Aníbal Augusto Milhais nasceu em Valongo de Milhais em 1895, onde viria a falecer em 1970. O mais novo de três irmãos orfãos acolhido por familiares próximos, começou a trabalhar ainda criança a troco de alimentação e abrigo. Nunca foi à escola, guardou rebanhos e trabalhou na agricultura.
Em 1915 assenta praça no Regimento de Infantaria (R.I.) de Bragança, altura em que sai pela primeira vez do concelho de Murça. Depois de uma transferência para o R.I. de Chaves, parte para a I Guerra Mundial em 1917 como atirador especial, onde se especializaria em metralhadoras Lewis.
A 9 de Abril de 1918, na Batalha de La Lys, a 2ª Divisão do Corpo Expedicionário Português (CEP), do qual fazia parte, foi entre mortos, feridos e prisioneiros, praticamente dizimada, tendo os sobreviventes sido obrigados a retirar. Aníbal (e o companheiro Malha Vacas que morreria pouco depois), terá decidido voluntariamente, cobrir a retirada dos companheiros. Na companhia da sua Lewis, conhecida entre os portugueses como "Luísa", ora a partir das trincheiras, ora pelos campos, continuou a fazer fogo esporádico de várias posições distintas, permitindo a retirada segura de soldados portugueses e britânicos, ao criar nas tropas alemãs a ilusão de que estas posições estivessem bem guarnecidas.
Três dias depois do início da batalha terá encontrado um médico escocês a quem salvou de afogamento num pântano, e terá sido este médico a dar conta ao Exército Aliado da coragem e abnegação do soldado transmontano durante os últimos dias.
Foto de Arnaldo Rodrigues Garcez, fotóg. do CEP
Foi o único soldado português condecorado com a Ordem Militar de Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito, não em Lisboa, mas em pleno campo de batalha, em Ibsberg, e perante ele desfilaram em continência 15 000 soldados aliados. Agraciado pelo que fez, mas também como reconhecimento a todos os soldados que combateram e tombaram no campo de batalha.
No regresso a Portugal, casa com Teresa, mas o trabalho na agricultura não passa de mera luta de sobrevivência, insuficiente para alimentar os filhos.
Em 1924, o "Diário de Lisboa" decide resgatar o herói de guerra e usá-lo como símbolo de propaganda da Primeira República, e depois do regime do Estado Novo. Uma figura de soldado raso e iletrado, ideal para a fácil identificação do povo, forçado a comparecer em cerimónias oficiais fardado e com as medalhas ao peito. A sua terra, Valongo, passaria também a chamar-se Valongo de Milhais.
Em 1928, devido à crise do pós-guerra parte para o Brasil numa tentativa de melhorar a vida, contudo os seus conterrâneos convenceram-no a regressar, colectando-se para o ajudar. Segundo eles, o lugar de um herói deveria ser na pátria, e não emigrado. Com o dinheiro trazido do Brasil constrói uma casa com a ajuda dos vizinhos e retoma as actividades agrícolas tentando alimentar os dez filhos.
Dificilmente falava da guerra, e só o fazia quando lho pediam."A guerra era para ele um tempo de tristeza".
Anúncio no jornal "A Capital", 1917
Praceta do Jardim Herói Milhões, Murça
Existe este breve video sobre o Soldado Milhões, e esta entrevista já quase no fim da vida.




Oi Laura,adoro essa sua maneira de postar os textos,são tão bem elaborados que nos ensinam muito.
ResponderEliminarEu não sabia nada a respeito e gostei muito de ler.
Parabéns amiga.
Bjs-Carmen Lúcia.
Se gostou de ler já valeu a pena, Carmen.
EliminarObrigada.
xx
Essa breve história do Soldado Milhões possibilita a reflexão sobre a história do homem, que, ao fim ao cabo, luta para viver a vida de todo dia, mas que também luta para compreender uma vida que lhe escapa entre fuzis e terrenos minados...
