sexta-feira, 4 de abril de 2014

A Sacola



"Vivo sempre no presente. O futuro não o conheço. O passado já não o tenho." F. Pessoa





                                        Sinto coisas que aconteceram ontem 
                                        como se tivessem acontecido hoje.
                                        Mas o tempo intolerante foge.
                                        Passa por nós e pelas coisas
                                        como invisível cavaleiro andante.
                                        Acena-nos com o amanhã e o durante,
                                        esquiva-se a ser guardado numa sacola.
                                        Esconde-se enquanto passa insinuante
                                        presente passado. Pesada e lenta passarola.
                                        Na sacola guardamos o fumo do que foi,
                                        o que alegra ou entristece, e o que dói.
                                        A sacola é tudo o que dele resta,
                                        talvez a dor, a alegria, um dia de festa.
                                        O tempo. Petulante ladrão das horas,
                                        da pressa. Da ingenuidade juvenil.
                                        De momentos perdidos nas demoras
                                        guardando na sacola o teu perfil.





Avec le Temps, canção emblemática de Léo Ferré



103 comentários:

  1. Poema existencialista bonito. Se vivemos com essa intensidade, mais intensa será a memória de amanhã!

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    1. Isso mesmo, Leovi. Viver com intensidade proporciona memórias vívidas.

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  2. Esse tirano que se impõe a cada segundo da nossa vida... Lindo e pragmático, Laurinha, como afinal o é a nossa vida, Avec le temps. Beijo.

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    1. O tempo dá e tira, mas não temos outro remédio senão acompanhá-lo, porque a nossa vida vai sempre "avec le temps".
      Bom que sejamos pragmáticos de vez em quando...:-)
      xx

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  3. Na sacola feita de pano!
    Levava os livros para a escola
    O pequeno alentejano
    A voar no céu via a passarola!

    Pés descalços olarilas!
    A correr pelos cardos
    Num vai e vem as formigas
    Ao sol dormiam os lagartos!

    Sansão era um colosso!
    O seu poema é fantástico
    Sem gravata no pescoço
    O pobre povo andava descalço!

    De manhã ia para o campo!
    Todo a dia a trabalhar
    Sem tomar o pequeno almoço
    Ao meio dia era o jantar...

    O perfil na sacola num instante!
    O pobre não tinha tempo de guardar
    Quem ditavas as leis não tolerante
    Mesmo sem comer tinha de trabalhar
    como invisível cavaleiro andante
    Assim para alguns era o jantar!

    Gostei do poema, sim!
    Não é mentira minha
    Naquele tempo era assim
    Havia muita erva daninha!

    Bom fim de semana para você,
    amiga Laura Santos, um abraço.
    Eduardo.

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    1. Se calhar para lá caminhamos; para andar descalços... Não, isso talvez não, porque existem muitos chineses a vender calçado ao preço da chuva. Calçado que é uma porcaria, mas as pessoas andarão calçadas...
      Os portugueses, sobretudo os alentejanos, mesmo os que não andaram descalços ouviram falar desses tempos, embora ouvir contar não seja o mesmo que ter andado descalço. Muitos rapazes tiveram o primeiro par de sapatos ao ir à inspecção militar... E parece que o Eduardo ainda foi um dos "felizardos" da sua geração, porque mesmo descalço teve a hipótese de ir à escola, coisa de que muitos infelizmente não se podem "gabar".
      A sua sacola está hoje cheia de muitas memórias!
      Obrigada, Eduardo. Tenha também um bom fim de semana.
      Abraço.

