"O coração ingrato assemelha-se ao deserto que sorve com avidez a água do céu e não produz coisa alguma" (Musharrif Od-Dîn Sa'adi)
I
Em horizonte de camelos e miragens,
de beduínos trajados de incerteza,
o absoluto não será a ideia de Hegel,
mas um retalho de quente angústia
sem eco de transparência ou de beleza.
Um sentir que as ideias não passam disso.
Por vezes uma incrível alucinação
a que a mais leve brisa dá sumiço.
Ideia erguida ao sol e desfeita nas areias,
delirando secamente em desidratação,
em síncope cercada por centopeias.
A força que nos anima é um jacto de poesia,
um pouco do espírito da ideia hegeliana...
O desejo reencontrado a cada dia
no sentimento telúrico de uma totalidade
em intransponível paisagem serrana,
rodando sobre eixo fixo que emana
em ousadia, a tua e a minha liberdade,
reduto inviolável da consciência humana.
Em espaço inóspito dançaremos.
Para longe caminharemos.
Chegaremos ao mar?...
II
Parte ao raiar d'aurora, na frescura da manhã.
Parte mansamente e sem demora,
na levitação incandescente de um instante.
Agarra o sol, toma a lua como barco,
pinta de prata os teus leves dedos,
toma o rumo dourado do poente.
Na chegada ao teu destino
arranja um corpo bem quente,
deita-te nele suavemente
como um pequeno menino.
Se alguém te incomodar
manda-me logo chamar
no outono das horas que domino.
III
O Inverno voraz chegou tão cedo...
Trovejam agora sinais de desalento.
A noite depressa chegou.Sinto medo.
É de cinza a luz nos olhos da serpente
enroscada sem piedade no meu ventre.
Sinto em mim correr em pensamento
um escorpião veloz, primavera ausente,
desvario perdido em corpo sonolento.
Jovem ideia jaz no fim que se pressente.
Deserto... Não alcançaremos o mar.
A lua retomará decerto o seu lugar,
incorporar-se-á na eterna coerência
gelada do como as coisas sempre são.
Sem réstia de brilho ou efervescência
ao relento empurrada pelo vento Suão,
envergonhada pela própria inocência.
Distante ficou incerto oásis verdejante.
Apenas nuvens de pó, dunas sem água...
Mas só no encontro a sós contigo
qual rosa-do-deserto em trajecto errante
de areias movediças até ao umbigo,
me encontrei comigo a cada instante.
Escolhi para este poema,"El desierto" de Lhasa De Sela. Esta não é dela a minha canção favorita, mas é a que melhor se adequa ao meu poema. Uma cantora infelizmente desaparecida de forma prematura, que me foi apresentada por um amante da música. Obrigada, S.

O poema e a música são lindas!!
ResponderEliminarAbraços.Sandra
Obrigada, Sandra. Ainda bem que gostou.
EliminarUm abraço!
O poema e a música são lindas!!
ResponderEliminarAbraços.Sandra
Ups!
EliminarDesconhecia o poema, é alucinante...
ResponderEliminarVoltarei com mais calma.
Bom fim de semana!
Desconhecia o poema, Rui?!... Claro que não poderia conhecer porque o poema é meu, e nunca o tinha ainda mostrado a ninguém...
EliminarUm bom fim de semana...sem alucinações!...;-)
Eu não disse que o poema era alucinante?
EliminarDe quem é a culpa, de quem é?
:)
Adoro ouvir Lhasa de Sela mas para o seu poema "estonteante" eu escolheria este grupo musical.
http://www.youtube.com/watch?v=pT4IufMeyYA
Obrigada pelo vídeo, Rui! Muito interessante.
EliminarComo já me chamaram cigana, se calhar até poderia ser essa a música mais indicada, e lá "estonteante" é ela...! Até fiquei cansada...:-) Adorei quando eles começam a cantar.
Caramba, que vivacidade! Gostei muito.
