terça-feira, 10 de março de 2015

Castelos no Ar



" O homem é um castelo feito no ar. O que ele tem de não existente, é o que lhe dá existência. O engano em que ele vive, é o que lhe dá vida. Toda a realidade do seu corpo se firma na mentira da sua alma."  
Teixeira de Pascoaes 
         




 Somos vítimas de uma séria sobriedade. De uma normalidade rasante que, de mãos dadas com a banalidade, nos faz povoar a vida de preconceitos todos os dias.
 Encharcamo-nos de uma pretensa intelectualidade que não passa de mera soma de conhecimentos e graus, degraus para um estatuto, mas fechamo-nos ao mundo que aí está à nossa frente, pleno de mistérios e sedutor no chamamento.
 Não existem tisanas ou secretos poderes, tágides ou bardos, corações em tumulto, ou estrofes escritas no silêncio da noite, que nos concedam a coragem de ser quem somos. O ideal foge, raramente regressa, e quando se viajou pelos astros, a redonda e pequena terra azul, parece um pântano; um lugarejo de sensações malditas que cavalo altivo transportou não se sabe como... Afogamo-nos na inocência de interditos, em liberdades impossíveis, em limites inevitáveis. Castram-nos e castramo-nos em enredos e receios que nos devoram a vontade. 
 Passamos a vida em contenção e abstinência, pecando por excesso ou por defeito. Será melhor o menos ou o mais? Devemos ser famintos, ou rebentar de abundância?... Somos tão reticentes ...Tentamos conter a seiva, o sémen, o riso e as palavras, numa sociedade que desconfia da franca alegria e faz apanágio do sacrifício. Que exaspera se os rios secam, que desespera se transbordam, que defende o apriosionamento em vez da libertação. Que rejeita que a natureza erre, se confunda, ou se exceda sem substanciais propósitos.
 Tornemo-nos então, maníacos da decepção; mera consequência da nossa irresponsabilidade, ao construir castelos no ar, não tratando de estabelecer os respectivos alicerces. Prefiramos a mentirosa aparência das coisas ao seu real valor, porque somos o nosso próprio contra-senso, e o corpo pode ser uma cama desconfortável para a alma. Esvaziemo-nos de claras intenções, e afoguemos a inocente genialidade em monótona vulgaridade. Sobretudo que não ousemos pensar. Muito menos sentir. Não gostemos verdadeiramente de nada, e se amarmos, que o façamos com parcimónia. Preferível que tudo nos seja mais ao menos indiferente. Não olhemos à nossa volta, muito menos para dentro de nós, a não ser para que, a partir da nossa própria imagem no espelho, nos desintegremos e fiquemos diante de nós como não imaginávamos ; uma imensidão de átomos que se julgaram importante matéria. Esqueçamos a singularidade da qual somos feitos.
 Existiu um rio onde mirei o meu olhar. Dois passos adiante, o rio não estava lá. Nem a minha imagem, nem eu.
 O dia está triste?...Nem pensar!...É apenas o meu olhar a demorar-se em breve diáspora sobre um horizonte de estepes adormecidas.





De Don McLean, Castles in the Air.
  

127 comentários:

  1. Adoro Teixeira de Pascoaes!

    Laura, vc está me surpreendendo.
    Isto é filosofia da boa!
    Abraço!

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    1. Também eu gosto de Teixeira de Pacoaes, Arnaldo.
      Quanto à "filosofia da boa", não sei se será boa, mas o meu texto só pode ter a ver com a minha "deformação de formação"! ;-)
      xx

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  2. Bom dia Laura

    Não sei como te responda, li o teu texto, bem sabes que é areia de mais para a minha bagagem mas apanhei ali um "parágrafo" que me despertou.

    "" Passamos a vida em contenção e abstinência, pecando por excesso ou por defeito. Será melhor o menos ou o mais? Devemos ser famintos, ou rebentar de abundância?... ""
    Tudo tem o seu QB, mas existem pessoas que preferem rebentar por excesso que dividir..
    Gostei do texto, mas não consigo relatar muito mais. Mas gostei muito

    Acho que muita gente ainda vive nas nuvens e nos castelos feitos no ar. Quando acordarem nem acreditam na realidade.

    Pronto, não está como gostas, mas está como soube. ehehehhehheeh

    XX

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    1. Cidália, eu sei que te é difícil comentar, mas comentaste!...:-)
      Sim, tudo deverá ter o seu qb, por isso tanto a fome como a fartura podem ser maus, no entanto o que é "fome" para uns, pode não ser tanta fome assim para outros, porque aqui estou a falar, em sentido figurado, do desejo humano. Mas concordo contigo, que na vida do dia a dia, há quem prefira rebentar por excesso do que olhar para quem está ao lado.
      Às vezes viver nas nuvens até é bom, desde que não se esteja sempre nas nuvens (subir e descer à terra),pode ser uma "saída" para um mundo que se pode apresentar momentaneamente inóspito ou pequeno. Nós vivemos nas nuvens quando fazemos poesia. A construção de um poema não é mais que um "castelo no ar". ;-)
      E como poderia não gostar do teu comentário?!... Claro que gostei, deste a tua opinião, e muito bem!
      Obrigada, Cidália.
      xx

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    2. Laura, tens toda a razão em dizes que quando fazemos poesia, vivemos nas nuvens. E olha eu que passo a vida nas nuvens... com o imaginário nem sei onde para me inspirar na poesia.