ResponderEliminarÉ isso mesmo, José Carlos! Que altíssimos desígnios fizeram e continuam a fazer com que milhares de jovens sejam forçados a sair das suas terras para serem carne para canhão em guerras que não entendem?... E depois todo o aproveitamento propagandístico que é feito de um homem simples que apenas quer viver a sua vida e sustentar os seus filhos...Um caso de coragem e resiliência cuja vida acaba por ser direccionada por outros.
Eliminarxx
Oi Laura :)
ResponderEliminarAníbal Milhais virou 'soldado Milhões',
merecidamente!
Ele foi muito corajoso, ao enfrentar sozinho a ofensiva alemã,
e com isso permitir que muitos soldados se salvassem.
Sem dúvida um ato de bravura.
Imagino que por sua simplicidade, nunca se sentiu como tal,
mas foi sim, um verdadeiro herói de guerra.
Gostei da postagem, como sempre!
Beijos!
Olá Clau!
EliminarO que me fascina é como um rapaz camponês se transforma num momento de aflição num homem astuto na forma como tenta enganar os alemães.
xx
Laura
ResponderEliminarPronto, fiquei K.O. Não entendo nada... Tu és demais para eu te comentar... Deixo para quem entender, desculpa-me esta minha analfabetice ... looool
Deixo-te um beijinho com carinho, e obrigada. :-)
Cidália, eu até acho a história muito simples...basta saber ler e ter uma opinião, mas compreendo, heróis de guerra não devem ser o teu forte...:-)
Eliminarxx
Laura, querida, homenagear, merecidamente, alguém, vale aplausos. Percebi, pelo vídeo, a simplicidade do herói que nos apresentou, ao dizer que ninguém o havia ensinado a agir como fez. É impressionante como algumas pessoas têm essa capacidade de, em momentos muito difíceis, manter o equilíbrio e, com criatividade, salvar vidas. Recebeu condecoração e honras, mas não conseguia o sustento dos filhos. E ainda foi usado, em 1924, com essa obrigação de se fazer presente em cerimônias. Nada torna belas as lembranças de guerra. E nenhuma medalha pode tornar um soldado feliz. Gostei muito de conhecê-lo. Grande beijo!
ResponderEliminarMarilene, eu acho que ele já estaria tão farto de contar as suas vivências de guerra, ter assistido a tantos mortos tê-lo-á afectado bastante. Num momento decisivo para ele e para outros acabou por surgir como um autêntico estratega.
EliminarUsado a partir de 1924 e depois durante o regime do Estado Novo como herói nacional, sem daí tirar qualquer proveito, já que no dia estipulado para receber a subvenção do estado ainda perdia dinheiro para ir recebê-la por deixar de receber a jorna desse dia
Também concordo que alguma medalha possa tornar um soldado feliz.
Obrigada, Marilene.
xx
Anibal Augusto foi um verdadeiro herói, palmas para ele, Laura beijos.
ResponderEliminarBlog /Fan Page / Twitter /
Pois foi...:-)
Eliminarxx
"Se servistes à pátria, que vos foi ingrata, vós fizestes o que devíeis, ela o que costuma." (Padre António Vieira)
ResponderEliminarGUERRA - Matar para não morrer... um mal necessário? Até quando?
Receio que elas nunca terão fim.
Não existirá citação mais apropriada que essa do Pe António Vieira!
EliminarParece que a guerra será sempre um mal necessário. Porque os interesses não morrem.
xx
Em vez de se servirem dele para propaganda política a bem do regime, se o tivessem apoiado no combate às suas dificuldades financeiras teriam sido dignos de aplausos, caso contrário nada fizeram para ajudarem um herói, que apesar do azar e do sofrimento foi um homem de sorte, por ter sobrevivido entre dezenas ou talvez centenas de mortos. Regressado ao acampamento português, o comandante Ferreira do Amaral ter-lhe-à dito : " tu és Milhais, mas vales Milhões!" "Mas, toda a sua vida terá vivido quase sem tostões" De que lhe serviu ter sido condecorado com a Ordem Militar de Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito. Ele merecia muito mais do que isso.Há bem pouco tempo foram dois heróis sem mérito condecorados pelo actual Presidente da Republica. Agora pergunta ele o que que eles andaram a fazer. Como por exemplo o Zeinal Bava, que foi um dos homens fortes da PT.