Bom dia Laura Santos
ResponderEliminarÉs terrível...queria comentar o texto, que li com toda a calma e concentração, mas decidi não o fazer.
Digo que és terrível, porque escolhes poemas e musicas que nos embalam ao ler e ouvir
Não quero comentar porque não encontro no meu dicionário intelectual - olha eu a falar caro, lool - palavras que se adequem a tão brilhante poema.
Falar/comentar para quê, se calado sou um poeta, lool.
Pronto...És terrível, porque me deixas assim baralhado sem saber o que dizer.
Fica feliz e que o Amor em forma de Paz esteja sempre presente em teu coração
Agora sou terrível, é?!!...:-) Não queres comentar, mas já comentaste...
Eliminar"Falar caro", lol. Gostaste deste meu poema como dos outros, ou ficaste demasiado baralhado?
Ah, Ricardo, és uma simpatia, adoro falar contigo!
Muito obrigada, Ricardo.
Laura Santos
EliminarClaro que gostei, mas fiquei todo baralhadinho das ideias, looool
Claro que és terrível no sentido mais amoroso da palavra. Ou seja: És uma pessoa excepcional.
Por aquilo que mostras ao nível dos poemas e vídeos, com um coração do tamanho do Mundo. Não digo do Universo, simplesmente porque esse, está ocupado pela tua divina sensibilidade.
Fica feliz
Pois, este poema é um bocado mais complexo, e olha que eu até o simplifiquei, porque o que escrevi inicialmente tinha 4 partes...
EliminarEu sei o que queres dizer com terrível, e olha que posso ser mesmo muito terrível porque às vezes o meu coração grande numa fraca figura como eu, é dose... fico a "rebentar pelas costuras" e até podem saltar coisas pelos ares...:-)
Gostaria de saber onde consegues arranjar tantos elogios maravilhosos...tens algum livro técnico sobre elogios?!
Claro que não, é a tua veia poética a surgir dessa tua sensibilidade sem limites.
Fico feliz, Ricardo. Obrigada.
Bom dia, Laura Santos
ResponderEliminarBem, responder-te é sempre muito dificil...lool
Mas Olha, li o poema,achei maravilhoso.
A Música... a música era tão maravilhosa que me deixou estática a olhar para o poema.. loooool ADOREI LER E OUVIR!
beijos e um bom fim de semana.
http://coisasdeumavida172.blogspot.pt/
Difícil, porquê?...Cidália, se leu o poema e gostou, se ouviu a música e gostou, é o que interessa. Às vezes nós gostamos das coisas mas não sabemos explicar porque gostamos...:-)
EliminarBjs e um bom fim de semana também para si.
Adorei tanto o teu poema como a música, que não conhecia.
ResponderEliminarArrebatador!
Sofia
Obrigada, Sofia. Fico contente por isso.
Eliminarxx
Desconhecia a música, mas fiz a experiência de ler o texto ao som da música e APAIXONEI-ME.
ResponderEliminarOlá S*!
EliminarÉ bom quando nos apaixonamos, não é...?...;-)
xx
Apaixonante poema e com essa música,embarcamos mar afora.
ResponderEliminarbjs amiga Laura
Carmen Lúcia-mamymilu.blogspot.com
Carmen Lúcia, se calhar embarcamos mais deserto afora ......:-)
EliminarBjos, Carmen e bom fim de semana !
Anónimo30 de Agosto de 2013 às 10:56
ResponderEliminarUma alucinação,um mar de areia,um oásis,um pôr do sol, um chá de menta e uma grande viagem!
Muito interressante!
A música da Lhasa é sempre de óptima qualidade!
Beijos
Zapata
Já sabia que tinhas de ser tu, com esse nome tão Emiliano!...;-)
EliminarOásis, qual oásis?!...Não cheguei ao oásis. Nem chá... e a viagem pode parecer longa, mas não o foi.
xx
Laura
ResponderEliminarHá coisas incríveis... ou simplesmente coincidências! Ontem, muito antes da meia-noite :-) Lhasa De Sela fez-me companhia bastante tempo... E quando hoje aqui entrei e vi o titulo "Deserto" sem me aperceber do video, a primeira coisa que me veio à cabeça foi a Lhasa de Sela...
