sexta-feira, 20 de setembro de 2013

J. Slauerhoff


"Os meus poemas são a minha única casa"


 Jan Jacob Slauerhoff, poeta e novelista holandês, nasceu em Leeuwarden em 1898 e faleceu em Hilversum em 1936. Estudou Medicina em Amesterdão onde começa a escrever poesia. Inadaptado à sociedade do princípio do séc.XX inicia uma vida boémia influenciada pelos seus poetas-modelo; Baudelaire, Verlaine e Rimbaud.
 De constituição frágil e saúde precária, decide no entanto tornar-se médico de bordo, actividade que interromperia diversas vezes por motivos de saúde. Durante a sua última viagem à África do Sul contraiu malária, o que a juntar a uma tuberculose não devidamente tratada fez com que voltasse para recuperação em Itália, mas já era tarde demais. Ainda doente voltou ao país natal onde acabaria por falecer aos 38 anos de idade. Devido à sua morte tão prematura, muitas das suas obras só foram publicadas postumamente.
 De espírito atormentado e solitariamente aventureiro, desencantado com o seu tempo, tentou encontrar noutras culturas um estímulo para tentar sair da sua forma de escrever e sentir, um pouco depressiva.
 Durante as escalas de suas viagens marítimas passou por todas as colónias portuguesas, contactou regularmente em Lisboa com muitos cantores de fado e privou com Fernando Pessoa. Dessas visitas resultou a colectânea "Solares" cuja secção intitulada "Saudades" apresenta poemas com títulos em português; Lisboa, Vida Triste, O Enjeitado, Saudade, Fado... Faz de Lisboa e Macau projeções do seu irremediável mal-estar. Muito interessado em Camões, figura para a qual transporia as suas próprias obsessões, tornando-a personagem recorrente na sua obra; no romance "O Reino Proibido", em poemas como "O regresso de Camões", "A última aparição de Camões", ou em "Camões" da colectânea " Um Honroso Jazigo de Marinheiro". Um "Camões transfigurado que tem mais a ver com o próprio Slauerhoff.
Um homem que conheceu de perto a alma portuguesa já de si impregnada de tantos cantos do mundo, que a sua poesia teria de ter carácter universal. Dele apenas conheço "O Reino Proibido", e alguns poucos poemas traduzidos para português para o álbum "O Descobridor - Cristina Branco Canta Slauerhoff".

Fontes: 1."Camões e Macau num Romance Neerlandês" de Patrícia Couto com Arie Pos, Ed. Teorema 
 2. Wikipedia


                                        A UMA PRINCESA DISTANTE

                           Jamais voltaremos a ver-nos. 
                           Entre nós dois há um mundo pelo meio.
                           Por vezes, de noite, à janela nos detemos
                           Mas são outras as estrelas que vemos...
                           De outros tempos o enleio.
    
                           É tão longínquo o vosso país do meu:
                           Como a luz da mais funda escuridão - tão distante-
                           Que viajando sem parar nas asas do desejo, eu
                           Vos saudaria num suspiro agonizante.

                            Porém, se for verdade,
                            Que sonhando o impossível,
                            Se leva o maior dos anseios
                            À estrela mais intangível :
                            Então eu voltarei,
                            Voltarei todas as noites...
                             De saudade.
                                                           (  Slauerhoff, trad. de Mila Vidal Paletti)


 Deste álbum "O Descobridor-Cristina Branco Canta Slauerhoff" escolhi "Os Solitários", porque "...tudo passa, tudo desaparece... /E embora inspire ternura, /O pouco que ficou / Não chega para viver."
                  