ResponderEliminarPenso que nunca tinha ouvido falar do "Soldado Milhões"? Gostei da história, obrigado amiga Laura, por aqui a ter dado a conhecer a quem a não conhecia.
"O Milhais valia Milhões"
Nas guerras soldados,
longe de onde nasceram
enterrados ou queimados
milhões já morreram.
Desejo-lhe uma boa noite de terça-feira, um abraço.
Eduardo.
Muito bem dito, Eduardo. Os estados aproveitam-se dos seus cidadãos das formas mais bizarras. Praticamente abandonados na altura dos combates durante a I guerra Mundial, aproveita-se a 1ª República e depois o Estado Novo, de um homem corajoso e que conseguiu sobreviver para contar a história. E não, não sobreviveu entre centenas mas entre milhares de mortos. Teria sido muito melhor para ele ter tido meios para sustentar os filhos do que ter sido condecorado.
EliminarQuanto às condecorações do nosso excelentíssimo presidente, só condecora os amigos, gente sem fibra como ele.
Obrigada, Eduardo, e boa noite.
xx
Em tempo de guerra os soldados são abandonados à sua sorte. Uns morrem, outros se transformam em heróis. Quase sempre estropiados, quando não fisicamente, trazem feridas psicológicas que muitas vezes duram a vida toda.
ResponderEliminarE em vez de serem acarinhados e apoiados pela pátria que serviram, são de novo abandonados à sua sorte. E pior que isso é os políticos irem buscá-los para lhes servirem de apoio, sem nada receberem em troca. Foi sempre assim.
Obrigada pela partilha desta história.
Um abraço e uma boa semana
Concordo com tudo o que disse. Foi e será sempre assim.
EliminarTenha uma boa semana também, Elvira.
xx
Ele poderia não ter vontade de matar, mas que matou, matou.
ResponderEliminarMatar para não morrer como tentativa para sobreviver.
xx
Bem, querida Laura, como transmontana (Murça é, atualmente, uma vila muito bem arranjada e dotada de equipamentos que permitem uma vida de qualidade, graças à visão do autarca dos últimos anos) conhecia a "história" do soldado Milhões. Contudo, não com todos os pormenores que relatas. Como tal, sinto-me "honrada" por teres dedicado esta postagem a este homem simples, analfabeto (por força do obscurantismo e miséria em que se vivia) mas inteligente e possuidor da cultura que se aprende na partilha de saberes, por via oral, entre as gerações. Se ainda sentimos o peso do isolamento, imagine-se naquele tempo!
ResponderEliminarO que indigna é, de facto, o aproveitamento de que foi alvo para servir interesses do regime. De repente, ocorreu-me Salgueiro Maia...Não foi recusada uma merecida e justíssima pensão, salvo erro, à viúva? E trata-se da história recente... Os verdadeiros heróis são votados ao ostracismo e, quase sempre, vivem sobrevivendo.
Parabéns pela postagem que, como sempre, organizaste muito bem.
Bjo, amiga
(saio um pouco entristecida pela insensibilidade com que gente de valor é tratada)
Por acaso até estive a dar uma "vista de olhos" em Murça, em busca da foto do busto, e pareceu-me uma vila muito aprazível.
EliminarEu tinha ouvido falar do soldado Milhões muito por alto, mas há umas semanas ouvi na rádio acerca de um livro que iria sair sobre ele, e foi nessa altura que a figura me suscitou interesse e decidi pesquisar. Gostei de encontrar a entrevista , na qual o homem deixa de ser mito e obtém realidade quase "palpável".
Sobre a viúva de S. Maia não sei, mas sei que ele em vida, mas já doente tinha pedido uma pensão por serviços relevantes prestados ao país, e o Sr. Cavaco Silva, então 1º ministro nem conseguiu ter a dignidade de lhe responder!
Heróis para Cavaco Silva são pessoas como Durão Barroso e Zeinal Bava, entre outros com o mesmo pedigree.