É sempre um prazer ler a tua própria poesia e parar para pensar onde irás tu banhar-te em tanta inspiração.
Beijo e um bom fim de semana
maria jorge
"Há coisas do arco da velha", Maria! Às tantas também pensaste em mim, lol... Se é um prazer ler o que escrevo, fico feliz por isso.
EliminarQuanto à inspiração até nem é muita...só uma vez por semana e por volta da meia-noite...;-)
Um grande beijo e um grande fim de semana também para ti!
Nossa!!!
ResponderEliminarPor incrível que possa parecer, ontem estava em casa e ouvi a musica "A miragem" de marcus Viana, que fala sobre um amor no deserto...
Chego aqui e me deparo com algo maravilhoso, o deserto como plano principal...
Adorei!!!
beijos e excelente final de semana
Ritinha
Que engraçado, Ritinha! É uma canção que fala das "ruínas de um amor", não é?... Uma música muito bonita.
EliminarVocê adora sempre tudo....!
Um grande beijo e bom fim de semana!
Oi Laura \o/
ResponderEliminarPoema de beleza ímpar...
O oásis pode ter ficado distante,
mas a aventura alucinante pelo deserto foi válida;
e o mais importante foi o encontro consigo
'a cada instante'...
Bjs!
Olá, Clau!
EliminarAleluia! Alguém entendeu muito bem o que eu quis dizer!... Embora tudo possa ser lido de várias formas, é claro.
Obrigada, Clau e um beijo para ti!
Boa tarde querida amiga Laura.. tá ai algo que ainda não fiz.. um obra sobre um mundo solitario por muitas vezes e cheios de misterios. quem sabe mais para frente algo surge na mente né.. muito bela a poesia escolhida.. te desejo um lindo dia bjs
ResponderEliminarOlá Samuel!
EliminarNão. O poema não é escolhido, eu primeiro escrevo o poema e depois é que escolho a música.
Mas é curioso que agora ando a escrever um poema, inspirado numa música do Chico Buarque, mas não está a ser fácil dar a estrutura minimamente correcta ao conteúdo... talvez só venha a estar pronto lá para o fim do ano, e vai ser uma surpresa...:-)
Um grande fim de semana, Samuel e um grande beijo para si!
Boa tarde minha amiga. Laura cada vez que passo por aqui me surpreendo mais com esse Dom Maravilhoso que Deus te deu, presente dos céus escrever assim...Parabéns por mais essa Obra de Arte.A D O R E I!
ResponderEliminarBeijos com muito carinho e um lindo final de semana.
Marilene
Oh querida Marilene! É muita simpatia tua, mas fico muito contente por gostares. Daí a " Obra de Arte" vai uma grande distância....
EliminarObrigada pelas tuas lindas palavras cheias de carinho .
Um grande fim de semana e um grande beijo também para ti!
xx
Olá!!!, Deus te abençoe bom final de semana, amiga amei teu belo poema encantador, o seu blog é maravilhoso continue assim, S-U-C-E-S-S-O
ResponderEliminarJá estou te seguindo, aguardo a retribuição.
Canal de youtube: http://www.youtube.com/NekitaReis
Fanpage: https://www.facebook.com/pages/Batom-Vermelho/490453494347852?ref=ts&fref=ts
Blog: http://arrasandonobatomvermelho.blogspot.com.br
Olá Nequéren!
EliminarObrigada pela tua amável visita, também te desejo o maior sucesso, mas na verdade eu não sigo blogs a pedido, "scratch my back I'll scratch yours" não é o meu lema, mas seguiria o teu blog se fosse um assunto que me interessasse...contudo beleza e maquilhagem não são temas que minimamente me interessem. Desculpa.