69 comentários:

  1. Boa noite querida Laura... só a frase que ele deixou, já me vi nela.. tb me vejo assim.. se eu pudesse construir minha casa só com versos eu faria não uma casa mas um castelo pq não para mais de fazer os mesmos rsrs.. e a poesia do mesmo muito graciosa.. vcs mulheres sempre fazem parte dos versos dos poetas não adianta.. são tudo para nossos corações uma linda noite até sempre bjs

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Olá Samuel!
      Imaginei que você se pudesse rever naquela frase... e claro que a sua casa teria de ser um castelo para albergar tanto soneto, com um jardim repleto de donzelas perfumadas de jasmim ou de rosas, e você feito cavaleiro com seus longos e belos cabelos esvoaçando ao vento no alto de uma torre...Até estou a visualizar...:-)
      As mulheres fazem parte dos versos dos poetas e os homens também fazem entram na inspiração das mulheres; não há volta a dar. Foi assim, continuará a ser assim.
      Obrigada, Samuel!
      xx

      Eliminar
  2. Querida Laura,

    Quero agradecer esta tua partilha, uma preciosidade de leitura...

    Maravilhoso o poeta e esta frase: "Os meus poemas são a minha única casa"

    Uma construção imagética genial!

    Lembrei-me de uma história com o poeta Mário Quintana, que sempre morou

    no hotel de Porto Alegre. Teve um momento que este hotel foi demolido e

    muitos jornalistas perguntaram ao poeta,e agora onde o senhor irá morar e

    ele respondeu com toda calma: "Eu moro dentro de mim..."

    E outro tema a saudade, um sentimento como uma porta aberta

    desta casa para o ir ao outro que falta...

    Adorei escutar a cantora, tudo escolhido de forma harmoniosa

    pela sensibilidade única da poetisa laura...

    Sempre muito bom voar aqui neste teu espaço!!

    Beijinho.

    PS: Adoro a tua presença no meu espaço, para mim,

    já é imprescindível...

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Oi Suzete!
      Adorei conhecer essa resposta do M. Quintana, um grande poeta!
      Realmente se antes de mais não morarmos dentro de nós, poderemos morar onde...somos a nossa própria casa e depois partimos para outras habitações...
      É sempre um prazer ver-te aqui. Chegas a voar de mansinho, partes a voar, mas deixas sempre palavras maravilhosas que muito agradeço. E visitar-te significa apenas que gosto de ler boa poesia, algo de que ambas gostamos!
      xx

      Eliminar
  3. Mais uma vez estou voltando
    com as mãos estendidas
    para segurar as suas com infinito amor.
    Que , a alegria de dividir meus sonhos
    seja bem recebida por você e ,
    que você também compartilhe
    desse meu sonho.
    Que , nossa amizade nos permita compartilhar
    alegrias , felicidades e também nossas tristezas.
    A mais preciosa amizade é alimento ,
    que sacia nossa alma
    é aquela , que crê em nós
    é aquela , que nos aceita da forma , que somos ,
    pois somos seres humanos
    parecidos sim nunca com pensamentos iguais.
    Um abençoado e feliz final de semana.
    Beijos no coração ,paz e carinho na alma.
    Evanir.
    PS:Com a chegada da primavera na
    postagem tem um mimo
    da primavera.
    Carinhosamente te ofereço
    um mimo é simples mais feito com
    muita ternura.
    Uma oferta de amor pela nossa amizade.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Muito obrigada pela sua atenção e amizade. Um feliz fim de semana também para si.
      Tenho muito apreço pela oferta do seu mimo, mas na verdade eu não transporto selos para o meu blog. De qualquer das formas, muito obrigada pelo seu gesto carinhoso, Evanir. Contou a intenção, e essa calou fundo em mim.
      xx

      Eliminar
  4. Bom dia Laura Santos

    Tinha tanta coisa para dizer sobre o médico, o poeta, o viajante, o romancista J. Slauerhoff.

    Só que me esqueci que a caixa de texto seria pequena de mais para esse tanto que eu teria para dizer. Fiquei triste.

    Mas pronto. Vou-me limitar à minha insignificância cultural e deixar para outros temas, digamos que mais fáceis para a minha limitada sapiência, tudo aquilo que eu tinha para dizer sobre este tópico.

