Tela de Aida Guimarães
Arrisquei em oceano de piratas
desconhecendo a cartografia.
Icei as velas, rasguei o mar
bravio que me mentia.
Meu cabo da Boa Esperança
foi apenas mero Bojador.
E o vento fez afundar
frágeis porões carregados de temor.
Em paragens que não soube marear
sem as artes náuticas que a ocasião pedia,
sem terra à vista, fortaleza de abrigo,
pimenta, prata, panos, sedas ou safiras...
Apenas sereias de palavras, vagas de perigo,
alucinações em epopeia de mentiras.
Ressuscitei do breve naufrágio
e traço nova expedição dentro de mim.
Bendito presságio!
Descerro todas as janelas, a brisa
viaja fresca em movimento sem fim,
afaga-me como nunca antes,
tão perto deste cais donde partem
audazes, todos os navegantes.
Cada tesouro da viagem percorrida
se perdeu para sempre; cofre de ouro
em abismo de estonteantes corais
na nau imaginada de uma vida.
Escolhi para ondular com este meu poema, "Naufrágio", um poema belíssimo de Cecília Meireles, poetisa que muito admiro, na voz de Amália.

Bela analogia entre as viagens marítimas e as nossas viagens de vida que às vezes também são arriscadas. Gostei muito.
ResponderEliminarNão conhecia esse fado da Amália.
Ana Silva
Obrigada, Ana, é verdade, mas ao mesmo tempo o pior naufrágio pode ser nunca arriscar...
EliminarSim esta música não é realmente das mais conhecidas da Amália.
É de perder o fôlego, pois as emoções que são provenientes dos mares sempre nos arrebatam... Um abraço!
ResponderEliminarÉ mesmo, Malu...:-) Um abraço!
EliminarMuito lindo, Gostei!
ResponderEliminarSigo o blog!
mundodeariel.blogspot.com/
www.facebook.com/meucantoomeumundoo
Obrigada! Dei agora uma olhada no teu canto, mas estou sem tempo. Voltarei lá nos próximos dias com algum tempo para ler.
EliminarBOA TARDE...
ResponderEliminarLINDO, MARAVILHOSO, DIVINO, SUBLIME
Penso não serem precisos mais adjectivos para qualificar a beleza intrínseca deste fantástico poema
Fiquei fascinado
Fique feliz
**************************
Gostava que me visitasse(m)
http://pensamentosedevaneiosdoaguialivre.blogspot.pt/
Oh Ricardo, eu própria acho que o poema está bem construído, mas daí até "divino" e "sublime" ainda vai uma grande distância.... Mas podes crer que fico muito feliz com a tua apreciação.
EliminarObrigada.
x
Olá Laura Santos
EliminarMas é claro que está Sublime
Simples e puramente fantástico
Fica feliz
Obrigada, Ricardo. Sim, fico feliz.
EliminarE vou já jantar, para ficar ainda mais feliz...:-)
Bom dia Laura.. bonita poesia.. já escrevi e me vi assim.. inspirado no filme Naufrago.. mas hj em dia acho que seria ruim demais uma vida tão solitaria.. bjs e um lindo dia
ResponderEliminarOlá Samuel, mas a verdade é que a solidão e os "naufrágios" ajudam as pessoas a se redescobrirem.
Eliminarx
Por vezes faz falta navegar sem destino, ser capitão de um navio sem destino.
ResponderEliminarNem mais, S*, partir à descoberta, afundar, voltar à tona, alguma coisa se aprende e no fim fazem-se as contas.Vidas apenas vividas com calculismo, não fazem sentido.
EliminarOi Laura :)
ResponderEliminarMe senti mergulhada nessa belíssima poesia.
Somente pessoas corajosas,ressuscitam de um naufrágio!
Inúmeras vezes ficamos expostos à fúria do mar da vida,
com muito vento e tempestade...
É até difícil enxergar uma esperança.
Porém pessoas valentes e guerreiras,vencem
e desfrutam depois,de profunda paz.
Bjs!
Oi, Clau!
EliminarAinda bem que "mergulhaste", às vezes também é preciso mergulhar para absorver o sentido das coisas... É bem verdade o que dizes; que só pessoas corajosas, (e com grande desejo de viver, acrescento eu), ressuscitam de um naufrágio, experiência eventualmente traumáutica.
Adorei que tivesses compreendido o poema, porque tem mesmo a ver com isso, " fúria do mar da vida" que nos expõe ao perigo, quando por vezes não estávamos para isso preparados. A esperança torna-se difícil, mas toda a gente que sobrevive a um naufrágio fica mais forte. E começa a dar valor a essa paz de que falas. E vai sorrir sempre que um vento forte soprar .