Bom fim de semana.
xx
Grande poema, Laura! Teu tato com as palavras é tamanho que me deixou em deserto - sem sombra de palavras e com uma sede insaciável por mais da tua poesia.
ResponderEliminarAbraço!
Deserto sem sombra de palavras, André?...:-) Muita simpatia tua é o que é.
EliminarMuito obrigada pelas tuas amáveis palavras.
Um abraço!
Olá Laura!!
ResponderEliminarLindo poema e vídeo.
Abraços.Sandra
Já é o terceiro comentário... e a seguir viria um quarto...porquê?!...
EliminarClamarei no deserto.
ResponderEliminarFalarei com as víboras,
Os escorpiões,
O areal enumerável,
As miragens imaginadas
Imitando água.
Com eventuais tuaregues,
Acostumado à solidão,
A longos solilóquios,
A vida nômade
Sem ter prá onde.
(Parte de um poema meu, Laura, recente)
http://apoesiaestamorrendo.blogspot.com.br/
Muito lindo, Fábio, como tudo o que você escreve.
EliminarMas este poema recente ainda não foi publicado, foi?...
Engraçado que também eu falei dos escorpiões de uma serpente de olhos cor de cinza que me incomodou.
" Sem ter prá onde". Pois é.
xx
Não Laura,é muito recente. Achei interessante também a feliz coincidência.
EliminarMuito bem, Fábio, então irei Lê-lo na totalidade, um dia no seu blog!
EliminarEste comentário foi removido pelo autor.
ResponderEliminarAh, ia me esquecendo, deixo-te dessa vez, como de costume, um poema declamado. Editado por mim mesmo. Voz de Paulo Autran, Poema de Ricardo Reis e música de fundo, eu de enxerido (Intrometido, antes que me perguntes o que é). Nada a ver com a postagem não, mas acho que não vais recusar por causa disso.
ResponderEliminarhttp://apoesiaestamorrendo.blogspot.com.br/2012/03/vem-sentar-te-comigo-lidia.html
Ah, por acaso eu até sabia o que é "enxerido", e você, por mais que tente nunca conseguirá ser nada disso. Gosto muito das suas intromissões.
EliminarEsta sua "intromissão" por exemplo é um poema belíssimo, de convite à serenidade da fruição amorosa, sem ciúme, sem gritos de agressividade, porque a vida é breve, esses sentimentos são menores, e a vida não volta jamais. Que seja apreciado o perfume do momento não questionando demasiado a profundidade ou não profundidade das coisas.
Aproveitar o presente porque o destino pode quebrar tudo.
Como sempre, você só me oferece bonitos presentes, que eu muito agradeço.Os presentes dados com boa intenção nunca se recusam, aceitam-se com o carinho que foram dados.
Obrigada, Fábio.
Acabei de ouvir a música do vídeo Laura, belíssima, não conhecia a música nem a cantora, ficou perfeita para a poesia. Ela faleceu prematuramente? Deu prá entender quase que perfeitamente em sua totalidade, acho que entendi a mensagem, mesmo não sabendo espanhol, falando devagar... Ontem não sei porque estava dando erro na exibição, ia até te avisar, esqueci, hoje tá bom. Aqui no Brasil tem um tal de "Portunhol" já ouviu falar em coisa parecida? Como o próprio nome diz, é uma mistura doida do português com espanhol,uma gambiarra. O brasileiro é um povo espirituoso sai falando espanhol ou tentando, quando esquece ou não sabe uma determinada palavra, joga uma semelhante em português no lugar, e vai se virando. As língua são meio parecidas, não sei se você concorda? E o Brasil é o único pais que fala português na América latina. Acho o povo italiano muito parecido com o brasileiro nos costumes, pelo menos já vi em filmes. Acho meio irritante certas falta de seriedade, deveria ter sido inglês.
EliminarSim, Lhasa de Sela faleceu infelizmente em 2010 de câncro de mama.