      Passa por lá, lool
      xx és linda :-)

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    3. Eu sei. a tua poesia é muito sincera, é trazida das nuvens bem cá para baixo.
      Passarei, sim.
      xx

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  3. Lindo, muito lindo e verdadeiro! Não construí nenhum castelo, mas as paredes que levantei com muito esforço, foram começadas pelo alicerce e foi sempre a fugir dos castelos que se foram levantando em volta da minha cabeça, continuo a fugir e a levar com as pedras de quem constrói castelos no ar, o homem foi assim, é assim e continuará a ser, resta-nos rezar para continuar a viver fugindo.
    O meu abraço

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    1. Há situações na vida, para as quais se têm de ter os pés bem assentes no chão, e todo o castelo deve ser construído com sólidos alicerces, mas os castelos no ar, são uma forma de sonhar. Não devemos é nunca esquecer que os castelos no ar não têm alicerces! Para que o castelo não nos caia em cima! :-)
      Obrigada, António.
      xx

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  4. Há pessoas que constroem castelos no ar e ficam absortos em fundamentos não construídos,ficando apenas um fruto da própria inexistência e na minha opinião uma pessoa que faz castelos no ar não constroe alicerces para sua vida.
    Bjs Laura e um ótimo dia.
    Carmen Lúcia.

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    1. Sucede muitas vezes, sim, concordo, mas também existem pessoas que embora construindo castelos no ar, conseguem ao mesmo tempo construir os alicerces para a sua vida. O sonho não invalida a realidade, pode até dar-lhe força suplementar. Não devemos é confundir sonho com realidade.
      Obrigada, Carmen Lúcia. Tenha um óptimo dia, também.
      xx

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  5. Perdão Laura,saiu uma palavrinha errada,eu quis dizer "constrói"
    bjs amiga
    Carmen Lúcia

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  6. A Laura desta vez "passou-se", só pode, escrevia tão bem... será da idade?
    :)
    O que acabei de ler, no meu fraco entender, supera tudo quanto já li escrito por si. Soberbo!!! Feiticeira das palavras, encantadora, e mais não digo, que eu não consigo.


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    1. Qual idade, Rui?!...:-)) Se eu tivesse a minha idade não construiria castelos no ar! No entanto sei que são castelos irreais...:-)
      Obrigada, Rui, você é daqueles que peca por excesso, no que aos adjectivos diz respeito! ;-)
      xx

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  7. Comentar o que alguém escreve é um dom próprio, pelo menos igual, a quem se deve ou dá resposta. Quero com isto dizer que nem sempre se consegue responder à altura daquilo que se quer, visto que, nem todas as pessoas têm esse dom, como é o meu caso.

    Gosto de ler quem escreve com sapiência, fazendo do confronto das palavras, ideias ou ideais, que fazem reflectir quem as lê. Está neste caso a escrita da Laura Santos. Na minha opinião, poucos pessoas têm o dom de jogar com o sentido das frases como tu o fazes. Sensacional ( Para não dizer: Brilhante...)

    E vou-me calar antes que...diga asneiras e estrague o sentido de tão belo texto que acabei de ler. És uma escritora maravilhosa de uma sensibilidade ímpar.. Tens, como sabes, a minha sincera admiração
    Fica feliz
    xx

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    1. Ah Ricardo, obrigada. Tu quando queres comentas bem, até sem dizeres alguma coisa sobre o texto, mas já variaste do "brilhante" para o "sensacional"!... Estou a brincar contigo!...:-)
      xx

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    2. Longe disso, caro Ricardo, muito longe disso!
      xx

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  8. Castelos no ar,
    aves sobre eles voam
    para onde querem chegar
    no vácuo, vozes ecoam.

    Pela beleza da mulher,
    neste mundo vive louco
    quanto mais tem, mais quer
    não se contenta com pouco.

    O homem é um castelo feito no ar,
    alguns de cal e pedra dura
    tantas coisas faz sem pensar
    a quem possam causar amargura.

    Grande poder de imaginação,
    tinha Teixeira de Pascoaes
    viveu noutra geração
    como tantos outros mais.

    De ouvir o vídeo, gostei,
    tanbém gostei de ver o gato
    o que vai acontecer não sei
    se o futuro for ingrato?

    As pélalas perfumadas têm,
    as flores, no campo ou no jardim
    A sua escolha porque a fez bem
    amiga Laura Santos, gostei sim!

    Um abraço

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    1. Vejo que a citação do Teixeira de Pascoaes o inspirou, Eduardo! Um grande poeta, e não só!
      O meu texto era muito mais longo, mas cortei umas partes para não se tornar muito maçador. :-)
      Ainda bem que gostou, Eduardo!
      xx

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  9. Compreendo que para quem tem Deus como causa primeira e como fim último, tenhas pressentido Deus neste texto, já que para ti, Ele é omnipresente, omnisciente e omnipotente. O meu texto não aspira contudo ao sentido do divino como revelação dos mistérios do mundo; pretende ser apenas uma reflexão sobre o sonho e a vontade livre.
    A questão de saber se as pessoas se devem acomodar com a monotonia dos dias...se construir castelos no ar, pode ao homem servir para alguma coisa...Se a realidade basta, ou não.
    xx

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  10. Life is"pleno de mysterios" everybody need some mysterie, to find and respect "the lifedrive"!!
    Greetings from a sunny Gent
    xx

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    1. O mistério (mystery) will always be the driving force for everyone but the ones who pretend to sleep with the truth under their beds.
      Obrigada, Willy, very sunny here, too! :-)
      xx

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  11. Querida Laura, o cidadão terrícola atinge o terceiro milênio, preocupado com a eficiência do seu corpo físico, emprega seu tempo em construir castelos no ar, mas, ainda não sabe de onde veio e para onde vai.
    Beijos e paz!

