Passados exactamente 3 anos sobre a consagração do Fado como Património Cultural Imaterial da Humanidade pela UNESCO, coube hoje ao Cante Alentejano a mesma distinção em Paris, após uma candidatura patrocinada pela Câmara Municipal de Serpa/ Casa do Cante, pela Região de Turismo do Alentejo, pela Casa do Alentejo, em Lisboa, e pela Confraria do Cante Alentejano e da Moda. Com a aderência de 35 Câmaras Municipais, mais de 100 Juntas de Freguesia, 28 Grupos Corais e centenas de cantores a título individual.
Por certo devido à crise, o Grupo Coral e Etnográfico da Casa do Povo de Serpa foi para Paris num autocarro da Câmara Municipal, o que até deve ter dado jeito para levar na bagagem os vinhos e petiscos do Alentejo, como leitões assados, enchidos, queijos, presunto e o pão, é claro.
Género musical polifónico por vezes associado a outras formas musicais, sobretudo instrumentais, que lhe deturpam a essência, o Cante caracteriza-se pela existência de um solista designado ponto que lança a deixa, seguido do solista designado alto, ao qual se seguem as vozes de todo o coro. Terminadas as estrofes, o ponto pode lançar nova deixa, ou repetir a primeira.
O andamento lento, a repetição e as pausas contribuem para a monotonia do canto, um reflexo talvez da própria planície. Fazendo parte da tradição do trabalho nos campos, o Cante era executado por homens e mulheres, e ocupava os homens nos tempos livres na vida social; nas tabernas, nas festas, nas arruadas, e cantado pelas mulheres na lides domésticas.
Com a progressiva mecanização da agricultura, a generalização da rádio e da televisão, e o abandono dos campos em busca de melhor vida nas cidades, o Cante entrou em declínio, passando a ser mais uma prática de memória colectiva, do que uma forma espontânea de criatividade. Continua no entanto, através de temas como o trabalho, o amor, a contemplação, a natureza, e uma certa nostalgia, a ser o elo de ligação do alentejano à sua terra e aos seus. O canto profundo da terra na voz de quem a sentiu e sente.
Embora o meu Grupo Coral preferido seja o dos Mineiros de Aljustrel, decidi escolher um video curto e bem demonstrativo de como o Cante poderia surgir, e surge ainda hoje, numa taberna tipicamente alentejana.
"Qualquer dia temos a burra nas couves"!
"Tua mãe não quer, eu hei-de ateimar"!
Que miscelânea tão divertida!
Para quem tiver interesse no assunto, existe o Grupo Coral Os Bubedanas, composto apenas por rapazes jovens (aqui numa sátira ao ex-ministro Vitor Gaspar, com o tema Acarrar*), e o documentário de Sérgio Tréfaut,"Alentejo, Alentejo", filme que acompanhou a candidatura portuguesa.
* Acarrar - Significa descansar, dormir a sesta, ficar parado sem fazer nada. Também se diz do gado quando procura a sombra para livrar-se do calor.
Entre tantas más notícias, veio uma que nos enche de orgulho. Eu gosto muito do cante alentejano, e este ano já temos um grupo na UTIBE. Eu não me inscrevi porque a minha voz é de cana rachada.
ResponderEliminarUm abraço e bom fim de semana.
Uma semana para nos provar à saciedade, se necessário fosse, que as nossas "elites" não conseguem elevar-se aos calcanhares do povo que desprezam.
EliminarAh Elvira, inscreva-se nesse grupo da UTIBE porque o canto também se aprende, e só o ponto e o alto é que têm de ser realmente afinados. ;-)
Obrigada, e bom fim de semana!
xx
Oi Laura :)
ResponderEliminarAssim como a capoeira
aqui do Brasil, foi reconhecida ontem como
patrimônio cultural da humanidade,
o Cante Alentejano também o foi hoje!
Fiquei tão feliz com estas notícias,
afinal, dizem respeito à expressão de um povo.
Não conhecia este gênero musical,
apreciei muito o vídeo!
Abraços \o/
É verdade, o reconhecimento e valorização da Capoeira também me deixou muito contente!
EliminarAbraços, Clau!
xx
Nem todas são más notícias, valha-nos isso, "para pior já basta assim"...
ResponderEliminarAcabo de vir de uma apresentação de um livro, "Diário de Um Carbonário" de Mário Silva Carvalho. (O autor, que me desconhecia por completo, partilhou em tempos no facebook uma foto de uma pintura minha à qual eu havia juntado esta frase: "Mulheres e gatos fazem o que querem. Homens e cães têm que aprender a viver com isso" - Alam Holbrooke. Quando lhe pedi para me autografar o livro, mostrei-lhe a foto/pintura e recordei-lhe a partilha. Foi "giro"). Os tempos que antecederam a implantação da República eram tempos de miséria, avançámos muito, mas por este andar...
