sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Antes o Vôo da Ave







                                 Antes o vôo da ave , que passa e não deixa rasto,
                                 Que a passagem do animal, que fica lembrada no chão.
                                 A ave passa e esquece, e assim deve ser.
                                 O animal, onde já não está e por isso de nada serve,
                                 Mostra que já esteve, o que não serve para nada.

                                 A recordação é uma traição à Natureza,
                                 Porque a Natureza de ontem não é Natureza.
                                 O que foi não é nada, e lembrar é não ver.
         
                                 Passa, ave, passa, e ensina-me a passar.

                                                                         
        
                                           Alberto Caeiro, Poema XLIII, in "O Guardador de Rebanhos"
                                                                    Escrito em 1914. Publicado pela 1ª vez pela revista
                                                                                                                   Athena em 1925.





 Tema composto por Bart Howard, "Fly Me To The Moon", foi  inicialmente interpretado por Kaye Ballard (In Other Words), tendo conhecido versões de Julie London, Frank Sinatra ou Diana Krall. Escolhi a versão de Sarah Vaughan.




120 comentários:

  1. Bom mesmo, seria voar nas asas do infinito, silenciosa e incansavelmente, sem deixar vestígios no céu...
    Laura, beijos!

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    1. Seria, Shirley. Mas talvez o façamos de vez em quando, nas nossas próprias divagações...e não deixamos rasto algum! :-)
      xx

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  2. Fernando é Pessoa contraditória,
    mas escreve demais!

    Gostei da foto nova Laura!!! abraço!

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    1. É verdade, Arnaldo, contraditório, por isso tão humano.
      Quanto ao novo perfil, já estava com os pés enregelados de tanto frio!...:-)
      xx

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  3. Embora já conhecesse, sabemos que ler Pessoa ou os seus heterónimos é sempre um exercício máximo da cognição. Por vezes, os versos são quase silogismos, raciocínios enredados num sentir extremamente apurado.
    Concordo com esta visão, se bem que no quotidiano não seja nada fácil seguir esta prescrição. Por isso é que o último verso é tão importante: é preciso um processo para seguir em frente e transformar o menos bom em sabedoria de vida. Que grande filósofo era o "Alberto Caeiro"!
    Parabéns pela escolha e pela música, querida Laura!
    (Deixa de te preocupar com as tuas interpretações. Acredita, são perfeitas! Na prosa, sendo narrativa, é natural que haja interpretações mais homogéneas entre os leitores: Na poesia, a leitura polissémica é mesmo natural, dado que, raramente, há uma única mensagem...Mas é no leitor que o sentido tem razão de existir.)
    Bjo, amiga :)

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    1. Ler Pessoa e os seus heterónimos, é para mim um exercício de reflexão e identificação em alguns aspectos.
      Há em Pessoa uma dor de pensar, que angustia, e que A. Caeiro quer rejeitar, tentando substituir o pensar pelo sentir, já que para Caeiro "A sensação é tudo, e o pensamento é doença", neste aspecto totalmente oposto ao intelectualismo ou à especulação metafísica de Pessoa.
      O último verso significa quanto a mim, o desejo de não recordar, porque recordar faz pensar, e pensar é sofrimento. Como dizes, "para se seguir em frente", sem olhar para trás. Um grande filósofo de facto, de concepções pinceladas de Fenomenologia.

      Ah é que há interpretações e interpretações, e embora a minhas leituras dos teus textos, possam ter elementos da minha própria subjectividade, convém ler também o que lá está! Os teus textos são excelentemente densos, e daí a minha dúvida se chego ao cerne da questão.
      Fiquei mais descansada, agora...;-)
      Obrigada, Odete.
      xx

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  4. Há aves que ferem a pele! Linda poesia, de fazer refletir! abração

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    1. Alguns abutres, talvez...;-) As chamadas aves agoirentas!
      Existe um fado de Amália, intitulado "Aves Agoirentas", muito interessante neste contexto.
      Obrigada, Ives.
      xx

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  5. Não podendo ser ave, como a águia... escolhia ser leão, mas alado, imagina o resultado?
    :)
    Bom fim de semana!

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    1. Estou a imaginá-lo leão alado, mesmo. A sobrevoar o Alvalade XXI :-))
      Bom fim de semana, Rui.
      xx

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  6. Aves que sobrevoam locais para conseguir uma presa,aves que sobrevoam montanhas,procurando abrigo para descansar suas asas.
    Em fim aves que nos encantam com suas danças,mesmo após a matança com suas garras.
    Lindo,adorei o vídeo.
    bjs amiga Laura e um ótimo final de semana.
    Carmen Lúcia.

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    1. Obrigada, Carmen Lúcia, e tenha um excelente fim de semana, também.
      xx

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  7. Bom dia, Laura

    Olha: Dado à minha ignorância, bem sabes que isto é demais para mim...Mas, achei que o poema além de ser pequeno é muito profundo.
    A ave passa não deixa rasto...Lembrar não é ver. E não! Gostei de ler.

    Esta musica é da minha idade? Ou é a cantora? eheehhhhhehe gostei de ouvir nesta manhã bastante fria...

    Beijinho, bom fim de semana.

    http://coisasdeumavida172.blogspot.pt/

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    1. Olá Cidália!
      É como dizes, um poema curto, mas profundo. E salientaste precisamente o mais importante; "lembrar não é ver", a ave passa e não deixa rasto, para que a sua passagem não deixe recordação, para que desse rasto não nos lembremos. Para que não soframos, porque o que foi já não é. Segundo A. Caeiro, é claro.
      Aaah, esta cantora nasceu nos anos 20 do séc. passado, e faleceu em 1990. Cantou e encantou que se fartou!
      Obrigada, Cidália, bom fim de semana, apesar deste frio!
      xx

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    2. Xii que grande queda à cerca da cantora.. deixei-me ir na emoção da musica, ehehehhehehhehe e pimbaaaaa :-)

      Beijokas

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    3. A tua queda acerca da cantora tem a ver com o facto de talvez nunca teres ouvido falar dela!
      Ah Cidália, és o máximo! :-)
      xx

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  8. Olá, Laura!
    Antes de tudo, devo dizer que aprecei a tua nova foto no teu perfil; ficou expressiva, dando ideia da tua beleza singela e cativante.
    O voo das aves são sempre, a mim ao menos, muito atraente, pois representam o sentido da liberdade... Achei o poema belo, assim como o vídeo com a Sarah, que aqui entre nós, dispensa comentários. Parabéns, pelo, como lhe é peculiar, bom-gosto! Beijos.