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    1. Mais do que com a preocupação de eficiência, existe uma preocupação exagerada com a beleza do corpo, e esse é realmente um castelo no ar que cairá por terra.
      Não sei, Shirley, parecem existir cada vez mais pessoas com muitas certezas acerca das suas origens e do seu destino; a religião parece dar-lhes a resposta.
      Obrigada, Shirley.
      xx

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  12. Oi Laura \o/
    Um texto repleto de verdades. Uma reflexão e tanto.
    Muitas pessoas constróem castelos no ar,
    afinal sonhar é bom e necessário...mas é preciso construir
    um alicerce consistente, caso contrário, a frustração é grande.
    Beijos!

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    1. Olá Clau!
      Sonhar é necessário, errar é imprescindível. e só com os castelos no ar que desabam sobre nós, nos podemos perguntar quem somos, e partir novamente para erguer novas vontades e desígnios. Crescer é saber lidar com a frustração.
      xx

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  13. Ah, Laura! O que comentar? Dissestes tudo, tudo. Me destes um tapa na face, depois entendi, tu escreveu o que eu deveria ler, então pensei numa cumplicidade, num beijo. Lindo. Copiei, tá guardadinho aqui comigo.

    Beijos!

    Nato

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    1. Ah Nato, que bom ver-te por aqui! Eu sei que entendes o que eu escrevo. Porque como eu, já imaturamente madura, também tu, muito jovem, não temos certezas de nada. :-)
      xx

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  14. Maravillosa canción y video de Don McLean, Castle in the air.
    Exquisitas y excelsas palabras de Teixeira de Pascoas.
    Es cierto; somos maníacos de la decepción. Nos deprimimos en demasía por cosas que tienen solución, sólo que nos lo propongamos.
    Estamos llenos de preconceptos, de prejuicios y de cadenas difíciles de abrir y desterrar.
    Debemos luchar por nuestros ideales, porque, si los pierdes, raramente regresan a uno.
    Debemos construir castillos en el aire, pero con una base sólida que será nuestra gratitud con nosotros mismos y la admiración y el respeto que nos producen nuestros congéneres; para que ese río sea el espejo donde siempre podamos ver nuestro reflejo sin corrientes turbias ni sequías perennes.
    Una Gran Entrada plena de sabiduría y certezas.
    Abraços e Beijos.

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    1. Totalmente de acordo com o teu comentário, Pedro. Há que continuar a lutar contra os preconceitos, e não nos tornarmos maníacos da decepção por problemas solucionáveis e menores.
      Para que o rio em que nos olhemos esteja lá sempre, com novas águas.
      Obrigada, Pedro.
      xx

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  15. Foste brilhante! Reflexão digna de louvor pelas verdades nela contidas e escritas de forma primorosa.
    Abraço, cara amiga.

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  16. Poxa...Fui atropelado por um caminhão de lucidez, estou zonzo até agora. Foi uma das coisas mais lindas e verdadeiras que eu já li por aqui, Laura. Penso exatamente assim... Melhor seria não ter consciência, ou não, ter o imediatismo dos animais, não mensurarmos, não racionarmos a existência, apenas vivermos e nada mais. Como um boi no pasto ruminando o tempo.

    https://www.youtube.com/watch?v=2kRMdzfFf8M

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    1. Que comentário tão divertido, Fábio!...Curioso, nós aqui dizemos camião e não caminhão...:-)
      Melhor ter o imediatismo dos animais, desde que a nossa intuição fosse digna de confiança!
      Adorei o "Ouro Tolo" de R. Seixas; que letra soberba!!
      Obrigada, Fábio.
      xx

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  17. Bom dia Laura..
    somos um castelo e não podemos ter nossos pilares comprometidos..
    pois senão tudo vem ao chão..
    gosto de refletir mas ainda não as passo no papel.. só versos mas tento passar do meu jeitinho tb rsrs
    bjs e até sempre

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    1. Olá Samuel!
      Nós somos e devemos ser o nosso próprio castelo no ar. Os castelos imaginários sustentam-se sem alicerces, os reais é que não.
      Passa esses pensamentos ao papel, quanto antes....! :-)
      xx

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  18. Temos de combater as pequenas tristezas... contorná-las com um sorriso!

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    1. Exactamente, S, as pequenas tristezas são facilmente contornáveis.
      xx

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  19. Passamos a vida a contribuir castelos sem a certeza da firmeza nos alicerces, a reflexão apresentada é pura.
    AG

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    1. Ah os castelos no ar são tão necessários! É o imaterial que constitui a nossa materialidade.
      xx

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  20. Escreves com veemência. O que mais me instigou foi a frase
    de Teixeira de Pascoaes . Viajei no teu texto.
    Volto
    Um abraço

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    1. Teixeira de Pascoaes era não apenas poeta, mas também filósofo, um grande questionador do sentido da vida.
      Obrigada, Marisete.
      xx

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  21. Este sim é um texto metafísico coerente!
    Oque nos falta é aceitação, é permissão, é facilidades, é preguiça...é encarar que somos uma eterna consciência fluindo livremente através das ondas e partículas...