Obrigada, Odete!
xx
Tentei averiguar no google sobre a pensão e não consegui respostas. Sabia que fora recusada por Cavaco Silva mas já não tinha presente a origem do pedido. Obg por me elucidares, amiga.
EliminarAproveito para dizer que subscrevo a última parte da tua resposta...
É que eu já fiz um post sobre o S. Maia e foi uma das coisas que salientei na altura...;-)
EliminarOlá Laura,
ResponderEliminarPelo que li aqui o soldado Milhais valia mesmo milhões. Corajoso, abnegado e, conforme se vê da entrevista do vídeo, um homem simples, que apenas cumpria com seu dever de soldado e de ser humano. Concordo que lugar de herói é em sua pátria. Heróis de guerra deveriam merecer um tratamento especial do governo para não mais precisarem lutar pela sobrevivência no próprio país pelo qual arriscaram suas vidas. Aposto que Milhais não gostou nem um pouquinho de servir como símbolo de propaganda. Guerra será sempre tempo de tristeza. Como seria bom se houvesse paz entre os povos. Não consigo ver justificativa para guerras, que somente trazem dor, destruição e morte.
Excelente reportagem, que considero também como uma homenagem a esse bravo soldado.
Feliz semana.
Beijo.
Olá Vera!
EliminarPois é, um homem humilde e iletrado que apenas sai da sua terra para ir para a tropa e depois para a guerra, e acaba por ser uma figura ímpar na forma como lutou para conseguir salvar a pele e a de muitos companheiros. Para ser usado depois com "animal de circo" por um regime que apenas ofereceu ignorância miséria a todos os portugueses.
A guerra só pode trazer riqueza a quem a declara sabendo que a vence, e nunca a quem está no campo de batalha.
Obrigada, Vera, e boa semana!
xx
Oi Laura!
ResponderEliminarSodados são pessoas que morrem para defender seu País, são super corajosos. Acho justo se eles quiserem ir, mas não quando são forçados a participar. Enquanto seus superiores estão no bem bom de seus aposentos, eles estão a morrer deixando família, filhos, e muitos deles são feridos, mortos, e abandonados entre fuzis e terrenos minados, na linha de combate. Geralmente depois da guerra, os que sobrevivem, muitos estão doentes, debilitados, outros até enlouquecidos devido à pressão, ofereceram suas vidas em defesa do País e mesmo assim, muitos ficam esquecidos, abandonado a sorte. A guerra é muito desumana, cruel e triste. Quem sofre é a família. Que adianta medalhas, honras e tudo mais, se depois de tudo isso ainda mendiga o pão. Às vezes vejo algum filme de guerra que me deixa angustiada, pela crueldade e a violência. O filme “Lágrima de Sol” mostra um pouco esse lado cruel da guerra.
Creio que isso nunca vai acabar, será sempre assim...
Deixo um beijo e um punhado de sorriso.
Olá Smareis!
EliminarÉ que mesmo quando eles não querem ir os estados arranjam geralmente forma de convencê-los, e os que são apanhados pela guerra no seu próprio país não podem fugir. Portugal tem imensos homens a sofrer de stress pós-traumático devido à guerra nas ex-colónias, sem falar nos mortos e estropiados...
A guerra liberta no ser humano os seus instintos mais primitivos e cruéis, precisamente porque de sobrevivência se trata.
Ah não vi esse filme...:-)
Sim, será sempre assim.
Obrigada, Smareis.
xx
Bela história do soldado Milhões! Ao ver o vídeo pensei: Será que não precisávamos de meia dúzia de soldados Milhões, para meter a Europa nos eixos?
ResponderEliminarFico-me por aqui para não ser preso.
Não sei se a Europa terá já remédio...A solidariedade europeia acabou, se é que alguma vez existiu, e a competição entre estados aí está, com os mais fortes a tentar cilindar os mais fracos e a colocá-los numa posição de dependência.
EliminarE esperemos é que não haja nova guerra dentro das próximas décadas.
xx
Hello,Laura
ResponderEliminarThanks for the story,about patriotisme.
Today ,you can feel ,patriotisme at a much lower level all over the world,with the same results as before,"peace" after the wars, and again and again.....