Gostei muito do teu comentário, Clau.Obrigada.
x
De naufrágios eu entendo.
ResponderEliminarÉ assim mesmo. Um beijo
sem devolução.
Olá Arnaldo!
EliminarDe naufrágios e muito mais! Você é um mar de conhecimento, sensibilidade e criatividade.
Tem razão, um beijo não se devolve, aceita-se com muito carinho e guarda-se no coração.
E que o beijo que lhe envio ultrapasse o imenso Atlântico, sem naufragar.
Perfeito!
ResponderEliminarDito por poeta tão "imperfeito", tão exigente com a sua própria escrita está a ser demasiado generoso...;-)
EliminarObrigada, Arnaldo. Irei visitá-lo proximamente; mas para a sua poesia "difícil", embora por vezes tão "fácil" eu preciso de uma tarde, não de uns minutos....:-)
Gostei muito do poema, da relação que fez com o Cabo Bojador e com o Cabo da Boa Esperança.
ResponderEliminarOrlando Costa
Ninguém salientou esse aspecto, talvez porque há quem não saiba onde cada um dos cabos se situa, e até quem pense erradamente que o Cabo Bojador é o Cabo da Boa Esperança...
EliminarComo o Bojador fica muito mais próximo, isso significa que não foi muito longa a minha "viagem"...."naufraguei" logo!...;-)
Olá, Laura.
ResponderEliminarAqui no Brasil, ainda estamos na parte da manhã. Por isso, e , tão somente por isso, bom dia. Rrsrssrs
A Vida, é um tecer de coragem e bravura. É preciso, ter muita. Mas, muita coragem para encarar-se, os desafios, seja ela, em qual Mapa da Vida, se apresentar.
Muito interessante, e, demasiadamente deslumbrante a sua poética.
Aproveito para lhe desejar, um fim de semana agradável.
Abraços, abrasileirados.
Olá José! Aqui está a anoitecer, aproxima-se a hora de jantar...:-)
EliminarConcordo com o que diz sim, é precisa muita coragem, não desanimar, e tentar levar o barco a bom porto, mesmo que os ventos e a ondulação se apresentem desfavoráveis....mesmo que a embarcação possa ficar danificada. Vida há só uma.
Muito obrigada pelo seu comentário, que vindo de uma pessoa que escreve tão bem, me deixa muito feliz.
Um grande fim de semana também para si e um abraço português.
o pior naufrágio é morrer na praia... não arriscar, como tu dizes. adoro o poema, é brilhante. adoro o fadinho claro, e a tela já a comprava num leilão. é que era já.
ResponderEliminarPois, morrer na praia é que é a grande tragédia, porque naufragar e salvar-se é uma grande sorte.
EliminarA tela é de uma pintora de Torres Novas que também pinta cerâmica muito bem. Tu própria devias pintar mais porque tens talento para isso.
Não gosto de piratas, aliás, nunca gostei.
ResponderEliminarE quanto a haver verdadeiros tesouros por encontrar, eu sei que existem, a minha grande dúvida é saber se eles querem mesmo ser descobertos...
:)
O poema diz muito de quem o escreveu. Gostei imenso (da tela também, da canção nem tanto)!
Cordiais saudações.
É verdade, Rui, os piratas são figuras totalmente dispensáveis, e existem tantos... Também não sei se alguns tesouros querem ou não ser descobertos, mas o que é certo é que são mesmo difíceis de encontrar.
EliminarDe facto, o raio da poesia é assim; põe-nos a descoberto.
Quanto à musica, tem razão, é fraquita, só a escolhi porque o poema da C. Meireles tem muito a ver com o que escrevi. Não é por acaso uma das menos conhecidas músicas da Amália.
Um abraço, Rui, e obrigada. Se estiver de férias, divirta-se, se não estiver, divirta-se na mesma!
Antes foi a Água, agora foi o naufrágio....:)
ResponderEliminarJoão Nicolau
Aaahhh! Sem dúvida, João. Tanta Água só poderia resultar em Naufrágio.
EliminarMe encanta ;) Lindisimo!
ResponderEliminarI follow you beautiful blog. I hope you will follow me back and I will wait for you in my blog www.gabusiek.blogspot.com
Obrigada gabusiek.
EliminarI appreciate your visit, but my interest it's not directed towards cosmetics. Sorry.