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    1. Falta-nos a ausência de censura que impõe grilhetas, e tempo de ócio para pensar as coisas, já que tudo tende para o neg-ócio, a negação do ócio que permite o pensamento e a criatividade.
      xx

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  22. Laura que delícia apreciar esse castelo gosto muito de ver, texto magnifico Laura beijos.
    Blog /Fan Page / TSU/

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  23. Que texto maravilhoso! Estou atordoado com tamanha descarga emocional.
    Cadinho RoCo

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  24. Adorei o registo, Laurinha. Fora da zona de conforto, mas soberbo.
    Uma maníaca da decepção confessa, que debate o existencialismo ao milésimo de segundo, aplaude de pé.
    Excelente Don McLean.

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    1. Eu não tenho é zona de conforto! Às vezes jogo as palavras ao ar, e depois logo vejo onde caem!
      Só se decepciona quem investe ou quem confia! Quem investiu no BES decepcionou-se, quem confia na espécie humana também se decepciona. Mas no fundo, o inferno não são os outros, somos nós, quando lhes damos a hipótese de nos infernizarem.
      Obrigada, Dulce.
      Bom fim de semana!
      xx

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  25. Laura, não resisti e vim especialmente para dizer-te que o comentário que deixaste no meu blog levou-me às lagrimas, creia! Tu és de uma sensibilidade e te expressas com uma simpatia que rouba-me as palavras. Muito agradecido eu te desejo um final de semana esplendoroso, como nunca vivido...
    Beijo.

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    1. Obrigada, Viviani. O seu texto é muito bonito, e deu-me muito prazer lê-lo.
      O fim de semana que me deseja, eu também desejo a você.
      xx

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  26. Bom dia, Laura.
    Sei que vivemos em num mundo onde a intensidade em tudo o que somos parece ter-se escondido.
    Não camuflo nada e nem vejo como responsabilidade única nossa as decepções que sofremos ao longo da vida.
    Pensamos que existe o alicerce e nos jogamos com todas as nossas forças seja no que for, principalmente no amor, daí, nos ferimos quase até a morte, mas faz parte, infelizmente.
    Sei que o nosso olhar pode estar em luto hoje, bem como todo o nosso espírito, mas até é necessário para que exista o renovo.
    Acordaremos um dia e viveremos, na íntegra, momentos que sejam de felicidade, sem podarmos nada, apenas vivermos a mais bela e profícua situação que nos agrada.
    O que será depois, não sei, importa como eu me sentirei.
    Muito bom.
    Tenha um fim de semana de paz.
    Beijos na alma.

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    1. Patrícia, acho que leste muito bem o meu texto, e só tenho a agradecer-te essa leitura.
      Muito obrigada.
      xx

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  27. Fascinante texto…e linda música. Obrigada.
    A Rita Guerra também tem um tema "Castelos no ar" que gosto de ouvir.
    À primeira vista se calhar não é evidente, mas sempre fui uma sonhadora, só que na realidade, desde que tenho consciência das coisas, ouço que "deve-se ter os pés bem assentes na terra", ainda assim gosto de pensar que o sonho pode muito bem avançar ao lado da realidade, mas que aquela frase fica no ouvido, fica. É tal como começas acima "Somos vítimas de uma séria sobriedade.".
    Beijo e bom fim de semana.

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    1. É verdade, a Rita Guerra também tem uns "Castelos no ar"!
      Mal de quem não seja sonhador, mas há sonhos e sonhos!...O que eu advogo é que a realidade não pode ser castradora de sonhos, independentemente de eles serem realizáveis ou não. É a questão de os outros acharem que podem ser juízes nos sonhos e na liberdade dos outros; de fazerem juízos de valor sobre a consciência ou inconsciência dos outros.
      Obrigada, Paula, e um óptimo fim de fim de semana!
      xx

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  28. Comentar aqui...ufa!
    Vale que porventura a invencao mais inacabada, seja aquilo a que se chama de espelho, quando nao, por maior que este fosse, como poderia ali caber fosse qual fosse o reflectir da parte fisica, deixar espaco para a imensuravel parte que dizem ser do humano.
    Curiosamente hoje "apanhei" uma entrevista do papa Francisco que independente de credos me deixa por vezes perplexo em que numa entrevista ...
    "Você sabe como um argentino se suicida? Ele sobe em cima de seu ego e se joga lá de cima".

    Beijinho, Laura.

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    1. Pois é, Xico. A questão é que no espelho não cabe nada, a não ser uma imagem limitada e tantas vezes distorcida da realidade. Imagens, sempre a partir de imagens, acerca de uma pessoa. O incomensurável fica sempre algures, até para nós, tantas vezes, quanto mais para os outros que julgam conhecer-nos.
      Curiosa essa citação acerca do presumível suicídio de um argentino, e se dito pelo Papa Francisco, não será só de um argentino, mas de todo o homem que se preze; é já não aguentar de tanto ego! No ego sucumbir, e dele despenhar-se. Assim como saltar de uma ponte para o vazio.
      Ufa, digo eu...;-))
      xx

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  29. Olá Laura,

    Que prosa intensa, amiga! Show de filosofia e reflexão. Ainda bem que a bela música veio suavizar a seriedade das divagações-rs.
    Creio que a maioria de nossas frustrações e decepções são resultados de castelos fragilmente construídos. São sonhos , ilusões e fantasias sem consistência ou respaldo da viabilidade. Castelos no ar são prazerosos de se construir e movimentam nossas asas, mas um pé no chão sempre será bem-vindo nessa construção, se bem que a destruição desses castelos vem seguida de importantes aprendizados.
    O texto é fantástico e construído com muito discernimento e inteligência.
    Deixo um pensamente de Henry David Thoreau: "Se você já construiu castelos no ar, não tenha vergonha deles. Estão onde devem estar. Agora, dê-lhes alicerces.

