aflição.
                                         Agora compreendes porque já não bate
                                          sob a tua mão em concha o meu coração.
                                                                                                  
                                                                                                         (1915)

                                                               in Só o Sangue Cheira a Sangue ( trad. de Nina
                                                                             Guerra e Filipe Guerra) 



 Como The Anna Akhmatova File, o interessante documentário realizado por Semion Aranovich tem 65 minutos, optei pela voz de Svetlana Loukine  com um pouquinho do "Requiem" de Anna Akhmátova.
                                                                                 
                                                       


100 comentários:

  1. "Bebo ao lar em pedaços,
    à minha vida feroz,
    à solidão dos abraços.
    E a ti, num brinde, ergo a voz..."

    Vida feroz, tanto terror,
    Sem motivo, tanto sofrimento
    Tantas injustiças, tanta dor.

    Tanta gente terá sofrido,
    Por causa dum fanático ditador
    Assassino, doido varrido
    Da humanidade destruidor!

    O mundo não está seguro
    Só de pensar nisso,
    Temo o futuro!...

    Uma boa noite para você
    amiga Laura Santos, um abraço
    Eduardo.

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    1. Realmente há alturas na vida dos povos de autêntico massacre de vidas, princípios e ideais, que ainda hoje custa a crer como pode ter sido possível, mas a verdade é que é sempre possível.
      É como diz, o mundo nunca está seguro.
      Abraço.

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  2. Profundamente triste.
    Há pedaços da História que nunca devíamos esquecer mas memória é curta...
    ...
    Gosto de finais felizes, e também de os partilhar e é por isso que lhe digo onde estive ontem à tarde. No Centro Cívico (em Leiria) a ouvir José Fanha esse "Poeta, Dezedor de poesia, Contador de histórias, Promotor apaixonado do livro e da leitura".
    Imagine-se a ouvir o "Manifesto Anti Leitura" na voz do próprio autor.
    Não ficou com "inveja da boa"?
    :)

    Bom fim de semana!

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    1. Por vezes até parece que a História foi apagada com uma borracha e a memória teria como tal deixado de existir, porque a História não parece ser capaz de ensinar o que quer que seja...

      Uma tarde bem passada então, Rui. O Manifesto Anti Leitura é excelente, de uma ironia extraordinária, e sempre actual.
      J. Fanha deve ser das pessoas mais comprometidas em chamar a atenção para a importância do livro e da leitura. Acho que é ao mesmo tempo dealer e viciado...:-)
      Fiquei com um pouco de inveja boa, sim. Da branca, como as páginas de quase todos os livros.
      Bom fim de semana, Rui.

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  3. Pra você vê, os acontecimentos vem de anos atrás.
    As guerras as tristezas.Uma ótima escritora,morreu sem poder divulgar o seu trabalho.
    Só após 20 anos,já depois de morta,é que foi reconhecido o seu lindo talento! A história dela foi muito triste!!
    Uma mulher guerreira e muito inteligente!!
    Parabéns pelo lindo texto Laura.
    Bom dia,beijinhos.

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    1. Alguns dos seus escritos foram publicados em vida, mas todo o conjunto dos seus escritos só foi publicado na totalidade passados 20 anos da sua morte, o que não impediu contudo que tivesse tido algum reconhecimento em vida;reconhecimento nacional e até internacional, embora já em fim de vida.
      Não teve outra hipótese senão ser guerreira; naquelas circunstâncias, ou sucumbes ou resistes. Os filhos fazem-nos resistir.
      Obrigada, Nelma.
      xx

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  4. Ah, Laura... como pode ser cruel o mundo!... Eu já ouvira falar de Anna Akhmatova, mas não conheço sua obra. Obrigada por essa janela aberta ao passado que nos trás um pouco de sua vida e de sua poesia. Belo trabalho, Laura. Um abraço bem brasileiro da marilena

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    1. Oi Marilena!
      Embora existam períodos de algum apaziguamento, o mundo sempre foi e continuará a ser cruel. Infelizmente. Será inevitável para a ambição humana o célebre princípio de "dividir para reinar".
      Abraço, Marilena!
      xx

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  5. Publicação riquíssima, belíssima.
    Cadinho RoCo

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  6. Bom dia amiga Laura!