EliminarAh, nós aqui também temos o "portunhol"; como dizes as Línguas têm muitas palavras parecidas, então as pessoas têm tendência a considerar que todas as palavras são parecidas, e então inventam ao tentar comunicar...:-)
O quê, você acha de deveria ter sido inglês?!...Essa de que os ingleses são mais sérios às tantas é apenas um mito; conheço muitos aqui e não tenho essa ideia. Eu gosto de ser portuguesa.
ResponderEliminarOlá Laura,
Eu adorei a música escolhida por você. É linda e possui um ritmo muito agradável, além da bela voz da cantora.
Seu poema é brilhante e repleto de belas imagens poéticas. Eu diria que é um poema de alto nível.
Parabéns! Só me resta aplaudi-la.
Não ouso interpretá-lo, pois ele já é uma interpretação e prefiro me ater à beleza da construção, que é o que faço melhor-rsrs.
Feliz final de semana.
Beijo.
Olá Vera Lúcia!
EliminarComo sempre, só belas palavras que tanto me servem de incentivo...Se acha que o poema é de "alto nível" isso deixa-me muito contente.
Quanto à interpretação, cada um pode sempre ter a sua, porque cada pessoa sentirá o que lê à sua maneira, é algo de subjectivo, afinal...
Um bom resto de domingo e um beijo!
O deserto em todos os instantes do dia, visto assim de maneiras diferentes... Ideias indo e vindo numa ondulação frenética.
ResponderEliminarSentimentos que chegam mansa e involuntariamente e depois escapam pelas mãos como as areias quentes do deserto.
Um deserto de sol a pino ou de uma cortante escuridão que apenas revela a nós mesmos...
Muito belo poema. Desculpa minhas divagações, Laura...
Abraços e lindo amanhecer de domingo...
Ah Malu, eu adoro as tuas divagações; até num simples comentário consegues deixar a tua marca de grande poetisa!
EliminarÉ tão verdadeiro o teu comentário..." sentimentos que nos chegam mansa e involuntariamente e depois escapam pelas mãos como as areias quentes do deserto."
Uma luz ofuscante que nos cega, um calor que nos seca quase sem darmos por isso, e uma noite imensa e fria que chega quando já não existe hipótese de encontrar um oásis.
Um grande abraço, Malu,e que o teu domingo acabe em beleza!
Olá Laura,
ResponderEliminarO silêncio do deserto ao contato mais profundo da alma...
A paisagem do deserto nos conduzindo a liberdade das horas,
nas marcas do caminhar interior...
A solidão que nos pertence, uma companhia que nos aprofunda,
nos levando autoconhecimento...
Belíssimo e profundo poema!!
Gostei muito do teu espaço de arte poética.
Bj.
Olá Suzete! Totalmente de acordo com o teu comentário.
EliminarNo fundo, o deserto é aqui a metáfora de uma vida árida que procura um oásis que não surge. A noite, o reconhecimento da impossibilidade de atingir a serenidade desejada, mas também a constatação de que todos os instantes servem para alguma coisa, que mais não seja para nos encontrarmos connosco na mais incrível solidão que permitirá um renascimento e criatividade.
Muito obrigada pela tua visita, é um prazer ter-te aqui, e um grande beijo para ti, também!
Amo poesia. Seu blog é ótimo.
ResponderEliminarhttp://gauchaopina.blogspot.com
Obrigada, Carlos.
EliminarBoa noite, Laura!
ResponderEliminarComo tem passado?
Obrigada, desde já pelo seu exagerado comentário.
Conheço, razoavelmente bem, o norte de África e já estive no deserto. É uma sensação única e difícil de explicar. Se já lá esteve, pode não ter sentido o mesmo que eu, mas é algo enigmático, mas ao mesmo tempo, verdadeiro, real, à vista desarmada (agora, que sei que é de Filosofia, dou-lhe, no mínimo, sempre duas hipóteses, porque já sei que vai logo surgir na sua mente, alguma "caverna com sombras". Não, nem gosta de Platão. Bem, eu estive um ano e picos, em Direito, portanto, dizer e indiretamente desdizer, também, aprendi, parcialmente).