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    1. As aves simbolizam um pouco esse nosso desejo de liberdade. São belas, e ao contrário de outros animais, como A. Caeiro afirma, não deixam rasto.
      Obrigada, Viviani,
      xx
      xx

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  9. Com esse seu novo perfil,
    tem nos lábios um lindo sorriso
    Laura Santos, sempre tão gentil
    não o deixe no tempo perdido.

    Aves a voar não deixarão rasto!
    se penas não deixarem cair no chão
    como também não será magoado,
    por verdadeiro amor, o coração.

    Esta ser a minha opinião,
    depois de ter lido o que li
    tantas folhas caídas no chão
    das árvores, sem vida já vi.

    Ficará esquecida no chão,
    a pegada do pé que o pisou
    quem o voo da ave imaginou,
    assim, o terá feito com razão!

    Lembranças poderão ser,
    ou não pedaços de dor...
    como não se conseguem esquecer
    feridas deixadas por falso amor!

    O vídeo ouvi,
    gostei da voz dela
    de cor amarela
    bela, vestida a vi!

    Desejo-lhe uma boa tarde, de sexta-feira,
    amiga Laura, um abraço,
    Eduardo.

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    1. Vejo que que o A. Caeiro o inspirou...Que belo poema escreveu! Bem focado no tema, e com muitas verdades nele inscritas.
      Gostei muito, Eduardo, muito bonito.
      Obrigada, que passe um bom resto de dia, e que o fim de semana não aperte ainda mais com o frio!
      xx

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  10. Lindo poema de Alberto Caeiro. Grande F. Pessoa!!!!
    Bjs

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    1. É mesmo, Elisabete.
      Quando não tenho tempo, faço uns posts assim simples.
      xx

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  11. Não dá para voar que está muito vento e frio, mas dá para lhe desejar um bom fim de semana, enchouriçada no quentinho!
    O meu abraço

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    1. Pode crer António, que estou mesmo "enchouriçada"! Este frio dá cabo de mim!
      Obrigada, e bom fim de semana, também para si.
      xx

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  12. O.K. Laura, one day i fly away,without words,without wings.
    To the sunny side of the moon.
    Happy life.
    XX

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  13. Olá, Laura,

    Como é bom reencontrar o Mestre em poema tão bem escolhido. Escolha que nos permite repensar o peso crítico que a sua poesia carrega. Repensar o que fazia dele o Mestre. Repensar como ele faz para resolver as aporias para escapar da “velha” metafísica; como ele faz para preencher as falhas; como ele faz para soldar as fraturas que dilaceravam os seus pares. Repensar e redescobrir como ele recusava a transcendência. Repensar que o princípio da sua filosofia é preciso simplesmente ver. Que basta ver. Que “lembrar não é ver”; repensar, como sugere o poema, que ver requer um grande esforço. Ou seja, ver as coisas como elas são, despojadas das significações. Vê-las nuas. “As coisas não têm significação, têm existência”.
    “Eu devia vê-las [as coisas], apenas vê-las;/ Vê-las até não poder pensar nelas,/ Vê-las sem tempo, nem espaço,/ Ver podendo dispensar tudo menos o que se vê./ É esta a ciência de ver, que não é nenhuma”. (Alberto Caeiro, Ática, p. 97.
    Sarah é um rio de margens amplas.
    Abraços, Laura!

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    1. Olá Zé!
      Dizes muito bem; o Mestre. Poderia ter escolhido outro poema qualquer, mas para este tipo de post ( quando estou sem tempo), prefiro poemas curtos.
      Pessoa é denso, inquieto e inquietante. Escrever um poema de amor lamechas, é fácil, escrever sobre a vida e as suas questões essenciais, de forma sincera, e outras tantas a fingir, é obra!
      Concedeu ao seu intelecto essas reviravoltas necessárias para demonstrar a possibilidade de diversas visões do mundo, sendo no fundo, sempre ele. E dono de uma curta vida; um caso ímpar!
      A. Caeiro é a antítese de Pessoa, com a sua negação do ontem, com a recusa do pensar, por querer apenas ver e sentir no momento, tomando o sentido da visão como meio de percepção da realidade, em busca do fenómeno objectivo, que rejeita a subjectividade. Que abraça a Natureza, entidade admirável, isolando-a de qualquer traço metafísico. Existe o céu e a terra, os elementos que se vêem e sentem. E a quem não vê, não pode ser explicado. É como dizes, as coisas existem e basta vê-las, sem passado nem futuro.
      A busca de um objectivismo absoluto, através de um heterónimo, cuja relativa pobreza vocabular consegue contudo, criar razoáveis níveis de abstracção.
      Sarah tinha uma voz quente e grave, uma voz muito sedutora.
      Obrigada, Zé, um comentário de especialista na matéria!
      xx

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  14. Oi Laura,
    Que beleza de poema,
    sem contar que é repleto de verdades...
    Recordar, às vezes dói...
    Beijos :)

    P.S.: Muito bonita a nova foto do perfil. Gostei!

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    1. Olá Clau!
      A. Caeiro é um dos meus heterónimos preferidos, conjuntamente com Álvaro de Campos.
      Recordar às vezes dói, e o interessante em A. Caeiro é a rejeição pura e simples de qualquer lembrança, logo, de qualquer passado.
      Obrigada, Clau.
      xx

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  15. Alberto Caeiro e Sarah Vaughan à primeira vista podem parecer um duo eclético e disfuncional, mas as aparências iludem mesmo e aqui em conjunto com as fotos compõem um todo fantasticamente coeso.
    Beijo grande grande.