Mas ando muito animado, finalmente decidi-me a aprender a tocar guitarra, as gatas cá de casa nem tanto.
:)
Bom fim de semana!
Esta semana foi realmente devastadora, e as próximas também não prometem nada de bom...! Recordo-me perfeitamente dessa sua pintura, e que interessante ela ter sido vista e "apropriada" pelo Mário S. Carvalho!... Afinal o mundo é mesmo muito pequeno...;-)
EliminarEsse deve ser um livro muito interessante, sobre uma época um pouco esquecida pela literatura portuguesa.
Acho que o povo português viveu sempre na miséria ou muito perto dela, só que se ilude muito em determinadas alturas, e a classe média ou alta nunca gosta de olhar para baixo.
A tocar guitarra?...As gatas, que tanto o inspiram na pintura, teriam muito mais razões de queixa se tivesse decido aprender a tocar bateria!...:-)
Bom fim de semana, Rui!
xx
MARAVILHOSO! ...OS ALENTEJANOS ESTÃO DE PARABÉNS E TU TAMBÉM, COM ESTE MAGNIFICO TEXTO, COMO NÃO PODIA DEIXAR DE SER..
ResponderEliminarÉ MERECIDO!
Beijinhos... E um bom fim de semana.
http://coisasdeumavida172.blogspot.pt/
Obrigada, Cidália.
EliminarBom fim de semana!
xx
Muita miséria havia,
ResponderEliminarcom medo da tortura
a cantar se respondia
no tempo da ditadura
Viva a liberdade,
viva o povo alentejano
viva o povo de Portugal
em liberdade cantando
não rima mas é verdade.
Nasci no Alentejo,
não à beira do Guadiana
moro à beira do Rio Tejo
longe de Messejana.
Não admira,
freguesia Vale de Santiago
Concelho de Odemira
das Fornalhas fui gerado.
Uns aos outros encostados,
alentejanos de ceifões e jaqueta cantando
no campo encostados aos bordões ou cajados
lá no prado o rebanho apascentando,
"Lá vai Serpa, lá vai Moura
Ai, as Pias ficam no meio!
Em chegando à minha terra
Ai, ninguém tem arreceio!
Abalei da minha terra
Olhei para trás chorando:
- Adeus, terra da minh´alma,
Que tão longe vais ficando"!
Amiga Laura, viva o cante alentejano,
viva também a democracia
pelos caminhos Portugal cantando
liberdade sempre, felicidade e alegria.
Desejo para você uma boa noite, um abraço.
Eduardo.
Não é preciso rimar sempre para que as verdades sejam ditas.
EliminarTenho por si, Eduardo, enorme consideração. E não, não o vou tratar por senhor, porque sei que o sr. não gosta, mas devo dizer-lhe que poucas pessoas nesta blogosfera têm tanto respeito pelo que os outros escrevem. Vejo isso não só no meu blog mas também nos outros blog. O Eduardo comenta sempre sobre o tema e ainda por cima em verso!
Nascido no Alentejo como eu, viveu decerto coisas que eu não vivi, embora eu ainda tivesse vivido algumas, e quem tem as suas raízes no Alentejo compreende perfeitamente a sua poesia.
Que viva o Alentejo, uma região sempre injustiçada, que viva o Cante!
Obrigada, gosto sempre dos seus comentários.
xx
Excelente post....
ResponderEliminarCumprimentos
LOL!
EliminarObrigada, Chana.
xx
Muito interessante, beijo Lisette.
ResponderEliminarLOL!
EliminarPois, é! Obrigada, Lisette.
xx
O Cante pode ser bom para unir os amigos, cantar, reforçar amizades. Mas é muito mais que isso.
ResponderEliminarSe fosses alentejano, entenderias. :-)
xx
Aquí llevas mi felicitación para esa región de Alentejo, es muy bonito mantener estos cantares, para que sigan con la tradición las futuras generaciones.
ResponderEliminarUn beso, y gracias por darlo a conocer.
Obrigada, Manuel. O Cante já está a ser ensinado em muitas escolas do Alentejo, e com muita adesão e alegria.
Eliminarxx
Pela leitura de obras do dito período realista, chegou-me o Alentejo sofrido, na minha juventude. Poucos anos depois, toda a movimentação surgida com a revolução dos cravos e os gritos libertadores ecoando nas canções...
ResponderEliminarConheço muito pouco do Alentejo, mas sempre apreciei o "Cante" alentejano. Por tudo isto, fiquei ainda mais orgulhosa por este reconhecimento. Numa altura de desencanto, encanta-nos o o "Cante".
Parabéns por esta homenagem. Como alentejana, imagino o teu contentamento!
