Foto de Nancy Wilde
quando
no mofo dos dias
os braços da aurora me acordam
e do peito uma ave se solta em voo de luz
em direcção à nora
onde os meus olhos bebem a manhã
na névoa do velho alcatruz.
Quando
os raios do meio-dia escorrem
pelas paredes num lamento
e o calor refugiado na sombra
não me refresca o pensamento
na hora dorida que se arrasta
sem vontade de morrer na lonjura
que de ti me afasta.
E é vertical a tua lembrança
caindo a prumo. Transportando
para as masmorras da esperança
a escuridão da noite e a voz
que permanece muda
no atalho da distância.
O brilho das coisas raras esconde-se
na seiva dos lírios e num desejo
feito cobiça de águas invioladas
onde se atrevem temerários sonhos;
os últimos sobreviventes
do amor e da morte. Reféns
suspensos de grandes asas
que se despenham fazendo estremecer
os alicerces dos homens e das casas.
Apanho-os do chão, labareda feita água
na plenitude do nada, dura solidez
em que me sinto e me distraio
quando
atravesso o rio e os meus passos
lentamente marginais
não alcançam como dantes
os desígnios dos espaços siderais
e uma nota em dó menor
atormenta o sono das pedras.
Quando
ao cair da tarde uma folha seca
soa em corrupio no vento
e desaparece sem o regresso
do sol ao firmamento.
Composta e cantada por Jacques Brel em 1959, "Ne Me Quitte Pas" é segundo o autor, uma canção não sobre o amor mas sobre a cobardia dos homens. Neste caso sobre a sua própria cobardia em relação a Suzanne Gabriello.

Maravilhosas as suas palavras amiga Laura.
ResponderEliminarUma poesia,falando sobre um sentimento que é a falta de um amor,quem sabe partiu e deixou uma grande saudade.
Linda música.
bjs amiga e obrigada pela visita.
Carmen Lúcia.
Obrigada, Carmen Lúcia. Às vezes não é a falta de um amor, é a invenção poética do amor e da sua ausência.
Eliminarxx
ME SENTÍ TAN DESOLADO...!!
ResponderEliminarUN ABRAZO
Te quedas siempre desolado comigo! :-)
Eliminarxx
Aquele vazio que não se vê e que se sente tanto, tanto que dói. A privação enlouquece e desatina e Brel pede que te não vás. Eu , pela parte que me toca, fico por cá. Porque gosto daqui. Porque me apetece este embalo bom do teu poema.
ResponderEliminarMega - beijos.
O vazio é sempre algo cheio de tanta coisa! E o Brel só pode ter sentido um vazio ao escrever este poema e compor uma canção que ficou para sempre.
Eliminarxx
Gostei da poesia, também do vídeo que me fez lembrar os tempos em que me tornei francês de Oyonnax!
ResponderEliminarO meu abraço Laura.
Imagino que o António conheça muito bem estas e outras canções devido à sua vivência em França...:-)
Eliminarxx
Que belo poema, Laura.
ResponderEliminarComo o Eu se institui o poder de nomear a passagem do tempo para denotar a ausência do Tu com imagens tão ricas e alteração de ritmo como a traduzir as oscilações do próprio mundo interior. Noutras palavras, como o Eu se institui o poder de demarcar a passagem do tempo potencializada pela transfiguração do mundo pela linguagem, denotando a carência afetiva, que motiva a confissão da falta e o desejo de reencontrar a carícia, que foi para longe, mas não se diz perdida. Uma litania. Uma exaltação ao amor.
Abraços,
Só posso dizer, sem desmerecer ninguém que é um privilégio ser comentada por ti. Uma exaltação ao amor, sim. E no amor nada é perda, é tudo ganho.
EliminarObrigada pelo excelente comentário, José Carlos.
xx
O que é verdade é que o poema de tão bem feito, com o lirismo que dele se derrama, acaba por nos levar a dizer um pouco mais do que o trivial, e lembrar-nos de outros poetas portugueses [para ficar apenas nos portugueses] que já exaltaram o amor de forma tão lírica quanto este que dás à estampa. O privilégio é o ler-te.
EliminarMuita generosidade tua, José Carlos, e uma apreciação ímpar pela escrita dos outros, algo que não se vê tão frequentemente assim.
EliminarObrigada.
Esta é a Laura!