Thanks a lot for the open mind comments on my blog,like....
xx
Hello Willy!
EliminarMore than patriotism I think Anibal's situation as a soldier in the war front it was a matter of survival in a world war that the portuguese soldiers didn´t understand.
And I agree that patriotism becomes to a lower level when the borders are open and the world becomes "smaller". It is interesting however to look at the desire for independence in some regions...
I never thought that it would be so hard to comment on paintings! :-))
xx
CONMOVEDORA BIOGRAFÍA. MUCHAS GRACIAS POR COMPARTIR.
ResponderEliminarUN ABRAZO
Um homem humilde e comovente, de facto.
Eliminarxx
OI LAURA!
ResponderEliminarUMA GUERRA SEMPRE DEIXA UM RASTRO DE MORTE E FRUSTRAÇÕES TANTO PARA O VENCEDOR QUANTO PARA O VENCIDO.
DELAS SÓ FICAM AS PESSOAS QUE FIZERAM DELA ALGO POSITIVO E DE VALOR.
BELO POST.
http://zilanicelia.blogspot.com.br/
Frustrações sempre muitas mais para o lado dos vencidos, no entanto de facto ninguém verdadeiramente ganha.
EliminarObrigada, Zilani!
xx
"Nascemos sós. Morremos sós. Nosso pensamento é nosso, não é compartilhado.
ResponderEliminarE quando você acorda, a primeira impressão é sempre sua, seu olhar, seu pensamento.
Tem gente que pula de um romance para o outro.
Que medo é este de se ver só, na sua própria companhia?
Gostar dói?".
(Arnaldo Jabor)
Desconhecia confesso, tal como milhares identicos na sua coragem e valentia. Infelizmente que esses tempos passados se traduzem hoje no silencio abnegado e desafiador de quem calcorreia ruas pela noite adentro, levando um pequeno carinho num prato de sopa e uma simples camisola.
Armas diferentes, mas penso que com o mesmo heroismo, curioso, desconectados mas similares.
Uma boa noite amiga, mas ainda ando um pouco...
Nada de mais verdadeiro. Nascemos e morremos sós, e por mais ou menos acompanhados ao longo da vida, a sociedade obriga-nos tantas vezes a um alheamento dos nossos desejos e pensamentos mais profundos. Nos momentos cruciais da vida estamos sempre sós. E como afirma Jabor, gostar pode doer, e muito, embora não gostar possa ter a ver com certo estado vegetativo...? :-) Pior que a dor é a pura insensibilidade.
EliminarO mundo está cheio de heróis anónimos, e este apenas é relativamente conhecido por ter sido utilizado para efeitos de propaganda. Esses anónimos no silêncio da noite são vultos, heróis cujo sono não acontece em sobressalto, ao contrário do sono dos heróis de guerra.
Pois é, estou a achá-lo um pouco triste...:-(
Obrigada, Xico, e ânimo para a continuidade d' Os Forninhenses.
xx
Nunca tinha ouvido falar, estás sempre a ensinar-me coisas! quero as calças do fulano!
ResponderEliminar"Fulano" não é a palavra mais apropriada neste caso. Depois explico porquê. ;-))
Eliminarxx
Laura, além da admiração que a vida do Soldado Milhões causa a quem dela toma conhecimento, chega também um misto de revolta e tristeza por ver como um herói desse quilate, que sem nenhum conhecimento de estratégia de guerra conseguiu salvar tantos companheiros, continuou a ter uma vida de tantos sacrifícios, sendo até obrigado a deixar o país em busca de condições melhores de subsistência. Saber das dificuldades pelas quais continuou a passar após o seu regresso só faz aumentar a revolta. No mínimo um herói de guerra deveria receber uma "pensão" do governo para que pudesse dar um sustento digno à família. O vídeo mostra um homem de extrema simplicidade, um discurso humilde onde deixa ver a sua alma de homem modesto. Enterneceu-me em certa altura da entrevista vê-lo citar que teve pena daqueles que iriam render-lhe continência, por já estarem ali há muito tempo. Um verdadeiro exemplo de simplicidade e uma alma extremamente sensível.