Bjo, querida Laura :)
Há uma diferença enorme,como sabes, entre ler romances realistas ou neo-realistas e ter lá estado a viver as coisas. Tal como é muito diferente ter o seu pedaço de terra, por pequeníssimo que seja, ou viver numa região onde quem trabalhava a terra de sol a sol, nunca a teve. Daí não viria mal ao mundo se não tivesse sido terrivelmente explorado.
EliminarFiquei contente apenas pelo facto de que ao dar-se visibilidade ao Cante, isso fará com que não morra. E até me custa que em Portugal, certos aspectos da nossa cultura só comecem a ser olhados de outra forma se "avalizados" internacionalmente.
Sou alentejana, e estou feliz pelos meus conterrâneos, sobretudo aqueles mais velhos que em condições muito difíceis cantaram a vida inteira, e vão continuar a cantar. :-)
Obrigada, querida Odete.
xx
Bom dia
ResponderEliminarGosto muito do cante alentejano ou não fosse eu filho de pais alentejanos. Pai da Aldeia das Amoreira e mão de Pias
Está de parabéns a Laura Santos por trazer até aos seus leitores a prova viva de que o cante alentejano não está nem fica esquecido.
Este prémio instituído pela Unesco é totalmente merecido e uma honra para aquela gente simples, trabalhadora, que jamais abandona as suas raizes mesmo que, por efeitos do destino, tem de partir para outras paragens a fim de ganhar a vida
Gostei muito que este prémio fosse atribuído
VIVA O CANTE ALENTEJANO
Olá Ricardo!
EliminarÉ um reconhecimento merecido, mas é também um pouco triste ver que foi preciso acontecer esta distinção para ouvir o Cante na rádio e na televisão. É verdade, os alentejanos nunca esquecem a sua terra, e foi giro encontrar ao fazer este post, um video com um grupo de Cante em Den Haag (Haia) na Holanda.
Vê como o sentimento está todo lá:
https://www.youtube.com/watch?v=nKdmDeaol0Q
O Cante só acabará quando acabarem com os alentejanos! :-)
xx
Oi Laura não conhecia o cante Alentejano,deve ser muito lindo.
ResponderEliminarbjs amiga e um ótimo final de semana.
Carmen Lúcia.
Oi Carmen!
EliminarDeve ser?!... Porque não ouviu os videos para formar uma opinião?..:-)
Uma óptima semana, também.
xx
Bom dia querida Laura...
ResponderEliminarnos enchemos de orgulho quando temos algo nosso reconhecido não é..
pena que tais órgãos demorem para enxergarem isso..
aqui na minha terrinha b tem muita coisa boa.. mas pouco se divulga..
pouco se vê fazerem .. bjs
Eu já tinha orgulho das gentes e cantares da minha terra, não foi por terem sido reconhecidos pela Unesco que passeia a ter mais orgulho.Mas é muito bom para que as tradições boas se mantenham vivas.
Eliminarxx
Gosto muito do Alentejo, dos compadres e das comadres alentejanas, também de os ouvir no seu cante característico e único, cantava algumas vezes com eles nos fuzileiros, estamos todos de PARABÉNS, pois nem tudo é mau em Portugal!
ResponderEliminarDesta vez o meu abraço vai para todos os alentejanos.
Eu sei, António que você gosta das comadres e dos compadres, e de tudo o que nosso país tem de bom. Como diz, estamos todos de parabéns, e como alentejana aceito o seu abraço.
Eliminarxx
Olá Laura,
ResponderEliminarVálida homenagem ao Cante Alentejano, através da qual você expressa seu orgulho pela noticiada consagração. Não conhecia e achei muito interessante. O Cante é uma expressão coletiva que ficará eternizada.
Vi 'Os Bubedanas' e também o documentário sugerido por você.
Parabéns aos alentejanos e à Portugal pela importante distinção.
Beijo.
Olá Vera!
EliminarEstás a ver?... Se não fosse por esta notícia, talvez nunca viesses a ouvir falar do Cante, a música que é a matriz da minha terra natal...;-) Aquele é um excerto do documentário, porque o documentário é longo, mas também como a música é de cariz monótono, 10' já foram bem suficientes!
Obrigada, Vera Lúcia!
xx
Laura, esse gênero musical, que tenho como intimamente ligado à cultura, haveria, mesmo, que ser reconhecido como Patrimônio Imaterial da Humanidade, perpetuando-se no tempo e orgulhando as gerações do Alentejo. Esse mérito, que vem de fora, traz orgulho, eis que, muitas vezes não é visto assim pelo próprio povo local. Digo isso, em razão da capoeira, no Brasil, que não é apreciada devidamente, por todos. Não conhecia o Cante, a forma como é desenvolvido, os temas que comumente o inspiram. Pelo vídeo, pude perceber que une, de forma bela, os grupos. Um canto coletivo, que incorpora música e poesia, como descrito nas pesquisas que realizei (rss), em decorrência de sua postagem. Você lhe fez uma bela homenagem, divulgando esse reconhecimento mundial. Parabéns! Bjs.