Sempre que leio o que escreve, dá-me vontade de comer e cheirar as sua palavras. Não sei o que se passa, mas é verdade.
Apresenta-nos três tipos de poemas, embora, em minha opinião, permaneça o amor, sobretudo, nos dois últimos.
E se arranjarmos um corpo BEM quente, deitemo-nos logo nele, suave e carinhosamente, e se formos incomodados/as por alguém, mandamo-la logo chamar, porque domina as horas do Outono, ou seja, da sabedoria que foi acumulando, ao longo das outras estações do ano.
Ó LAURA TENHA DÓ DE NÓS!
Boa semana.
Beijos da Luz.
Olá Emília!
EliminarTenho passado bem, obrigada.
Exagerado comentário...? Em que aspecto?
Não, até gosto de Platão, nunca gostei foi do que vulgarmente se chama "amores platónicos"...:-)
Olhe, você é muito generosa nos seus comentários, é o que é...mas se lhe apetecer comer, coma!...Já Natália Correia dizia no seu poema " A Defesa do Poeta", que "a poesia é para comer"...
Ah, querida Emília, eu pensava que dominava as horas do Outono, mas na verdade não domino é nada! E a sabedoria é escassa, e em certos casos não serve para nada.
Por vezes a intuição consegue dar respostas que a sabedoria não dá..
Quanto ao " corpo Bem quente", é melhor aproveitá-lo ante que esfrie...;-)
Uma grande semana!
xx
Gostei muito deste poema! Com uma serpente e escorpiões e tudo.
ResponderEliminarJoão Nicolau
Olá João!
EliminarUma serpente e um escorpião.
Uma boa comparação, o deserto é um lugar sem nada sem vida, o coração ingrato é de uma forma um pleno deserto, sem vida. Laura passando pra desejar uma ótima semana fique com Deus beijos.
ResponderEliminarBlog:Lucimar Estrela da Manhã
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Pois é. Obrigada, uma boa semana também para si.
Eliminarxx
Sensibilidade à flor da pele, Laura. Adorei! Beijos!!!
ResponderEliminarObrigada, Shirley!
EliminarUm beijo!
Que belo poema , Laura, muito forte. Até fiquei com a cabeça à roda!
ResponderEliminarManuela Pires
Com a cabeça a andar à roda, Manuela?....Será tensão baixa?....:-)
EliminarObrigada, Manuela.
xx
Será que algum dia vou chegar aqui e não gostar do que posta?
ResponderEliminarMais uma vez está perfeito e me deixa sem palavras.
http://mundodeariel.blogspot.com/
Muita simpatia tua !
ResponderEliminarObrigada.
xx
Boa noite amiga Laura, gostei do poema, lembrei-me de um livro que li de poemas de um autor consagrado.
ResponderEliminarAmiga Laura agradeço por suas carinhosas visitas sempre, seja sempre vinda ao meu cantinho de amor.
Beijos em seu coração!
Fernanda Oliveira
Obrigada, Fernanda.
Eliminarxx
Laura, já li muitos poemas teus, verdadeiramente solenes, mas este em especial...
ResponderEliminarMuito bom! Ótimo tempo de "Eingebung", na língua de Hegel.
Há tendência nativas que adquiri antes mesmo de ler os grandes,
como exemplo...a minha contradição. Minha contradição não é hegeliana, nem minha rebeldia nietzschiana, nem meu amor pela natureza rousseauniana, "graças ateus", tudo é predisposição.
Você é genial Laura!
Arnaldo, a questão de Hegel é que tentou fazer a síntese entre tese e antítese, no fundo chegar a uma conclusão, mas de facto a dialéctica não se compadece com "linearidade" de pensamento, a "linearidade" acaba por fechar em círculo sobre si mesma, e arrasa com a liberdade de questionamento e contraditório. A Ideia sem sentimento é mero exercício de forma.