Elegante Poeta/poetisa comento em forma de vídeo:
ResponderEliminarhttp://www.youtube.com/watch?v=L8DPeaSw1Fc
http://apoesiaestamorrendo.blogspot.com.br/
Adorei ouvir essa pérola dramática do grande Castro Alves, na voz do Paulo Autran, " Navio Negreiro" ; " Ouvem-se gritos, o chicote estala..."
EliminarMuito obrigada, Fábio.
Estou alegre por encontrar blogs como o seu, ao ler algumas coisas,
ResponderEliminarreparei que tem aqui um bom blog, feito com carinho,
Posso dizer que gostei do que li e desde já quero dar-lhe os parabéns,
decerto que virei aqui mais vezes.
Sou António Batalha.
Que lhe deseja muitas felicidade e saúde em toda a sua casa.
PS.Se desejar visite O Peregrino E Servo, e se o desejar
siga, mas só se gostar, eu vou retribuir seguindo também o seu.
Obrigada, sr. António. Fico contente que tenha gostado do que leu.
ResponderEliminarMuito obrigada também pelos seus votos de felicidade e saúde, que retribuo.
O seu blog, tem muita qualidade, e muitos seguidores, no entanto como não sou uma pessoa religiosa não vou seguir, não. As minhas desculpas.
Mas apreciei a sua visita e as suas palavras de simpatia.
Bem haja, António.
OI LAURA!
ResponderEliminarDURANTE TODA UMA VIDA, NAUFRÁGIOS ACONTECERÃO, MAS, SEMPRE HAVERÁ UM FAROL NO ESCURO A NOS INDICAR O CAMINHO...
LINDO TEU TEXTO.
ABRÇS
http://zilanicelia.blogspot.com.br/
Olá Zilani!
EliminarÉ verdade, muitos naufrágios, muito cair e levantar, e sem dúvida que mesmo que o farol esteja muito distante, ele está lá.
Muito obrigada Zilani.
Abraços
Oi Laura,
ResponderEliminarPassei pra conhecer seu blog, e me identifiquei bastante com o que escreve.
Adorei a construção do poema. Escreveste lindamente essa viagem. Sempre se perde muito
quando se arrisca em oceanos desconhecidos.
A tela tem tudo haver com o poema.
Eu também admiro essa grande poetisa Cecília Meireles, uma de minhas favoritas.
Gostei muito do vídeo.
Convido a conhecer meu blog.
Deixo um abraço e desejo de uma ótima continuação da semana.
Olá Smareis!
EliminarMuito obrigada pelas tuas palavras. Pode perder-se muito quando se arrisca em oceanos desconhecidos, é certo, mas "navegar é preciso"....embora com atitude mais prudente.
Sou portuguesa mas para além da poesia portuguesa também gosto muito da poesia brasileira, e claro que Cecília tinha que fazer parte desse leque de preferências.
Um abraço também para ti e um bom resto de semana.
Olá Laura!
ResponderEliminarQuerida vim lhe visitar, conheci teu blog através do blog de um amigo.
Gostei muito do teu escrito, lembrou-me de Fernando Pessoa,o qual gosto muito.
Desejo-te uma linda tarde!
Beijos! Fernanda Oliveira
http://nandamusicpoesia.blogspot.com.br/
Olá Fernanda!
EliminarMuito obrigada pela tua visita. Fico contente por teres gostado do poema.
Eu adoro Fernando Pessoa, se eu to fiz lembrar será demasiado elogio, porque F.P. é enorme, e eu sou tão pequenina, sou nada ao fim e ao cabo.
Beijos
Como bem dito “navegar é preciso”. Naufragar, uma dádiva, melhor que afogar-se em tormenta.
ResponderEliminarLindo poema! Mesmo sem saber como ir, sem conhecer o mar e seus perigos, sem entender a cartografia vamos ao desafio de navegar, seguimos, e isso é coragem, isso é viver.
Abraços!
http://agoraemdiante.blogspot.com.br/
Olá Nato!
EliminarSim, afogar-se em tormenta e em tormento é que seria trágico...o resto são apenas pequenos e grandes sustos inevitáveis nas grandes travessias, historias que um dia mais tarde nos farão até sorrir...
É isso mesmo, os desafios têm de ser encarados com coragem.
Abraços, Nato! Gostei muito do teu comentário.
olà Laura muy bonitos versos en tu blog.. gracias por tu visita y tus bellas palabras...un abrazo
ResponderEliminarOlá Juan!
ResponderEliminarMuito obrigada, o mesmo posso eu dizer dos seus poemas.
Um abraço !