    Beijo.

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    1. Olá Vera!
      Ah, apeteceu-me "avariar"!...:-)
      Tudo o que dizes eu concordo plenamente e está muito correcto, só que eu não consigo construir um castelo no ar com um dos pés cá em baixo, tenho de subir com castelo!...Depois estatelo-me ao comprido....:-) Ah mas aprender aprendo, eu até já desconfio que os meus erros acontecem porque gosto de aprender, ao contrário dos outros, os que me deitam os castelos ao chão porque já sabem tudo, e nada mais têm a aprender.
      Conheço essa citação do Thoreau, mas a verdade é que como diria Florbela Espanca :

      "Deixa tombar meus rútilos castelos!
      Tenho ainda mais sonhos para erguê-los
      Mais alto do que as águias pelo ar!" (...)

      Obrigada, Vera. Um excelente fim de semana para ti!
      xx

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  30. Pensamos que somos e somos o que nem pensamos.

    Esta matéria é para filosofar vidas, eras inteiras.

    Muito boa partilha e reflexão.

    Beijinhos

    Bons sonhos!

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    1. Pensamo-nos no que somos, mas somos muito mais do que nos pensamos.
      xx

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  31. Laura , há certas pessoas que tem o dom de usar as palavras e delas fazer poesia . Você é uma delas . Basta ler este texto profundo e poético . Só mesmo agradecendo a partilha . Beijos e alegre final de semana .

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  32. Que seria de nós sem a possibilidade de erguer castelos no ar, Laura? Eles tombam, mais dias, menos dias... Mas, como diria a Florbela... deixa-os ruir... tenho ainda mais sonhos para ergue-los!... E assim seguiremos - pelos castelos de ar - enquanto cá embaixo ditam normas nas quais nunca me enquadrei.
    Abraço!

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    1. Que tombem, Jussara, porque outros serão erguidos.
      Algumas normas sociais só existem para serem desrespeitadas. Porque sempre o foram. É impossível cumpri-las todas.
      É isso, assim seguiremos.
      xx

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  33. Um texto reflexivo num acutilante e crítico olhar; analisado ao pormenor, daria quase um "tratado". Vou fazer a súmula da minha leitura. A mediocridade parece, de facto, ser quase um dogma. seja a que existe por falta de visão pessoal, seja a que pulula, como dizes, disfarçada " de uma pretensa intelectualidade". Há demasiada informação e pouco processamento e filtro para ser transformada em conhecimento (e , amadurecida, em sabedoria). Deste modo, cede-se ao imediatismo, à ação imponderada. deduzo ironia por detrás da seriedade do teu texto. Uma crítica à inação.Contudo, numa espécie de questionamento retórico, duvidas do que será melhor: ir atrás do rebanho, despreocupadamente (como o parvo em Gil Vicente) ou ousar ir à frente e, quiçá, trepar o sonho. Na verdade, a sociedade atual não (nos) deixa muita folga...Porém, a alienação também não é caminho.
    O final do texto é de índole filosófica: o que parece não é...Terá razão Platão?
    Puxa! Suei :)
    PARABÉNS!
    Bjo, querida Laura

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    1. Até que enfim alguém percebeu que existe ironia na segunda parte do texto!!...Porque foi essa a minha intenção, e já estava a pensar ter falhado completamente...:-)
      É isso mesmo; ir atrás do rebanho, ou ousar, mesmo com o risco de errar?...O que parece tantas vezes não é, e Platão continua ainda hoje coberto de razão.
      Obrigada, Odete. Aleluia, alguém entendeu o que eu tentei dizer!
      xx

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  34. Olá, Laura Santos.
    Hoje, 14/03, quando Celebramos o Dia Nacional da Poesia ( no Brasil ) vim, saudar-te, e trazer-te um pedaço da minha alegria.
    És grande, portanto, sóis poeta poetisa.
    Que o dom da luz divina, te guarde proteja.
    Um abraço, e desejos de Paz e muita Luz.

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    1. Obrigada, Zé.
      Acho muito justo que o Dia da Poesia no Brasil tenha surgido em homenagem ao grande poeta Castro Alves.
      xx

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  35. IMAGINAR NOS DA TAMBIÉN VIDA...!
    ABRAZOS

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  36. O sonho é uma constante da vida, já o dizia António Gideão. É bom fazer castelos no ar, pensar, inventar para evoluirmos, em vez de ficarmos parado.
    Bom domingo, Laura.

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    1. Muito bem observado, Elisabete.
      A "Pedra Filosofal" é um dos poemas mais conhecidos em Portugal, e não o será por acaso:
      "Eles não sabem que o sonho
      é uma constante da vida
      tão concreta e definida
      como outra coisa qualquer" (...)