    Agradeço-te de coração, por nos presentear com essa riquíssima informação literária sobre Anna Akhmatova. Mesmo que tardio, suas poesias vieram para aqueles que apreciam. Linhas de desabafo, de dor...

    Dalai Lama dizia, que a pessoa que teve mais experiência de privações consegue enfrentar problemas com mais firmeza que a pessoa que nunca passou por sofrimento. Portanto, visto por esse ângulo, um pouco de sofrimento pode ser uma boa lição para a vida.

    Abraços, fique na paz.
    Dan.
    http://gagopoetico.blogspot.com.br

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    1. Olá Daniel!
      A poesia de AKhmátova acaba por ser também um importante testemunho sobre as atrocidades cometidas durante um determinado período histórico, atrocidades que ela sentiu a partir de dentro.
      EU diria que o sofrimento ou mata, no sentido em que te faz desistir,ou torna-te forte. Mas abana sempre os alicerces. Neste caso, ela conseguiu resistir a muitos anos de sofrimento, foi forte.
      Um abraço, Daniel.
      xx

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  7. Anna Akhmátova foi uma poetisa magnifica começar a escrever aos 11 anos de idade não é pra qualquer um, Laura passando pra desejar um ótimo final de semana beijos.

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    1. Começar a escrever cedo demonstra um gosto e uma tendência que até pode vir a não concretizar-se no futuro. Existem grandes escritores que começaram a escrever relativamente tarde. Mas é uma indicação, sem dúvida.
      Obrigada, Lucimar, um óptimo fim de semana também para ti.
      xx

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  8. Excelente biografia documentada, duma excelsa poetisa ! Adorei Laurinha. Muito bom.
    Beijinho da D

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  9. Muito bem. Louvo a tua paciência e arte na pesquisa de dados informativos que nos ensinam e nos enchem de mais sabedoria.

    Gostei muito de ler embora me sinta pequeno na questão de comentar com a profundidade que o tema merece.

    Tem um dia dos namorados muito feliz

    Beijo em TUUUU

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    1. Eu sou uma pessoa muito paciente, Ricardo...:-)
      Dia dos Namorados é todos os dias, não é?... O Google fez o favor de lembrar-me esse pormenor...até já estou a colocar as velas na mesa, a arrefecer o champagne e a transbordar de felicidade.
      xx

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    2. Estás a falar com o Ricardo ou comigo?...:-)

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  10. Oi Laura,obrigada por nos compartilhar tão lindos momentos em apresentar-nos uma biografia dessa poetisa que eu não conhecia,adorei saber um pouco sobre Anna Akhmátova.

    bjs amiga e um ótimo final de semana.
    Carmen Lúcia-mamymilu

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    1. Obrigada , Carmen Lúcia.
      Um excelente fim de semana para toda a família.
      xx

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  11. Desconhecia esta preciosidade da literatura.

    É duma intensidade que tira a respiração.

    Muito boa, esta partilha.

    Vou reler.

    beijinhos

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    1. Todos os dias devemos aprender alguma coisa, não é Pérola?...:-)
      Eu pelo menos tento.
      xx

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  12. Minha querida Laura
    Agradecendo o carinho da tua presença, trago um grande Obrigada.

    Confesso a minha ignorância: desconhecia esta óptima poetisa, Anna Akhmátova.
    Vida sofrida, a sua! Naqueles tempos negros da História da humanidade, houve, infelizmente, muitos exemplos destes.
    A verdade é que as melhores obras se produzem em momentos dolorosos, e não em tempos felizes...
    Obrigada pela partilha.

    Bom fim de semana.
    Beijinhos

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    1. Olá Mariazita!
      Tens toda a razão, é por vezes em momentos conturbados que se criam grandes obras. Uma necessidade de fuga,ou uma catarse.
      Quando estamos felizes temos mais que fazer...:-)
      Obrigada e bom fim de semana.
      xx

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  13. Oi Laura :)
    Esta foi seguramente uma das minhas postagens preferidas!
    Não conhecia a escritora russa Anna Akhmatova e pelo que acabei de ler aqui, foi uma mulher sofrida porém forte, afinal mesmo em meio ao regime stalinista, dois maridos mortos e um filho preso e condenado a trabalhos forçados, ela teve inspiração para criar notáveis poemas, embora tristes, (com toda razão...).
    Fiquei curiosa e fui ler na íntegra 'Requiem'. Uma obra prima!
    O que mais gostei foi da linguagem simples e clara. Uma escrita extremamente humana que retrata a violência e desigualdades sociais daquele período, com duras críticas a era do governo Stalin.
    Post adorável...
    Bom fim de semana.
    Bjs \o/