ResponderEliminarAo menos você leu já grande parte dos meus poemas, por isso consegue reconhecer-me em cada verso...:-)
EliminarJá nem pergunto porque não se deixa comentar....!
xx
Laura, você conhece um lugar chamado "Monte Sahaja"? Fica perto de sua terra natal?
EliminarPara dizer a verdade, nunca tinha sequer ouvido falar desse monte!
EliminarO meu concelho é o de Odemira, o maior do país, e eu nasci muito perto do mar, e esse monte é na Funcheira que pertence ao concelho de Ourique, que faz fronteira com o meu concelho, mas que mesmo assim dista um pouquinho da minha terra natal, claro que em termos de dimensões territoriais brasileiras será talvez uma distância insignificante...:-)
Obrigado Laura!
EliminarPostei um poema que explica
o porquê da pergunta.
Bom fim de semana!
De nada, Arnaldo. Irei ler esse poema.
EliminarFim de semana com muita chuva! :-)
Boa noite amiga Laura
ResponderEliminarBem... Este poema é bem ao teu jeito.. está divino!!
Amei..
Beijinhos e um resto de semana feliz.
Obrigada, Cidália. Boa noite.
Eliminarxx
Porque sentia a sua falta!
ResponderEliminara espera aumenta a ansiedade
quando ausente a pessoa amada
de vividos momentos de felicidade
no coração guardada a lembrança
no lugar vazio ficará a saudade
na masmorra da esperança
terá sido triste realidade?
Não tenho dúvida!
de que nasci português
não aprendi francês, gostei da música
mas percebo mais de alentejanês.
Boa noite amiga Laura, uma abraço.
Eduardo.
Verdadeiramente triste realidade que eu conheça, só a morte, de resto todas as outras tristes realidades não passam de passageiras.
EliminarEu sei que a sua especialidade é o alentejanês, e muito bem, mas olhe que só para entender a letra desta canção vale pena saber falar Francês...:-) Há uma adaptação deste poema do J. Brel feita por David Mourão Ferreira intitulada "Não me vás deixar" e cantada por Simone de Oliveira, que é muito boa:
https://www.youtube.com/watch?v=tUb8pg-vpYU
Obrigada, Eduardo.
xx
Oi Laura :)
ResponderEliminarBela e envolvente poesia,
que descreve com exatidão,
o incômodo que a ausência de alguém nos causa...
Gostei de ouvir a música, a qual não conhecia.
Beijos!
Obrigada, Clau!
EliminarNão conhecias esta música?!...Maysa Matarazzo, Fagner e Maria Gadu também cantaram já esta canção, e a versão da Maysa é muito boa!
xx
Oi Laura! Passando para agradecer as tuas visitas e amáveis comentários, bem como apreciar este belo poema, com ênfase para o trecho abaixo:
ResponderEliminarO brilho das coisas raras esconde-se
na seiva dos lírios e num desejo
feito cobiça de águas invioladas
onde se atrevem temerários sonhos;
os últimos sobreviventes
do amor e da morte.
Adorei a melodia e a linda interpretação de Jacques Brel.
Abraços,
Furtado.
Oi Furtado!
EliminarGrandes sonetistas leio por lá, e eu é que agradeço essa partilha de grandes poetas.
Esta canção está para mim entre as 10 melhores de sempre.
Obrigada, Furtado.
xx
Laura,
ResponderEliminarTeus poemas são cheios de significados. Este tem figuras de linguagem em abundância: prosopopeia, metáfora, paradoxo, hipérbole, antítese. E as boas rimas de sempre.
xx
Algumas figuras de estilo, e muitas outras faltam. Tenho que tentar fazer um dia um poema com alguma Ironia...:-)
Eliminarxx
Sinto a tua falta
ResponderEliminarQuando vagueio pelas tuas rimas, penso nas tuas palavras, e me deixo fantasiar ao sabor do imaginário
Quando
O pôr do sol acontece e a calma entra p+ela porta sem lamento
Quando saio das masmorras da solidão e penso em ti
Quando...na minha mente existem tantos...quandos
O teu poema é simplesmente encantador.
XX
Oh poeta, Ricardo, que bonito!
EliminarExistem tantos "quandos" nos dias de toda a gente!
Obrigada pelo belo comentário.
xx
PS- Está a trovejar e a chover torrencialmente aqui!!
Em certa ocasião confundi-me e troquei teu nome, se novamente assim proceder, estarei cometendo pecado capital, pois tu és inconfundível, és singular...