      O sonho ajuda a caminhada.
      xx

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  37. Laura, soubeste bem delinear os meandros que muitas vezes nos impomos por absoluta falta de uma proposta interior que possa nortear as decisões. Daí muitas vezes nos apegarmos aos sonhos, à fantasia, buscando neles uma forma de sobreviver, um mecanismo de fuga que nos livre dos problemas que julgamos maiores do que possamos suportar.
    Como bem colocaste “Castram-nos e castramo-nos em enredos e receios que nos devoram a vontade”. E nos tornamos famintos, reticentes, tentando “conter a seiva, o sémen, o riso e as palavras” e aí vem o medo de tentar, de ousar, e passamos a usar a fantasia como uma técnica de sobrevivência, de vencer a insegurança, de procurar saltar os obstáculos sem nem ao menos tentar vencê-los com o discernimento das decisões. Perdemos muitas vezes a oportunidade de crescer com as adversidades, de refazer planos, por medo de ousar, de quebrar regras, de avançar limites e nos resguardamos sobretudo de não ousar pensar “Muito menos sentir”. Preferimos realmente “que tudo nos seja mais ao menos indiferente”, para não precisarmos olhar ao nosso redor, à nossa volta, “muito menos para dentro de nós”, porque se assim o fizermos veremos a farsa em que nos tornamos e a sensação de culpa por termos construído castelos sem o devido cuidado de alicerçá-los corretamente. E pior ainda será descobrir que não existem “estrofes escritas no silêncio da noite, que nos concedam a coragem de ser quem somos”, pois não nos permitimos errar, cair, com receio de que, ao levantar, sejamos alvos de críticas e repreensões. Esquecemos muitas vezes que as adversidades nos ensinam como refazer os planos, e nos perdemos em reclamações e assim perdemos as oportunidades de um novo direcionamento. Chegamos em um ponto em que olhando para trás poderíamos encontrar a forma de acertar com os erros cometidos, mas muitas vezes o medo de voltar o olhar para o futuro tolhe qualquer atitude corajosa. Mas se tal barreira for vencida, se um olhar para a frente nos mostrar que podemos sim, que temos elementos para ousar nova empreitada, aí sim, veremos que nada foi em vão e que vale a pena acreditar nas nossas possibilidades.
    Laura, minha linda, desculpa ter “passeado” pelo teu texto tão reflexivamente profundo. Uma página de belíssima interpretação, onde nos dás a conhecer, mais uma vez, a tua versatilidade em expor os males que acometem a alma do ser humano.
    A imagem, também magnífica, ilustra bem teu belo texto!
    Despeço-me com meu carinho numa frase do Carl Jung: "Quem olha para fora sonha, quem olha para dentro desperta."
    Confesso que ainda tenho muitos sonhos para sonhar, enquanto espero que os já sonhados se realizem... (risos)
    (Uma novidade lá no meu cantinho...)

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    1. Que comentário profundo e elaborado!
      Concordo contigo, mas penso até, indo um pouco mais longe, que o sonho e a fantasia podem não ser apenas fugas mas também processos inerentes, e muito conscientes, à necessidade humana de criatividade. Embora muitas vezes o sonho possa surgir como paliativo para uma vida sem grandes respostas, não acho que o facto de sonhar, impeça a pessoa de vencer obstáculos, e crescer com as adversidades; o sonho, no sentido em que o entendo e na forma como mora em mim, pode ser um incentivo à ultrapassagem de caminhos tortuosos; uma ferramenta mais.
      Quando afirmo "que tudo nos seja mais ou menos indiferente", estou a usar de ironia, porque parece-me ser a sensibilidade, algo sem espaço de manobra na vida em sociedade.
      Passeaste lindamente pelo meu texto, como sempre, e até te demoraste...:-)
      Ah, e quanto a Jung, posso dizer que olho para fora, e que "despertar" é um dos meus exercícios predilectos! ;-)
      Novidade no cantinho?!... Vou já lá!
      Obrigada, Helena, pelas tuas análises estrondosamente fundamentadas, e por seres esse ser tão especial.
      xx

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  38. Acredito que a construção de castelo no ar é o que dá sustentação à nossa caminhada. Afinal, sonhar é um direito e não custa nada. Belíssimo, profundo e muito bem coordenado texto. Parabéns!

    Abraços e uma ótima semana para ti e para os teus.

    Furtado.

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    1. É como disse atrás noutro comentário; o sonho ajuda a caminhada.
      Sonhar é um direito do qual não consigo abdicar.
      Obrigada, Furtado.
      Uma óptima semana também aí para casa.
      xx

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  39. Um tratado filosófico com a tua rica poética e o teu olhar
    pássaro viajante semeando a legitimidade do Ser em toda
    a sua complexidade do estar (aparentar). Neste teu voo
    descortina os espaços de vazios e significados de nossa
    humanidade seguidora de uma "normalidade rasante"
    preferindo a pequenez limitante da incapacidade de um
    sentimento maior, o amor como uma ponte de reconhecimento
    de igualdade e semelhança. Neste teu belo e magistral texto
    evidencia o sentir como uma bússola na condução do ritmo
    da vida, com os sonhos no alimento da vontade libertária.
    Este sentir pode nos salvar de uma racionalidade genial.
    Esta que criando as couraças possibilita a frieza esvaziadora
    do olhar contemplativo ao encontro de nós mesmos e ao
    encontro com o outro num reconhecimento dessa
    irmandade humana.

    Querida Laura, tens um talento imenso e uma
    humanidade inteira dentro de ti, És uma grande
    escritora e eu sou tua fã...
    Bravo!!
    Beijinhos.