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    1. Oi Clau!
      Já que foi novidade, ainda bem que gostaste.
      Akhmátova sofreu o se próprio sofrimento e tomou como seu o sofrimento da nação russa. Foi decerto um peso enorme, mas que não a impediu de lutar como podia e manter sempre a cabeça erguida.
      Obrigada, Clau, e bom fim de semana!
      xx

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  14. A PORTA ENTREABERTA

    "como cheiram as tílias.
    O pingalim,a luva
    na mesa esquecidos.
    A luz,rodela
    triste...
    A noite a restolhar.
    E por que te partiste?
    Para mim não é claro...
    Amanhã
    será alegre
    e clara a madrugada.
    Como esta vida é bela,
    ó meu coração ,calma.
    Cansado,e
    te senti
    tão surdas pancadas.
    Mas ouve o que eu li:
    Nunca morrem as almas"

    Confesso que desconhecia. Obrigado por mais uma porta que se abriu para mim, fui procurar e fiquei sensibilizado.
    Deixo este poema que adorei, tal como os que deixou.
    Um abraço.

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    1. Obrigada Xico, esse poema é belíssimo, simples e forte ao mesmo tempo. E com a incrível característica implícita em muitos escritores russos de que se a alma é forte, o corpo aguentará tudo.
      Um abraço!

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  15. Boa tarde Laura.

    Todo o teu poste ultrapassa todas as minhas capacidades...
    Por isso não consigo dizer nada, apenas que gostei de ler.

    Gostei da musica, mesmo não entendendo a letra, escorreram-me as lágrimas, mas, talvez seja por andar totalmente mergulhada na fossa!!!

    Deixo-te um beijo
    Bom fim de semana.



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    1. Oh querida Cidália, pensa assim ; mergulhada na fossa esteve esta poetisa russa. Nós só temos contratempos...;-)
      Não fiques triste, aproveita este Dia dos Namorados para um fim de semana em beleza.
      Eu também não percebo o que ela canta, mas como conheço o poema que está traduzido em francês torna-se fácil. Mas mesmo que não entendesse gostaria.
      Anima-te por favor!
      xx

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    2. Sei que não é fácil, porque é mais fácil entrar na tristeza do que sair dela, mas tens de tentar com muita vontade.
      xx

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  16. Queridos amigos, aos poucos estou voltando e matando a saudade de todos os blogs que gosto.
    Feliz por estar aqui...
    Adorei a postagem...

    Beijos

    Ani

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    1. Há quanto tempo! .... Bem vinda, Ani, que seja um regresso feliz.
      xx

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  17. Bem interessante conhecer a história dessa poetisa russa!!
    Abraços.
    Sandra

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  18. Laura ,
    Vir ao seu espaço é ser sempre presenteada .
    Seja com seus textos , seja nos revelando grandes nomes da literatura .
    Agradeço muito .
    Também suas visitas me alegram demais .
    Beijos e ótimo final de semana .

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    1. Eu é que agradeço tanta simpatia sua, Marisa.
      Bom fim de semana!
      xx

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  19. Minha querida

    Saio daqui encantada e mais rica em saber. Não conhecia a poetisa nem a sua obra e adorei o que li.

    Um beijinho com carinho
    Sonhadora

    Bom fim de semana

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    1. Obrigada, Rosa Maria...Quanta ternura!
      Bom fim de semana também para si.
      xx

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  20. Querida Laura!

    Em primeiro lugar obrigada! Obrigada por me deixar mais rica, em conhecimento, em emoções e até em sentimentos.
    Não conhecia a poetisa, nem tampouco a sua história, muito menos o vídeo que colocou e que me emocionou até às lágrimas, depois de ter lido tudo o que escreveu, e, constatar que a poesia também é uma forma de nos fazermos ouvir, também é uma forma de lançar a semente, ou de plantar a árvore, mesmo que nunca nos deitemos à sua sombra....

    Beijinho com admiração e carinho e um óptimo fim de semana!