ResponderEliminarQue todo o pecado capital fosse esse!
EliminarObrigada, Viviani, mas todos nós somos inconfundíveis e singulares, basta olhar o outro com atenção. :-)
xx
Quando a gente sente falta do nosso amor o mundo parece estar vazio, a pessoa amada sem ela o mundo parece que falta algo, Laura beijos.
ResponderEliminarBlog /Fan Page / Twitter /
O mundo parece vazio, mas não está.
Eliminarxx
Boa tarde, lindo poema envolvente, a falta faz-nos sentir um vazio que doí, não significa que não exista vida para alem da falta sentida, certamente que existe.
ResponderEliminarBoa tarde, António.
EliminarHá quem diga que existe "vida para além do orçamento", o que é uma Lapalissada, eu digo que só pode existir vida para além de alguma falta, por vezes ainda melhor vida.
Obrigada, António.
xx
O mosaico do amor, perfeito e belo, perde peças insubstituíveis, quando a distância e o afastamento nos trazem a saudade. Tentamos recompor, mentalmente, caminhos trilhados, sentimentos compartilhados, emoções intensas que traduziam vida e habitavam os sonhos. Estranhas visitas tentam ocupar os espaços, travestidas da luz que, então opaca, favorece o ocultar do brilho que já se sabe perdido. Uma tradução primorosa dos efeitos da ausência você desenhou, Laura, com a propriedade e o encantamento de sempre. A música está entre minhas preferidas. Emociona-me, independente da voz que a canta. E eu a ouço como uma canção de amor. Grande beijo!
ResponderEliminarQue bela forma como expressaste essa perda de brilho entre o que supostamente foi e a opacidade do que terá ficado. O reduto onde nada mais é nítido ou resplandescente, onde tudo é névoa e ausência.
EliminarEu também sinto esta canção como uma canção de amor, e o Brel apenas a não veria assim devido ao seu sentimento de culpa pelo seu comportamento para com a mulher que o inspirou.
Obrigada pelo excelente comentário, Marilene!
xx
Amiga Laura, já vi e ouvi o vídeo cantado por Somone de Oliveira, e depois o vi legendado em português e cantado por Jacques Brel, Gostei, pois , a palavra mais ouvida é não me deixes. por isso sentia a sua falta, quando, supostamente, o teria deixado, conforme se pode ver na imagem exposta ela a ir embora! Obrigado pela dica. Um abraço.
ResponderEliminarDe nada, Eduardo. Eu só não postei esse video legendado em Português (do Brasil) porque a tradução não está lá muito bem feita...embora para quem não perceba seja sempre melhor do que nada! Pois é, ela foi-se embora...:-)
Eliminarxx
Só podia ser um belíssimo poema, não é Laura?
ResponderEliminarEssa música é linda também!
beijo!
Também acho que saiu bem desta vez. :-)
EliminarObrigada, Shirley.
xx
Puxa! Arrasou, Laura.
ResponderEliminarUm poema que exige mais do que sensibilidade, mas também talento com as palavras e metáforas.
Adorei "o sono das pedras".
A falta poetizada mostra-se tão intensa que chega a doer na alma.
Belíssimo, amiga!
Calo-me para aplaudi-la.
Gosto muito dessa música, que me pareceu perfeita para embalar o poema. Interessante a nota do autor de que não se trata de uma música de amor. Procurei a tradução no google e vi a letra como uma canção de amor, mas se ele diz que não, como contestá-lo-rsrs.
Felizes dias.
Beijo.
Arrasada ando eu com tanta chuva por aqui!...:-))
EliminarÉ verdade, se o autor diz que a canção não é de amor, quem seremos nós para contradizê-lo, embora a sintamos como uma canção de amor...?... Com os mestres não convém discutir. ;-)
Obrigada, Vera Lúcia e tudo de bom por aí!
xx
Adorei o poema, e tenho pena de não saber comentá-lo como merece. Quem me conhece sabe que sempre tenho dificuldade em comentar poesia. Ela me emociona.
ResponderEliminarFoi bom ouvir de novo Jacques Brel
Um abraço e bom fim de semana
Tem razão, Elvira, comentar poesia pode não ser fácil.
EliminarMas quando se lê e se gosta é o que interessa. :-)
xx
Esta "falta" faz-se presente, vertical e horizontalmente, já que acompanha o sujeito poético, desde os alvores da manhã, atravessando momentos, revisitando espaços, saboreando o encanto de elementos da natureza. Esta "falta" é quase obsessiva pela permanência na mente. Excelente escolha dos verbos e belas as imagens criadas. Parabéns, Laura!