ResponderEliminarAcho estas distinções importantes apenas no sentido de ajudar a manter vivas nos jovens as tradições culturais que são importantes, já que também existem tradições más, como as touradas.
EliminarAS crianças quererão todas cantar porque o Cante está na "moda", se é que me entendes... não no sentido de mera publicidade, mas no sentido de criar uma auto-estima numa região sempre ignorada.
Os alentejanos estão exultantes e sinto que a Capoeira não seja tão apreciada como deveria.
Obrigada, Marilene.
xx
Já vem tarde o reconhecimento mundial, mas o Cante sempre foi sinónimo de liberdade, lonjura, planícies a perder de vista, compasso e calma para cantar uma história.
ResponderEliminarO Alentejo e o Cante alentejano estão de parabéns. Os portugueses também. O País agradece a imutabilidade e a simplicidade transformadas em alegria, tão necessária nos dias que correm.
E tu, minha querida Laurinha, fizeste um post exemplar, esclarecedor para quem pouco conhecia e bastante elucidativo para quem pensava conhecer bem o Cante das paragens mais a Sul.
Nasci no Alentejo, e felizmente que a minha mãe teve a coragem de fugir de lá e fazer-se à estrada. Mas ficou em mim essa lonjura, essa planície, aquela gente simples, do melhor que há, e o Cante.
EliminarVá lá que a TAP lá ofereceu a viagem de volta!
xx
Oi Laura! Linda homenagem amiga! O reconhecimento do Fado como Patrimônio Imaterial da Humanidade foi mais que merecido, isso por tratar-se de um belíssimo gênero musical. Quanto ao Cante Alentejano, confesso que não o conhecia, mas, com certeza, fez por merecer a mesma distinção. Parabéns para Portugal e para o seu povo maravilhoso.
ResponderEliminarAbraços e um ótimo final de semana para ti e para os teus.
Furtado.
Obrigada, Furtado.
Eliminarxx
Laura, muito admiro as postagens que fazes sobre aspectos culturais que muitas vezes desconhecemos ou quando nos trazes elementos que ampliam um assunto do qual já tínhamos conhecimento. Confesso que o Cante Alentejano era um estilo musical desconhecido por mim. Mas ao assistir o vídeo veio-me à mente o canto gregoriano, um gênero que muito aprecio. Também assisti o vídeo indicado com o Grupo Coral "Os Bubedanas" e me apaixonei por esses garotos tão lindos e de vozes tão harmoniosas. É realmente um belo coral de guapos rapazes, desses que encantam não só pela juventude como também pelo orgulho demonstrado nas apresentações, e pela vontade de perpetuar uma tradição. O tempo permitiu-me assisti-los também interpretando “Alentejo nossa terra” e com o António Zambujo “Que Inveja Tens Tu das Rosas”.
ResponderEliminarMerecidíssima a distinção do Cante Alentejano como Património Cultural Imaterial da Humanidade. Uma consagração que é motivo de muito orgulho não só para os alentejanos, mas para todo o povo português. .
Também aqui a nossa Capoeira recebeu essa distinção, e se tornou o mais novo patrimônio cultural brasileiro, motivo de muito orgulho para todos nós ao ver que uma tradição popular alcançou um merecido patamar internacional.
Com sempre, Laura, uma postagem magnífica que nos ampliam os conhecimentos.
Grata pela partilha e parabéns por iniciativas de cunho intelectual tão importantes.
Olá Helena!
EliminarExistem várias teorias acerca da origem do Cante, uma delas precisamente a de que possa ser uma variação do canto gregoriano. Outra é de que terá a ver com as influências da presença árabe, já que tem pontos de contacto com o canto mourisco. E há ainda quem defenda que a forma polifónica do Cante é originalmente portuguesa, nascida dos valores profundos do povo na sua ligação com a terra. De uma forma ou de outras, o que interessa é que o Cante está aí bem vivo.
Quase todos os grandes grupos corais estão um pouco envelhecidos (embora eu ache que os velhos cantam melhor que os jovens), por isso decidi mostrar um grupo apenas de rapazes jovens e irreverentes.
O António Zambujo é um excelente cantor e um alentejano de gema!
Também considero merecidíssima a distinção da Capoeira. Acho importante a valorização de toda a cultura popular.
Obrigada, Helena, eu sei que gostas destes assuntos e vais informar-te ainda mais. Que bom!
Bom fim de semana!
xx
Bom dia, sendo eu um típico Algarvio, sou um admirador do Alentejo e da sua gente, semanalmente vou visitar o Alentejo, adoro o litoral e o seu interior, comidas alentejanas, paisagens e convívios, sinto-me um alentejano quando converso com eles, gosto do canto e principalmente dos mineiros de Aljustrel, quem sabe se um dia também vou fazer parte de um grupo de canto. Que me desculpem as outras pessoas, mas o povo alentejano pela sua cultura e humildade é um povo muito especial, é diferente.
