Tela de Nancy Wilde
Sei como colorir-me.As cores da liberdade apontam-me o caminho.
AS CORES
Todos sabemos que cores não são mais que sensações trazidas aos nossos olhos, pela luz reflectida pelos corpos que nos rodeiam. Que o branco representa as cores do espectro, e que o preto é a inexistência de cor, ou a ausência de luz.
Não pode pintar-se sem cor, tal como não se pode escrever sem palavras na Língua que nos pertence, ou que abracemos. E toda a Língua tem cor própria. Reverenciemos por isso todas as cores que podem traduzir audácia, revolta, tranquilidade ou tormenta, com ou sem respingos de ternura ou agressividade, ao contemplar os vários matizes de auroras e ocasos, as borboletas, as aves garridas, árvores e rios, céu e terra, o fogo... Desvendemos todas as paisagens agrestes, agitadas ou calmas, todas as cascatas, ou qualquer deserto em todas as suas tonalidades. De contornos leves ou pesados, de formas concretas ou abstractas, difusas ou nítidas, na harmonia ou na desordem, em contrastes de luz e de sombra, nos quais todos os tons se tornam possíveis. Em transparência ou opacidade, em atmosfera de calor ou de frio, ou num caleidoscópio de simbologias que nos devolvem serenidade, ou nos pincelam os mais primitivos sentimentos de nostalgia ou inquietude.
A minha preferência por paredes brancas não existe por acaso; exijo que o sol me invada a casa de luz, que me evite a penumbra. Aprecio a escuridão apenas se me envolvo nos braços de Morfeu, ou se o meu cansaço é tão profundo que me impeça manter os olhos abertos.
Para vestir gosto de branco, azul, preto, púrpura, e fujo do amarelo, do verde-alface, ou de qualquer outra cor gritante ou com brilhos, como o diabo foge da cruz. Mas sei que podemos, através da sua junção ou afastamento, encontrar beleza em todas as cores; numa paisagem de neve, num campo apenas verdejante, ou pintado de alfazemas, ou papoilas, num pomar de cerejas, até nas pedras... A escolha de uma cor reside, ocasionalmente, não apenas em questões de preferência estética, mas também em questões de funcionalidade ou simbolismo, dependendo nesse caso do nosso estado de espírito, ou de certos acontecimentos. Embora a tradição tenha tendência a alterar-se, o branco continua ainda a ser o preferido das noivas, como signo de pureza e paz, assim como o preto é geralmente associado ao luto. Tal como o vermelho, conotado desde sempre com paixão, desejo, sangue...
Sejamos inteiros em todas as nossas cores e tons, em cada momento que passa.Em todas as nossas atitudes. Aceitemos os céus enevoados, as luminosidades etéreas, as tonalidades rodeadas de negro.
Apreciemos também qualquer pessoa, independentemente da sua cor e forma; uma mera expressão da nossa claridade enquanto gente.
Como música, a " Aquarela" de Toquinho. A mestria da simplicidade.




Texto muito bom, igualmente a escolha das imagens e da musica aquarela do Toquinho.
ResponderEliminarObrigada.
ResponderEliminarAs cores também têm os seus dias, as suas estações, e nós, os que as podemos ver, temos os estados de espírito e a inteligência de as podermos manipular.
ResponderEliminarGostei muito do texto.
Completamente de acordo. E cada dia, cada estação tem as suas cores, e nós porque com estados de espírito variáveis, vê-las-emos sempre de forma diferente e nesse sentido podemos falar em "manipulação".
EliminarAlegra-me que tenhas gostado do texto. Obrigada pelas tuas palavras.
Essa música de Toquinho é uma doçura, não é mesmo?...Faz parte da minha vida e da vida dos meus filhos.Aprecio todas as cores, mas adoro o verde e amarelo!
ResponderEliminarJuracema
Sem dúvida. Esta música também me acompanha há muito tempo.
EliminarQuanto ao verde e amarelo, porque será?!.... :-)
Menta. Pêssego. Baunilha. Preto. Vermelho cranberry. Azul céu. Rosa velho. Todos os tons pastel.
ResponderEliminarEu também gosto de pêssego e rosa velho.
EliminarUm texto cheio de beleza e escrito com perfeição.
ResponderEliminarManuela Pires
Agradeço as suas palavras mas a perfeição não existe.
EliminarMuito bom o ultimo parágrafo do texto, as imagens e a aguarela do toquinho.Parabéns,
ResponderEliminarObrigada.
Eliminarque texto belissimo...adorei as imagens :-) beijinho
ResponderEliminarObrigada.Embora sem saber a quem, retribuo o beijinho.... :-)
EliminarADOREI...o texto, as imagens...explendido!
ResponderEliminarBeijinhos*
http://vermelho-ou-rosa-blog.blogspot.pt/
Esplêndido é saber que alguém leu o que nós escrevemos, e se deu ao trabalho de comentar.
EliminarMuito obrigada e um beijinho.
Gostei muito do texto, "apreciemos também qualquer pessoa independentemente da sua cor e forma..." Muito bom!
ResponderEliminarSofia
Obrigada Sofia.
ResponderEliminarGostei muito do texto e também das cores, embora seja daltónico.
ResponderEliminar:)
Obrigada, Rui Pascoal. Já vi que o facto de ser daltónico não o impede de pintar maravilhosamente.... ;-)
ResponderEliminarAs cores são lindas, elas fazem parte da nossa vida, lindas as fotos Laura passando pra desejar uma ótima quinta-feira, fique com Deus beijos.
ResponderEliminarBlog:Lucimar Estrela da Manhã
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Muito obrigada, Lucimar, você é uma simpatia.
ResponderEliminarDesejo o mesmo também para si, e um grande beijo.