    PS.: A Alice agradece e retribui :)

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    1. As aparências enganam realmente. Mas não neste caso.
      Se queres que te diga, eu acho que esta música tem pouco a ver com este poema do A. Caeiro, ( mesmo que eu queira dar ao poema um sentido que ele não tem...), só que eu estava à pressa, e como eu própria sou um ser um pouco disfuncional, e gosto desta música, assim foi...;-)) Que se lixe, porque acabou por ficar simples e bonito, sem ter nada a ver...!
      Obrigada, Dulce.
      A querida Alice! :-)
      xx

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  16. MUY BONITO!!! GRACIAS POR COMPARTIR.
    UN ABRAZO

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  17. Acabei de citar Fernando Pessoa no novo 'post' lá d' O Forninhenses porque é tal qual como o disseste. Ler Pessoa e os seus heterónimos é um exercício de reflexão e identificação em alguns aspectos.
    Neste poema encontramos o desejo de não recordar. Ele diz "O que foi não é nada, e lembrar é não ver".
    No que acabei de publicar, quanto a mim, Ele diz o contrário!
    Um bom fim de semana, Laura.

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    1. Já vi, Paula, e muito bem escolhido aquele excerto! E é como dizes, nesse excerto ele diz exactamente o contrário. Porque Pessoa gostava de recordar a sua infância, enquanto este heterónimo por ele criado, rejeita a recordação, porque o que foi já não é, e o importante é o aqui e agora.
      Obrigada, Paula. Bom resto de domingo e boa semana!
      xx

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  18. Laura, querida, saudades! Amei a nova foto do perfil, o sorriso aberto que mostra contentamento.
    Não há pegadas no espaço e as aves, ainda que o desejassem, não conseguiriam voltar sobre os mesmos passos. Nós também, embora reconheçamos as marcas que deixamos pelos caminhos. É difícil seguir sem, vez ou outra, pousarmos em uma delas, revivendo processos dolorosos. Mas lembrar faz bem porque memórias são preciosas na condução do hoje.
    Você escolheu versos para pensar e melodia para nos deliciarmos, porque a música é linda.
    Ainda não voltei aos meus espaços, mas casas como a sua proporcionam instantes de prazer. Grande beijo!

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    1. Olá Marilene!!
      Queres ver que o meu sorriso de contentamento, terá a ver com a tua presença...;-) Também senti a tua falta.
      Acho incrível como F. Pessoa conseguiu, através de tantos heterónimos, criar tão diversificadas visões do mundo, tão diferentes sensibilidades.
      Claro que por mais que eventualmente se desejasse, nunca se apagam as pegadas deixadas, o nosso passado, e o daqueles que passaram connosco. Por isso o voo das aves funcione metaforicamente tão bem como desejo de apagamento, já que não deixam rasto.
      Chega uma altura em que "seremos" mais passado do que futuro, e mal de nós se não recordássemos!
      Obrigada, Marilene, e volta depressa!
      Ah, também gosto da tua nova foto de perfil! :-)
      xx

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  19. Lindo, profundíssimo esse poema/fragmento de Alberto Caeiro, preciso, de uma exatidão incrível, cada verso uma sentença. A propósito, belo sorriso, Laura!

    https://www.youtube.com/watch?v=KbJ3oZyAiDk

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    1. "Tudo muda o tempo todo no mundo"..."Como uma onda no mar"...:-)
      Obrigada, Fábio!
      xx

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  20. Laura , também quero deixar consignado seu belo sorriso na nova foto .
    Depois , parabenizá-la pela escolha do poema de Caeiro que tem sempre uma atitude filosófica no que escreve .
    Nas palavras de Octavio Paz : " Caeiro é o sol em cuja órbita Reis , Campos e o próprio Pessoa ainda giram ."
    A interpretação da Sarah , na música que tanto gosto Fly me to the moon ", é magnifica .
    Mais uma vez , obrigada pela partilha .
    Beijos e ótima semana .

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    1. Acho melhor mostrar a minha "cara de judia". A outra foto era uma brincadeira.
      Octavio Paz, outro grande poeta, tem razão, sob um determinado ponto de vista, mas eu diria que vejo o F. Pessoa no centro, e todos os seus inúmeros heterónimos, a girar ao seu redor.
      Obrigada, Marisa. Boa semana!
      xx

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  21. Duas escolhas excelentes.
    O poema de Fernando Pessoa e Fly me to the moon são duas excelentes obras do século XX.
    Tem um bom domingo e uma boa semana, querida amiga Laura.
    Beijo.

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    1. Ainda bem que gostaste, Nilson. Não houve tempo para mais...
      Boa semana!
      xx

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  22. Olá Laura!

    Consonância perfeita, nas escolhas que fizeste.
    Quanto ao poema, mostra-nos declaradamente o lado esotérico de Fernando Pessoa, muitas e muitas vezes presente na sua poesia.
    O voo da ave, representa o desapego, a passagem sem ruído, a leveza do espírito. O passar sem ter passado, sem ter permanecido, o desafio ao tempo, que não se chega a fazer tempo....
    Assim deveria ser a nossa passagem pela vida. De nós, apenas deveria ficar o aroma com que conseguimos perfumar o mundo....

    Beijinho grande. Deixei-te resposta, lá...no meu lugar...
    Grata sempre!!