ResponderEliminar(De vez em quando ouço o Brel, sendo que esta canção, é das mais belas e pungentes interpretações, segundo entendidos. Mas concordo; tenho uma forte ligação à época de ouro da canção francesa.)
Bjo, :)
A "falta" é uma ausência que tanto se faz sentir, como dizes, numa espécie de verticalidade do tempo e na horizontalidade do espaço. E abala e regressa com uma certa constância.
EliminarAh já somos duas! Eu também tenho essa ligação à época de ouro da música francesa. Nomes e canções que ficaram para sempre.
Obrigada, Odete, e bom fim de semana!
xx
Não sei se é a hora, a chuva, o tempo, mas a melancolia...e ah, a saudade.
ResponderEliminarQue belo.
Poderá ser um pouco de tudo isso...;-)
EliminarObrigada, Luria.
xx
Este é para mim (leigo) um dos mais tristes, melancólicos e belos poemas que a Laura nos deu, e não podia vir melhor acompanhado. Brel (adoro!), imortal, como o Amor.
ResponderEliminarE por falar em amor... voltei a "apaixonar-me", desta vez foi a voz dela quem me atraiu, conhece-a?
https://www.youtube.com/watch?v=tmiI98EG1Fo
e aqui vai o album completo
https://www.youtube.com/watch?v=BnYrtfyQbAQ
Bom fim de semana!
O meu poema é mais do mesmo de outra forma! ;-) E gostando de música francesa , era certo que teria de gostar de Brel.
EliminarQuanto a este fantástico álbum, gostei imenso, embora só tivesse ainda ouvido as primeiras músicas (gostei muito de como ela interpretou Sous le ciel de Paris), mas os arranjos são excelentes e ela tem pedalada para a coisa!
Nunca tinha sequer ouvido falar da Zaz e adorei! Depois fui ver o site oficial e reparei que dará um concerto em Praga no fim deste mês, altura em que a minha filha vai lá estar; uma boa oportunidade para vê-la ao vivo!
Obrigada, Rui, gostei muito. Vá-se lá saber onde é que você descobre estas pérolas...! :-)
xx
Que bom, que vim aqui....em mim ,algo se agigantou ao ler este poema de amor e saudade. Mesmo assim, sinto-me de mãos vazias, e impotente, perante este momento aqui gerado, quer pelo que escreveste, quer pelo momento musical que escolheste.
ResponderEliminarQue te dizer Laura?? Senão desejar-te que os teus passos voltem a alcançar todos os espaços siderais...na certeza de que o sol volta sempre a nascer...
Amei o poema, amei a música de Brel, que me põe as emoções flor da pele....e sinto a tua falta quando não te leio...
Beijinho grande...:)
Cristina, os meus passos alcançam muitas vezes os espaços siderais. Isto é apenas mera imaginação e construção poética...;-)
EliminarMas de facto o sol faz-me muita falta! Embora pessoas como tu também me iluminem de certa forma. :-)
Obrigada, Cristina.
xx
"Envolvente poesias"
ResponderEliminarEverybody meets mister "lonelyness"in this to short life!
Exuberantic life style ,and songs filled with lonelyness...
Mister Brel,every time you feel lonely...
xxx
It´s hard, or even impossible to read poetry in another language. The translation will never be good enough...but there´s no other way...
EliminarYes, I guess everyone feels lonely from time to time, and it doesn´t mean you´ll feel sad about it. Lonliness may be a good companion.
And mr. Brel is a very inspiring company! :-)
xx
Olá tudo bem? Hj vim fazer um convite para
ResponderEliminarparticipar do sorteio de natal que o meu blog
Cantinho Virtual da Rita está fazendo .
Desejo sorte participe, bjuss e bom final de semana
Abraços
└──●► *Rita!!
Você, tal como o seu irmão não parecem ler os meus comentários...:-)
EliminarE o que achou do Jacques Brel?...
xx
Olá
ResponderEliminarA falta de alguém,
também acorda em nós
a falta da alegria,
do sentido,
do sorriso,
e tantas coisas mais...
A falta de alguém,
é também a nossa ausência...
____________________________________
Usa teus sonhos como escudos
em defesa das tuas esperanças.
A falta de alguém também pode significar cada vez mais a nossa presença.