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    1. Olá Cristina!
      Geralmente temos tendência a fixarmo-nos mais em autores da nossa própria Língua, até porque existem autores estrangeiros muito traduzidos em Português, e outros nem tanto, mas senti desde sempre uma admiração pelos autores russos, sobretudo pela forma como retratam o carácter trágico da vida humana e ao mesmo tempo a bravura e heroicidade das suas figuras.
      A poesia como grito de revolta ou como alerta é sempre silenciada em regimes totalitários, alguma até destruída, mas algo restará sempre como memória e semente de futuro alimento para quem ler o que restou.
      Um óptimo fim de semana também para si.
      xx

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  21. As atrocidades de qualquer ditadura, calam, mas também promovem a qualidade literária dos autores.
    A Anna Akhmátova é mais um exemplo disso mesmo.
    Não conhecia quase nada da Anna Akhmátova. Fizeste um excelente post sobre ela e fiquei a saber muito mais dela.
    Laura, minha querida amiga, tem um bom fim de semana.
    Beijo.

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    1. É verdade, Nilson. Quando escrever passa a ser também um acto de coragem o espírito é transportado pelo pensamento que é sempre livre, para novas esferas de criação. Um pouco como beber um copo de água com pouca ou com muita sede...:-)
      Um bom fim de semana também para ti.
      xx

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  22. Aprendo com a Laura. A história desta mulher é interessante e triste, diga-se. Gostei de ler e a música descansou-me.
    Bom fim de semana.

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    1. Olá Paula!
      É mesmo, interessante e triste,como a vida de tantas mulheres russas naquela altura.
      Fico contente que tenha gostado.
      Obrigada Paula, e bom fim de semana.
      xx

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  23. Laura, sabe que sempre lhe aplaudo em pé!!!
    Hoje vim convidar-lhe para conhecer e, se desejar, acompanhar um novo espaço onde estou postando junto de alguns amigos.
    Será um prazer receber sua visita por lá. Basta entrar e clicar em meu nome que verá minhas postagens.
    Um enorme abraço e apareça - http://refugio-origens.blogspot.com

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    1. Irei conhecer esse novo espaço quando tiver um pouco de tempo.
      Obrigada pelo convite, Malu.
      xx

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  24. Interessante o que falou Nilson Barcelii, em época ditadura melhora a qualidade das artes em geral. Aqui no Brasil não foi diferente. Surgiram no período do regime Militar grandes nomes da musica brasileira como Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Fagner (Cuja música Canteiros, poema de Cecilia Meireles, por ele musicado, um dos maiores sucessos dele, não foi censurada de todo, disse-se porque falava de um tal mato com gosto de framboesa, mas, veio com uma observação na capa do disco que dizia: Proibido a Execução Publica, senso de ridículo a parte, como se alguém pudesse impedir).

    http://www.youtube.com/watch?v=f1xSeQuN1A4

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    1. É muito verdade. Basta lançar os olhos sobre a ditadura no Brasil, na Argentina ou no Chile, ou na ditadura de Espanha ou de Portugal, e ver realmente a quantidade de grandes criadores que surgiram.
      Fábio, você aparece sempre com uma na manga; "Canteiros" é de ouvir e ouvir novamente. Gosto muito da letra e sempre gostei muito da voz do Fagner. Incrível como toda a gente cantava com ele!...:-)
      Obrigada, Fábio.
      "Eu só queria ter do mato
      Um gosto de framboesa
      Para correr entre os canteiros
      E esconder minha tristeza"
      xx

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  25. MUY INTERESANTES TODO LO QUE ELLA ESCRIBÍA. GRACIAS POR COMPARTIR.
    UN ABRAZO

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  26. Excelente post, Laura!
    (Não conhecia Anna Akhmátova. A partilha, na blogosfera, tem destas coisas boas. Obrigado)

    Beijo :)

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  27. Bom dia Laura.. sempre poesias muito fortes tu nos coloca.. a solidão sempre brinda qualquer poesia.. é fonte de mistérios maiores.. gostei da escrita dela.. tanta riqueza para lermos nesse mundo não é.. bjs de bom dia

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  28. O processo criativo ganha muito em força e beleza quando transcende a tristeza não permitindo assim que fiquemos amordaçados por ela.

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    1. Exactamente, Cadinho, o processo criativo permite-nos tantas vezes exorcizar o sofrimento, não nos deixando abater.