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    1. Olá Cristina!
      Este poema demonstra, quanto a mim, o lado não esotérico de A. Caeiro, em contraposição ao esoterismo de F.Pessoa.
      No resto, concordo perfeitamente com a tua análise, excelentemente sucinta, do poema.
      Eu por acaso até acho, que de nós só ficará esse "aroma com que conseguimos perfumar o mundo", embora alguns génios deixem um perfume intenso. O caso de Pessoa, por exemplo.
      Irei lá, depois do jantar. :-)
      Obrigada sou eu, Cristina.
      xx

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    2. Sim Laura, Caeiro era um guardador de rebanhos, que se contrapõe às dúvidas existenciais de F.P.
      Como observador do mundo, ele consegue dar vida ao sonho, reconciliando-o com o Universo e a natureza. Primitiva até, diria eu...
      Nessa objectividade, com que tenta despir-se de todas as suas inquietações,está e estará sempre o homem que vive numa incessante busca de identidade....
      Daí, o não conseguir dissociar o grande Poeta dos seus inúmeros heteronimos, eu ter visto nesse poema a componente esotérica que o caracteriza profundamente....
      Beijinho Laura e boa semana...:)

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    3. É verdade, Cristina. No fundo, A. Caeiro não passa de uma tentativa de F. Pessoa para exorcizar as suas inquietações, esse desassossego e melancolia que o assaltavam, nunca o conseguindo plenamente. Daí a contradição que o acompanha.
      Boa semana!
      xx

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    4. Oh Laura! Fiquei tão contente por teres lido ontem o meu desabafo...
      Sabes, um coração de mãe às vezes não se contém e deixa transbordar todas as emoções que o assaltam...
      Muito, muito obrigada pelo teu carinho.
      Beijinhos e boa semana Laura!

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    5. Eu leio tudo o que tu escreves, Cristina...;-)
      Um coração de mãe deve mesmo é transbordar. Eu só tenho uma e é a alegria dos meus dias. Acho que dizer que se ama nunca é demais. E adoro ler a forma como falas dos teus filhos, e do teu marido, do teu pai...Enfim, uma maravilha poder contactar com a felicidade de maneira tão bela.
      Obrigada, Cristina. Boa semana!
      xx

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  23. Na óptica do poeta, lembrar é tentar parar o tempo, dispôr dele a belprazer, como se isso fosse viver...
    Muito bem postado, Laura!

    Um beijinho :)

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    1. Lembrar é totalmente dispensável, porque viver é ver. Lembrar não é ver. Logo, lembrar não é viver. Escrita um pouco enredada em silogismos! :-)
      xx

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  24. Sempre publicações fantásticas. Concordo como tudo o que é descrito no texto
    O que dizer mais? ( Brilhante)
    Fica feliz

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    1. Obrigada, Ricardo, mas o que é descrito no poema?!...Aaah aposto que nem leste!
      Sim, F. P. foi brilhante, mesmo na sua soturnidade.
      xx

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  25. Olá Laura,

    Interessante a filosofia desse heterónimo criado por Pessoa. Penso diferente de A.Caeiro, pois entendo que tudo que passa deixa algum tipo de marca, seja positiva ou negativa e, quando negativa, deixa ensinamentos. Como diz a música:"recordar é viver". O que não devemos é estacionar no passado, em meio às lembranças.

    A interpretação de Sarah Vaughan é maravilhosa. A música é linda.

    As imagens são repousantes.

    Adorei a nova foto do perfil. Você está radiante.

    Ótimo restinho de domingo.

    Beijo.

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    1. Olá Vera!
      Acho que qualquer pessoa só pode pensar (e sentir) de forma diferente em relação aos pressupostos filosóficos de A. Caeiro. Porque o passado será sempre parte integrante de nós, seja a sua marca deixada em nós, como dizes, positiva ou negativa.
      Embora eu não concorde com o "recordar é viver", acho que sem recordações não saberíamos quem somos.
      Agora é que me dei conta que postei duas Saras, Sara Tavares e Sarah Vaughan, de seguida...! Talvez porque a minha filha esteja longe, e também é Sara....! Talvez...
      Obrigada, Vera. Sim, naquela foto estava junto ao mar, radiante.
      xx

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  26. Gosto de passar e deixar a minha marca!

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    1. É assim mesmo! Eu bem gostava de deixar marca, mas não deixo...Paciência! :-)
      xx

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  27. Olá, penso que o passado deve fazer parte da memoria permanentemente, um povo sem memoria é um povo sem historia, o mesmo se passa com cada um de nós, o passado tem a virtude de nos ensinar a rectificar o presente.
    AG

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    1. F. Pessoa tentou fugir criativa e intelectualmente aos seus fantasmas, de múltiplas formas, nunca tendo contudo, conseguido escapar-lhes. Caeiro é um dos mais fortes exemplos.
      Concordo que o passado possa ter "a virtude de nos ensinar a rectificar o presente". Mas será que tem sempre esse poder?!....
      Obrigada, António.
      xx

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  28. As aves são esperta, elas só voam quando estão preparadas para o voo, ao contrário do homem que quer voar mais do que pode e no fim só tem a cair no chão, a natureza nos ensina muito, Lindo o poema Laura beijos.

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    1. Pois, a Natureza ensina-nos muito, e a natureza humana também.
      xx

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  29. Alberto Caeiro é inspirador. Pelo menos para mim.
    Um abraço

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  30. El Vuelo de esas Aves mostrando su ansiedad de Libertad, mirando siempre para el Horizonte y sin volver la vista atrás.
    Aletero liberador que nos ha de servir de ejemplo para reconocer nuestro Camino.
    Maravillosa Poesía de Alberto Caeiro llena de certezas y verdades.
    Abraços e Beijos.

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    1. Por vezes apetecer-nos-ia ser como as aves, seguir um trajecto sem olhar para trás, mas é impossível; o nosso rasto estará em nós sempre colado. E não é mau que tenhamos rasto, porque esse rasto somos nós, foi esse, mal ou bem, o caminho feito.
      A. Caeiro tem poema esplêndidos, de uma profundidade simples.
      xx

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  31. Volta e meia gosto de pegar em Pessoa (no "Livro do Desassossego") mas sempre que apanho uma passagem mais deprimente "esqueço-o" a um canto. Convivo mal com "dias cinzentos", dou-lhe um exemplo: quando pintei o "Cristo", a ideia era passar o excerto do livro que tinha acabado de ler, não tive o mesmo gozo que noutras telas, mas já está, é passado.