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  4. Como dizia António Mourão na sua canção "Ó tempo volta para trás”. Mas já deve ter acontecido com muita gente estar num cenário e começar de repente a reviver noutro ambiente lá mais para trás. Viver dois momentos ao mesmo tempo, um momento dentro de outro. Parece algo esotérico, mas não é. É só o nosso cérebro a passar para o outro lado da fronteira do tempo.
    Gosto da frase de pessoa e fez-me lembrar a que escreveu, dias antes de morrer, no idioma com que estudou (inglês): I know not what tomorrow will bring – Eu não sei o que o amanhã trará.
    Bj**

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    1. É verdade, Paula, "viver" dois momentos ao mesmo tempo, sobretudo se o agora não estiver a ser marcante. Nesses momentos o passado faz-se presente em nós.
      Essa última frase de F. Pessoa é absolutamente lapidar; estive quase a escolhê-la mas depois optei pelas outras, com um sentido mais abrangente.
      xx

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    2. E foi uma boa escolha, Laura.
      Fernando Pessoa só houve um, mas acho que de Pessoa todos temos um pouquinho. Só precisamos situar-mo-nos no tempo e vivermos o presente da melhor maneira possível e pensando que a vida é para ser vivida e não lamentada. Só devemos lamentar quando há falta de saúde, ao termos saúde (nós e os que amamos) já temos 95% de razões para a viver duma forma positiva!
      Boa noite*

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    3. Acho que Pessoa "representa" muito bem o lado inquieto da alma portuguesa. Há algo nele de um Portugal grandioso, e ao mesmo tempo apagado e desiludido. Como se traduzisse na sua poesia uma actualidade e um prenúncio.
      Pois é, a falta de saúde é o pior de tudo. Quanto ao resto é tentar lutar e deixar o negativismo de parte.
      Boa noite, Paula.
      xx

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  5. Belíssimo poema, Laura.
    Pensei precisamente na frase que "Aluap" aqui deixou de Pessoa.
    "I know not what tomorrow will bring"
    Excelente.

    Bom fim de semana.
    Beijo

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    1. Acho que não saber o que o futuro nos trará é algo de favorável. Assim o que for bom será uma surpresa fantástico, e quanto ao que é mau, não teremos de sofrer em antecipação...:-)
      Obrigada, Sónia, e um bom fim de semana!
      xx

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  6. É bem verdade, com o tempo tudo se vai perdendo, mas com esta canção de Léo Ferré, fez-me lembrar os meus tempos em terras Gaulesas!
    Com o meu abraço, um bom fim de semana.

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    1. É irónico que o tempo só nos dê a experiência quando começamos a ter cada vez menos tempo para usá-la...!
      Pois, L. Ferré será um som muito familiar aos ouvidos de quem viveu em França...:-)
      Bom fim de semana, António.
      Abraço.

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  7. Ah, Laura lembrei deste: "Memo. Puxar pela memória não tem fim. Escada elástica intermitente. Que se sobe e desce aos saltos. O vivido passa a ser muito mais vivo do que aquilo que se tem que viver ainda. Mais vívido sem a resistência do dia e da circunstancia. O que resistiu ao esquecimento está no apogeu da existência que mesmo se for a morte não para de morrer. "
    Claro que não lembrei ele todo, mas o procurei. Poema de Armando Freitas Filho.
    Beijos

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    1. Penso exactamente como A. Freitas Filho, Nato. Vivem em nós lembranças que se sobrepõem à própria actualidade.
      xx

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  8. O Tempo: um dos meus temas preferidos.

    É um carrasco impiedoso, meticuloso e não se desvia um momento do seu caminho.

    Há que conviver com ele e tentar aproveitar-lhe cada segundo como se fosse o último.

    'Carpe Diem',

    Beijinhos

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    1. Já tinha reparado ser um dos teus temas fulcrais.
      O tempo não se desvia do seu caminho e força-nos a segui-lo, por isso há que aproveitar o máximo possível da caminhada que ele nos permite.
      "Carpe diem" tu também. "Enquanto estamos falando , terá fugido o tempo invejoso..."...:-)
      xx

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  9. Viver sempre o presente e deixar o passado bem escondido dentro dessa sacola e de vez em quando quem sabe,abrirmos para relembrarmos coisas bos.
    Sempre é bom reviver.
    Adorei amiga Laura.
    Bjs e um ótimo final de semana.
    Carmen Lúcia.