    É que eu comecei a estudar para ser doutor, mas chegado à 4ª classe ( doutros tempos)-( mais ou menos...), desisti...

    Ainda digo: Considero este tema, visto que foi escrito por ti, brilhante. Será certamente comentado com sabedoria e elegância de conhecimentos.
    Bom, vou calar-me antes que diga ( ainda mais...) asneiras

    Fica bonita e feliz.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Ricardo, cá vens tu novamente com essa conversa de "insignificância cultural" e "sapiência"...! Tu achas que eu conhecia este poeta? Não conhecia. Falaram-me dele um dia e fui pesquisar...eu não sei muita coisa, só que ao fazer este post fiquei a saber...Eu não esperava que conhecesses este autor porque é praticamente desconhecido em Portugal embora por cá tenha passado, e achei interessante essa afinidade que teve com a nossa Língua e com Fernando Pessoa, o de sentir que o mundo é sempre mais pequeno do que parece ser.
      Poderias ter comentado o poema dele que até é simples, ou ter dado uma opinião sobre a música...Porque é que insinuas que podes dizer asneiras, quando nunca nada de ti saiu que me parecesse asneira?!....
      Além disso Ricardo, tenho tido ao longo da vida conversas muito mais interessantes com pessoas com a 4ª classe, ou até sem ela, do que com supostos "doutores". E sabes perfeitamente como aprecio as tuas opiniões, por um lado, e por outro lado, a consideração que tenho pelo que escreves, porque escreves bem, tens sensibilidade, e existe muita gente com "canudo" que nem uma frase correcta sabe compor.
      Vá, deixa-te de tretas, e diz-me ao menos se gostaste da música! Se calhar nem a ouviste, lol!
      xx

      Eliminar
    2. Ai Jasus, Santa virgem enciclopédica da fortuna desajeitada, como me doem as costas...que tareia...até estou arrepiado, lool

      Olha: Não conheço a nível de blogoesfera uma pessoa que comente e responda a comentários como tu.
      Consegues sempre comentar o comentário com palavras sábias, próprias de quem tem uma cultura superior, ao nível do uso da palavra ( entre outras, com certeza...).
      ès simplesmente fantástica,..inigualável.

      O poema é simples? Pois...

      Sonhar é mesmo isso. Venturas, desventuras, são sempre possíveis. O luar e as estrelas, são fontes de inspiração. Geram saudade na separação, desejos de novo encontro, incertezas de pensamento.

      Olha, à noite, antes de dormir, vai até à janela , ou à varanda, e se vires uma estrela viajar pelos céus, olha-a bem e tenta ler a mensagem que envia.
      Talvez consigas decifrar algo entre essa estrela e a lua que é simplesmente uma mensagem do meu pensamento, que pergunta: Quem és tu Laura Santos?

      Mas não te preocupes é apenas um pensamento meu que vagueia e anda perdido pelos Céus da irrealidade, assim como se fosse...escrito no vento

      Gostei muito da música e da letra, que ouvi com toda a atenção. Simbiose perfeita entre o poeta, a poesia, e a autora do post.
      Claro que ninguém conhece, pessoalmente, falando no sentido genérico, poetas ou outros, que morreram há muitos anos. Conhece-se, por se lerem as obras que esses deixaram...

      Pronto: Queres que te empreste o rolo da massa,o pau de marmeleiro, ou já tens o cinto de cabedal a jeito?,,eheheeheheh

      És linda

      Eliminar
    3. "Tareia", Ricardo?!...Tareia foi o que o teu "Jasus" apanhou no fim do último campeonato, e não foi com pau de marmeleiro, foi com V. de Guimarães e F.C Porto. Essa é que deve ter doído a qualquer benfiquista. Desculpa, esta foi mazinha...:-)
      Mas eu sei que estás a brincar.
      Viste como comentaste e bem?...Deste a tua opinião e pronto!
      Rolo da massa é coisa que não costumo usar muito, e não uso cintos de cabedal ou de qualquer outro tipo.
      Quanto às estrelas, elas nunca nos respondem.
      xx

      Eliminar
    4. Este comentário foi removido por um gestor do blogue.