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  29. Nossa, que maravilhosa esta postagem, Laura...

    Adorei conhecer e quando tiver um tempo maior,procurarei

    aprofundar mais a leitura da sua obra. Também gosto de sempre

    ampliar as minhas leituras poéticas,viajando em outras culturas.

    o vídeo é emocionante...

    Já falei antes e faço questão de repetir sobre a tua generosidade

    de partilhar a cultura de alta qualidade e importância.

    Grata por partilhar deste teu espaço tão sublime!

    Beijinhos.

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    1. É sempre bom lermos muitos autores diferenciados porque se ganham diferentes perspectivas de vivências e estilos.
      O vídeo é apenas um pequeno poema do conjunto de poemas do "Requiem", e acho que muito bem interpretado.
      Não precisas agradecer, Suzete; não é grande generosidade, é mais uma mania que eu tenho de falar de coisas que pelos vistos interessam a poucas pessoas...;-)
      xx

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  30. Passando para te desejar uma ótima semana!!
    Abraços.
    Sandra

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    1. Obrigada, Sandra. Óptima semana também, com esse detox....:-)
      xx

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  31. Que interessante! E amei a passagem que diz sobre a relação do tempo com a memória, por ser algo que esta as voltas com a poesia! Amei conhecer mais uma poetisa ! abraços muita paz

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    1. Tem razão nessa observação, Ives. Sem memória, recente ou longínqua, escreveríamos o quê?...?!
      Abraço.

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  32. Olá Laura,

    Mais uma bela postagem, regada a cultura. Não conhecia nada de Anna Akhmátova e fiquei envolvida pela sua trajetória de dor, força e coragem.
    Conforme já dito em comentários anteriores, grandes obras são frutos de uma época conturbada, quando poetas, compositores e escritores deixam fluir sua revolta, frustração e desolação através de suas criações.
    Estes versos que estão abaixo da imagem (Último brinde) são dramáticos e fortes. A intensidade do sentimento colocado em ditos versos é tocante e me impressionou sobremaneira. Aliás, tal intensidade também é sentida no excerto do Requiem que você transcreveu.
    O vídeo cala a alma. Também gostei de ler o poema escolhido por você entre as obras da Autora, principalmente dos últimos versos:
    "Quem corre para o limiar é louco, e quem
    o alcançar é ferido de aflição.
    Agora compreendes porque já não bate
    sob a tua mão em concha o meu coração".

    Parabéns, Laura, por esta magnífica postagem.

    (Estou correndo, pois tenho exames de rotina agendados para hoje, além de mala para desarrumar e muita coisa para organizar. É assim que acontece quando se fica fora por alguns dias. Talvez só retorne ao blog mais para o meio da semana, ou não-rsrs).

    Grande abraço.

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    1. Olá Vera, bem vinda!!
      Espero que as suas férias tenham sido revigorantes, já que tanto trabalho te espera. É o chamado "depois da festa"...:-)

      É quando as pessoas se encontram no extremo das suas capacidades de ser e de sentir que a criação flui intensamente numa inevitabilidade que lhe confere força, beleza e intemporalidade.
      Também achei o "Último Brinde" incrivelmente belo como grito de revolta contra o mundo e contra Deus. E "quem corre para o limiar é louco" mesmo!...;-)
      Obrigada, Vera, é um prazer recebê-la de volta.
      Boa sorte com esses exames de rotina.
      xx

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  33. Laura minha querida passando pra desejar uma maravilhosa semana que a sua semana seja muito abençoada, fique com Deus beijos.
    http://www.lucimarestreladamanha.blogspot.com.br


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  34. Uma senhora de garra e com imenso talento, está bom de ver.

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  35. Laura, a escrita se torna mais brilhante, em meu entendimento, quando a revolta e o sofrimento flagelam a alma. E são felizes os que podem fazer uso dela para se manifestarem. Não a conhecia e sua apresentação foi brilhante, eis que nos brindou com uma pequena biografia e com fragmentos lindos de sua obra. Em todos os cantos do mundo, épocas de repressão são cantadas de forma magnífica, muitas vezes camuflada, em sinal de desabafo e inconformismo. Bjs.