ResponderEliminarGosto de conhecer a vida de pessoas assim, pois se aprende muito com os exemplos que nos trazem.
Como sempre, uma pérola que nos deste a partilhar!
Grata por isso!
Ele realmente recebeu uma pensão do Estado, só que o seu valor era tão simbolicamente ridículo que até perdia dinheiro com as longas deslocações que tinha que fazer para ir recebê-la!
EliminarUm jovem camponês analfabeto que nunca terá entendido porque foi parar aquela guerra...Mas já sabemos que as pessoas comuns não significam nada para os dirigentes de um país. São apenas números.
Grata sou eu, Helena, e muito contente por saber-te tão feliz! :-)
xx
Como não sei como comentar, dedico-me a ler e a aprender algo de novo
ResponderEliminarDeixo-te a minha admiração
xx
Admirada fiquei eu agora!!...:-)
Eliminarxx
"Não temos de nos tornar heróis do dia para a noite. Só um passo de cada vez, tratando cada coisa à medida que surge, vendo que não é tão assustadora como parecia, descobrindo que temos a força para a superar." Eleanor Roosevelt
ResponderEliminarSer herói é saber vencer, sobretudo o medo.
Já conhecia a história do Aníbal Milhais, mas dá gosto ler como tu a escreves e contas.
Não conhecia o vídeo e gostei muito.
Beijos, querida Laurinha.
Não temos de tornar-nos heróis, nem devemos sê-lo, mas vencer o medo é sempre importante. Embora as situações ás vezes de tão dramáticas acabam elas próprias por afugentar o medo. Assim todos os grandes actos de heroísmo ocasional podem não passar de uma fatalidade do destino impregnada de alguma sorte à mistura.Não retirando daí, é claro, todo o mérito em relação às decisões que têm de ser tomadas sob grande tensão.
EliminarTambém gostei muito do vídeo.
xx
Aaah talvez eu seja mesmo; tenho de vestir as calças muitas vezes!
ResponderEliminar;-)
Laura,
ResponderEliminarnavegando pela net... cheguei aqui e fiquei curiosa e encantada.
Gostei imenso da reportagem deste herói da terra perto da aldeia do meu marido.
Até li também alguns comentários interessantes e o que me saltou à vista foi o que referencia o grande Salgueiro Maia. Estou completamente de acordo com todo esse texto!
Já sou seguidora, porque não quero perder pitada destes excelentes posts, que, além de relembrarem e esclarecerem memórias votadas ao esquecimento, são escritos numa pureza de linguagem de que eu sou ferrenha adepta.
Bj
Teresinha
Muito obrigada Teresinha, mas olhe que por aqui também surge muita poesia, o que se não gostar poderá tornar-se uma grande "seca"! :-)
Eliminarxx
As guerras são terríveis. E tanto os vencedores como os vencidos, ambos perdem.
ResponderEliminarFelicidades
MANUEL
Pois são. Eu nunca iria para uma guerra, nem morta! ...:-) Só se a guerra viesse ter comigo é que poderia não ter escapatória possível...
EliminarObrigada, Manuel!
xx
Laura passando pra desejar uma ótima quinta-feira beijos.
ResponderEliminarBlog /Fan Page / Twitter /
Obrigada, Lucimar.
Eliminarxx
Ordem Militar de Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito! Linda e merecida, mas será que enche barriga? Acredito que o Milhais que valia Milhões merecia, pelo menos, uma pensão para ajuda-lo a sustentar a família além da condecoração. Seria mais justo por tratar-se de um ex-combatente.
ResponderEliminarBelíssima homenagem Laura. Parabéns!
Abraços,
Furtado.
Ele merecia, mas não teve. Portugal sempre tratou muito mal os seus ex-combatentes. Ainda hoje muita gente sofre de problemas físicos e psiquiátricos graves devido à guerra no Ultramar e apenas se espera do ponto de vista institucional que estes homens acabem por morrer e deixem de ser um "estorvo".
EliminarObrigada, Furtado.
xx
O patriotismo é um valor que já viu melhores dias.