      Eliminar
    5. Olá Laura Santos

      Compreendi a mensagem..." Deste a tua opinião e pronto!"

      Estava difícil de entender, hein?

      Quanto ao resto foste mesmo mazinha...e uma mulher com esses olhos lindos não o pode ser

      Bom fim de semana

      Fica feliz.

      Eliminar
    6. Eu sou um diabrete em forma de gente.
      Bom fim de semana, Ricardo, e que o Benfica se acautele este fim de semana!...:-)
      xx

      Eliminar
  5. Bom dia Laura Santos

    Meus Deus! Que vergonha... de "história" não entendo nada, nunca foi o meu forte...

    É muito importante,mas deixo para quem de direito,sabe falar sobre ela.

    Gostei do poema.

    Desejo-te um excelente fim de semana.

    (ps: Uma coisa, a minha foto de cabelos curtos já tem 5 anos, fo um ano antes do meu acidente...Actualmente uso maior para esconder cicatrizes do pescoço. É vida!)

    Beijão.

    http://coisasdeumavida172.blogspot.pt/

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Cidália, não é preciso comentar a "história" do poeta. Deste a tua opinião sobre o poema e isso basta. Um pouco da história dele é apenas uma "achega" para que se compreenda a sua forma de escrever...:-)

      Nunca pensei que a foto tivesse cinco anos, porque a cara está como agora; só tinha achado o cabelo diferente! Que azar esse teu acidente que te deixou marcas para a vida inteira...Pensa apenas que o pior já passou.
      São as as más surpresas da vida...:-(
      Um bom fim de semana também para ti!
      xx

      Eliminar
  6. Laura, vir aqui é sempre descobrir coisas novas, pessoas, histórias que nunca sequer ousei saber.
    Gosto desse conhecimento novo, das poesias alheias tão bem feitas e com mensagens que nos tocam por dentro.
    Gosto de vir aqui.
    Bom demais!!!
    Seguindo a vida sempre, da melhor forma, não é mesmo?
    Bjs
    Excelente final de semana
    Ritinha

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Eu acho que é sempre bom dar a conhecer autores que não são tão falados... Sempre dá para ler um poema diferente. Ainda bem que aprecias novidades!
      E é isso, tentar sempre seguir a vida da melhor maneira possível!
      Um grande fim de semana também para ti!
      xx

      Eliminar
  7. Oi Laura,como é bom chegar aqui e termos
    novos conhecimentos.
    Gostei muito do que li e da poesia,principalmente
    quando diz":Os meus poemas são minha única casa"

    Obrigada da visita e comentário.

    bjs amiga e um ótimo final de semana.

    Carmen Lúcia-mamymilu.blogspot.com

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Obrigada, Carmen, fico contente que tenha gostado.
      Bom fim de semana!
      xx

      Eliminar
  8. Para além da lição propositada, o poema é intenso e poderoso.

    Obrigado pela partilha.

    beijos

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Eu não pretendo propriamente dar lições, apenas falar de coisas que gosto, dando a a conhecer. Eu também gosto destes dois poemas, e o "Solitários" poderia perfeitamente ter sido escrito por um alentejano...;-)
      Obrigada eu pela tua visita.
      xx

      Eliminar

  9. Olá Laura,

    Mais uma belíssima postagem.
    Saio daqui mais rica pela abordagem cultural e sensível.
    O poema é lindo em seu tom nostálgico e saudosista. Sem dúvida, J. Slauerhoff deixou um legado que vale a pena conhecer. É lamentável que não tenha tido a oportunidade de ver seu trabalho reconhecido e publicado, em virtude de sua morte precoce.

    Também gostei de ouvir a música.

    Excelente final de semana.