ResponderEliminarAG
O meu grupo coral preferido também é o dos Mineiros de Aljustrel, o mais antigo do país, e no outro dia ao ouvi-los em directo na SIC, até me arrepiei! E concordo que o povo alentejano é muito especial.
EliminarDiferentes, sim. Muito simples e genuínos.
xx
Que primor de síntese. Como alentejana que és, imagino o quanto gostaria de dizer não só sobre o Cante Alentejano, mas sobre outras tradições do povo alentejano. Todavia, o essencial aí colocado e as dicas para aprofundarmos os nossos conhecimentos já nos dão a dimensão da importância do reconhecimento de tamanha riqueza. A verdade é que os nossos governantes só estendem o seu olhar para as nossas riquezas culturais quando os outros o fazem. E ainda bem que outros o fazem, levando-nos a não perder o entusiasmo...
ResponderEliminarBom final de semana, Laura!
Como diz um comediante da nossa praça; "havia tanto para dizer, mas não temos tempo!"...:-)
EliminarComo alentejana que sou, embora tendo saído de lá ainda criança, adoro aquela terra e aquela gente. O post só teve como intuito mostrar a quem não conhecia, uma tradição que expressa os sentimentos mais profundos de um povo humilde e lutador do qual sinto orgulho. Mas sim, há tanta coisa interessante por lá...
Os governantes só se interessam pelas suas contas bancárias nos off-shores. Pelo menos em Portugal...
Obrigada, e bom fim de semana, Zé.
xx
Para uma senhora alentejana,
ResponderEliminarmulher-flor enraizada no Algarve
desejo bom fim de semana
com um abraço de amizade.
Embora seja virtual
porque é com boa intenção
ela cidadã, eu cidadão
deste lindo Portugal!
Eduardo.
Já me chamaram muita coisa, mas "mulher-flor" acho que é a primeira vez! :-)
EliminarEu sei que tudo o que diz é com boa intenção, eu sei.
Obrigada, poeta Eduardo, tenha também um bom fim de semana.
xx
Que interessante! Que espontâneo, Laura! Essas manifestações de alegria as vezes começam assim, sem querer, nada combinado. As vezes combinamos e dá tudo errado. Aqui onde moro também tem essas musicas, danças, populares, coisas genuínas, como a Ciranda, uma grande roda, que vai aumentado a medida que vai chegando alguém e entrando na roda. E, repare bem, imita o balanço das ondas, vê:
ResponderEliminarhttps://www.youtube.com/watch?v=vdiIzZ5zzwo
A cultura popular é que mantém a identidade de um povo.
EliminarObrigada pela Ciranda, Fábio! Uma dança de união. Reparei que alguns dos intervenientes vestiam calças com a bandeira do Brasil e de Portugal...:-)
xx
É mesmo, Laura, reparei isso também, pareceu-me a as cores, bandeira de Portugal, mas não tinha certeza, não sei porque, peguei essa vídeo aleatoriamente, só pra lhe mostrar como se dança a Ciranda, dança tipica da ilha de Itamaracá, aqui em Pernambuco, dai a coreografia imitando as ondas. Curioso, não sei lhe explicar a ligação. Aqui só conheço o Clube Português e o Hospital Português, nada além disso.
EliminarQuem sabe esses participantes não seriam descendestes de portugueses... Só pode...:-)
EliminarBom ver essa demonstração de amor ao lugar onde se nasceu.
ResponderEliminarLaura, beijos!
Existirão pessoas que não sentem apego ao sítio onde nasceram, eu sinto. Pena que tenha sido sempre um lugar sem grandes condições para que as pessoas lá vivam bem.
Eliminarxx
A distinção é inteiramente merecida.
ResponderEliminarQuerida amiga Laura, tem um bom fim de semana.
Beijo.
Também acho, embora a distinção não altere em nada o que eu já achava; a de que o Cante é lindo.
EliminarBom fim de semana!
xx
FELICITACIONES POR ESA DISTINCIÓN.
ResponderEliminarUN ABRAZO
Obrigada, ReltiH.
Eliminarxx
"Keep it a live and kicking" All forms of patrimonium culture, in every corner of your "Fado" country, i still remember me, my first and even my last vacation in the Algarve in 1978,with my Fiat 850.
ResponderEliminarGood job,Laura.
Felizes dias.
XX
Alentejanos are though people, they will always keep their culture no matter the others like it or not. They are unique. I love being an alentejana living in the Algarve by accident.
