sexta-feira, 26 de outubro de 2012



Hoje apetece-me falar de Chico Buarque. Cantor, compositor e escritor que admiro.

Nascido em 1944 no Rio de Janeiro, publicou as peças Roda Viva (1968), Calabar (1973), Gota d'Água (1975) e Ópera do Malandro (1979); é também autor da novela Fazendo Modelo e dos romances Estorvo (1991), Benjamim (1995), Budapeste (2003) e Leite Derramado (2009).

Budapeste foi adaptado ao cinema num filme realizado por Walter Carvalho,no qual participam os actores Ivo Canelas e Nicolau Breyner.



Excerto de Leite Derramado:



 Quando eu sair daqui, vamos nos casar na fazenda da minha feliz infância, lá na raiz da serra. Você vai usar o vestido e o véu da minha mãe, e não falo assim por estar sentimental, não é por causa da morfina. Você vai dispor dos rendados, dos cristais, da baixela, das jóias e do nome da minha família. Vai dar ordens aos criados, vai montar no cavalo da minha antiga mulher. E se na fazenda ainda não houver luz elétrica, providenciarei um gerador para você ver televisão. Vai ter também ar condicionado em todos os aposentos da sede, porque na baixada hoje em dia faz muito calor. Não sei se foi sempre assim, se meus antepassados suavam debaixo de tanta roupa. Minha mulher, sim, suava bastante, mas ela já era de uma nova geração e não tinha a austeridade de minha mãe. Minha mulher gostava de sol, voltava sempre afogueada das tardes no areal de Copacabana. Mas nosso chalé em Copacabana já veio abaixo, e de qualquer forma eu não moraria com você na casa de outro casamento, moraremos na fazenda da raiz da serra.Vamos nos casar na capela que foi consagrada pelo cardeal arcebispo do Rio de Janeiro em mil oitocentos e lá vai fumaça. Na fazenda você tratará de mim e de mais ninguém, de maneira  que ficarei completamente bom. E plantaremos árvores, e escreveremos livros, e se Deus quiser ainda criaremos filhos nas terras do meu avô.".......



Um pouco da sua música : "A Valsinha"




2 comentários:

  1. O Chico é para nós uma instituição.Como cantor, escritor, e como pessoa.
    Juracema

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  2. E com toda a justiça! É impossível não gostar do Chico.

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