    Beijo.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Olá Vera Lúcia!
      Eu gostei muito desse poema de facto, e de outros... Decididamente não teve o reconhecimento merecido em vida tão curta, mas algumas das suas obras foram publicadas em vida, embora grande parte só tivesse sido publicada depois da sua morte.
      A música é também feita a partir de um dos seus poemas.
      Um excelente fim de semana também para ti, Vera Lúcia!
      xx

      Eliminar
  10. Oi Laura :)
    Não conhecia,e gostei de ler sobre J. Slauerhoff.
    Uma pena,ele ter morrido prematuramente e o mais triste é que tinha o espírito atormentado.
    'A uma princesa distante', ressoa atmosferas sombrias e solitárias,
    e isso mostra que a dor e a melancolia,podem render belas poesias.
    Bjs!

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Oi, Clau!
      Ao menos foi uma novidade , não é?...:-)
      São quase sempre os espíritos atormentados que produzem grande poesia. A dor é muitas vezes o terreno a partir do qual germinam e nasce sem máscara a realidade de cada um....
      Porque toda a alegria pode ser falseada, a tristeza não. É quando estamos tristes e vulneráveis que somos mais verdadeiros. A verdade surge quando tentamos deixar de enganar-nos a nós próprios.
      xx

      Eliminar
  11. Laura
    Não conhecia Jan Jacob Slauerhoff e na história que apresentas achei curioso o paralelismo da sua vida com a de Fernando Pessoa.O Poema é bonito, como são todos os que falam de saudade... mas puseste-me em pesquisa pelo poema "Solitários" porque "...tudo passa, tudo desaparece... /E embora inspire ternura, /O pouco que ficou / Não chega para viver" são de uma abrangência tão grande... como dizer tanto, em tão poucas palavras.

    Beijo e bom fim de semana

    maria jorge

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Olá querida Maria!
      Eu também não conhecia Slauerhoff; foi-me falado há muito tempo por alguém, e foi um poeta que me suscitou curiosidade sobretudo por ter essa ligação tão forte com Portugal e com as colónias portuguesas...um homem que contactou com a vida boémia de Lisboa e o ambiente do Fado, que privou com F.Pessoa, que traduziu Camões, que se inspirou na figura de Camões para escrever poesia e romance tinha de ser uma figura a desperta-me interesse.
      Eu diria que a poesia dele poderia ter sido escrita por um português, e é isso que é interessante, a saudade vive na alma de todos os povos só que com nomes diferentes. Mas um país secular que deu mundos ao mundo cria memórias de saudade ancestral que poucos outros países têm. Carregamos tudo isso connosco e o Slauerhoff captou muito bem essa vivência no início do século passado.
      Sim , o "Solitários" é excelente. É como disse noutro comentário,parece um poema português a falar da minha planície alentejana!...:-)
      Aproveita o fim de semana!
      xx

      Eliminar
  12. Não conhecia esta figura. Mas se privou com pessoa, só pode ter muito talento. Porque é que todos os génios partem cedo?

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Olá S*!
      Acho que o facto de ter privado com Pessoa não lhe teria acrescentado talento nenhum se ele não o tivesse, mas falar com Pessoa deve ter sido no mínimo inspirador.
      Acho que nem todos os génios partem cedo, a sociedade faz é muitas vezes das pessoas génios antes de tempo. Não acho que Slauerhoff fosse um génio, também não teve tempo para isso, mas foi sem dúvida um grande poeta.
      xx

      Eliminar
  13. Tou vendo que era moda no século passado morrer de Tuberculose Laura, era o charme. Eu hein... Com certeza o ambiente os bares, das tabernas, a vida desregrada, as noites de sono, a própria epidemia incurável encontrava nesses ambientes, na promiscuidade de corpos uma situação favorável para se alastrar e ir ceifando vidas. O que me admira é que ele era era médico,devia ter mais cuidado, mas também era boêmio, misturas incompatíveis, venceu boêmio. Vários brasileiros ilustres foram vitimados pelo Manoel Bandeira, Noel Rosa... Conhece Gonzaguinha: http://www.youtube.com/watch?v=SlcHRLNfQ9ghttp://www.youtube.com/watch?v=SlcHRLNfQ9g