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    1. Certamente. Que nunca percamos a memória para que possamos olhar de vez em quando para o conteúdo da sacola.
      Obrigada Carmen Lúcia, e um bom fim de semana também para si.
      xx

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  10. Viver o presente com optimismo e fé e apenas um vago olhar para o futuro, creio ser o caminho para felicidade...

    beijo amigo

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    1. Tem razão, Daniel, a vida já é suficientemente problemática por isso viver o nosso dia com pessimismo não faz qualquer sentido.
      Quanto ao futuro...o futuro logo se vê...:-)
      xx

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  11. Ah Marcos, Pessoa tem razão em tanta coisa que até aborrece!....:-)
    Simples e bela a citação de M. Bandeira; é o que penso, a alegria que foi sentida um dia é revivida sempre que é recordada.
    xx

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  12. Respostas
    1. Nem imagina como a palavra "desgrenhados" se adequa à minha pessoa...!
      xx

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  13. Olá Laura

    Poema lindo onde prevalece alguma saudade, o tempo que passa rápido!!!
    Gostei muito.
    Apesar de não entender a letra, gostei da musica.

    Beijinhos e bom fim de semana.
    Amanhã estarei bem longe daqui.. loool

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    1. "Amanhã estarei bem longe daqui ..." Um exemplo de como o tempo passa rapidamente e tudo muda, um dia estamos aqui, outro dia ali...
      Não faço ideia onde poderás ir, mas cheira-me a capital do império, e por uma boa razão. Se for o que eu penso aposto que pelo menos parte do teu fim de semana será muito bem passado.
      xx

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  14. Oi Laura :)
    Para não padecermos com frustrações, o passado precisa ser colocado em seu devido lugar. E o futuro quando chegar, usufruímos, senão a ansiedade nos consome. Na verdade, só temos o momento presente!
    Gosto dessa frase de F. Pessoa.
    Olha, você tem razão, não há dúvidas que o tempo é 'petulante ladrão das horas.'!!
    Seu poema ficou magnífico...
    Bjs \o/

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    1. Oi Clau!
      Sem dúvida, o passado precisa ficar bem quietinho lá atrás, por isso deveremos guardar na sacola apenas o que vale a pena.
      Ojectivamente só temos o tempo presente, mas subjectivamente, o passado faz em nós muito do que somos.
      E sim, o tempo rouba-nos descaradamente as horas...;-)
      Obrigada, Clau.
      xx

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  15. " Trago a fisga no bolso de trás
    E na pasta o caderno dos deveres
    Mestre-escola, eu sei lá se sou capaz
    De escolher o melhor dos dois saberes...".

    Malandro o tempo intolerante que pensa ser brejeiro, deixando para trás o que lhe apetece.
    Também ele com a idade se foi tornando viciado na preguiça.
    A fisga, aquele que tanto nos fez crescer, continua no bolso de trás!
    Um abraço.

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    1. É verdade, o tempo deixa para trás o que lhe apetece, e só nos resta aceitar as suas deliberações.
      Essa fisga continuará sempre "no bolso de trás", não é Xico?...
      Curioso seria saber qual a opinião que levou a melhor; se a de se lerem realmente as lições, se a de que "o sol é que nos faz..."
      Suspeito que no seu caso, ambas tenham tido importância...:-)
      Um abraço.

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  16. O tempo por vezes parece ausentar-se, distrair-se e esquecer-se de nós, mas não tenhamos ilusões: se o "Velho do Saco" não nos levou em criança... vai levar-nos em adulto.

    "Ménage à trois": poesia/ilustração/canção.
    :)

    Bom fim de semana!

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    1. Costuma dizer-se que o tempo não espera por ninguém, e por isso não existem amanhãs garantidos, o tempo parece esquecer-se de nós apenas para nos distrair, mas voltará sempre para nos levar com ele.
      Acho que neste "ménage à trois" dos meus posts , a canção parece ser sempre o parente pobre...:-)
      Bom fim de semana, Rui!