    O que não comentei anteriormente, e que agora me penitencio, foi a sua foto. Muito bem, gostei. Claro que as das aves também não estão mal.
    :)

    Cordiais saudações.

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    1. Eu tenho "O Livro do Desassossego", não digo à cabeceira, mas sempre à mão, e o que mais gosto são mesmo essas passagens mais "deprimentes"! :-)
      Acho a sua tela muito bem conseguida, Rui; um Cristo na cruz e já sem vida, é o que ali se sente, e compreendo que não tenha sido nada fácil para si pintá-lo. Mas decerto que no fim, esse gozo não tão sentido enquanto pintava, apareceu, porque a figura é "dolorosa".
      Eu e as cegonhas na minha cidade. Como não tenho jeito nem para ser fotografada, nem para fotografar, é o que pode arranjar..:-)
      xx

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    2. Hum! Ouvirei "aves agoirentas",adoro fado", mt mesmo!

      Lauramiga: acredito por experiência própria na força do presente,
      mas, recomendaria a todos, o livro de Eckhart Tolle "o poder do agora". É sabido que os poemas de "Pessoa" estão intrinsecamente ligados à espiritualidade, da mesma forma, o "Rumi", etc. Entre os sufis, não se diz que há pessoas espiritualizadas, mas, que há "poetas". A poesia na Pérsia sempre foi muito valorizada e; embora eu compreenda por vezes o valor da formação de arquétipos espirituais, os respeite e até tire disto algum proveito, se não houver aquele momento em que o pêndulo do grande carrilhão repouse ao sabor da gravidade, deixando de lado o esforço do finado passado e do inexistente futuro, de nada adiantaram os símbolos e lembretes de elevação. Portanto, estamos de acordo com a premência do instante, quem disser que não, fica convidado a experimentar, ademais a ansiedade não faz bem pra ninguém.
      Voltando ao fado, voltando ao teu país, acho que iria adorar morar aí pois, parece preservar o aspecto bucólico, além de ser muito romântico e calmo.
      Fazendo um gancho ao seu comentário no "moinho da vida", tem o brasileiro de aprender muita coisa com Europeu, em se tratando de respeito mútuo. Notei que vc ficou surpresa qd eu disse que falta respeito entre o meu povo...trata-se de uma triste realidade Laura.
      Quando desembarquei no mês passado no aeroporto de Guarulhos, testemunhei enquanto esperava na fila de despacho de bagagens, uma discussão onde dois brasileiros diziam em tom de fúria, palavras do mais baixo calão. Então a madame que estava próximo, disse solenemente:" Este é o meu Brasil!!! enfim cheguei em casa." Mas disse isto com indignação. Não pude conter uma gargalhada neste momento, e os agressores ficaram tão envergonhados, quando todos começaram a rir do ato ridículo de ambos, que imediatamente cessaram a discussão. Sei o quão triste isto é, mas a madame indignada havia apenas falado um fato. Sei que para você, parece inconcebível ao ser humano não se respeitar, mas os jovens do Brasil, submetidos a uma lavagem cerebral norte americana, não estão tendo mais tempo de receberem a educação familiar, e, quando menos percebe-se, já se tornaram adultos estúpidos e violentos. Trata-se de um fenômeno sociológico que a Dilma, nossa presidente (ocupada com partidos políticos), faz vista grossa, infelizmente. Falta sobriedade aos nossos governantes. Vc não faz ideia do que seja um país, cujas entranhas estejam expostas aos abutres da desinformação e estultice, um pais onde a bebida e as drogas estão a comandar degenerativamente os cérebros dos nossos jovens; vc nunca saberá.

      É isso! Bj!

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    3. Nunca tinha ouvido sequer falar desse livro, embora o nome do autor já o tivesse ouvido...Se é sobre o "poder de agora", poderá ser muito interessante para quem tenha tendência a fixar-se no
      passado.
      Concordo que é no presente que a vida acontece, no instante actual e fugaz, porque o passado já foi, e o futuro é mera projecção. Já agora; o Rumi é um grande poeta!
      Acho que o meu país conserva o aspecto bucólico nas serranias e nos vales, nas pequenas aldeias pouco habitadas, onde ainda se vive de acordo com o ritmo das estações do ano. Locais de uma pacatez sadia para uns,e muito aborrecida para outros...Nesse aspecto, poderá haver um romantismo que também tem a ver com registos de cultura secular, embora eu pense que essa ideia de um Portugal romântico tenha mais a ver com o facto de ser um país antigo, e neste caso, muito longe do Brasil, mas muito "próximo" em termos de afectividade entre os dois países.
      Não faço ideia de como será o Brasil, no entanto, acho que essa questão do respeito mútuo, também terá a ver com o facto de o Brasil ter cidades imensas, que de certa forma funcionam como selvas de pedra. Aqui as cidades são pequenas, o país é pequeno, acaba por isso por ser mais fácil direccionar os jovens para uma educação cívica, embora a a cultura também esteja bem disseminada na Europa.
      A educação é um processo longo, e a existência de tanto desfavorecimento social, de tanta desigualdade, não ajudam a que o indivíduo, desde criança, se integre com vista a um bom futuro. Um ciclo vicioso difícil de acabar.
      E quem liga a questões sociológicas?...Os políticos interessam-se pela economia, e pelas campanhas eleitorais. Aí, como aqui.
      xx

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  32. de uma maneira mais profunda, lembrar é ver sim senhora!
    muita coisa que já não existe no Espaço ainda persiste no Tempo...

