sexta-feira, 26 de outubro de 2012


PROMESSA

Um dia soltarei as borboletas que trago na barriga

E no ar lançarei as vagas.

Contigo ficarei para sempre comigo a sós, e irei

Sempre com uma moldura na voz

Rodear-te de atenção e loucura. Em ti porei

Para sempre, como no presente, a minha ternura.

Nus, teus braços barcos cordas, esperarei

Em cada vale o deslizar de todas as neves

E se suspendam de ti as folhas, alegrias breves.
A mar-te-ei como às flores, para sempre todas as tuas cores.
Ficarei liberta e louca nas casas da tua boca
E amar-te-ei sempre nas asas duma gaivota
Com olhos brancos de espuma...
Flutuante, bela e capaz de romper uma a uma
Cada nuvem que aparecer.
Amar-te-ei sempre. 



2 comentários:

  1. "Um dia soltarei as borboletas que trago na barriga

    E no ar lançarei as vagas."

    Escreves coisas tão lindas e significativas!

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  2. Olá, Arnaldo!
    Essa expressão de "soltar as borboletas" é uma expressão inspirada na vulgarizada expressão inglesa "butterflies in the stomach", que contudo nada tem a ver com o sentimento de estar apaixonado, mas com a acidez do estômago causada por nervosismo ou estados de ansiedade....embora é claro os estados de paixão possam inicialmente causar muito nervosismo...:-)
    Existe uma canção alemã, do meu cantor alemão preferido, intitulada "Flugzeug im bauch", "Aviões na barriga" que representa o oposto destas borboletas tão esvoaçantes. Representa o abandono, o fim de uma relação, e a pessoa rejeitada nem consegue comer por sentir "aviões na barriga"...
    Como vê, nada de verdadeiramente original, a não ser dar-lhe um sentido bom, de perder o chão,e não de acidez.
    Este poema foi feito há muitos, muitos anos....quando eu era uma jovem "inconsciente".

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