EliminarI think the Algarve has changed so much after 1978 that you wouldn´t recognize it anymore. I try hard to recognize it year after year and I live here...! :-)
Thank you, Willy. I wonder about that Fiat 850!... A relic.
Dias felizes.
xx
Parabéns ao cante alentejano que é único no mundo!!!
ResponderEliminarVivi 2 anos em Moura e gostei muito.
Bjs
Sim, parabéns ao Cante.
Eliminarxx
Parabéns para os alentejanos eles são um máximo, Laura beijos.
ResponderEliminarBlog /Fan Page / Twitter /
Os alentejanos são o máximo, de facto. ;-)
Eliminarxx
Nos últimos dias Portugal é notícia pelas piores razões, pelo que foi muito bom e enche-nos de orgulho parte da nossa cultura ser dada a conhecer ao mundo.
ResponderEliminarEu sou beirã e fiquei muito contente, agora imagino (só imagino) a Laura e todos os alentejanos!
E como dizes, por certo o Grupo que foi até Paris deve ter levado na bagagem os vinhos e petiscos do Alentejo. Isto até me fez lembrar o "KODAK". Não sei se a Laura sabe, mas assim chamavam ao garrafão de vinho. Isto é, quando o pessoal (grupo) da província vinha à capital (em excursão), andavam com o garrafão atrás.Já os estrangeiros carregavam a "máquina fotográfica. Eis o porquê de chamar ao garrafão "KODAK".
Gostei muito dos lenços das fotos.
Cont. de bom fim de semana. Vou voltar a escrever em breve no "Forninhenses".
Paula, desconhecia completamente que o tipíco garrafão de vinho tivesse sido alguma vez apelidado de Kodak!... Curiosidades interessantes....:-)
EliminarDepois das últimas notícias, valham-nos ao menos notícias como esta para nos dar um certo conforto, porque estou a sentir o país um pouco de rastos.
Também sou uma apaixonada por todo o tipo de lenços, e quanto mais antigos melhor.
Fico à espera do novo arranque d' "Os Forninhenses",Paula.
Obrigada e bom fim de semana.
xx
Laura , vir ao seu espaço é sempre aprender . Não conhecia o Cante Alentejano e por ele me encantei . Parabéns a todos vocês ! Beijos e bom domingo.
ResponderEliminarFicaste a conhecer, então....:-) O Cante encanta.
EliminarObrigada, Marisa.
xx
Que maravilha! Todo esforço é pouco para que não se perca manifestação tão legítima da cultura alentejana. Gosto muito de Portugal!
ResponderEliminarCadinho RoCo
Não há-de perder-se, Cadinho. Disso tenho a certeza.
Eliminarxx
Lindas imagens... alentejanos com lenços de Viana ao pescoço. :')
ResponderEliminarTu achas que um grupo coral alentejano se apresentaria a cantar com lenços do Minho?!!... E tu és jornalista?...;-)
Eliminarxx
“Sobe acima ó laranjinha,/Dá meia volta ao par,/Ainda tu hás-de ser minha,/Ainda eu te hei-de deixar.”
ResponderEliminarTenho saudade do tempo morto no meu alentejo em que eu da beira alta aprendi a ser alentejano de gema.
Aprendi um bocadinho que o "Cante" consola o tempo, abrevia. A mim corroi a sua dolencia que mastiga a saudade que me magoa. O outrora meu alpendre e naquela molenga de meios dias sentados a comer, beber conversar e quem tinha jeito, cantar. Quem tal nao tinha, servia os outros e espantava os canitos. Casados com os cheiros e sabores da terra naquele calor contumaz que acariciava o corpo a quarenta graus.
Mas de navalhita na mao, um tacanho bocado de queijo, pao e vinho a acompanhar o outro prato farto, a noite incomodava, por vezes o raiar do dia.
Corpos encostados, ao sinal vinha o cante. Sentido, puro como tive felicidade de ouvir, divino, tendo por fundo as arrelias das galinhas de agua na ribeira de Mures...
Bem haja "meu" alentejo por tudo.
Por coisas simples, as mais belas e,
"Se fores ao alentejo
Não bebas em Castro Verde
As fontes cheiram a rosas
A água não mata a sede".
Bem haja Laura.
Ainda estou para conhecer alguém que tivesse estado no Alentejo e não tenha gostado... Talvez o tempo se sinta como muito longo, e talvez seja esse tempo que às vezes parece sobrar que transmite uma certa paz e sentido de comunhão entre as pessoas. Ter tempo para conversar sem pressas, petiscar sem pressas...e cantar. Apenas tendo como pano de fundo "as arrelias das galinhas de água" em qualquer ribeira. O calor pode ser incomodativo, mas aí há que acarrar e ouvir as cigarras.;-)
EliminarO belo testemunho de um beirão. O seu comentário é comovente, Xico. Obrigada e tenha uma boa semana.
xx
Boa tarde, Laura.