Eliminarxx
OI LAURA!
ResponderEliminarSENTIR A FALTA DE ALGUÉM, É DOLOROSO, POIS ESSE SENTIR É SAUDADE, E QUANDO ELA SE INSTALA EM NOSSOS CORAÇÕES, SE APRESENTA ATÉ NO AR QUE RESPIRAMOS.
QUE BELEZA DE TEXTO AMIGA.
ABRÇS
http://zilanicelia.blogspot.com.br/
Obrigada, Zilani.
Eliminarxx
A falta sente-se sempre... e normalmente dói...
ResponderEliminarFoste brilhante e competente neste poema. Qualquer bom autor (poeta) gostaria de o ter escrito. Parabéns.
Tem um bom fim de semana, querida amiga Laura.
Beijo.
A falta pode causar dor, mas há ausências que só nos podem fazer bem.
EliminarViste como eu te disse que tinha o verso da ave a sair do peito...?:-)
Obrigada, Nilson.
xx
Laura, eu gostei da foto, da música do Jacques Brel e como não podia deixar de ser do teu poema, mas como para mim comentar poesia não é muito fácil, vou apenas dizer que como os meus pais (e eu própria) emigraram para França, quando voltamos a Portugal a seguir ao 25 de Abril, em casa ouvia-se muito uma cassete que continha esta música.
ResponderEliminarGostei de ouvir...e recordar :-)
Cont. de bom fs.
Compreendo, Paula, e concordo que comentar poesia é ingrato...a poesia é para sentir.
EliminarConheço o J. Brel desde a minha adolescência e não há nenhuma música dele que eu não goste. Não sabia que tinhas estado em França...ao menos compreendes bem a letra da canção...:-)
Sinto saudades dos teus posts!
Obrigada, Paula.
xx
Umas palavras sentidas. Gostei de ler.
ResponderEliminarA canção do J. Brel é muito bonita.
Bjs
Ainda bem, Elisabete!
Eliminarxx
Certa vez, ante um escritor que me fez uma dedicatória em forma de versos, eu não soube o que dizer, emocionada demais para elaborar qualquer agradecimento. Alguém que estava ao meu lado disse simplesmente: não fale nada, apenas sinta!
ResponderEliminarDe outra feita, num grupo de amigos conversando sobre a dificuldade de se comentar determinadas obras, uma pessoa falou algo mais ou menos assim: não se comenta a obra de um grande mestre: vive-se o momento!
Por isso, querida Laura, fiquei simplesmente aqui “sentindo” o teu poema e “vivendo” o momento!
Quanto ao vídeo, confesso que já conhecia a música através de vários intérpretes, menos do próprio compositor. Um pecado, pois foi uma das mais belas interpretações que ouvi.
A música Ne Me Quitte Pas foi o tema musical de uma minissérie brasileira intitulada: A Presença de Anita. Uma trágica história, ousada para a época pelas cenas sensuais exibidas, fez um grande sucesso na Globo.
Fascina-me a comunhão do texto com o vídeo! Uma rara sensibilidade na escolha!
Que te chegue um domingo de alegrias e muitas realizações na tua semana,
Helena
Querida, Helena, se um escritor me fizesse uma dedicatória em verso, eu decerto também ficaria sem pio. E realmente há momentos em que as palavras são desnecessárias.
EliminarCurioso como o J. Brel não parece ser muito conhecido no Brasil...embora este blog não possa servir como amostra, mas de facto já várias pessoas disseram não conhecer esta interpretação.
Lembro-me bem dessa série brasileira que também passou aqui em Portugal, um pouco arrojada, sim...;-) Com a Mel Lisboa e o José Mayer se não estou enganada.
Obrigada, Helena. O tempo está triste, sem sol. Esta tarde fui à feira e apanhei uma chuvada daquelas! :-)
xx
E assim se faz poesia, mesmo na ausência, ou por causa dela...
ResponderEliminarUm beijinho amigo
Pelo menos tenta-se.
Eliminarxx
Emocionante y melancólica Poesía donde la Saudade y la Ausencia componen ese Paisaje de desolación interior a la que uno se ve sometido.
ResponderEliminarEse vacío que se siente y que sólo puede ser combatido por un diálogo en Soledad con nosotros mismos para seguir los consejos que, desde el interior, puedan desprender esos rayos de Luz de Esperanza que desprende nuestra Alma.
Preciosos y Tristes Versos.