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Infelizmente era uma triste moda, e o grande problema é que ao contrário de outras doenças, não é necessário levar uma vida promíscua para ser contagiado, basta estar próximo de uma pessoa doente para eventualmente sofrer o contágio, mas é claro que a vida boémia pode dar uma ajuda... e quanto a ser médico, o médico é um homem como os outros, senão não ficariam doentes como os outros, e além disso geralmente "em casa de ferreiro espeto de pau"...:-)
      Obrigada pelo Gonzaguinha, Fábio. Já conhecia o nome, mas não conhecia a música... muito boa, e não imaginava que tivesse sofrido de tuberculose...
      E foram muitos os escritores vitimados por esta doença, parece que Álvares de Azevedo, Kafka também...

      Eliminar
  14. *Vitimados pelo Mal: Manuel Bandeira,Noel Rosa... (rs...).

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Já ouvi esse nome, Noel Rosa mas não imagino quem seja....Irei pesquisar...:-)
      xx

      Eliminar
    2. Houve uma pequena confusão Laura, minha culpa juntei tudo num assunto só. Gonzaguinha morreu um tempo desses, vitima de acidente de automóvel, também, final de vida comum entre nossos artistas, não sei por que, talvez noites mal dormidas, em virtudes das desgastantes turnês de shows, ossos do ofício. Não conhece Noel Rosa? Noel Rosa na sua época foi um rapaz de classe média alta que subiu o morro e se interessou por suas coisas. Hoje vou de deixar de presente um pacote extremamente generoso, creio eu, me desculpe à pretensão, lá vai:

      Vídeo de Ney Matogrosso, cantando Rosa de Hiroshima, Poema de Vinicius de Moraes: http://www.youtube.com/watch?v=BOQ-UGjYd1A

      Vídeo da mais conhecida canção de Noel Rosa, com
      Camila Pitanga, atriz brasileira parte do filme “Noel Poeta da Vila”: http://www.youtube.com/watch?v=LY08poPk7mU

      Filme Completo “Noel Poeta da Vida”, contando a historia do próprio: http://www.youtube.com/watch?v=wWFFSbbBT28

      Quer mais? rs...

      Eliminar
    3. Ah, não Fábio, não quero mais!...;-) A Rosa de Hiroshima de Ney Matogrosso conheço muito bem , a Camila Pitanga também, e o Noel Rosa fiquei a conhecer através desse excelente filme; que pena que tivesse desaparecido tão jovem...quantas músicas mais ele não teria composto se não tivesse sido assim...
      Realmente a música brasileira tem vultos fantásticos! Música maravilhosa que perdura no tempo.
      Obrigada, Fábio, fiquei um pouco mais rica de conhecimento musical.
      xx

      Eliminar
  15. Olá, Laura!
    Nunca havia ouvido falar de Jan Jacob Slauerhoff, mas adorei saber de seu interesse por Camões e de suas visitas a Fernando Pessoa (que amo desde sempre) e a Lisboa (que amo mais recentemente). À parte isso, a consideração dele sobre seus poemas serem sua "única casa" é a minha cara... rs Amei!
    Queria ficar como sua seguidora, mas o quadro de seguidores não abriu :( tentarei em minha próxima visita...
    Abraço e uma ótimo fim de semana!
    Jussara - minasdemim.blogspot.com

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Olá Jussara!
      Pois é, foi essa afinidade com vultos da cultura portuguesa que mais me suscitou interesse também..
      Um abraço e um excelente fim de semana!
      xx

      Eliminar
  16. Grandes tempos de grandes poetas que inundaram o mundo de sentimentos que muitos jamais sentirão. Um beijinho, Laura e grata pela partilha. Neste mundo dos blogues se aprende muito.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Existem pessoas que não têm interesse por estes assuntos, mas há sempre alguém que se interessa, e é como dizes, quem tiver gosto pode aprender e bastante na blogosfera, porque os temas são muito variados.
      Grata sou eu pela tua visita, Malu.
      xx