ResponderEliminarBonita sua postagem, valorizando essa distinção/imortalização do "cante alentejano", que considero uma maneira não só de homenagear a cultura dum povo, como também de levar a que não se perca no tempo e na passagem das gerações. Dele, você diz ser «O canto profundo da terra na voz de quem a sentiu e sente» - quando o ouço, sinto o cansaço e a dor de quem trabalha, como se na entoação do cante, "aliviassem a carga" e buscassem forças.
Foi um ano em grande, nesse aspecto, para a cultura de Portugal e do Brasil, que também viu a "capoeira" distinguida, minhas duas pátrias marcando pontos na cultura. Isto nada tem a ver com o Estado mas com o povo, que de tão sofrido, merece "um carinho".
bj amg
Olá Carmem!
EliminarComo alentejana apaixonada pelo Cante e por aquela gente trabalhadora e sofrida, sobretudo durante a ditadura, teria que prestar esta homenagem. Não que esta distinção me faça sentir o Cante de forma diferente, porque tem para mim exactamente a importância que tinha antes, no entanto é um grande incentivo para que os mais jovens continuem a cantar, e um motivo de orgulho para os mais velhos que nunca foram considerados, "perdidos ou achados" para coisa nenhuma.
É como dizes, Carmem, "um carinho", um mimo, uma forma de dar visibilidade a um elemento cultural particular mas com importância universal, tal como o foi para a distinção da Capoeira no dia anterior, o que muito me alegrou também.
O Estado, essa entidade abstracta somos todos nós, mas os governantes não dão à Cultura em Portugal, a mínima importância.
Obrigada, Carmem.
xx
E como sempre eu desta vez venho como rena ajudante da mamãe-noel Lindalva e ñ cabo eleitoral
ResponderEliminarEstou aqui para convida-lo a participar da votação das tags e das poesias. Estou participando,mas acho justo que ñ possamos dizer qual a nossa. Porém ficaria muito feliz se vc fosse onde esta acontecendo a festa e desse o seu voto com o coração.
Podemos contar com vc?
http://boas-festas-2014.blogspot.com.br/
Obrigada pelo convite, Célia, mas eu não participo nesse tipo de "festa" nem como participante nem como votante.
Eliminarxx
Oh! Laura, eu acho que já não fico sem o teu olhar nas minhas postagens. Sem ele, fica um vazio (risos). Suas palavras são sempre generosas e cativantes. E claro que a sua percepção é sempre mais penetrante. Obrigado pelo teu passeio pelo corpo do postal...
ResponderEliminarAproveite para reler o texto e ouvir o Cante Alentejano..
Abraços,
Talvez um bom texto ajude bastante o comentário...;-)
EliminarÉ um prazer passear por postais assim.
xx
Laura, querida alentejana! Soube agora a tua origem!
ResponderEliminarO cante alentejano sempre me agarrou inteira! Parece que nele o país entoa os sons da terra, caminha e não desiste. Um cante que se fez ao mundo.
Talvez a ideia de caminharmos juntos comece a ganhar ritmo!
O teu blogue é, para mim, um sítio de eleição.
Um abraço bem apertado, ainda que imaterial.
Olá Teresa!
Eliminar90% alentejana, 10% algarvia.
O Cante fez-se ao mundo, e nós temos de fazer-nos à vida! Só não sei é se o caminho que todos deveríamos fazer juntos acelerará ao ritmo que deveria...
Obrigada pelo abraço imaterial. :-)
xx
A raiz da terra, o sumo da terra, a nossa essência. Gostei muito do teu blog e me fiz seguidora. Deixo o desejo de um dia feliz para ti.
ResponderEliminarTudo isso, e um grande traço de união.
EliminarObrigada, Edith.
xx
ResponderEliminarOi Laura!
Uma excelente homenagem.
É sublime reconhecimento como esse. Os Alentejanos estão de parabéns, devem estar muito felizes. Quem não gosta de ver suas raízes ser reconhecida.
Gostei de assisti o vídeo, pude perceber a alegria no rosto de cada um quando cantam, e o entrosamento das vozes, a atenção em ouvir quando o outro canta, uns até dançam. Muito bonito mesmo! Pelo que entendi qualquer pessoa pode participar do grupo. Tem grupos de todas as idades.
Essas tradições culturais são importantes e precisa ser mantida viva. O povo merece. Achei muito importante e valioso o Cante Alentejano.
Obrigada Laura, se não fosse pela sua postagem eu não ia saber o que significa O Cante Alentejano.
Bjs e ótima semana!
Também gosto muito daquele video, Smareis, um belo exercício de comunhão.
EliminarSim, qualquer pessoa pode cantar, existem grupos corais masculinos , femininos e mistos.