Maravilloso Video y Canción de Jacques Brel
Abraços e moitos Beijos.
Todo o vazio acaba por ser preenchido com algo mais forte que aquilo que por momentos sentimos falta. A vida tem mistérios inexplicáveis, e demonstra-nos todos os dias que o importante antes de tudo somos nós.
EliminarEspero que tudo esteja bem contigo, Pedro.
xx
Infelizmente ouve-se pouca música francesa e outra europeia (excepto inglesa), na nossa rádio.
ResponderEliminar`gostei do seu poema!
Saudações poéticas!
É raríssimo passar música francesa na rádio, ao contrario de antigamente.
EliminarObrigada, Vieira Calado.
xx
Poxa... Bebi cada gole de teu poema lentamente, ingeri cada verso, cada frase, cada palavra sentida, impregnada de sentimentos e significados, primeiro sem musica, depois ouvido-a, coisa linda escreveu. Meu Deus, perfeita, POETISA Laura. Já raparei que as melhores paginas e canções são compostas em momentos de tristeza, talvez, uma necessidades de desabafar, de jogar pra fora o fél, a acidez que nos corroí, a chama a arder em vão. A proposito, me explique melhor, o que parece claro esse trecho da nota do vídeo: uma canção não sobre o amor mas sobre a cobardia dos homens. Neste caso sobre a sua própria cobardia em relação a Suzanne Gabriello".
ResponderEliminarhttps://www.youtube.com/watch?v=rF2BK9EuJso
Eu acho que escrevemos mais sobre a tristeza do que sobre a alegria porque quando estamos alegres e eufóricos ficamos desconcentrados. A tristeza faz-nos re-centrar dentro de nós. A alegria pode ser espalhafatosa, a tristeza pode ser reflexiva e mesclada de vários tipos de sentimentos.
EliminarO Brel era um homem casado quando decidiu ir da Bélgica para França decidido a tentar uma carreira na música. Como a esposa ficou na Bélgica com a filha de ambos, ele acabou por envolver-se com várias mulheres em França, uma delas Suzanne Gabriello. Quando ela engravidou, ele a forçou a abortar, o que segundo as crónicas a levou a um estado de depressão muito grande e quase ao suicídio. Ela foi embora, e parece que ele escreveu esta canção sentado em frente do apartamento onde ela morava. Daí que ele sempre se tivesse referido a esta canção como de cobardia devido talvez ao sentimento de culpa que sentiu pela dor que provocou Em Suzanne.
Quanto ao teu video presente, Fábio, é nota 10! Uma autêntica maravilha. Já conhecia, mas nunca é demais voltar a ouvir. Lindo.
Obrigada, Fábio.
xx
Uma tristeza que sempre se convida em qualquer momento da vida.
ResponderEliminarA tua resposta acima diz tanto da importância da tristeza, mas acho que preferia não a conhecer.
São fases dolorosas, que deixam marcas, cicatrizes que sangram de quando em vez.
Beijinhos
A tristeza faz-se convidada e não há que fazer drama. Não existe nada de dramático no meu poema.
EliminarSe não soubéssemos o que é a tristeza como conheceríamos a alegria? As fases dolorosas tornam-nos fortes. É assim.
xx
Quando tudo passa a acontecer, bom estarmos com atenção bem acordada.
ResponderEliminarCadinho RoCo
Acho que não entendi o comentário, Cadinho... Devo estar com sono e a minha atenção foi-se! :-)
Eliminarxx
Aproveitei, Laura, para ouvir outra vez a tua delicada voz em Sinto a tua falta e a bela canção de J. Brel e para dizer-lhe que o Postal é um pequeno exercício. Uma extração ínfima do íntimo. Um figurino sem pretensão. Abdicando da gravata, uma promessa de entrega. Gravata, nunca a usei, salvo aos 13 anos para conhecer o meu primeiro emprego. O chefe se encarregou de despojar-me dela imediatamente, dando-me uma caneta [assim ele chamou a vassoura que pôs em minhas mãos].
ResponderEliminarCom ela, enquanto varria a sala de 28 metros quadrados, elucubrava. Assim, fiz meus primeiros rascunhos.
Gostei do seu postal, do figurino apresentado! Mais simples, mais fundo em potência e ato. Você não abusa, cria. Com facilidade abre sempre um horizonte mais largo.