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  17. MUCHAS GRACIAS POR ESTE MENSAJE TAN REFLEXIVO.
    UN ABRAZO

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  18. Ah! O tempo! Esse devorador de horas... esse companheiro inseparável da nossa estrada da vida. Eu não consigo viver sem pensar no tempo que já passou, sei que nada se altera mas sou assim. Quanto ao tempo futuro logo se verá. Deixo-me viver o presente! Belíssima escolha a de Léo Ferré.
    Bom fimde semana,Laura!

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    1. É inevitável pensar no tanto que já passo. Só quem perde a memória não o faz. Existirão sempre acontecimentos actuais que nos fazem "voltar" ao passado.
      Concordo contigo, o futuro logo se verá...ou não.
      Sabia que ias gostar do Léo Ferré...:-)
      Bom fim de semana, Emília!
      xx

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  19. Olá Laura,

    Viver no presente não impõe que esqueçamos do passado, já que lá residem a nossa história e vivências marcantes, sejam de alegrias ou de dores, que o senhor tempo definitivamente não consegue apagar. Certos acontecimentos, quando trazidos à tona pela memória, se tornam tão presentes como se estivessem sendo vivenciados no agora, tal a emoção que trazem consigo. Certo é que não há como deter o tempo, senão saber aproveitá-lo, colecionando o que de bom vai se construindo em sua passagem.

    Gostei da abordagem. (Não vou elogiar mais para você não continuar me achando excessivamente elogiosa-rsrs).

    Conheço a música. Procurei a tradução do google: "Com o passar do tempo tudo vai embora...".

    Ótimo final de semana.

    Abraço.

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    1. O tempo no fundo é apenas um, contínuo, e a nossa vida apenas uma, e tudo o que vivenciamos no passado persiste como fio condutor que influencia as nossas atitudes e escolhas no presente.
      Como não se detém, aproveitemos o que de bom possamos fazer com ele.
      Obrigada Vera Lúcia, e que tenhas um excelente fim de semana!
      xx

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  20. Respostas
    1. Pelo vento, sempre em direcção ao sol poente...:-)
      É um prazer vê-lo, Arnaldo.

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    2. O prazer é meu Laura!
      Vôcê é a escritora por mim conhecida, que mais valoriza
      os seus leitores, por isto faz tanto sucesso.

      Abraço portuguesa!

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    3. E eu a pensar que era pelo que escrevia...;-))
      O "sucesso" é tão falacioso!...Mas tem razão, valorizo muito quem se dá ao trabalho de dar a sua opinião acerca do que posto. Gosto do retorno, e acho que é uma questão de educação responder a quem fala comigo.
      Abraço, Arnaldo!

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    4. "E eu a pensar que era pelo que escrevia."..;-))

      rsrsrsr! GOSTEI!

      Até breve Laura!

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  21. Com as mãos cheias de boas intenções!
    Ando por aí, sem asas, querendo voar
    Bom fim de semana sem perturbações
    A amiga Laura Santos, venho desejar!

    Com o sol da primavera!
    Vê-los a correr é uma beleza
    Pastam os caracóis na relva
    Aquecer vai com certeza!
    Um abraço
    Eduardo.

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    1. Espero bem que o tempo aqueça porque já estou farta de frio!
      Obrigada, Eduardo. Um bom fim de semana também para si.
      Abraço!