Então agora ficaste a conhecer algo de totalmente novo!...:-)
Bom fim de semana!
xx
Portugal tem riquezas enormes. Temos de lhe dar mais importância.
ResponderEliminarBeijinhos
Pois tem. Eu dou-lhes importância, os outros, não sei...:-)
Eliminarxx
É lindo como cada país da valor a sua própria cultura. Creio que esse trabalho, da valorização cultural de um povo, deve começar com os representantes de uma nação e ser propagado piamente dentro das salas de aula. Aqui no Brasil, embora tenhamos um lindo acervo de crenças, danças e comidas típicas, a cultura americana é que prevalece (infelizmente). Deveria existir mais pessoas como o Monteiro Lobato, que soube difundir personagens importantes no folclore brasileiro. Assim eu penso.
ResponderEliminarFique na paz amiga!
Dan.
PS: Aceita uma xícara de café ? (amo café)
Os representantes de uma nação geralmente só valorizam a cultura quando disso podem tirar dividendos, ou votos. Cultura não rima com política.
EliminarBom teres lembrado Monteiro Lobato, mesmo.
Aceito o café, sim, obrigada. E qual o brasileiro que não gosta de café?!...;-)
xx
Bom dia, Laura
ResponderEliminarSou, desde há muitos anos, fã incondicional, dos cantares alentejanos.
Fiquei, portanto, muito feliz com o reconhecimento e a distinção de "Património Cultural Imaterial da Humanidade" atribuída pela UNESCO ao Cante Alentejano.
Deve ser (e para mim é) motivo de orgulho ver reconhecido o valor do nosso Património (cultural a não só...)
(Era muito bom que as entidades responsáveis "olhassem" com mais atenção para o nosso Património Monumental, tão rico, tão vasto, e... tão maltratado!)
Quanto ao cante alentejano, outrora "cantares alentejanos" recordo com saudades as vezes que íamos a uma "taberna" em Palmela para os ouvir...
Noites inesquecíveis!
Gostei muito dos vídeos. O dos jovens já conhecia... mas gostei de recordar.
Óptima postagem!
Bom fim de semana, querida.
Beijinhos
A CASA DA MARIQUINHAS
Olá Mariazita!
EliminarEstou totalmente de acordo contigo, as danças e cantares continuam de pé porque dependem do povo que ama as suas raízes, os monumentos porque dependem das entidades públicas e de dinheiro, estão muitos deles num estado lastimoso. Mas são os governantes que temos; para o património edificado não há, ao que parece, dinheiro nem vontade.
Não. Existem os cantares alentejanos, e o Cante que é também um cantar alentejano, mas existem outros cantares, como por exemplo o baldão.
Obrigada, e bom fim de semana.
xx
Cara Laura! Confesso que jamais ouvi esse tal Cante Alentejano, nem sequer sabia de existência, no entanto, lendo esta tua magnífica e elogiável postagem e vendo o vídeo, também confesso que fui levando às lágrimas; as vozes dos que cantam e as suas figuras me remeteram à minha infância trazendo, de imediato, a lembrança do meu querido Tio: Albano dos Santos. Tio por ter sido casado com uma Tia minha. Um homem pelo qual tinha e ainda tenho, além do respeito, verdadeira adoração. Um português de quem nem sei a origem, Setubal talvez. Mas, isso agora não importa, o que importa é dizer que tu fizeste as minhas reminiscencias trazerem as imagens e ver a figura do meu tio Albano de olhos marejados ouvindo, ao pé do rádio, os Fados cantados por Amália Rodrigues. Fiquei emocionado, creia! E acho que não sei quando vou parar de ler postagem tão bela, pra mim pelo menos, pelas gratas lembranças que trouxeram.
ResponderEliminarUm beijo pra ti.
Que curioso tê-lo feito recordar esse tio, que se era de Setúbal poderia ser alentejano ou não, no entanto a população de Setúbal, onde tenho muita família sempre foi um sorvedouro de alentejanos que procuravam vida melhor fora dos campos alentejanos.
EliminarHaja alguém que se emocione! :-)
Obrigada, Viviani.
xx
Oi Laura,passando para agradecer sua visita e comentário.
ResponderEliminarBjs amiga-Carmen Lúcia.
Olá Carmen Lúcia!
EliminarAgradeço a sua cortesia, mas não precisa agradecer. Um dia até poderei não comentar tão assiduamente...
xx
Oi Laura,respondendo ao comentário que fiz aqui sobre o Cante Alentejano,eu vi o vídeo,gostei e inclusive lhe digo que aqui no Brasil a semana passada houve uma reportagem televisava de Alentejo,que por sinal fiquei encantada com a cultura e tudo que há nesse lugar,inclusive os vinhos.
ResponderEliminarbjs
Carmen Lúcia.
Ah que interessante!...Os vinhos são de facto excelentes, e as pessoas são adoráveis.
Eliminarxx