Abraço,
Gostei muito do teu postal, desse exercício literário intimista e sem grandes pretensões, mas a questão da gravata foi o que verdadeiramente me chamou a atenção, e então no momento decidi comentar com outro postal. Acho que generalizei demais, mas no fundo a escrita permite tudo e queria incidir num determinado ponto.
EliminarTambém comecei a trabalhar cedo, durante as férias escolares, e é dessa altura que me vem esse asco pela gravata. Também varri muita sala, e o teu chefe deveria ser bastante "espirituoso" para chamar uma vassoura de caneta...:-) Mas toda a experiência qualquer que seja pode ser uma grande base para escritas futuras!
xx
Boa noite Laura,
ResponderEliminarSeu poema carregado de emoção e saudade me emocionou muito.
Sem muito falar, te aplaudo em pé querida amiga Laura, prefiro sentir profundamente cada palavra que o seu coração ditou nesses versos tristes e carregados de emoção.
Como é linda essa música! Eu só tinha ouvido com a Édith Piaf e fiquei encantada ouvindo com o próprio Jacques Brel compositor dessa obra prima.
Teu próprio comentário, foi mais uma aula...Saber da verdadeira história e como foi composta a letra de "Ne me quitte pas é muito triste, um amor de tragedia e arrependimento...
PARABÉNS, por mais este lindo post poetizado.
"Dizem que é comum
Renascer o fogo
De um velho vulcão
Que não arde mais"...
Deixo beijos com muito carinho e desejo uma linda semana pra você.
Marilene
Boa noite, Marilene.
EliminarQue bom teres gostado do poema. Por acaso também gosto deste..:-)
Gosto muito da música, e é verdade, às vezes as pessoas erram e
arrependem-se, outras vezes não. É a vida, ninguém é perfeito, mas Brel ter-se-á arrependido.
Obrigada, Marilene, pelos versos também, e que tenhas uma excelente semana.
xx
Excelente poema....
ResponderEliminarCumprimentos
Obrigada, Chana.
Eliminarxx
Oi Laura!
ResponderEliminarGostei muito do que li.
Você sempre consegue colocar sentimentos, sensações, e muito calor nas palavras, sempre de maneira profunda e maravilhosa. Escreve extraordinariamente bem. Analisa as coisas minuciosamente, de um ponto de vista imparcial e sempre corretas! Gostei muito dessa finalização do seu poema. “Ao cair da tarde uma folha seca soa em corrupio no vento”... Excelente essa canção do Jacques Brel, gostei imenso. Obrigada por compartilhar.
Sabe Laura, às vezes comentar poemas e poesias é uma verdadeira batalha, por mais que eu aprecie, acho que trata-se de algo especial e bastante individual, talvez por esta razão eu encontre dificuldades em comentar. Às vezes o que entendi, não é a forma que o poeta quis expressar. Por vezes acho que comentar um poema é perder a essência do que leu.
Parabéns!
Deixo um beijo e um punhado de sorriso!
ótima semana!
Eu acho sempre que ou se gosta de poesia ou não. Se sim, a partir daí cada um fará a sua leitura, que pode ser e talvez ainda bem, muito diferente do que eu senti ao escrever, porque todo texto pode ter diversas interpretações. Isso constitui uma vantagem e não uma desvantagem. E existem pessoas para as quais é mais fácil comentar poesia do que para outras.
EliminarAté à vista, Smareis!
xx
Olá Laura,obriga pelas visitas e comentários,sempre muito amáveis.
ResponderEliminarbjs-Carmen Lúcia.
Por favor, Carmen, não precisa agradecer-me os comentários.
Eliminarxx
Um dos mais belos poemas que já tive oportunidade de ler.
ResponderEliminarCom uma canção muito bem escolhida. Jaques Brel é o máximo!
Sofia
Obrigada, Sofia. Sim. Brel foi um grande compositor e intérprete de canções.
Eliminarxx
Quando a folha seca surripiada pelo vento, ficar verde...