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    1. Diria que lembrar é re-ver, e concordo que muita coisa que já não exista espacialmente, possa persistir para sempre na nossa temporalidade.
      Agora vai dizer isso a A. Caeiro...:-)
      xx

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  33. Quero ir no teu voo
    Soltar do ar infinito
    Amarras da terra
    Despido sem nada querer
    Nem saudades
    Madres de mito
    Prometo que nao enjoo
    Apenas sentir a quimera
    De ser o mundo bonito

    Quero ir contigo
    Companhia e amigo
    Se deixares,
    Senhora dos ares..

    Beijinho, Laura..

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    1. Foi você que escreveu isto ?!!...
      Muito bonito. Soa-me a amizade.
      Muito obrigada, Xico.
      xx

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    2. Coisas de momento e que por norma nem registo e se tal acontece, deito fora. Desabafo com o papel, fazemos as pazes e rasgamos o mau acordo.
      Ainda bem que soou a amizade, pois tal era a intencao.

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    3. Ah Xico, não diga nem faça isso!!... Quem escreve assim não pode rasgar o papel.O acordo com o papel nunca trai, embora eu esteja farta de rasgar papel..:-)
      xx

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  34. Laura,
    Pois é, Laura. As gírias são um traço bem forte do nosso linguajar. Algumas expressões são do tempo da minha avó. É possível que numa roda de intelectual a expressão “pagar mico” não seja utilizada.
    O Fluminense é um clube de futebol. E pertencia a uma elite da cidade do Rio de Janeiro.
    Eis abaixo um breve resumo dessa história, extraído do Memorial tricolor.
    A torcida do Fluminense é conhecida como Pó de Arroz. Um apelido pejorativo colocado pelos rivais e abraçado pela aristocrata torcida Tricolor no início do século passado. A história desse jargão é controversa e como acontece em muitos mitos do futebol, tornam-se verdades após serem repetidas seguidas vezes, contadas de forma errônea maculando o que de fato ocorreu.
    Em 1914, o América, tradicional clube de futebol do Rio de Janeiro, passava por um momento de crise, perdendo diversos sócios, conselheiros e jogadores. Cerca de doze jogadores do Alvirrubro se transferiram para as Laranjeiras, entre eles os irmãos Carneiro de Mendonça, Fábio, Luiz Henrique e Marcos, mais famosos entre os jogadores, e outros pouco conhecidos, como Carlos Alberto Fonseca Neto.
    Carlos Alberto seria apenas mais um jogador de nossa história se não fosse o tom de sua pele. O atleta não chegava a ser negro, era mulato de cabelos crespos, em tempos que o negro não era bem vindo ao futebol, normalmente praticado por clubes e jogadores de famílias ricas, como o Golfe nos dias atuais.
    Atuando pelo América, Carlos Alberto já possuía por hábito usar o pó no rosto, assim que terminava de fazer barba. Nunca houve por parte dos rivais qualquer hostilidade ao jogador, primeiro porque não figurava de maneira constante no time principal, e depois porque era jogador do América, que apesar de tradicional, não era propriamente um rival dos grandes times.
    Alberto estreou pelo Fluminense no dia 29 de março de 1914 [...] O tom de sua pele não gerava alarde, ainda que destoasse dos demais jogadores por não ser caucasiano.
    Em 13 de maio de 1914, o Fluminense enfrentou pela primeira vez o América, com os antigos jogadores alvirrubros em campo. Assim que adentrou ao gramado do Estádio das Laranjeiras, a torcida do clube da Zona Norte começou a chamar o Fluminense de “Pó de Arroz”, uma alusão ao pó que o jogador utilizava no rosto.
    Muitas versões dão conta que a diretoria do Fluminense obrigava Carlos Alberto a passar o pó de arroz antes das partidas porque sua pele chamava atenção quando utilizava o uniforme branco e que o jogador não teve grandes oportunidades na equipe devido a sua etnia. A versão não é real, Carlos Alberto já utilizava o pó de arroz antes de chegar ao Clube.
    O goleiro Marcos Carneiro de Mendonça lembrou o episódio, deixando claro que não houve com Carlos Alberto qualquer ato de racismo por parte do Fluminense.
    - A história do pó de arroz é muito simples, havia um rapaz, Carlos Alberto, que veio conosco do América para o Fluminense, ele fazia a barba e ao invés de fazer a barba e deixar a cor natural, ou colocar talco, usava uma coisa branca, que então fazia um contraste muito grande entre uma parte e outra do rosto e os torcedores passaram a chamar o time do Fluminense de “Pó de Arroz”.
    Que bom que você gostou desse texto. Um texto tagarela. O fato é que as duas tiveram “um arranca rabo” quando já amanhecia. É tudo que sabemos. Beatriz não deu um pio. Como aquela história tinha “a cara” de Nelson Rodrigues, resolvi brincar com os fatos.
    Obrigado pelo olhar sempre cuidadoso e o seu novo visual "mexe qualquer coisa dentro doida" (rs)!,
    Um abraço forte,

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    1. Eu adoro essas gírias populares, expressões que nunca se deveriam perder. Eu também conheço algumas, transmitidas pela minha avó, ainda utilizadas, mas apenas regionalmente (no Alentejo).
      O "pó de arroz",em relação Fluminense, causou-me curiosidade. Logo pensei que tivessem sido assim apelidados pelas equipas rivais, por serem considerados "betos", ou "meninas", mas afinal a explicação é muito mais interessante, e já vem de longe.
      Incrível como o futebol, no Brasil, teve condicionantes, que ao fim e ao cabo, tinham a ver com a sociedade da época, e no fundo, toda a gente apenas fingia não haver racismo, porque se um jovem sentia a necessidade de utilizar pó branco para tentar ser "igual" aos demais, é porque, se não o fizesse, mesmo que não causando alarde, causaria decerto estranheza, já que o futebol seria no início do século passado, praticado no Brasil maioritariamente por brancos. Só posso imaginar a dificuldade que os negros teriam ( e Carlos Alberto nem era negro), para se imporem numa equipa, e serem verdadeiramente integrados.
      Obrigada pela explicação!