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    1. Concordo contigo, Marilene. Uma alma em desassossego pode ser como que uma bomba relógio prestes a explodir se não extravasar toda essa ânsia ou agonia, a multiplicidade ou dureza de sentimentos. Durante os períodos de repressão existe tantas vezes essa necessidade de "camuflagem" como protecção, não deixando no entanto de demonstrar inconformismo, de forma extremamente inteligente e criativa; linguagem criativa que os regimes ditatoriais não sabem reconhecer porque não a têm.
      Obrigada, Marilene.
      xx

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  36. Passando para saber como está!!
    Abraços,
    Sandra

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  37. Gostei muito deste poema poema, Helena. Não porque seja mais belo que os anteriores, mas porque é um poema de esperança e de uma autêntico desejo de viragem.
    O importante é não perder o desejo de voar, porque por mais que as asas tenham sido feridas, recuperarão plenamente durante o exercício de voo. Quem aprendeu a voar nunca mais perde o jeito, e mesmo que de início o voo seja rasante será como andar de bicicleta; nunca mais se esquece.
    Só que para voar também é necessário ter aprendido lições em terra firme, mas isso já tu tens.
    Nunca se pode ter medo, a vida terá de ter sempre um pouco de ousadia, coragem, e o vento ajudará.
    Terás agora "Liberdade de voar num horizonte qualquer, liberdade de pousar onde o coração quiser." Cecília Meireles
    Voar, voar, e depois é só preparar bem o trem de aterragem...;-)

    Minha linda e terna amiga Laura: teu comentário à minha postagem foi perfeito. Deixaste-me uma significativa mensagem em tuas palavras tão verdadeiras. Adquiri sim a “liberdade de voar num horizonte qualquer, liberdade de pousar onde o coração quiser”, como bem citaste Cecília Meireles. Adquiri este ‘direito’ com a última experiência amorosa que tive, que me aclarou as idéias e aquietou o coração para o que realmente importa nos relacionamentos.
    Amiga, ninguém percebeu (talvez por eu não ter dado um sentido de adeus) que aquela postagem foi a última dessa minha fase de ‘apenas lembranças’. Motivos profissionais que me levaram a preencher as noites com aulas de extensão na faculdade (no intuito de aprimorar conhecimentos na minha área de trabalho) é o que agora me impedem de continuar com aquele espaço que tanto gosto. O tempo vai se tornar ainda mais escasso.
    Nunca gostei de despedidas e não o faço agora, apenas quero que saibas que de vez em quando estarei ‘bisbilhotando’ os cantinhos que tanto prezo e mesmo que não deixe nenhum comentário daqueles que tanto gosto e que tomam às vezes mais espaço do que a própria postagem (risos), vou deixar sempre um sinal de minha passagem. Este é um dos meus prediletos e tu és uma amiga muito querida para quem estarei sempre enviando um pensamento de carinho e o desejo de que a vida esteja continuamente te agraciando com suas benesses.
    Os sorrisos que hoje te deixo trazem um misto de ternura e nostalgia e as estrelas vão custar um pouco a manifestar o seu brilho... no entanto, elas vão brilhar!
    Com muito carinho no coração,
    Helena

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    1. Interessante esta misturada do meu comentário no teu blog e do teu aqui.....:-))
      Helena, fico um pouco saudosa já com essa notícia, por outro lado até fico alegre porque o facto de teres de estar mais absorvida com a faculdade e com o trabalho acho que vai fazer-te bem, e pode ser que um dia regresses....quando tudo estiver estabilizado.
      A vida pulsa lá fora, desejo-te toda a felicidade do mundo, e se um dia mais tarde puderes dar um olá, ficarei muito contente de saber como estás.
      Obrigada pelo imenso carinho e pela atenção imensa que sempre me dedicaste. És uma querida.
      Boa sorte, Helena.
      xx

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  38. Laura, a intenção não era publicar também o comentário que fizeste no meu blog, pois o levei para uma página em branco justamente para te responder e, inadvertidamente, acabei por trazê-lo também para o teu espaço. Tentei apagar meu comentário para publicá-lo novamente após tirar o teu, mas não vi nenhum instrumento que me permitisse esta operação. Por isso, ficou tudo junto (risos), Desculpe, amiga!