ResponderEliminarÉ incrivel como a sociedade muda tanto em tão pouco tempo.
beijinhos
Eu deixaria de ser patriota no dia em que me enviassem para uma guerra. E acho que a sociedade, quanto ao essencial não evoluiu assim tanto...
Eliminarxx
Laura, o que dizer de tão expressiva postagem? Postagem que faz referências à coisas que hoje muitos poucos dão valor e ou sequer entendem o significado. Exaltar fatos e feitos importantes do passado é dar passos dignificantes e sólidos em direção ao futuro. Tua sensibilidade aflora à pele e não se manifesta somente através das tuas ricas criações poéticas e este é um exemplo. Foste brilhante!...
ResponderEliminarObrigada, Viviani , mas este é o tipo de post que eu gostaria de não ter de fazer.
Eliminarxx
Não conheço bem essa realidade, pelo que só tenho de agradecer a partilha!
ResponderEliminarQue realidade? A da 1ª Guerra Mundial ou a de um regime que se apropria de um homem que foi grande e humilde?...
Eliminarxx
Raramente, pessoas com tão grande mérito, como Milhais, são reconhecidas devidamente pelos seus feitos, suas bravuras. No Brasil, não é diferente. Gostei da partilha. Milhais nasceu no ano que meu pai: 1895 e "provou" um pouquinho do Brasil. Gostei de saber disso.
ResponderEliminarBeijo, Laura. Bom final de semana.
Acho que a questão essencial é tentar entender porque os Estados, entidades abstractas, tornam as pessoas ignorantes em nome de uma nação, para usá-las a seguir em guerras próprias e alheias (como neste caso) e a seguir ainda as utilizarem como propaganda sem o mínimo retorno.
EliminarInteressante o seu pai ter nascido nesse mesmo ano...:-)
Bom fim de semana, Lúcia.
xx
Bom dia. Milhais é um nome que não é desconhecido, sinceramente não conhecia este bravo soldado português, como nunca é tarde para aprender, hoje e para sempre não vou vou esquecer o soldado Milhais, obrigado pela partilha.
ResponderEliminarAG
AG
Boa noite , António!
EliminarA História também se faz de pequenas grandes personagens.
xx
Quem faz a guerra não vai pra ela.
ResponderEliminarhttps://www.youtube.com/watch?v=uQdrihhoZtc
https://www.youtube.com/watch?v=XxO2lL6n3bE
Nem mais. Quem quer a guerra nunca vai combater, manda outros.
EliminarExcelentes vídeos, Fábio! Nunca tinha sequer ouvido falar acerca da Guerra de Canudos, uma guerra com mais de um século, bem demonstrativa da resistência sertaneja e dessa figura ímpar de A. Conselheiro. Uma guerra que só expedição após expedição, conseguiu por fim vencer essa última resistência de 4 pessoas;entre eles um velho e uma criança. Incrível!
Tu apagaste um dos vídeos que eu contudo fui ver, e adorei ver o saudoso José Wilker no papel de A. Conselheiro. Quanto a a mim um dos grandes actores brasileiros.
Adorei aprender um pouco mais sobre a História do Brasil.
Obrigada, Fábio!
xx
Já conhecia a história, mas nunca tinha visto a entrevista.
ResponderEliminarE claro que os heróis são usados sempre pelo regime. Os ditadores eram fascistas, mas não eram burros... Este herói não tinha disso consciência, mas os que a têm, raramente abdicam da glória e deixam-se usar na mesma...
Tem um bom fim de semana, querida amiga Laura.
Beijo.
PS:
EliminarLaura, não mudes nada no poema que estás a fazer só por causa de um pormenor que é coincidente. No fundo, é muito difícil fazer um poema que não contenha um, pormenor que já foi dito por outros...
Acho que a entrevista dá realmente a conhecer o homem que de herói nada quer ter. E outros há que sem alguma coisa terem feito se põem em bicos de pés e em fila para as honrarias.
EliminarQuanto ao poema, ainda vou ver se mudo ou se não mudo, até porque o teor do poema é totalmente diferente, e ao menos não se trata de nenhuma andorinha...:-)
Obrigada, Nilson.
xx
Boa noite, Laura
ResponderEliminarNão conhecia esta história, que me... emocionou.