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    1. Com o teu, (e alguns outros comentários), já não me sinto ua ave tão rara assim, no que diz respeito às minhas concepções de vida, e como sabe tão bem saber que não estou só....:-)
      É como dizes, ou não falássemos nós a mesma linguagem; o sonho como alimento de uma vontade libertária, pressionada por um desejo inato de amor como princípio fundamental, e base de tudo. Mas o mundo está entregue às feras, um mundo onde a maior parte das pessoas se acham em estranheza e não em reconhecimento.
      Obrigada, Suzete, sabes também como admiro a tua poesia.
      Duas linguagens com formas e conteúdos de sentir, que se tocam!
      xx

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  40. Parei a meio para respirar e dizer para os meus botões: como eu amo o que a Laura escreve! É que me sinto-me inteira na diáspora do teu olhar.
    Na verdade tiveste que construir os teus alicerces para chegares aqui e conseguires levantar-nos do chão, para nos dizeres que, apesar da nossa condição terrena, possuímos um espírito insustentavelmente livre. E essa ascese, esse quebrar de amarras é a nossa vocação primordial.
    Que bem se anda por aqui!
    Um abraço enorme.

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    1. Ah Teresa! E que posso eu dizer agora?!...Palavras generosas demais.
      Quebrei as amarras da hipocrisia muito tarde, mas quebrei, e essa é a minha vitória, que pode parecer pequena aos olhos dos outros, mas que para mim é enorme.
      Obrigada, Teresa.
      xx

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  41. Laura, que texto incrível! Quanto de nós deixamos por aí quando nos rendemos ao vazio do que não nos pertence de fato, quando nos prendemos ao atender expectativas alheias sem nos darmos conta se é isso de fato o que nos fará felizes.
    Já me libertei de várias situações que me fizeram chegar a esse ponto... ainda estou trabalhando meus pensamentos e sentimentos em relação à um trabalho que não está me fazendo feliz. Mas é difícil abraçar somente o que nos faz bem quando sabemos que a realidade do dia a dia nem sempre é afável com aqueles que perseguem somente aquilo que gostam.
    O que não pode é essa divisão interna causar caos tamanho a ponto de nos perdermos de nós mesmos.
    Por isso persigo sempre o amor... penso ser o bálsamo que nos cura da realidade insana que nos cerca. Um abraço!

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    1. Não se trata de apenas fazer aquilo que se gosta. A vida força-nos a fazer no dia a dia, coisas das quais possamos não gostar, mas essas são coisas menores, e que não violentam a essência de cada um. Refiro-me às questões maiores de liberdade e consciência. Existe uma grande diferença entre fazer, dizendo que se gosta não se gostando, e fazendo dizendo que não se gosta. O ideal, claro, é não fazer porque não se gosta...:-)
      Sim, o amor convém persegui-lo.
      Abraço, Bia, e obrigada.
      xx

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  42. Laura, há pessimismo na frase de Teixeira de Pascoaes , mas a música que escolheu é linda e as imagens do vídeo, encantadoras.
    Seu texto é magistral. A abordagem que fez provoca análise dos caminhos que costumam ser escolhidos pelo homem, deixando de lado a sensibilidade.
    Quando, crianças, construimos castelos de areia, sabemos que o mar vai levá-los, o que não impede os elaboremos com prazer e gosto. O sonho é jornada e um dos mais belos nortes do ser humano. Podemos perceber imediatismo nas condutas atuais, falta de seriedade, ambição desmedida... comportamentos esses que são copiados, simplesmente. Mas há quem não siga a procissão, abrace ideais e sonhe, tentando voar sobre o ruim e alcançar a beleza do alto dos montes, sem pisar em ninguém. Sua escrita é por demais primorosa e eu a aplaudo, sempre. Bjs.

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    1. Por acaso não acho a frase de Teixeira de Pascoaes pessimista; acho-a realista.
      Mas a tua leitura do meu texto é excelente, como sempre. É disso que se trata; da valorização da sensibilidade, e o exemplo dos castelos de areia não poderia ser melhor. A criança até poderá ficar triste ao ver o seu castelo diluir-se na areia, mas essa primeira frustração ensina de uma vez por todas, que o castelo terá que ser construído da próxima vez, com a sabedoria de que todo o castelo cairá, mas que valerá sempre a pena construí-lo, pelo prazer que dá.
      O não abraçar a procissão, é quanto a mim fundamental, prefiro o original à cópia, a singularidade à generalidade.
      Obrigada, Marilene. Sinto saudade das tuas crónicas!
      xx

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  43. Quando comecei a ler o texto parecia que estava a ler o meu blog ;)

    Gostei muito :)
    bjo amigo

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  44. Laura, minha querida,
    Estive em férias por quinze dias curtindo as águas da baía da Guanabara, que chamamos de Rio de Janeiro. Precisava desse descanso para recarregar as baterias. Dos “bares da vida” aos museus, aos teatros, às praias até a cidade de Petrópolis. Lá encontrei em exposição, dentre outras relíquias da família imperial, a pena de ouro com a qual Princesa Isabel assinou a Lei Áurea. Estou aqui, de volta, matando as primeiras saudades, ouvindo a tua voz, a tua dicção. Lendo esse texto inquiridor, que muito nos interroga, fazendo pensar sobre o sentido da vida, da sua palavra reveladora. Quebrando a minha letargia ao pensar em questões filosóficas e sociológicas nele colocadas. Lendo esse confronto do mundo para ver se conseguimos vencer a ignorância que ele nos causa.
    Com o meu apreço,

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    1. Que inveja boa esses dias de férias! Imagino que as baterias venham muito bem carregadas, porque nada melhor do que sair para apanhar ar(es)...:-)
      Essa Lei Áurea acho que tem a ver com a extinção da escravatura no Brasil, se não estou errada....e uma princesa teria de usar uma pena de ouro para assiná-la!
      A sociedade tenta conduzir-nos à ignorância, mas o nosso mundo tem que ser muito maior do que aquele que nos é oferecido.
      Bom regresso, Zé!
      xx

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  45. É apenas um dia com gotas de chuva que se desprendem de uma rara flor.
    Bj

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  46. Olá, Laura!
    Vim saber das novidades e deixar a ti os meus votos de um ótimo final de semana.
    Abraço.