EliminarVocê é contraditório porque é "ondulatório" e não linear. Os seres lineares perdem-se na sua própria rectidão. Se fossemos só Razão tudo seria mais fácil, menos colorido, mas ao mesmo tempo menos angustiante...
Obrigada pela sua atenção.
Genial é você, grande poeta Leles!
Passando para te desejar uma ótima quarta!!
ResponderEliminarAbraços.Sandra
Obrigada, Sandra.
Eliminarxx
Olá Laura...
ResponderEliminarAmei teus textos..tuas escolhas seletiva e suave, em harmonia e sincronia.. Parabéns Amiga pelo teu belo trabalho!
Abraço de Luz e bjs no teu coração!
Lecy'ns
Obrigada Lecy'ns.
EliminarUm abraço!
xx
Desculpe, Cecília, agradeço imenso a sua visita e o seu convite, mas realmente eu não tenho interesse por esse tipo de Tags.
ResponderEliminarxx
É angustiante sentir que as ideias não passam apenas de ideias e que o se anseia nunca se chega a concretizar.
ResponderEliminarEsforço num contínuo deserto!
Não sei se era esta a ideia principal mas foi o que eu depreendi do teu magnífico poema de onde leio uma oculta mensagem que a mim me soa ser política e social. Mas sou eu a interpretar, apenas eu.
A falta de esperança.
A incerteza.
O medo.
Chegaremos ao mar?
Laura, diz-me de estou a alucinar...
:)))
Exactamente, "esforço num contínuo deserto". Sim, no fundo é a ideia principal, mas como as ideias não passam disso, pode ler-se tudo o que se quiser... porque quando escrevemos tentamos dizer o que queremos, e acabamos também por dizer o que nem nos passou pela cabeça, o nosso inconsciente também lá está à espreita, por isso todas as leituras são possíveis...
EliminarNão tentei nenhuma mensagem política e social, algo que me interessa, e a ti também, mas se lá vês isso, porque não?!
Não, não acho que estejas a alucinar... :-)
A falta de esperança, a incerteza e o medo não nos farão alucinar, mas que o mar às vezes fica distante, lá isso fica.
xx
Ler o seu texto foi praticamente como se sentir numa experiência desértica dentro de nós mesmos. Simplesmente maravilhoso! E a referência musical é igualmente ótima! Não conhecia a cantora e adoro conhecer coisas novas, ainda mais quando são boas.
ResponderEliminarBjos
Pois é Larissa, os mais áridos e desconcertantes desertos serão sempre aqueles que sentimos dentro de nós.
ResponderEliminarMuito obrigada pelas tuas palavras.
xx
OI LAURA
ResponderEliminarMUITAS VEZES O ENCONTRO INEVITÁVEL COM NOSSO EU MAIS PROFUNDO, PODE DAR-SE, ATÉ MESMO NO MAIS ÁRIDO DOS DESERTOS, MAS ACONTECERÁ...
LINDO DEMAIS AMIGA.
ABRÇS
http://zilanicelia.blogspot.com.br/
É mesmo, Zilani.
EliminarUm abraço!
Oi Laura,bom dia e obrigada pela visita e comentário.
ResponderEliminarbjs
Carmen Lúcia-mamymilu.blogspot.com
Não tem que agradecer, Carmen Lúcia.
Eliminarxx
Admirável, Laura Santos.
ResponderEliminarEu vim, às suas escritas com músicas, por que nada melhor, que um Música, agradável, para enobrecer a Alma. Sei, que o que escrevo nada têm com o texto postado. Mas, sei também, que nada é mais agradável, do que um encontro entre a Alma Humana, e a profundidade dos seus Sentimentos. Te espero lá, no meu espaço, com um Brazil, de 40 graus.
Abraços, querida.
Olá Zé!
ResponderEliminarObrigada, e abençoado Brasil , mas 40 graus não será um pouco demais?!...:-)
Abraços!