Talvez pelo facto de ter sido casada com um militar (o meu marido era coronel do exército, e também combateu - não nesta guerra, evidentemente...) este género de narrativas tocam-me duma forma muito especial.
Choca - mas não surpreende - saber que o reconhecimento do Estado se limitou a atribuir-lhe uma alta condecoração, deixando de parte o aspecto material e as dificuldades com que sempre se debateu.
Se ele tivesse entrado para a política... as coisas teriam sido diferentes ...
Gostei muito do vídeo, também.
Minha querida, obrigada por esta partilha!
Desejo-te um óptimo Domingo.
Beijinhos
Mariazita
Boa noite, Mariazita.
EliminarEu já tinha percebido que o teu marido tinha sido militar em África, e compreendo perfeitamente que este tipo de histórias te remetam para as vossas vivências em África. Os tempos e as circunstâncias podem ser diferentes, mas a guerra é sempre a guerra.
Obrigada, Mariazita e um bom domingo também
xx
Este soldado vá lá... ainda foi condecorado, mas quantos jovens que foram leais à sua pátria, pois foi o lhes tinham ensinado desde os primeiros dias de escola, ficaram no anonimato?
ResponderEliminarAlguns quando foram para a Guerra a única arma que conheciam era uma sachola!
Nas primeiras linhas li que este nunca foi à escola.
Usá-lo como símbolo de propaganda foi muito mau! Se calhar nem recebeu nada por isso. Ainda por cima era forçado a comparecer em cerimónias oficiais fardado e com as medalhas ao peito! Francamente!
Hoje tudo é diferente, vemos militares a irem voluntariamente para fora e a serem bem remunerados. Quando regressam têm psicólogos a acompanhá-los e às suas famílias.
Gostei muito do post, Laura. Pouco conhecia sobre o soldado Milhões. Ainda bem que blogues como o teu nos vão avivando a memória :-)
BJ**
Este soldado nunca foi à escola e mesmo várias décadas mais tarde, quantos soldados enviados para as ex-colónias teriam escolaridade?Seria interessante saber as estatísticas...e muitos deles também só conheceriam ainda a sachola e o arado. Fazer hoje a guerra ou participar em missões de paz é recompensado financeiramente.
EliminarObrigada, Paula pelas tuas opiniões que muito prezo, e força aí na nova forma de abordagem a Forninhos!
Bom domingo!
xx
Que história, abraço Lisette.
ResponderEliminarUma história que ficou na História.
Eliminarxx
Gostei muito!
ResponderEliminarbelo post!
Um beijo amigo
Obrigada, Daniel.
Eliminarxx
Muito bom, Laura!
ResponderEliminarBeijo e muita paz!
Um bom homem! :-)
EliminarObrigada, Shirley.
xx
Um post valioso Laura parabéns pela
ResponderEliminarhomenagem a esse soldado que mereceu
ter essa história contada aqui
Bom domingo
Bjusss
└──●► *Rita!!
Obrigada, Rita. Tenha um excelente domingo.
Eliminarxx
Laura passando pra desejar um excelente domingo beijos.
ResponderEliminarObrigada, Lucimar.
Eliminarxx
Boa tarde querida Laura.. desconhecia grandioso ser..
ResponderEliminarmas ter a coragem de seguir em frente perante tais situações é sempre de se merecer as glórias..
tudo que sei é que numa regressão que fiz.. já fui soldado em alguma vida lá atrás..
coisas e mistérios mundanos né.. bjs
Grandes mistérios, Samuel....Se eu acreditasse em vidas passadas também faria uma regressão...:-) Mas até sinto uma certa curiosidade!
Eliminarxx
Olha Laura o que me agrada nesta postagem é a diferenciação do tema, aprecio o estilo da narrativa embora desconheça o episódio!
ResponderEliminarO post é capaz de transmitir emoções e imagens!
O episódio não é muito conhecido, mesmo, e como já tem quase um século terá tendência a ficar cada vez mais esquecido.
EliminarObrigada, Ricardo.
xx