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  47. Laura, como não consigo responder no meu blog, vim cá pra dizer-te que tens razão: histórias trazem histórias e a que contantes, - de tua vivência pessoal, foi de encantar pela franqueza...
    Beijo.

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    1. Ah, Viviani, obrigada pela resposta, mas é que achei que a vivência do meu primeiro namoro, há tantos, tantos anos, tinha muito a ver o seu belo conto!
      xx

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  48. Confesso padecer deste mal.

    Todos os meus castelos se vão desmoronando e à volta dizem-me que sonhei demais.

    E agora, que faço das ruínas e de breves flores que desabrocharam?

    Este texto é dos mais fantásticos que j´li de toda a literatura por onde me passeei...e diz-me tanto!!! Mas, tanto!!!

    Beijinhos e obrigado.

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    1. O que os outros dizem não interessa. Os castelos deles não desabam, simplesmente porque não têm coragem de construí-los. Das ruínas inventa-se outra construção, e das breves flores fica sempre o aroma.
      Obrigada, Pérola. Quem sabe ler e escrever como tu, sabe que vale a pena construir castelos.
      xx

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  49. Oi Laura,passando para desejar um lindo final de semana e agradecer suas visitas em meu espaço.
    bjs
    Carmen Lúcia.

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    1. Ah, não precisa, Carmen, mas obrigada.
      Um belo fim de semana, também, e uma bela entrada no Outono.
      xx

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  50. Fiz tantos castelos no ar quando era jovem. Tinha tantas pretensões. Agora que a velhice chegou, castelos só de areia quando brinco com a netinha na praia.
    Um abraço e bom fim de semana

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    1. Eu acho que a minha velhice se está a prepar para ser povoada de castelos no ar. Serei sempre uma coerente sonhadora. A vida pede-me isso, até porque não tenho netinha para construir com ela os castelos na praia.
      Bom fim de semana, Elvira.
      xx

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  51. Break your resistance, yes,yes, without words!!!!
    XX

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    1. That was funny!
      I´m sure you will, with those last paintings so difficult to commment...;-)
      xx

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  52. Olá, Laura!
    Gosto muito de ler os seus textos, mas as vezes fico meio intimidado a fazer um comentário que esteja a altura do que o conteúdo merece. De qualquer forma, assumindo aqui minhas limitações literárias, o que para mim não é nem um pouco motivo de constrangimento, posso dizer que aprendo muito em cada blog que visito, mas o seu, excepcionalmente, é um desafio á parte para minha cabeça meio oca. Mas esse texto, achei que condiz um pouco com minha realidade "intelectual", e resolvi arriscar esse comentário. rss
    Grande abraço.

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    1. Olá Tito!
      "limitações literárias", "cabeça meio oca"...? Não me parece!
      Obrigada pela visita, e bom fim de semana.
      xx

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  53. Uma passagem rápida apenas para desejar um excelente fim-de-semana.
    Um beijo
    MIGUEL / ÉS A MINHA DEUSA

    PS – Te aguardo no próximo dia 24 para ver o meu novo post.

    Li-te na diagonal :), mas o pouco que "apanhei" foi o suficiente para me obrigar a voltar com o tempo necessário para "ver com olhos de ver".
    Como ando em viagem não tenho muito tempo livre, mas regresso brevemente.
    Até lá... mais um beijo.

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    1. Ó Miguel, pareces um saltimbanco...:-)
      Irei lá, sim. Um bom fim de semana também para ti.
      xx

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  54. Passamos a vida, com ela a passar-nos ao lado.
    O sonho não é mais que um falso alimento para a alma.
    Embriagamo-nos de esperanças que não são mais que um empréstimo contraído a felicidade.
    O mais aterrador é que se não podemos viver de castelos no ar, cá por baixo, os terrenos estão muito pantanosos, e as areias são movediças.
    É o fossilizar do homem.

    JINHO Laura

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    1. Concordo que sonhar a vida nada dela faz, mas discordo que o sonho seja um falso alimento. Pode é no mínimo, não servir para nada, mas nada do que se sonha é falso. Falso é o que é apresentado como real valor, não o tendo. É atribuir às coisas ou às pessoas valor que não têm, mas os nossos sonhos nunca nos desiludem; nós é que podemos não estar à altura deles.
      A esperança é importante, sobretudo se cá por baixo "as areias são movediças".
      xx

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  55. Cada vez que venho aqui leio algo em seu blog, e tudo é sempre lindo Laura!!!
    Beijos e beijos mil ♥

    http://simplesmentelilly.blogspot.com.br/

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  56. És mesmo lindona, pá...não me canso de olhar para a tua foto...
    Ai a minha vida...

    :)))

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