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  22. A mim ainda não me deu sabedoria nenhuma...mas ainda não desisti...;-)
    Bom fim de semana, Ana!
    xx

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  23. Perfeita e precisa definição do tempo. Da inexorável passagem das horas, o tempo é agora. Sofro de tanta ansiedade, tanta inquietação, se eu tivesse mas fé seria mais sossegado, mas, meu ser enriquento só antevê imprevisto, contratempos. Vivo atormentado pela imprevisibilidade da vida. Tenho o desespero dos que não podem esperar, dos que estão conscientes de sua humana fugacidade. Ainda agora, pela manhã, por exemplo, morria repentinamente José Wilker, ator brasileiro, enquanto eu comprava um par de sapatos... Incrível, a gratuidade da vida. Quero muita coisa não, quero fazer o que me parecer justo, criar possibilidades, me livrar de falsos valores, pudores, investir no que me dê justa satisfação, quero mais é viver.

    https://www.youtube.com/watch?v=edkk21zWg88

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    1. Não é querer muito, Fábio, mas é no fundo querer o mais simples e essencial, a justificação para o que andamos por aqui a fazer. Pressinto esse tormento e ansiedade em ti.... Eu já fui mais ansiosa, hoje estou mais serena, porque deixei de ter grandes ou pequenas expectativas. A vida vale mais precisamente por ser algo de fugaz, por isso não convém estar muito distraído nas alturas certas para o que é importante, mas como o importante varia tanto de pessoa para pessoa, cada um tem de encontrar a forma que dê mais sentido ao pouco tempo temos.
      Ouvi hoje sobre a morte de J.Wilker, um actor que muito apreciava (desde os tempos de "Gabriela") e surpreendida apenas sussurrei: É a vida!...:-(
      Vive Fábio, joga fora esses pudores e falsos valores, porque quanto mais tempo se leva a protelar, menos se vive.
      Gostei da "Oração do Tempo" que não conhecia. Obrigada, Fábio, um tema musical muito a propósito.

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  24. Você chama isso de sacola e eu sempre chamei de mala rs. Tudo o que somos, pensamos ou fazemos, está dentro dessa mala que carregamos...Somos responsáveis pelo conteúdo dela...
    Beijos, querida Laura!

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    1. Ah Shirley, é a minha mania de querer ser diferente...;-))
      xx

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  25. Olá Laura!

    Gostei muito do poema.
    Há conceitos impossíveis de definir, e, o tempo é um deles. Ele pode englobar pequenos instantes, séculos, ou até uma eternidade...
    O que é o nosso tempo, perante um tempo sem tempo? Se pensarmos nisto, inevitavelmente ficamos angustiados. E agora cabe-me dizer, que não pude ficar indiferente ao comentário acima. Há quem diga , que quem vive no passado é deprimido, quem vive no futuro é ansioso, porque o natural é viver no presente e sentir cada momento da nossa vida com toda a intensidade que nos for possível, exaltando as coisas boas e relativizando as menos boas...afinal, não podemos controlar o curso da vida, por isso, que o nosso sorriso se alargue em cada dia, baseado no amor, na gratidão e no perdão.
    Beijinho Laura! Bom fim de semana.

    Adoro Léo Ferré, e este tema é um dos meus preferidos!!

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    1. O Tempo é de difícil definição precisamente por ter um carácter subjectivo; mais do que a contagem das horas, dias e anos, o tempo é mais do que uma quantificação, é também a forma como a sentimos. Existem horas que podem ser breves ou durar uma eternidade.
      Viver no e do passado é aniquilamento, tal como pensar demais no futuro é a melhor forma de desperdiçar o presente. O futuro a mim não me provoca qualquer tipo de ansiedade, tento viver o presente, e o resto que se dane. Valorizar o que merece ser valorizado, e sepultar no cemitério das traseiras o que não interessa. E perdoar sim, perdoar sempre, mesmo quem não merece perdão.
      Ah L. Ferré é imenso.!!..:-)
      Bom fim de semana, Cristina!
      xx

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  26. O comentário "acima", era o do Fábio Murilo, mas quando acabei de escrever e publicar, já estavam ouros no meio...xi <3

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  27. Passando pra desejar um domingo maravilhoso pra você