      "Arranca rabo" também é uma grande expressão, e aquela história ficou muito boa!
      "mexe qualquer coisa dentro doida", cheira-me a Caetano Veloso!...;-)
      Obrigada, Zé.
      xx

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  35. Laura, minha linda, acho que é a primeira vez que aqui chego e encontro uma postagem pequena, curta, resumida (risos). Nem por isso deixou de me agradar, tanto quanto aquelas mais extensas, onde nos são apresentados assuntos dos quais muitas vezes desconhecemos ou que chegam para ampliar algum conhecimento. De qualquer forma, tudo aquilo que publicas nos chega como dádivas, e as lemos com o mesmo empenho e admiração. Sempre seremos nós os contemplados.
    Gosto de todos os heterônimos do Fernando Pessoa. Cada um tem algo a acrescentar, pois a voz do poeta maior, multiplicada nestas outras diferentes vozes, nos mostra de forma inegável porque foi aclamado como um dos maiores poetas da Língua Portuguesa.

    Muito bem escolhido o poema do Alberto Caeiro.
    “Antes o vôo da ave, que passa e não deixa rasto,
    Que a passagem do animal, que fica lembrada no chão.”
    Belos versos, apesar de sabermos que a nossa passagem pela vida há de sempre deixar marcas, necessárias até para nos situar perante outras situações. Mas não deixa de ser poderoso este apelo: “Passa, ave, passa, e ensina-me a passar.” Não é expressivamente lindo este verso?

    Leve-me até a lua e me deixe brincar entre as estrelas... Também um lindo verso a compor essa magnífica letra de Fly Me To The Moon. Escolheste bem a Sarah Vaughan para interpretá-la, mas a conhecia apenas com o Frank Sinatra e a Paula Toller, igualmente preciosas as interpretações.
    Um fato interessante é que um dia a secretária (que tem essa música como pano de fundo de sua vida, como ela mesma diz (risos), mostrou-me o vídeo de uma garotinha de nome Angelina Jordan interpretando esta música. Algo de admirar, pois me parece que ela tem apenas oito anos.
    De qualquer forma, minha linda amiga, com postagens curtas ou extensas, estás sempre a nos proporcionar momentos de indescritível deleite.
    Nos sorrisos e nas estrelas, meu carinho,
    Helena

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    1. Pois é, Helena, ando ocupada e também sem grande vontade de postar. Um pouco saturada...
      Todos os heterónimos de Pessoa, e são imensos, têm o seu interesse, mas Caeiro é realmente especial para mim, talvez pela tentativa de profunda simplicidade (não sendo contudo, simples ou simplista), e pela ligação aos sentidos e à Natureza.
      A nossa passagem pela vida deixará sempre marcas, mas o último verso demonstra tanto esse desejo, que às vezes sentimos, de que certas passagens da vida não fossem tão presentes em nós. Mas o que fazer?...O próprio apelo de Caeiro significa a impossibilidade dessa demarcação a que ele tanto aspira.
      Gosto muito da interpretação de S. Vaughan e de F. Sinatra, desconhecia a versão de Paula Toller, cantora que também não conhecia, até agora, no entanto gostei ainda mais da interpretação da menina, A. Jordan!...:-)
      Obrigada, Helena. Que essa felicidade te continue a "doer" muito! ;-)
      xx

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  36. OI LAURA!
    ACHO QUE NOS SONHOS E SÓ NELES, NÃO DEIXAMOS MARCAS E PARA QUE ELAS SERVEM? PARA NADA, SE PASSAM, COMO TAMBÉM PASSAMOS.
    ESTÁS BONITA NESTA NOVA FOTO DE TEU PERFIL.
    MUITO BOM TEU POST.
    ABRÇS
    http://zilanicelia.blogspot.com.br/

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    1. Não acho que os sonhos não sirvam para nada. Para alguma coisa devem servir....
      Obrigada, Zilani.
      xx

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  37. Olá, Laura!
    Outra vez por aqui, e não posso negar a satisfação que tive de ler, novamente, essa tua estupenda postagem, além do que, deixo-te meu abraço e os votos de um ótimo resto de semana.
    Beijos.

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  38. Laura passando pra desejar uma ótima quinta-feira beijão.

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  39. OI QUERIDA LAURA

    . A ave que sobrevoa o oceano por milhares de milhas sonha com o seu destino.Belo poema.Vim te desejar um ótimo feriado!!! Descansando ou divertindo-se, que seu feriado seja abençoado!

    Um abraço
    Ana

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    1. Obrigada, Ana.
      Ah eu quase sempre só me divirto de forma a não me cansar!...;-)
      Bom fim de semana!
      xx

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  40. Querida amiga/Querido amigo
    O meu blog - A CASA DA MARIQUINHAS encontra-se temporariamente inactivo, a fim de que eu possa dispor de tempo para ultimar o meu segundo livro.
    A título excepcional publicarei um post no dia 14/02 para assinalar a passagem de mais um aniversário.
    Gostaria de contar com a tua presença, o que desde já agradeço.
    Beijinhos
    MARIAZITA / A CASA DA MARIQUINHAS

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    1. Acho muito bem que pares para que acabes de escrever o livro,´senão o livro nunca mais verá a luz do dia!...:-)
      Já lá fui. Parabéns pelo 7º aniversário!
      xx

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  41. Bem, depois desta descrição bucólica e de tamanha delicadeza de Alberto Caeiro e deste voo pela LUA, nada mais certo que sentir-me leve e livre...
    Um beijinho, Laura e um fim de semana sensacional para si!!!

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    1. Nem mais! E como leve e livre tu já és, ficaste a flutuar, decerto...;-)
      Obrigada, Malu. Um óptimo fim de semana também para ti.

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  42. Abraços a beijos abandonados!
    para que não fiquem por ai tantos
    desejo p'ra você, amiga Laura Santos
    um dia muito feliz dos namorados.

    Um abraço e bom fim de semana,
    Eduardo.