      Eliminar
  17. Que génio! Adorei! *

    Segui-te, xoxo! :) *

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Quando te vi desaparecer dos seguidores até pensei que tivesses apagado também o comentário...:-)
      Eu não acho o Slauerhoff um génio , mas inclui-lo-ia nos grandes poetas que não tiveram tempo para dar asas ao seu talento....
      xx

      Eliminar
  18. Olá Laura, bom dia! Estar aqui é ter uma aula incrível de literatura, poesia e sensibilidade, seus posts nos ensinam muita coisa... Não conhecia, mas passei a conhecer um bocadinho de Jan Jacob Slauerhoff é muito triste saber que pessoas talentosas se vão tão cedo e acredito que quem é muito depressivo chama alguns males para si.Saudade sempre é coisa doída e ele colocou muito bem nesse poema.Também adorei ouvir a música, ela é comovente.
    Obrigado minha amiga por compartilhar coisas tão preciosas.
    Beijos com muito carinho e uma doce semana pra você.
    Marilene

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Olá Marilene!
      Fico muito contente por você valorizar sempre novos conhecimentos, e comentar sempre de uma forma tão completa e explícita todo o post. Além disso acrescenta sempre algo mais aos assuntos; pois é, quem é depressivo acaba por chamar a si eventualmente outros problemas, algo muito comum...com a fraqueza da mente o corpo fica vulnerável.
      Obrigada eu, pelas suas palavras sempre tão incentivadoras e carinhosas.
      Uma doce semana também para si!
      xx

      Eliminar
  19. Olá Laura!! Amei conhecer essa personalidade, morreu precocemente, mas teve uma vida muito produtiva. Continua nos apresentando pessoas como ele.
    Parabéns pelo post.
    Abraços.Sandra

    ResponderEliminar
  20. Um poeta interessante do qual nunca tinha ouvido falar, pena ter morrido jovem.

    Manuela Pires

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Também achei interessante, Manuela. Contrair tuberculose e malária foi realmente demais para a medicina da altura. Tal como o nosso António Aleixo anos mais tarde, também vitimado por tuberculose.
      xx

      Eliminar
  21. Agradeço imenso seus votos de uma Primavera perfumada e feliz, mas nós aqui estamos no Outono...:-)
    xx

    ResponderEliminar
  22. Querida amiga Laura !!!

    Perdoa-me a invasão do seu espaço,
    Mas temos amigos comuns e resolvi
    Conhecê-lo. Adorei seu Blog. Muito
    Lindo e de excelentes conteúdos.
    Espero que me permita voltar com mais
    Calma para comentá-lo, ok?
    Um início de semana maravilhoso, com
    Muita paz e amor em seu coração é o que
    Desejo para você.
    Beijos de luz !!!

    POETA CIGANO – 23/09/2013

    http://carlosrimolo.blogspot.com
    “Poesias do Poeta Cigano”

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Sinta-se em casa, então, Carlos.
      Uma grande semana para si.
      xx

      Eliminar
  23. "Os meus poemas são a minha única casa"
    Eu sou os meus poemas. rs

    Adorei tudo por aqui, e claro, estou a seguir.
    Grande abraço.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Revelamo-nos de certa forma no que escrevemos, não é Natallia?..
      Um abraço!

      Eliminar
  24. Se é verdade que gostei do poema "A Uma princesa Distante" o mesmo já não posso dizer deste fado/canção. Prefiro ouvir a Cristina Branco a cantar "O lenço da Carolina", vai mais com o meu ouvido.
    :)

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. É isto que eu gosto em si, Rui. Directo e sucinto; gosto disto não gosto daquilo...:-)
      Eu também prefiro "O Lenço da Carolina", mas com um post sobre Slauerhoff tinham mesmo de ser estes dois vídeos...e embora ache que a letra seja um pouco "metida a martelo" na música, não deixo de gostar.