    Beijos
    Ani

    http://cristalssp.blogspot.com.br

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  28. Laura , vou ser repetitiva . Tudo aqui é muito bom ! Comungo com as palavras do poeta Daniel Lima : "
    O tempo passa , diz o povo . Não passa , me ensina a minha filosofia , não passa porque eu vou tentando caminhar com ele , no seu ritmo . O que vivi , o que senti , o que pensei vinte , trinta anos atrás , não passou está aqui comigo , caminhando no meu compasso . O passado forma com o presente uma unidade integrada qualitativamente nova . Isto é o que eu chamo sabedoria do existir ." Beijos

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    1. Concordo absolutamente com Daniel Lima. O passado é sempre estruturante da nossa personalidade e construtor ou desconstrutor do nosso presente. Quem diz que não liga ao passado apenas se ilude, porque certas pessoas e acontecimentos do passado viverão para sempre connosco.
      xx Marisa!

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  29. Nossa,Laura:

    Um poema magistral sobre o tempo...

    A começar pelo o simbolismo do título "a sacola". Sendo a

    memória,registrando (guardando) emoções vividas na linha

    do tempo.A imagem do relógio que "concretamente" marca o tempo

    e as borboletas num simbolismo das transformações,

    transcendências e impermanências do nosso tempo interior.

    Esta relação interna com o tempo é muito determinante na

    nossa relação com a vida. Viver na importância do presente,

    "o agora" com um olhar sentindo cada momento,

    num viver e morrer de cada instante...

    Este teu belíssimo poema percorreu o tempo da forma

    poética mais sublime e irresistível,adorei!!

    A música encantadora...

    Beijinho.

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    1. Ah Suzete, só tu para fazeres uma análise tão abrangente!
      O tempo cronométrico apagado por um relógio perdido, as borboletas que o circundam com o seu tão breve tempo de vida e transformação, e a hera que se sobrepõe ao tempo como elemento da natureza que permanece.
      É isso, a vida é viver e morrer a cada instante, para renascer mais adiante. O tempo concreto pode morrer, mas não a memória do que passou.
      Obrigada, Suzete. É um privilégio ser comentada por ti.
      xx

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  30. Laura, não sou ligada no amanhã. Na verdade, eu o temo. O passado, conheço. O presente, vivo, mas conscientemente, sem pensar que o mundo já vai acabar e deixei de fazer alguma coisa. O hoje exige responsabilidade em todos os atos, mas traz um importante aviso: se está feliz, entregue-se a essa emoção, pois nada tem de eterna. Há um tempo certo para tudo e precisamos ser sábios para visualizá-lo, eis que escapam por entre os dedos as oportunidades. Quando um ano termina, independente do que me trouxe, agradeço por tê-lo vivido. E peço que no novo me sejam mantidas as graças alcançadas. Meço o tempo pela intensidade dos momentos, que dispensa os ponteiros do relógio.
    Gosto da música e o francês é muito charmoso, nesse campo .Tenha uma ótima semana. Bjs.

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    1. É verdade, Marilene, que sejamos responsáveis e que nos entreguemos às emoções, porque os momentos são irrepetíveis. O que foi não volta a ser. Viver a vida sem arrependimento, porque o arrependimento pode tornar-se numa espécie de suicídio psicológico
      Nunca tinha visto a Língua Francesa dessa forma, mas é mesmo; o Francês é uma língua com muito charme!
      Obrigada, Marilene, uma boa semana também para ti.
      xx

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  31. O poema é brilhante e a música linda...excelente combinação!
    Beijinho
    :)))

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  32. Ups...Boa Tarde, Laura

    Quase que não chegava a tempo...Ora aí está...o tempo, que tantas vezes não tem tempo de ser tempo
    E para não tomar o teu tempo, já é tempo de sair daqui para fora...

    O Poema é lindo e, acredito que dentro da sacola exista tempo, que recorde o tempo, em que a sacola era a companhia de muito viajante.
    Mas o tempo não pára e daí eu já estar aqui armado em não sei o quê à tempo de mais.