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    1. Que estranho não teres conseguido apagar o comentário...
      Quanto a mim não tem problema nenhum, até achei piada....:-))
      A única coisa que eu poderia fazer agora era eliminar o teu comentário, e teres de repeti-lo, mas acho que nem vale a pena.
      Mas diz se quiseres que eu apague.
      xx

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  39. A Humanidade parece e é autofágica, Marcos.
    Não sei se felizmente se infelizmente, não acredito nem na Humanidade nem em Deus. Sinto-me totalmente "desprotegida", o que me deixa totalmente sem desculpas perante os meus actos...:-)
    xx

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  40. Olá, gostei do poema...Espectacular....
    Cumprimentos

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  41. Mais uma sensacional postagem, vir aqui é tão bom, Laura.

    Meu abraço!

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  42. Passando para saber como está..!!
    Abraços,
    Sandra

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  43. Laura: querida amiga...vc sempre nos inspira com esse desfile artístico no seu espaço..parabéns!!
    abraços meus.

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  44. Olá Laura!
    Saudades!!! tava vindo pra cá quando te vi no meu blog.
    brigadaaaa adorooo!
    Sempre feliz em ter ler!
    Você sempre presenteando seus leitores com postagens excelentes, e com grandes nomes da Literatura.
    Ainda não havia lido nada a respeito da obra de Anna Akhmatova.
    Vida sofrida ela teve, e mesmo nesse abismo dolente ainda encontrou inspiração pra escrever suas obras. Na época passada o povo era muito sofrido e mesmo assim escreviam poemas maravilhosos que ficaram na história. O Sofrimento por vezes fortalece as pessoas e abre novos horizontes... Obrigada pela leitura!
    Parabéns pela bonita postagem!
    Um abraço com muito carinho, e ótima semana!
    Beijos grandes!(•̃‿•̃)ღ ✽ ღ

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    1. Bem vinda, Smareis!
      Espero que o calor e esse sentimento de insegurança nas ruas do Brasil dê uma trégua, e que as reformas em casa fiquem logo prontas.
      Obrigada, também senti tua falta...:-)
      Belos dias!
      xx

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  45. Laura é sempre bom ler seus comentário.
    Agradeço a lembrança.
    Beijinhos.

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    1. Não tens que agradecer, Nelma, hoje tive um pouco mais de tempo...:-)
      xx

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  46. Derivado à situação, desgostoso!
    Todavia, venho aqui sem moleza
    Sou alentejano, não preguiçoso
    Cidadão desta Nação Portuguesa.

    Boa noite, amiga Laura Santos,
    Já cá estão os amigos do alheio
    A um só osso, os cães são tantos
    E outras tantas bestas sem freio!

    Obrigado pela visita,
    boa noite e bons sonhos
    São os que ainda nesta vida
    Estão isentos de impostos!
    Um abraço
    Eduardo.

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    1. É verdade, é desgostoso, e realmente parece que os sonhos ainda são das poucas coisas a não pagar imposto.
      Obrigada e boa noite, Eduardo.
      Abraço.

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  47. Gracias, Laura, por tan maravillosa entrada literaria. No conocía a esta poeta. Pero una vez leída su bibliografía, y en la época que nació, Rusia era un país con mucha represión, así que ella tuvo que ser uno de los baluartes que dio a conocer a la ciudad de Odessa, como, "La ciudad más europea de Rusia". Eran años muy difíciles, para que una mujer destacase como escritora y poeta, en los países del Este.
    Besos.
    Enhorabuena por tan magnífico trabajo.

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    1. É verdade, Manuel, décadas muito difíceis de suportar que Akhmatova também suportou e que extraordinariamente traduziu na sua poesia.
      Seria decerto difícil a qualquer mulher destacar-se como escritora em qualquer local da Europa no início do séc. xx.
      Obrigada, Manuel.
      xx

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  48. Recordar aqui aqueles tormentos até arrepia, é daquelas coisas que me fazem perder a noite.
    Como é possível dentro daquele ambiente formar-se uma escritora sem que a guerra seja necessária?
    Bj

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    1. Se falar destas coisas pode arrepiar, o que terá de facto sido a vivência daquela gente?... Estaline foi de facto um facínora da pior espécie que liquidava tudo o que mexia, e se calhar não liquidou Akhmatova porque a viria a utilizar como propaganda nacionalista.
      Os ambientes sociais de dificuldades, guerras, massacres e todo o tipo de opressão, abrem sempre caminho à criatividade.
      xx

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