ResponderEliminarQuando Se Tem Amor
Quando só se tem o amor
Para compartilhar
No dia dessa viagem
Que é o nosso grande amor
Quando só se tem o amor
Meu amor, você e eu
Para explodir de alegria
A cada hora e a cada dia
Quando só se tem o amor
Para viver nossas promessas
Sem nenhuma outra riqueza
A não ser de acreditar nelas
Quando só se tem o amor
Para enfeitar com maravilhas
E cobrir com sol
A feiura da miséria
Quando só se tem o amor
Como única razão
Como única canção
E único socorro
Quando só se tem o amor
Para vestir ao amanhecer
Pobres e bandidos
Com casacos de veludo
Quando só se tem o amor
Para oferecer em oração
A favor dos males desta terra
Como um simples trovador
Quando só se tem o amor
Para oferecer àqueles
Cuja única luta
É buscar o dia
Quando só se tem o amor
Para traçar um caminho
E ajudar o destino
Cada vez que cruzamos com ele
Quando só se tem o amor
Para falar aos canhões
E apenas uma canção
Para convecer os tambores
Então, quando não tivermos mais nada
A não ser a força do amor
Teremos na palma de nossas mãos
Meu amigo, o mundo inteiro
Um beijo, minha amiga, a poesia tem muito encanto no saber degustar a magia benigna de mestres que nos trazem tesouros.
O que seria do mundo sem poesia...
Diz você e digo eu; o que seria do mundo sem a poesia?...No fundo acho que o mundo seria aquilo que é, todavia irreconhecível para os que têm uma visão poética da vida.
EliminarObrigada por ter trazido consigo esse outro tesouro de Brel "Quand on n'a que l'Amour", Xico. Outro tesouro do mestre.
xx
Querida amiga
ResponderEliminarA falta de alguém
em nossa vida,
é também
a nossa própria falta...
_____________________________
“A vida está onde os sonhos estão.”
Aluísio Cavalcante Jr.
A vida pode nem sempre estar onde os sonhos estão, caso contrário nem precisaríamos sonhar, mas continuar a sonhar pode ser um alimento para saciar a vida.
EliminarObrigada, Aluísio.
xx
Laura passando pra desejar uma ótima quarta-feira beijos.
ResponderEliminarBlog /Fan Page / Twitter /
Obrigada, Lucimar.
Eliminarxx
Hey, Laura
ResponderEliminarThanks,with a little delay....
XO
Please, Willy, I appreciate that but you don´t have to thank me for a comment.
Eliminarxx
Boa noite, amiga Laura,
ResponderEliminarpela sua visita obrigado
no relógio a resposta estava
para as duas faltava o quarto!
As meninas precisavam dum quarto para as duas, como não havia nenhum quarto vago, o recepcionista disse, a reposta está no relógio, " FALTA UM QUARTO PARA AS DUAS"!
Desejo-lhe uma boa noite, um abraço.
Eduardo.
Ah, a resposta era mais inteligente do que aquilo que eu pensei à partida... a questão afinal é que não havia mesmo" um quarto para as duas", daí a resposta do recepcionista estar no relógio!!
EliminarObrigada por elucidar-me. E vou já mesmo de tratar de ter essa boa noite de sono.
Tenha uma boa noite, também, Eduardo.
xx
Cara amiga, Laura! - se assim posso me dirigir a ti.
ResponderEliminarAlém de tudo, és de uma simpatia impar; gostei muito da tua resposta.
Tenhas um resto de semana invejável!
Obrigada, Viviani, é que eu não faço que leio, leio e comento. Tenho sempre muito respeito em relação ao que os outros escrevem.
Eliminarxx
Laura , sou só leitora mas , sinto que poeta e leitor são parceiros do mesmo jogo . E como gosto de jogar com você !
ResponderEliminarObrigada . Beijos e bom domingo.
Poderão ser...não conseguiremos "jogar" com todos os leitores, mas com um ou dois sempre se consegue.:-)
EliminarBoa semana, Marisa!
xx
Maravilhoso, Laura. Escrito com primor. Fico eu cá abismado: como podem as palavras exatas para um sentir infinito? A falta infinita. Acho mesmo que é por isso que se escreve, que é por isso que se publica: menos pela inquietação, mais pela falta — ou pela inquietação da falta. Um perder ao outro ou um perder-se a si mesmo? Terei lido o seu poema ou a mim mesmo? Ah, que belos os teus versos por serem destas possibilidades, desta nenhuma certeza... O fato é que sobra em ti, Laura, muito do que me falta.
ResponderEliminarPerder o outro não implica que nos percamos, mas implica uma nova re-centração em nós, mas é essa inquietação momentânea provocada pela ausência que nos fará afundar ou reerguer. Eu reergo-me através das palavras.
EliminarA ti não te falta absolutamente nada; os estilos é que podem ser diferentes. Tens por exemplo uma contundência e sentido de humor que eu não tenho...:-)
Obrigada, André, pelo comentário tão generoso.
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