      Eliminar
  25. Passando para te desejar uma ótima terça.
    Abraços.Sandra

    ResponderEliminar
  26. Adorei o poema e o vídeo A uma Princesa Distante.
    Sofia

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Parece que foste a única a abrir esse link , Sofia...!...:-)
      xx

      Eliminar
  27. Fazendo um comentário que colocaste no meu blog, estou acompanhando as notícias e sei que em Portugal as coisas não andam bem. Quem sabe no futuro o Brasil e Portugal possam melhorar a situação em que se encontram? Não creio muito,,,mas..Abraços.Sandra

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Pois não, não andam bem , Sandra. Andam até muito mal, parece que certas democracias criam e sedimentam vícios de ladroagem e corrupção dos quais é difícil sair porque o próprio sistema de Justiça foi feito de forma a servir quem usa e abusa dos bens públicos.
      Estamos sempre a esperar por melhores situações futuras que tardam em chegar, no entanto por aqui pior já não pode mesmo ficar.
      Um abraço!

      Eliminar
  28. Belo Poeta, bela história, belo poema, bem escrito. Mesmo conhecendo agora com essa breve analise da vida de Jan Jacob Slauerhoff, passo a ter vontade de conhecer mais poemas e histórias dele. Um grande abraço Laura. Até mais.
    http://gauchaopina.blogspot.com

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Gostou Carlos? Mas imagino que não será muito fácil encontrar muitas traduções dele em português...:-)
      Um abraço.

      Eliminar
  29. A vida dele parece coisa de novela mesmo, ótimo o vídeo uma boa escolha, Laura passando pra desejar uma ótima quarta-feira beijos.
    Blog/Grupo Amigos/FanPage/ Pinterest/NetworkedBlogs/Bloglovin

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Muitas vidas parecem coisa de novela, porque às vezes a vida ultrapassa a própria ficção...
      Obrigada, Lucimar.
      xx

      Eliminar
  30. Cara Laura,

    eu escrevi uma tese de mestrado sobre o Slauerhoff e a relação dele com o fado e a saudade, se quiser entrar em contacto comigo para ter mais informação, pode me contactar atraves de noutvandenneste@hotmail.com. A tese chama-se: "“O ENGEITADO” – THE MYTHOLOGY OF THE OUTCAST IN THE PORTUGUESE POEMS OF J. SLAUERHOFF" e publicei-a este ano, 2013, na Faculdade de Letras, Lisboa.

    Como é que ouvi falar do Slauerhoff? Foi atraves do disco da Cristina Branco?

    Também, o Custódio Castelo escreveu as melodias mas nunca fez os traduções das palavras, foi a Mila Vidal Paletti. Também o Slauerhoff nunca traduziu o Camões, so utilisou os factos biograficos da sua vida para criar um novo mito e história de Camões, na verdade chamado Camoës nas romanças e os poemas.

    Não hesite em me contactar se tiveres perguntas ou questões.

    Cumprimentos,
    Nout

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Olá Nout!
      Realmente a blogosfera tem aspectos interessantes...quando penso que ninguém vai aparecer para me ajudar, eis que surge alguém a dar-me informações preciosas que muito agradeço.
      A informação sobre a verdadeira tradutora dos poemas que Cristina cantaria, e a informação de que Slauerhoff de facto não traduziu Camões, como usualmente se diz, já são muito importantes, e já editei por isso a mensagem. Mas contactarei sim, quando tiver um pouco de tempo.
      Muito obrigada pela sua contribuição e pela sua amabilidade.
      Aceite os meus cordiais cumprimentos.

      Eliminar
  31. Obrigada, Laura! Por me apresentar tal poeta e essa cantora de voz completamente inebriante. Estou maravilhada!!

    Bjos

    ResponderEliminar

Nota: só um membro deste blogue pode publicar um comentário.