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    1. Pois é, há muitos abraços e beijos abandonados, muita gente só, não apenas hoje, mas todos os dias...
      Obrigada, Eduardo. Bom fim de semana, também.
      xx

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  43. Saudade desse seu espaço tão bonito
    quanto o voo das aves vc tem bom gosto
    para escrever coisas lindas eu adoro

    Abraços com carinho de bom carnaval !!

    └──●► *Rita!!

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  44. Olá, Laura, como vai?
    Lindo poema... um ponto de vista instigante. Ainda esses dias eu observei um passarinho e pensei, "eu queria ser um deles". Mas pensei na questão da liberdade, não do rastro não deixado. Não sei se concordo com a visão do autor... o rastro é a história escrita, e a não ser em trechos que não nos são relevantes, gosto de lembrar o que passou, o que foi bom, o que foi superado.
    Talvez haja trechos da minha vida em que eu queria ser animal, e noutros, pássaro. Agora importante mesmo é voar em frente, sempre!
    Um abraço!

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    1. Olá Bia!
      O poema coloca-nos mesmo essa questão; a de saber se podemos ou devemos eliminar o nosso rasto, e o rasto que os outros deixam em nós. Claro que é impossível, principalmente quando o rasto é muito marcante, e por isso o poeta apenas delineia fortemente um desejo, e no último verso ele próprio acaba por assumir essa impossibilidade, ao pedir à ave que o ensine a passar...
      É como dizes, "o importante é voar em frente", mas sem dúvida que ora somos aves que não deixam rasto, ora animais que o deixam.
      xx

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  45. Boa noite Laura, belíssimo poema e excelente música!
    Um dia ou uma noite, quem sabe, também seremos como as aves.
    Beijinhos e um bom domingo.
    Ailime

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    1. Olá Ailime!
      O Caeiro agradece...:-)
      De vez em quando somos como as aves. Eu sei que sou; etérea e volante.
      Obrigada, Ailime. Boa semana!
      xx

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  46. Desejaste-me ser ave.

    No seu voo se encontra a essência de se ser.

    O passado de nada serve, é contrário à Natureza...Pessoa sempre me desconcerta e surpreende.

    Desta vez é reflexão apropriada e bem vinda.

    Obrigado.
    Beijinhos

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    1. Aposto que já o tinhas desejado antes, Pérola...:-)
      Não sei se nas aves se encontra a essência do ser, talvez mais uma metáfora para uma certa forma de ser. E o passado "serve" e "não serve"...conforme o que significou. Mas o bom e o mau sempre terá de coexistir.
      Obrigada sou eu, Pérola.
      xx

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  47. Já vi que o teu tempo anda mesmo escasso...
    Mas reli e ouvi com o mesmo interesse o que aqui publicaste.
    Bom domingo e boa semana, querida amiga Laura.
    Beijo.

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    1. Tenho de momento a cabeça e o tempo muito ocupados com outras questões. E para além disso sinto um certo desinteresse momentâneo... Vamos ver...
      Obrigada, Nilson. Boa semana.
      xx

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  48. Olá Laura,
    Pessoa e suas tantas pessoas onde ele se esconde/se mostra em todas as suas próprias contradições, suas dúvidas, seus receios, seus fantasmas, como qualquer ser extremamente sensível e questionador.
    Realmente, analisado por certo prisma, o que foi, de facto já não é: passou, não torna - como o cristal que foi lindo e brilhou, ao partir, não há como tornar a ser, pode então ser recordado, sua beleza imortalizada na memória, mais nada - não será reconstituído jamais. Assim é com o momento, com a própria vida: o que foi vivido não se revive, quem morreu não torna a viver.
    Daí a necessidade de virar a página, sem estar preso à memória que aniquila - contranatura.

    Foi bom recordar aqui a voz duma diva do Jazz, já de taaaaanto tempo, mas das que são eternas.

    bj amg

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    1. Olá Carmem!
      Pelo menos, Pessoa passou pelo mundo a questionar-se sobre si próprio e sobre o mundo que o rodeia, mostrando-se como era, frágil e sensível, lutando contra um mundo exasperante através da sua poesia.
      Seria bom que quem o lesse, verdadeiramente apreendesse alguma coisa, e se questionasse também acerca do que anda por aqui a fazer...sim, porque o que foi, passou, e quem morreu não torna a viver.
      Gosto muito da Sarah Vaughan.

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  49. Olá, Laura Santos.

    Passei para lhe desejar, um dia de Segunda Feira, agradável, e um Tempo de Carnaval extraordinário.
    Um abraço.

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  50. Boa tarde, admiramos as aves unicamente pela sua beleza e pela sua liberdade, no entanto elas são vazias de memorias, ao contrario de nós que não temos a liberdade das aves e não podemos viver sem memoria, sem esta somos vazios num todo sem futuro.
    AG

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    1. Nem sei se elas serão totalmente "vazias de memórias", dado que certas andorinhas regressam ao encontro do ninho que já tiveram.
      Talvez donas de uma memoria diferente da nossa...:-)
      Sim, sem memória não se vive, porque, antes de mais, nem saberíamos quem somos.
      xx

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  51. OI LAURA!
    VOLTEI AQUI E ME SURPREENDI POR NÃO TER CONSEGUIDO FAZER-ME ENTENDER, LOGO EU, QUE SOU UMA SONHADORA INVETERADA.
    QUIZ DIZER QUE, "PORQUÊ NÃO SONHAR SE AS MARCAS DOS SONHOS NÃO NOS PODEM ATINGIR"?


    ABRÇS

    http://zilanicelia.blogspot.com.br/

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    1. Olá Zilani!
      Ah, mas então fui eu que interpretei mal...o que agora com esta frase deixada aqui, e tendo voltado a ler o comentário anterior, ficou bem explícito, e concordo em absoluto!
      Obrigada por te dares ao trabalho de me fazer entender!...:-)
      xx

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  52. ¡precioso poema y gran canción!
    abrazos para ti, Laura

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