    Fica feliz, Laura.
    xx

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    1. Olá Ricardo!
      Ainda tinhas muitos dias para comentar...mas é verdade, nunca se sabe o dia de amanhã...:-)
      Dentro da sacola existem recordações deixadas pelo tempo, momentos que guardei por querer trazê-los sempre comigo, outros que não quis guardar mas que mesmo assim teimam em acompanhar-me.
      Obrigada, Ricardo.
      xx

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  33. Como decía Quevedo: "La Vida es un extraño vacío que la Muerte ocupa."
    La Vida pasa sin dejarnos,apenas, ver su rastro y cosas que hemos hecho hace tiempo,parece como si sucedieron hace unas horas.
    Como decía también Woody Allen:
    "Me interesa el futuro porque es el sitio donde voy a pasar el resto de mi vida."
    Preciosa Canción de Léo Ferré.
    Abraços e Beijos.

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    1. Essa citação de Quevedo, que desconhecia, faz-me lembrar Percey Shelley em Adonais, longo poema de elegia a John Keats no qual afirma que J. K não teria morrido mas simplesmente acordado do sonho da vida. Assumindo a morte e não a vida como a grande realidade.
      Quero pensar que a vida não seja apenas esse vazio ou um mero sonho, mas quando a vida deixa de existir, não existirá futuro algum, e o passado foi mera lembrança ou sonho que passou e que definitivamente também desaparece.
      Obrigada, Pedro.
      xx

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  34. No poema uma das temáticas que mais me apaixona: o tempo, a sua invisibilidade como abstração e a sua visibilidade nas marcas do tangível. Escrevo bastante sobre o género, ainda que divulgue apenas alguns dos escritos.
    (Concordando com a citação, não deixarei de dizer que me interessa o amanhã, não em termos da minha existência, mas de algo maior, algo como o dito "quinto império", o tempo de um mundo novo...Utopia, talvez... Contudo, permanece nas minha memória "Je chanterai les lendemains à venir..." e desses não prescindo de desejar.
    O vídeo, adequadíssimo; além da voz, é a letra/poema e a época de ouro da música francesa...
    Adorei estar aqui...
    BJOS, amiga Laura :)

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    1. Excelente explicação, Odete. Se não fossem os acontecimentos e marcas que o tempo deixa em nós, a sua percepção seria difícil.
      Onde tu já vais; " o quinto império"!...:-) Mas as utopias são necessárias, deixam-nos mais leves e criativos, ao mesmo tempo que nos permitem vontades mais fortes e decisivas.
      Além disso cantar os amanhãs será muito mais motivador do que cantar o passado.
      E dizes muito bem, a época de ouro da música francesa.
      Obrigada, Odete.
      xx

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  35. Já estive aqui hoje, li sobre o tempo, ouvi sobre o tempo, refleti algum tempo mas... o tempo disponível não foi o bastante para um comentário: o relógio - marcando o tempo - me alertou que eu precisava parar...Tinha um compromisso inadiável.Constato, então que somos, mesmo, "escravos tempo". Às vezes, não ligo para o tempo que passa, inexorável. Às vezes me angustio, vendo-o passar, sem tréguas, sem chances, até, de aproveitar um pouco mais da vida. Nascemos, vivemos e findamos, "comandados" pelo tempo. Há tempos, que amo o tempo que vivo, há outros que não...Vou vivendo a vida, enquanto há tempo,,,a viver. Depois...é o nada!
    Beijo, Laura,
    da Lúcia

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    1. Nem mais, Lúcia! Depois é o nada.
      Não poderia concordar mais com o que disse, e com a forma excelente como o disse.
      Obrigada, Lúcia.
      xx

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  36. Gosto de ter uma sacola repleta de emoções.

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    1. Toda a gente tem. E como és tão jovem ainda há muito a guardar futuramente nessa sacola....:-)
      xx

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  37. Laura boa tarde, acho que todos nós temos essa sacola guardada, para colocar as alegrias, as tristeza, as decepções, dessa sacola quero só tirar as alegrias, o resto fica lá, lindo o vídeo Laura passando pra desejar uma ótima semana beijos.
    http://www.lucimarestreladamanha.blogspot.com.br

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    1. Olá Lucimar!
      Pois é todos temos. É sempre melhor recorrer às alegrias, porque as tristezas às vezes podem tornar-se um vício. A vida tem de ser bela e alegre, porque temos a capacidade para resistir a grandes dores, mas não a um só tristeza permanente.
      Boa semana.
      xx

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  38. O tempo não se cansa de nos fugir...
    Magnífico poema, como sempre. Fazes poesia de excelência.
    Laura, tem uma óptima semana.
    Beijo.

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    1. Mas cansamo-nos nós tanto por vezes, de correr atrás dele...:-)
      Obrigada, Nilson, e uma óptima semana também para ti.
      xx

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  39. Estremecedor poema donde las nostalgias se convierten en un vibrante poema, gracias a tu genial talento. Conmovedoramente bello. Un abrazo

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    1. Muita generosidade! Obrigada.
      Um abraço para todos vós em Villa Maria.

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  40. O tempo é viver e pronto.

    João Nicolau

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  41. Obrigada Laura,pelos cumprimentos ao meu aniversario e pelas
    palavras lindas deixadas em meu espaço.
    Bjs com carinho
    Carmen Lúcia.

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    1. Carmen Lúcia, eu não poderia deixar de felicitá-la pelo seu aniversário. Você merece tudo porque é muito atenciosa com toda a gente.
      xx

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  42. Boa noite,
    Com tempo perdemos e ganhamos, é relativo se perdemos ou ganhamos mais, adorei a sua criatividade.
    Abraço
    ag

    http://momentosagomes-ag.blogspot.pt/

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    1. Boa noite!
      Tem razão. Nem vale a pena perder tempo a contabilizar perdas e ganhos, e por vezes até há perdas que são autênticos ganhos...
      Obrigada, António.
      Abraço.

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  43. Gostei da ideia de se poder guardar o tempo numa sacola. Meu beijo.

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    1. Uma metáfora muito primária, prática e muito "à mão"...:-)
      xx

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  44. Querida amiga Laura, que jeito gostoso de guardar o tempo e lá ficam as nossas misturas, entre alegrias, tristezas, saudades e tudo o mais que nela couber...e lá na nossa (sacola) mente e coração cabe de tudo, e tudo é muito importante para o nosso aprendizado. A vida é um aí que mal soa, então só o presente nos interessa. O passado se foi e o futuro, quem sabe?A sua metáfora pra mim é um poema...Lindo!
    Amiga, hoje o blog esta comemorando 2 aninhos, deixei agradecimento a todos os amigos de "longe" e de "perto" que moram em meu coração, ficarei feliz com o seu carinho a presença por lá.
    Beijos carinhosos
    Marilene
    Marilene Folhas Flores e Sutilezas

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    1. Obrigada, querida Marilene.
      Claro que tenho todo o prazer em felicitá-la pelo aniversário do seu blog. Já estou indo...:-)
      xx

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  45. Um poema muito bonito, um pouco triste. O tempo passa depressa, temos de passar por muita coisa, e o tempo deixa-nos rugas.

    Manuela Pires

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    1. Ter rugas será a última coisa a deixar-me triste. ..;-) As rugas significam que vivemos.
      xx

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  46. Minha amiga Laura, como já comentei, reli o teu maravilhoso poema. Desejo-te um bom resto de semana.
    Beijo.

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  47. Olá.

    Meus desejos de um fim de semana elegante. Com muita simpatia, alegria e saúde. Muito sol, praia e mar, para os que sorriem com o litoral, isto vale, para qualquer parte do planeta Terra. E para os QUE, como eu, residem no interior, resta-nos, a sombra das palmeiras, e o canto dos pássaros.
    Um abraço

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    1. Obrigada, Zé.
      A sombra das palmeiras e o canto dos pássaros também não soa nada mal...:-)
      Um abraço.

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